Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos pretos 'afro-americanos', com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado! As criadas dos anos 70 passaram a 'empregadas domésticas' e preparam-se agora para receber a menção de 'auxiliares de apoio doméstico' .
De igual modo, extinguiram-se nas escolas os 'contínuos' que passaram todos a 'auxiliares da acção educativa'- em 2009/2010, são Assistentes Operacionais. Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por 'delegados de informação médica'.
E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em 'técnicos de vendas'. O aborto eufemizou-se em 'interrupção voluntária da gravidez';
Os gangs étnicos são 'grupos de jovens'
Os operários fizeram-se de repente 'colaboradores';
As fábricas, essas, vistas de dentro são 'unidades produtivas' e vistas do estrangeiro são 'centros de decisão nacionais'.
O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à 'iliteracia' galopante.
Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes 'Conforto' e 'Turística'.
A Ágata, rainha da música pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira ...» ; pois agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia para: «Tenho uma família monoparental ...» - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.
Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um 'comportamento disfuncional hiperactivo'

Do mesmo modo, e para felicidade dos 'encarregados de educação', os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, 'crianças de desenvolvimento instável'.
Ainda há cegos, infelizmente. Mas como se a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado 'invisual'. (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o 'politicamente correcto' marimba-se para as regras gramaticais...)
As prostiutas passaram a ser 'senhoras de alterne'.
Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em 'implementações', 'posturas pró-activas', 'políticas fracturantes' e outros barbarismos da linguagem.
E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.
Estamos bem tramados com este 'novo português'; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma 'politicamente correcta'.

E falta ainda esclarecer que os tradicionais "anões" estão em vias de passar a ser "cidadãos verticalmente desfavorecidos"...
Os idiotas e imbecis passam a designar-se por 'indivíduos com atitude não vinculativa' Os pretos passaram a ser 'pessoas de cor'.
O que sempre se designou como 'mongolismo', passou a designar-se 'síndroma do cromossoma 21'.
Os gordos e os magros passaram a ser pessoas com 'disfunção alimentar'.
Os aldrabões e mentirosos passam a ser 'pessoas com muita imaginação'.
Os que fazem desfalques nas empresas e são descobertos são 'pessoas com grande visão empresarial mas que estão rodeados de invejosos'...
Para autarcas e políticos, afirmar que "eu tenho impunidade judicial", foi substituído por 'estar de consciência tranquila'.
O conceito de 'corrupção organizada', foi substituído pela palavra 'sistema'.
Difícil, dramático, desastroso, congestionado, problemático, etc., passou a ser sinónimo de 'complicado'.
E assim vai o nosso país, numa nova e espantosa linguagem!
Estimada Amiga e Ilustre Historiadora Dra. irene.
ResponderEliminarTodos esses novos termos fazem parte dos ventos da hist]oria antigamente chamava-se imprensa, aos jornais e às revistas agora são os medias, cá para mim, ainda continuo sendo Alentejo, embora esteja fora faz muitos anos, e nessa dos nomes pomposos não entrou.
O primeiro a udar foram os Regentes Agricolas para Engenheiros Agricolas, os Nabos são os mesmo, só mudaram de designação.
Oa que andam no mar são marinheiros ou marujos e por essa ordem de ideias quem anda no ar é aviador mas deveria também chamarem-se Araujos e por ai fora rsrsrs.
Um abraço amigo cá desta cidade onde os Anjos se estão ajoelhando.
Com estas alteracoes no Portugues ...temo ter um dia um "disfuncao karonal" Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
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