quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Publicidade e o Consumo

Diz-me quanto consomes e eu te direi quanto vales…

A explosão do consumo no mundo actual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais porque a “cultura” de consumo soa muito alto. A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos. É quase invisível a violência do mercado: a produção em série, em escala gigantesca, impõe no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar. "Diz-me quanto consomes e eu te direi quanto vales", parece ser este o lema do consumidor. A actual civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a uma luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter noite. E as pessoas estão condenadas à insónia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica.
Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, para esquecer aquilo que não se conseguiu, ou seja, os objectivos de comprar, encherem-se, atulhando-se de coisas, ou sonhando fazê-lo, porque as coisas também podem ser símbolos de ascensão social... O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de gordos do mundo, uma fábrica de lixo disfarçada de comida: esta indústria está a conquistar os paladares de todo o planeta e a deixar em farrapos as tradições da cozinha local. A maior parte das mães de família, nem sequer sabem cozinhar, preferindo comprar nos supermercados os enlatados e as embalagens de comida já prontas para meter no micro-ondas. Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão a ser espezinhadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer e a ditadura do fast food.
A plastificação da comida à escala mundial, obra da McDonald's, Burger King e outras fábricas, viola com êxito o direito à autodeterminação da cozinha, cujo direito deveria ser sagrado, porque a alma tem uma das suas portas através da boca!
Tudo isto porque as massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a PUBLICIDADE!
Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite e graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai-se tornando tempo de consumo obrigatório. Porque a publicidade diz-nos que o cartão da MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola brinda a eterna juventude e o menu do MacDonald's não pode faltar na barriga de um bom atleta.
A cultura do consumo, é a cultura do efémero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar.
O pior de tudo isto é que a publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz, até porque isso é o que menos importa. A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias, certo?
As pessoas buscam um tempo livre, mas que afinal se transforma em tempo prisioneiro, aproveitando o seu tempo para trabalhar mais, para poder comprar mais. As casas muito pobres podem não ter uma cama, mas têm um televisor! E o televisor tem a palavra. Comprados a prazo, essas caixinhas que vendem fantasias, são a prova, ou a vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos, porque a cultura do consumo fez da solidão, o mais lucrativo dos mercados. Pobres e ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis do último modelo, os abastados inteiram-se das vantajosas taxas de juros que este ou aquele banco oferece, e assim as coisas têm atributos humanos: acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, se comprares o perfume tal, o teu príncipe ou princesa caem-te nos braços, o automóvel é o amigo que nunca falha, a casa dos teus sonhos está ao teu alcance, etc, os peritos sabem transformar as mercadorias em conjuntos mágicos contra a solidão…
O mundo inteiro tende a converter-se num grande écran de televisão, onde as coisas, para a maioria das pessoas, se olham mas não se tocam.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ternura...

Marisa deu uma corrida e ainda conseguiu apanhar o comboio, que fechou logo as portas mal ela entrou. A carruagem nem estava muito cheia.
Olhou indecisa para o banco que estava logo à entrada da porta para se sentar, mas desistiu da ideia, porque a mulher que lia uma revista, estava sentada de tal forma, que não sobrava muito espaço para ela. Foi então que reparou na velhinha num dos bancos a meio da carruagem, que lhe lançou um sorriso convidativo:
- “Ah menina, ainda bem que se sentou aqui, estava com medo que fosse aquele sujeito que tem ar de ladrão...”
Ela sorriu e acenou com a cabeça, num gesto cúmplice.
Sentada à janela do comboio, a velhinha confidenciou que já tinha tirado os "ouros", ou seja, os fios e pulseiras que habitualmente usava e que vinham já da sua avó. Filigranas raras, deviam valer bom dinheiro, se a roubassem... nem queria pensar no desgosto. Tinha medo andar com eles assim à vista, pois o caminho da estação até a casa, a pé, era escuro e longo e agora andava por aí tanta malandragem, que todo o cuidado era pouco.
A "menina" olhou a idosa e enterneceu-se, lembrava-lhe a mãe, já falecida. A velhinha continuou a tagarelar, falando da filha, dos netos, da vida cara, do tempo cheio de humidade, que lhe atacava o reumático...
Saíram na mesma estação e foi cada uma para seu lado, enquanto a jovem se metia no carro, estacionado mesmo ali, a velha senhora seguia devagar junto à linha. Ela olhou-a e, lembrando-lhe mais uma vez a figura da mãe, sentiu uma enorme ternura.
O seu carro já tinha percorrido alguns metros, quando num impulso, meteu marcha-atrás e parou junto da velhinha:
-“Avozinha, entre!” - disse com um sorriso meigo, esticando o braço e abrindo-lhe a porta do lado do passageiro.
Depois de a deixar à porta de casa, feliz por não ter de fazer a tal caminhada cheia de perigos de assaltantes e, entregue à filha e aos netos, Marisa retomou o seu caminho.
Chegou a casa, cansada mas contente. Bebeu um café e só então abriu a mala e despejou em cima da mesa o espólio desse dia, conseguido à custa de uns tantos empurrões nos transportes públicos...

