
Um cão velho e com um olhar cansado, caminhava lentamente pela rua e, inesperadamente, empurrou com o corpo o portão que estava entreaberto, e entrou no meu pequeno jardim.
Eu pude ver, pela coleira e pelo pêlo brilhante, que ele estava bem alimentado e bem cuidado.
Indiferente ao meu olhar admirado, ele andou calmamente até mim e eu fiz-lhe festas encantada pela meiguice do animal. Então ele seguiu-me e entrou comigo em minha casa. Passou pela sala, entrou no corredor, deitou-se num cantinho e dormiu.
Uma hora depois ele foi até à porta, pedindo com o olhar para eu lhe abrir a porta. Compreensiva e obediente, deixei-o sair.
No dia seguinte ele voltou, fez-me uma "festinha" semelhante à da véspera, entrou desta vez sem qualquer cerimónia em minha casa, deitou-se no cantinho do corredor e novamente dormiu durante uma hora e tal. Isto foi-se repetindo durante várias semanas.
Até que um dia, intrigada com a atitude do animal, decidi escrever um bilhete e coloquei-o na coleira: "Gostaria de saber quem é o dono deste lindo e amável cão, e perguntar se sabe que ele vem até a minha casa todas as tardes para dormir..."
No dia seguinte ele chegou para a sua habitual soneca, com um outro bilhete na coleira:
"Ele mora numa casa com 6 crianças, 2 das quais têm menos de 3 anos - provavelmente ele está a tentar descansar um pouco. Posso ir com ele amanhã?"
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
(Extracto de "poemas" de A.Campos)
eh, eh, eu às vezes também me apetecia ser cão...
ResponderEliminarOi amiga, gostei dessa do cão. lol Imaginação não te falta.
ResponderEliminarbeijinhos à tua sara.
Ana Simões
Bonita estória para ilustrar o dia-a-dia de quase todos nós. Muito stress e pouco descanso é o que nos vai esperando. Cumprimentos
ResponderEliminarAmiga Irene,
ResponderEliminarA história não sei se te aconteceu ou não mas... não deixa de ter muita piada.
Um abraço deste "longinquo" Portugal,
António Serra