domingo, 26 de junho de 2011

Arraial de S. João em Macau

Dos santos populares de Junho, o dia 24 foi consagrado a São João Baptista, por ser a data do seu nascimento sendo que é também o mais festejado na Europa – João, Joan, Jean, John, Iván, Sean, consoante o país onde a festa aconteça, mas apesar de ser o padroeiro de muitas terras, na noite de São João, a cidade do Porto é a que conserva grande parte da sua tradição original, porque são de inspiração bastante mais pagã, que as festas em louvor de Santo António ou mesmo de São Pedro.
S. João tripeiro, é uma grande manifestação de massas, eminentemente festiva, de puro cariz popular e que dura toda uma noite, com uma cidade inteira na rua, em alegre e fraterno convívio colectivo.
As ruas são enfeitadas do norte ao sul, S. João é festejado com alegria, as pessoas esquecem por uma noite os seus problemas e passeiam com os martelos de plástico, compram manjerico e comem sardinha assada, aliás, é com uma boa sardinhada e um bom caldo verde que começa a farra!
Fazer subir balões confeccionados com papéis de várias cores que passeiam no ar como festa de São João, dá inicio às festas do Verão, daí as fogueiras e todas as "loucuras" da noite deste santo popular.
Os restaurantes e tasquinhas das zonas populares, enchem-se para saborear pratos especiais como o carneiro ou cabrito do norte, caldeiradas de peixe no litoral, uns bolos chamados “capelas de São João” no Alentejo, bonecos com o formato do Santo, no Algarve.

Arraial de S. João em MACAU
A tradição do arraial, em honra de S. João Baptista, padroeiro da cidade de Macau, cumpriu mais uma vez este ano os seus festejos, no Bairro de S. Lázaro, alegremente enfeitado, trazendo assim, uma das tradições portuguesas mais populares, a este cantinho do mundo.
Este ano, felizmente sem chuva, o sol esteve sempre presente, durante todo o fim de semana. A rua encheu-se de gente de todas as etnias vivenciadas em Macau, para conviver e provar as especialidades das diversas tendinhas.
Ao longo da rua, barraquinhas de artesanato, fizeram as delicias dos visitantes, que aproveitaram para comprar algumas lembranças.


É claro que não podiam faltar as sardinhas, em arraial que se preze! Apesar de carotas (25 patacas/cada), muitas pessoas não resistiram em comprar e comê-las em cima de uma fatia de broa, que tem um sabor diferente naquele ambiente alegre e festivo.

Principalmente alguns chineses, atraidos pela música e pela multidão, chegaram, sentaram-se, apreciaram o ambiente, provaram as sardinhas, sangria e cerveja.
Pelo ar sorridente e satisfeito destes visitantes, a festa está aprovada!
Os dois ranchos folclóricos alternaram-se este fim de semana, deixando no ar as cantigas regionais bem portuguesas, que trouxeram lembranças e saudades a quem as ouviu... A zona de S. Lázaro, tem também um espaço cultural no Albergue SCM, onde se tem organizado diversas actividades durante todo o ano. Neste momento, estão patentes duas exposições.
Uma delas, a exposição autobiográfica do Arquitecto Francisco Figueira (1934-2009), que foi um grande defensor do património cultural, arquitectónico, urbanístico e paisagístico desta terra.
É bom Macau ter memórias, ter história e ser tão rico em termos identitários, que para isso, contribuiram muitos filhos da terra, naturais ou adoptivos, através deste espaço que conjuntamente habitamos.
A outra exposição, é a de azulejaria portuguesa. Em Novembro de 2010 o Albergue SCM, desenvolveu o 1.º Curso de Azulajeria para dar a conhecer novas técnicas de pintura em ajulejo e a sua importância estética na integração da arquitectura.
Portanto aqui temos a exposição de azulejos portugueses, um trabalho executado durante o curso, onde foram conservadas as técnicas tradicionais, numa nova vertente criativa da azulajeria. Junto à Igreja de S. Lázaro, foi montado um palco, onde desfilaram canções, as danças e cantares dos ranchos folclóricos e aqui temos estes artistas de palmo e meio, do Jardim Infantil D. José da Costa Nunes, que encantaram os presentes com canções populares muito bem ensaiadas.

A HISTÓRIA do Padroeiro de Macau

O dia 24 de Junho, consagrado a S. João Baptista, foi instituído desde 1622, (até 1999), e comemorado oficialmente como Dia da Cidade de Macau, estabelecido pelo Senado, para lembrar o milagre da vitória sobre os holandeses, porque na época, estava desprovido de gente e de defesa. Na altura dos acontecimentos, não tinha muralhas de defesa e havia apenas 200 homens, com alguma competência a pegar em armas.
A esquadra holandesa, era composta por 15 navios, dois deles ingleses. Quando cerca de 800 homens desembarcam, invadindo a estrada de Cacilhas e começam a subir para o monte da Guia, lá do alto, os jesuítas disparam três bombardas para a frota inimiga. Uma das bombas cai no navio paiol que se incendiou, ferindo e matando membros da guarnição. Seguiu-se uma enorme confusão, as cargas de fogo dos poucos homens que se equiparam para defender a subida da Guia, resultou na retirada dos holandeses, deixando caídos por terra, metade dos homens que haviam cercado a pequena cidade de Macau.
Desde então, o Senado e o povo passaram a comemorar o dia 24 de Junho, dedicado ao seu padroeiro, S. João Baptista, assim, a cidade enchia-se de alegria e animação. Estas festas passaram por várias fases de organização e locais, até que, em 2007, por vontade de algumas associações de matriz portuguesa, começou a fazer-se o “arraial” propriamente dito, sendo escolhido o Bairro de S. Lázaro, local bem no centro de Macau, onde as ruas, com a sua "calçada à portuguesa", lembram outras ruas dos nossos bairros portugueses, onde nos sentimos "em casa".
E assim, neste últimos três anos, o arraial fixou-se neste Bairro, com venda de artesanato, actuação de ranchos folclóricos, petiscos regionais portugueses, onde não faltam as sardinhas, bifanas e caldo verde, entre outros petiscos.


Meu querido São João
És um Santo popular
Traz teu arco e balão
Vem com o povo dançar!



Aproveitem bem esta noite...
Fica fresco quem se afoita e regala o coração
Quem se banhe à meia-noite
Na noite de São João

Delicados pés pisaram
Rosmaninhos pelo chão
Muitos corações amaram
Na noite de São João

São João seria bom santo
se não fora tão gaiato
levava as moças para a fonte
iam três e... vinham quatro.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Um casamento à moda antiga

A minha mãe casou nos anos quarenta. Pertencia a uma geração de opiniões censuradas a lápis azul e as mulheres com poucos ou nenhuns direitos, mas de homens cheios deles. Era um tempo em que o casamento era para toda a vida, o divórcio proibido, as uniões de facto eram pecado e filhos sem casar, uma desonra.
Era eu adolescente, e num dos serões lá de casa, casais amigos dos meus pais, reuniam-se e contavam-se histórias. Poucas me ficaram na memória, mas há uma, que eu jamais esqueci e que muito me impressionou: a história de uma amiga da minha mãe, a Manuela, que tinha casado em 1949. Os meus pais tinham sido convidados do seu casamento e assistido a uma história de vida, que teve um desfecho incrível e pouco comum para a época.

O CASAMENTO DE MANUELA:
Manuela ia casar! Havia uma roda-viva de última hora! A festa prometia ser um acontecimento bem sucedido, para isso contribuíram os esforços de todos, pai, irmãos, tios e afins, porque como filha única, os pais faziam questão de uma festa memorável.
Manuela estava feliz e nervosa, como é de costume as noivas estarem.
Levantara-se cedo, tinha ido ao cabeleireiro antes do pequeno-almoço e quando saíra eram já horas do almoço, que tomou com a avó, num restaurantezinho perto da praça onde ela vivia.
Com as mãos trémulas, a avó, colocou-lhe na lapela do casaco uma pequena jóia que tinha por sua vez recebido da sua mãe, antes de morrer. E assim se faz a passagem de testemunhos, numa continuidade de gestos e intenções.
Tinha sido prepositadamente que se tinha encontrado com aquela avó, que adorava, porque lhe transmitia serenidade e paz. A avó tinha-lhe dito que não ia à festa, porque se sentia doente e fraca, mas fez-lhe bem este encontro antes da cerimónia, que a deixou mais serena para este acontecimento tão importante e definitivo da sua vida.
Quando regressou a casa já as tendas tinham sido erguidas, as mesas postas, o bar pronto a funcionar, os empregados movimentavam-se atarefados com cadeiras, arranjos de flores e velas.
Visto que nenhuma ajuda era necessária retirou-se para o seu quarto, onde se preparou para mergulhar num banho quente e relaxante. Já estava pronta antes mesmo de chegarem os primeiros convidados, que a sua família ia recebendo juntamente com a família do noivo.
Colocou no decote generoso o alfinete que a avó lhe dera, para a sentir presente. A mãe, bela como sempre, inigualável, rodeada dos seus colaboradores e alguns convidados, esperava-a para seguirem para a capela.
Este casamento era do agrado das duas famílias. Foi um casamento faustoso, na quinta dos pais do noivo, ali para os lados de Santarém, celebrado na capela que ainda pertencia à familia, pelo pároco daquela pequena aldeia, seria de esperar que a conclusão desse casamento seria: “E Viveram Felizes para Sempre”, mas infelizmente não foi assim...
Quando, passados dois meses, Manuela apareceu em casa do pai a sangrar do nariz, consequência de uma “embirração” com a porta do quarto - desculpu-se ela - nada fazia prever que essa “embirração” começasse a ser sistemática. A minha mãe, era a única amiga desses desabafos.
Só quando teve que ir para o hospital, com o maxilar partido, se tornou claro que o marido para além de lhe infringir maus tratos, a mantinha dominada psicologicamente, pois os meus pais aconselhavam-na a separar-se, mas os tempos eram outros e a vergonha dessa separação tão imatura, fazia-a regressar sempre a casa do marido, que já era notório o seu temperamento violento, quando certa vez entrara em confronto com ela por causa duma pequena viagem que Manuela queria fazer com a avó a casa de uns parentes que viviam no norte.
Daí a partir para a agressão física, foi um pequeno passo. Manuela evitava discussões, que a propósito de qualquer frase, degenerava para um descontrolo capaz de gerar uma cena de violência imparável, com insultos e agressões de toda a ordem.
Ela ia suportando tudo, em silêncio, por vergonha, sempre na esperança que as coisas melhorassem, depois de ele lhe pedir perdão e prometer a chorar, que tudo ia mudar...
História já conhecida de todos nós e sempre com o mesmo fim, isto é, sem fim à vista. Uma noite, Manuela ouviu-o chegar, batendo com as portas; com o coração acelerado esperou que ele se deitasse sem a incomodar, como às vezes acontecia. Já dormiam em quartos separados desde que numa noite Manuela teve de ir receber assistência ao hospital com um pulso partido. Ele era esperto, nunca lhe batia na cara para não a desfigurar, para as pessoas não se aperceberem do que realmente se passava naquele casal aparentemente tão amoroso.
Com o coração a bater, Manuela aproximou-se da porta e escutava-o andar de um lado para o outro, tropeçando aqui e acolá, por certo já embriagado. Começou a tremer e a rezar, pedindo a Deus que o afastasse da sua porta, da sua cama, do seu corpo. Mas foi esse corpo que ele violentou nessa noite, violando, mais do que isso, a dignidade da mulher, depositando nele o sémen de que resultaria um ser não desejado, que Manuela, ao princípio, odiou mais do que se possa imaginar, mas que durou apenas o tempo do seu desamor. Com o nascimento do filho, seguiu-se uma paz morna e podre, feita de renúncias e despojos, uns tempos sem história em que mal se viam, presumindo Manuela, que outra mulher ocupava na vida do marido, o lugar que ela definitivamente recusava ocupar.
A criança ficava muitas vezes em casa dos avós, quando ela se sentia mais deprimida e fraca, valia-lhe muitas vezes a amizade dos meus pais, que a confortavam conforme sabiam e podiam.
Mas um dia, naquela madrugada, ainda escura, acordou com barulhos do outro lado da casa com um bater da porta, coisas a cair e um grito abafado. Ficou em pânico, fazendo-a recuar tempos atrás, no dia em que fora violada e, ficou algum tempo à escuta. Um vulto entrou no seu quarto a cambalear, estendeu um braço na direcção dela e caiu desamparado a meio do caminho.
Manuela não se atrevia a aproximar-se mais do que o suficiente, apenas para verificar se ele respirava. Ouvia-se apenas um ligeiro ruído, um estertor, arquejando ao mesmo tempo que tentava dizer-lhe qualquer coisa. Ela nem se atrevia a acender uma luz, mas na penunbra começou a ver uma quantidade de sangue, que lhe saía da manga da camisa e alastrava pelo chão, onde tinha caído de bruços.
Recuou, sentou-se numa cadeira e ficou a olhá-lo, estupidificada, sem força nem vontade de o socorrer ou pedir ajuda. Aos poucos ele deixou de se mexer e já o dia rompia quando Manuela, calma e friamente, arranjou-se, meteu uma pequena muda de roupa num saco e foi hospedar-se num modesto hotel, perto da praia.
Precisava pensar, para não ser acusada do crime de falta de assistência à vítima. A meio da manhã, encheu-se de coragem e ligou para casa, para perguntar à empregada se estava tudo bem... quase desmaiou, quando ouviu a voz do marido, forte e saudável, que lhe perguntava:
“-ONDE É QUE ANDAS?”
Tremendo, deixou cair o telefone e ficou a olhar para ele, como se este mordesse…
-“ONDE ESTÁS?” - Voltou a ouvir voz odiada, tão alto e tão irritado, que se podia ouvir distintamente.
-“Estou... estou na rua, vim fazer umas compras. E tu? Estás bem?”
-“Não, não estou bem, com um morto em casa, como posso? E a Lina, foi para o hospital com ferimentos graves!”
Não entendia nada, apenas conseguiu balbuciar um “vou já!”
Quando chegou a casa, acabou por entender que no escuro, e no seu desejo que fosse ELE, confundira o vulto, como se fosse o do marido, quando afinal se tratava de um assaltante perigoso, que depois de ter atacado a empregada e já muito ferido com as facadas que esta lhe desfechara, se dirigiu pelo corredor fora, à procura de uma saída e de socorro, caindo ali à sua frente, ferido de morte.
Incrível como tudo parecia ser de uma outra forma. A verdade contada pelo seu odioso marido, caiu à sua frente, como se fosse um muro de esperança que desabasse.
Lina, a brava Lina, ainda ficou uma semana no hospital, mas recuperou fisicamente, o mesmo não aconteceu psicologicamente, por isso despediu-se.
Quando, três meses e meio depois Manuela abateu a tiro o homem que era suposto ser um assaltante, mas que afinal se veio a confirmar ser o seu marido, que “no escuro ela confundiu”, tinha arranjado o perfeito álibi, até porque ela estava demasiado espancada, para que a policia não acreditasse...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Dormir e sonhar....


Passamos cerca de um terço da nossa vida a dormir. O sono é aparentemente um estado inconsciente, mas na realidade, o cérebro está tão activo quando estamos a dormir como quando estamos acordados, o que pode ser visto através da medição dos sinais eléctricos do cérebro, da pressão arterial, do ritmo cardíaco, do consumo de energia entre outros aspectos vastamente estudados.
Há quem se dedique a traduzir os enigmas dos sonhos e que nos poderá ajudar a compreender factos da nossa vida e do nosso quotidiano uma vez que não podemos associar os sonhos só a factores externos, porque muitos dos nossos sonhos são símbolos da historia pessoal de cada um e cabe somente a nós decifrá-lo. Existem diferentes tipos de sonhos:
1. Criativos, são aqueles em que pessoa consegue reproduzi-los através de pinturas e até mesmo livros;
2. Lúcidos, são quando estamos a sonhar, se tem controle do mesmo;
3. Previsíveis, qundo se sonha com eventos que estão para acontecer;
4. Repetitivos, aquele em que acontece a mesma coisa sempre, normalmente quando temos alguma coisa que nos preocupa na vida real;
5. Sensuais, principalmente na puberdade, mas não deixa de acontecer durante toda a nossa vida e como o próprio nome diz, está relacionado com a sexualidade;
6. Pesadelos, que querem dizer preocupação e medos de acontecimentos da vida real.
Antigamente, falava-se que os sonhos eram mensagens dos deuses, mas alguns parapsicólogos, como Charles Tart, acreditam que o sonho é uma entrada para outro universo, um universo paranormal de OBEs, com mensagens cósmicas e onde entra também o celestial nirvana…
Sonhamos mais em criança, porque nos sentimos mais frágeis: os sonhos são a forma que o cérebro encontra para descarregar o stresse e se ‘treinar’ para as situações de perigo, por isso é que as crianças têm tantos sonhos aterradores com monstros e fantasmas.
Em adultos, já no controlo das nossas vidas e das nossas emoções, o cérebro está mais descansado. Sonhamos menos e com menos ‘acção’. Mesmo assim, de vez em quando, ainda passamos a noite em autênticas telenovelas inventadas no nosso imaginário.
Mas por que é que temos todos sonhos tão comuns? Por que é que há sonhos que toda a gente tem? Alguns são, explicam os especialistas, sonhos ‘primordiais’, sonhos que herdámos dos nossos antepassados pré-históricos, como sonhar com cobras, que a maioria de nós nunca viu na vida.
E a maioria dos pesadelos são sonhos em que perdemos o controlo: por muito que tenhamos crescido e aprendido, há medos que nunca passam... Os sonhos têm significados muito menos esotéricos do que se pensa, e muito mais ligados aos nossos medos, quotidianos ou herdados, e às nossas emoções. Mas então, o que é que significa sonhar com...
1 - Perseguições – É um dos sonhos mais recorrentes nas crianças, que se sentem fisicamente mais frágeis e mais ameaçadas e ainda não aprenderam a distinguir um perigo verdadeiro de um real. Mas continua a acontecer na idade adulta. Continua a significar um estado de ansiedade na vida, seja por que motivo for, e não necessariamente que se está a sofrer de assédio no local de trabalho...
2 - Que se está a cair – Pode significar apenas uma alteração na ‘torre de controlo’ de equilíbrio do cérebro, mas pode significar também que se está a atravessar uma fase em que temos pouco controlo sobre a nossa vida.
3 - Perder dentes – Um sonho que parece absurdo (porquê perder dentes e não uma perna, ou um braço, ou cabelo?) mas que é partilhado por uma esmagadora maioria das pessoas de todo o mundo. Pode significar simplesmente... pois: problemas de dentes, passados ou futuros, que o cérebro magnifica, como se tivesse uma lupa, para que lhes prestemos atenção. Também pode ser um sonho herdado da infância (temos mais do que pensamos), ou ainda uma preocupação em manter qualquer coisa que sentimos que alguém nos quer tirar.
4 - Onda gigante – Não, não é um sonho premonitório de tsunami. É outro sonho pré-histórico, e significa geralmente que estamos a reviver um susto para que o cérebro possa libertar em segurança as tensões acumuladas. Atenção que isto não significa necessariamente (aliás, quase nunca) um susto no mar, pode ter sido uma qualquer situação de pânico, ou mesmo um trauma de qualquer espécie. O sonho coloca-nos numa situação de medo básico, que todos os humanos reconhecem, para nos fazer reviver essa emoção.
5 - Voar – Basicamente, significa desejo de liberdade, ou necessidade de ter uma visão global das coisas sem ser visto (sonhar com o próprio funeral, por exemplo, é muito comum).
6 - Um teste ou exame para o qual não estamos preparados – Não é só na infância e na adolescência que temos este sonho: a ansiedade do desempenho acontece em qualquer idade. Mas como as imagens e recordações infantis permanecem muito fortes em nós, o cérebro vai buscar essas imagens para nos fazer reviver esse medo.
7 - Sair à rua sem roupa – Outro clássico, e o mais fácil de explicar: receio do olhar dos outros. Por qualquer razão, sentimo-nos mais expostos (mudámos de emprego? Conhecemos alguém novo?) e mais sensíveis à opinião que os outros têm de nós.
8 - Sexo – Há imensas situações sexuais, e, curiosamente, as mulheres têm sonhos sexuais mais agradáveis do que os homens. E não, sonhar que se salta para cima do patrão não quer dizer que é o homem da nossa vida ou que sempre tivemos o fetiche do poder, mas simplesmente que o cérebro está numa de juntar a eito bocados do puzzle da nossa vida, e nem todos têm de fazer ‘sentido’... Sexo com o (ou a) ex pode significar apenas que o cérebro ficou momentaneamente ‘encalhado’ no passado, e não que se deseje lá voltar... Sexo com outra mulher não significa necessariamente tendências homo, mas uma celebração da feminilidade (muitas grávidas têm este sonho). Com um estranho, dizem os psiquiatras que significa uma parte de nós que não conseguimos ou não queremos aceitar, ou apenas a projeção dos nossos desejos numa ‘tela em branco’... Claro que, se o estranho for o George Clooney, não são precisas muitas explicações...

OS ANIMAIS TAMBÉM SONHAM? Quem tem animais, já se apercebeu que o seu cão ou gato mexe-se enquanto dorme, ou emite sons durante o sono. É que o bichinho pode estar a sonhar, uma vez que os sonhos de um gato ou cão, pode ser influenciado pelo ambiente em que ele vive. Se o animal está num ambiente barulhento e onde ele não recebe atenção, poderá dormir pouco, tornando-se stressado e solitário.
Por outro lado, os animais que vivem num ambiente tranquilo, que recebem carinho e atenção, tendem a ter o sono mais calmo. De acordo com especialistas, é importante ainda respeitar os animais durante o descanso e deixar que eles durmam repousadamente.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Ensino e a Crise

A crise está a produzir efeitos incríveis que ninguém planeou. Coisas do capitalismo: milhões de pessoas que estão a fazer escolhas independentes que produzem efeitos que ninguém previu.
É ver as notícias! Muitos profissionais que perderam os seus empregos, nos Estados Unidos, passaram ao ensino. Isso mesmo! Contabilistas vão para as escolas ou universidades ensinar, depois de passarem muitos anos com a “mão na massa”. Engenheiros, Arquitectos, Desenhadores, vão para as escolas e faculdades ensinar desenho industrial e por aí fora.
Em Portugal, todos estes profissionais, que mencionei, eram (e são), simplesmente, ignorados, a não ser que fossem (ou sejam) amigos ou familiares de alguém bem colocado, no governo, mas essas são outras “histórias”…
Quem não tiver mestrado ou doutoramento, o Ministério da Educação não o reconhece como professor, mesmo que seja um profissional fantástico, com o maior reconhecimento da empresa onde trabalhou, ter experiência e ser dos bons, apesar disso vale zero, só com um “canudo”!
Simplesmente porque não passou pelos rituais de iniciação, porque não gastou tempo e dinheiro a escrever dissertações, (aquelas que raramente alguém lê), onde há muita teoria, mas que na prática é uma desgraça porque …. o interesse dos burocratas está no formalismo e na papelada que dão lucro e desesperam a paciência de quem quer fazer alguma coisa na vida.
Não há muito tempo, na Feira de Ciências de uma escola secundária em Boston, Massachussets, um adolescente de 16 anos apresentou um trabalho da maior relevância para a saúde pública mundial: descobriu que o vírus da hepatite C e o vírus transmitido pelo mosquito dengue são “primos” próximos.
Esta descoberta foi um atalho que pode assim economizar muitos anos na descoberta da cura da dengue (sabendo que os vírus são primos próximos podem-se usar muitos conhecimentos já avançados sobre o vírus da hepatite C, - dengue) e este aluno, que foi tomado a sério, teve entrada imediata numa universidade por ter demonstrado competência, interesse e conhecimentos e não teve de passar pela burocracia de mais exames para atestar o que ele de facto já é ou mostrou ser. Se por exemplo Bill Gates (Microsoft) e Steven Jobs (Apple), dois grandes vencedores da vida, tivessem tido qualquer actividade académica, não teriam tido tempo para inventar nada, porque teriam perdido o seu tempo a correr atrás de disciplinas, para conseguir os certificados que legitimariam as suas descobertas.
Se, eventualmente, estes homens perdessem os seus empregos, poderiam ir dar aulas, pois ninguém duvida que tal seria uma boa aposta. Muitas universidades os receberiam de braços abertos e haveria uma grande disputa, entre as melhores universidades, para os conseguir contratar. Mas, será que em alguns outros países, entre eles, Portugal, isso seria possível? Porque, no nosso país, qualquer actividade académica exige papéis, muitos papéis e, principalmente um papel chamado de “diploma”, assinado por alguém que afirma que os estudos são verdadeiros.
No entanto há quem compre esse papel como “verdadeiro”, e aí temos muitos incompetentes a dar aulas em universidades, a pavonearem-se como sábios, sem nunca terem concretizado coisa alguma.
E assim vai o ensino…

Nota: Ressalvo, aqui, os muitos catedráticos e outros docentes de valor, que continuam, verdadeiramente, a interessar-se pelos nossos estudantes, mas infelizmente há muita “arraia-miúda” misturada que dá mau nome ao ensino superior e é aí que eu quero chegar.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A homossexualidade...


Todos nós conhecemos alguém homossexual: ou porque temos um familiar, um colega ou amigo que tem uma preferência erótica por pessoas do mesmo sexo, e homossexualidade é isso mesmo, quando está presente a possibilidade de escolha, tanto nos pensamentos e emoções, como nos comportamentos sexuais.
Para se ser “homossexual” é necessário que essa orientação seja estável e duradoura. Além dos comportamentos objectivos, inclui índices fisiológicos e cognitivos (pois é possível que haja indivíduos que se envolvam em actividades sexuais, não preferidas, através de fantasias sexuais preferidas).
Mas a homossexualidade sempre existiu e se formos consultar os arquivos, veremos que, entre os antigos romanos e gregos, era uma prática comum, inclusivé entre os grandes líderes da história como por exemplo Nero, Alexandre Magno, etc.
No século XIX, a homossexualidade era considerada como uma doença devido à ignorância e aos preconceitos, deitados por terra num estudo feito em 1957 na Universidade da Califórnia, Los Angeles, que demonstrou a invalidez dessa tese.
Aqui na China, faz mais de uma década que retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais. Mas ainda hoje há clínicas e hospitais um pouco por todo o país que prometem cortar o “mal” pela raiz e os métodos aproximam-se da tortura.
O dia 17 de Maio foi consagrado à luta contra a homofobia, e tornou-se simbólico porque já fez 20 anos que a OMS – Organização Mundial de Saúde, tirou a homossexualidade da lista de doenças.
A homossexualidade no adulto torna-se mais provável se existirem factores predisponentes na infância e na adolescência, como por exemplo os traumas psico-sexuais ou comportamentos de identificação errada do papel sexual (feminilidade/masculinidade). Esta probabilidade é tanto maior quanto o relacionamento heterossexual posterior for mais inadequado, negativo ou de aversão (por exemplo por défice de aptidões heterossexuais, por ser vítima de rejeição ou violação) podendo levar gradualmente a experiências homossexuais consideradas mais fáceis ou mais agradáveis.

Estudos vêm desmentir uma ideia muito difundida entre o público, que a homossexualidade não tem vindo a aumentar, nem a diminuir e o que acontece é que nas últimas décadas, em especial no Ocidente, há um maior desenvolvimento de uma atitude social mais tolerante e culturalmente mais aberta, facilitando o fortalecimento e a visibilidade dos movimentos “gay”, e possibilitando que haja cada vez mais homossexuais, que individualmente se assumem como tal.
Porém, qulaquer um de nós repara que, cada vez mais, os jovens têm claras tendências homossexuais. Umas alimentadas por consequência do convívio/oportunidade e outras comprovadas clinicamente desde a infância (disfunções hormonais).
Há conferências onde explicam que é urgente acabar com a ideia que a homossexualidade pode ser tratada e que há mais formas de pensar e viver a sexualidade de cada um.
De facto há dois lados e certamente existem evidências que apoiam ambos! E o que se pode concluir? Devemos acreditar que essa tendência faz parte realmente de uma suposta “natureza”? Ou aderir literalmente a uma visão radical-religiosa contra tal prática?
Poderemos ficar indiferentes aos “outros” e até ignorar essas vivências, porque cada um dorme com quem quiser na intimidade da sua casa, mas… um filho/a nosso, um irmão, ou o nosso melhor amigo/a, que decidiu escolher alguém do mesmo sexo para partilhar a sua vida, como enfrentaremos esse facto?
Há quem o aceite com naturalidade, mas ainda há muita mentalidade conservadora que continuam com a opinião que existem, apenas dois sexos (Homem e Mulher), e custa-lhes a aceitar que a homossexualidade não é um sexo, mas uma opção sexual, ou seja, uma escolha!
Um estudo, realizado por cientistas suecos e publicado na revista norte-americana “Proceedings of the National Academy of Sciences”, reforça a teoria de que a orientação sexual não é um comportamento adquirido, mas tem também uma causa biológica.

Eu, particularmente, tenho as minhas opiniões em relação à homossexualidade; porém, não tenho absolutamente nada contra os homossexuais. Tenho até, por sinal, muitos amigos gays e são pessoas fantásticas, não pelo que escolheram para si, mas pelo que realmente são como pessoas que muito admiro e estimo!
O ponto mais importante nisto tudo é que independente da escolha de cada um, todos acabam por ser iguais.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A Lei Kármica

A LEI KÁRMICA, ou Lei Cósmica, que abrange todas as outras leis e consiste nos princípios multidimen-
sionais, temporais e atemporais de acção e reacção.
O espírito humano está na Terra em busca do seu aperfeiçoamento.
Assim, o amadurecimento, o amor, a aprendizagem e a evolução, são à base de toda filosofia espírita. Mas, o que muitos desconhecem ou não acreditam, é que nessa caminhada espiritual formada por várias reencarnações e missões a serem cumpridas, existe o karma.
É um princípio motivador da evolução das consciências aplicando o método "dor correctiva ou recompensa", que se aplica em todos os lugares (espaço), todos os tempos (temporalidade) e em todas as dimensões (multidimensionalidade).
A Lei do Karma ensina-nos que certos tipos de acções levam-nos inevitavelmente a resultados similares. Todos nós, na nossa actual existência, estamos a recolher aquilo que semeámos nas nossas vidas passadas e, ao mesmo tempo, estamos a semear aquilo que recolheremos na nossa próxima existência.
Nunca entendemos isto, e é assim que a humanidade não poderá escapar a esta cadeia de consequências, já que quase nunca sabemos o porquê dos nossos sofrimentos.
Quando uma pessoa semeia desgraças, provocando dano aos demais, na realidade isso mesmo virá a recolher numa outra existência ou mesmo na actual. Essa é a lei do Karma.
A lei do Karma é aquela lei que ajusta, sábia e inteligentemente, o efeito a sua causa. Todo o bem ou o mal que tenhamos feito numa vida, virá trazer-nos consequências boas ou más para esta vida ou nas próximas existências.
Não devemos esquecer os provérbios cristãos: “o que semeia raios colhe tempestades”; “com a vara com que medes serás medido”; “olho por olho, dente por dente”; “ o que a espada mata, com a espada morre”
A lei do Karma governa toda a Criação, e é uma lei imodificável. Ela é conhecida nas religiões como “justiça celestial”. Quem transgride uma lei, cria dor para si mesmo.
Na Gnosis, ela é simbolizada com uma balança: o prato direito, corresponde às boas obras e é denominado DHARMA.
O prato esquerdo, corresponde às más acções e é chamado KARMA. Esta lei é também conhecida como a lei de acção e consequência, ou causa e efeito.
A lei do Karma controla-nos e vigia-nos em cada instante e por isso qualquer acto bom ou mau nas nossas vidas têm consequências.
Todo o mal que façamos há que pagá-lo e todo o bem que façamos, ser-nos-á recompensado. Deus deu-nos o livre arbítrio e podemos fazer o que queremos, seja bom, seja mau, porém, temos que prestar contas de todos os nossos actos diante da justiça divina.
O Princípio do Livre Arbítrio, dá ao homem o direito de escolher os seus caminhos, de ser o autor da sua história e o construtor do seu destino.
Quando um ser humano vem a este mundo, traz o seu próprio destino e por isso uns nascem num colchão de penas e outros na desgraça. Se numa existência ferimos alguém, agora alguém vai ferir-nos; se matámos, agora nos matam; se roubamos, agora nos roubam e assim, “com a vara com que medimos, agora nos medem e com a desvantagem de não sabermos o porquê.”.
É preciso que fique claro que a lei do Karma é uma lei de compensação e não de vingança. É um remédio que nos é aplicado para o nosso próprio bem; desgraçadamente, as pessoas em vez de se inclinarem reverentemente diante desta ajuda, protestam e/ou blasfemam, justificam-se a elas próprias, que não podem “pagar” aquilo que não se lembram…
Quando a Lei Cósmica vai cobrar um Karma a uma pessoa, primeiro ela é submetida a um juízo interno. Se tem Dharma, quer dizer, se fez boas obras, não sofre nenhum padecimento, mas se não tem capital cósmico, paga com a dor, com o sofrimento que afinal foi ela própria quem provocou, por igualmente ter feito mal a alguém.

MORTES COLECTIVAS O karma colectivo, possui enlaces energéticos, sintonias afins, processos comuns de energias a serem tratadas, que une pessoas num determinado ponto para cumprirem uma determinada sentença de um facto inevitável, como um acidente de autocarro, avião, fuzilamentos em massa, massacres, etc.
Livro dos Espirítos" - página 348 questão 737

SUICÍDIO
De todos os desvios da vida humana o suicídio é, talvez, o maior deles pela sua característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos homens, sem a luz da misericórdia.
Relativamente ao suicídio é oportuno repetir que a obra de Deus é a do amor e do bem, de todos os planos da vida, e devemos reconhecer que, se muitos Espíritos reencarnam com a prova das tentações ao suicídio e ao crime, é porque esses devem agir como alunos que, havendo perdido uma prova no seu curso, voltam ao estudo da mesma no ano seguinte, até obterem conhecimento e superioridade na matéria. Muitas almas efectuam a repetição de um mesmo esforço e, por vezes, sucumbem na luta, sem perceberem a necessidade de vigilância, sem que possamos, de modo algum, imputar a Deus o fracasso das suas esperanças, porque a Providência Divina concede a todos os seres as mesmas oportunidades de trabalho e de habilitação.
Consolador" - Emmanuel – 1940.

SUICÍDIO E LOUCURA
O homem não tem o direito de dispor da sua vida. Só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei.
Não é sempre voluntário o suicídio. O louco que se mata não sabe o que faz.
Livro dos Espiritos - Allan Kardec (q. 434 e 944)

MORTES VIOLENTAS A desencarnação por acidentes, por pecado, ou por castigo expiativo, é pelo processo denso DO PERISPIRITO (CORPO ASTRAL), que não produz outra sintonia energética devida as excrescências etéreas semi-materiais presas ao seu perispírito. Estes casos fulminantes de desprendimento, proporcionam sensações muito dolorosas à alma desencarnada, em vista da situação de surpresa ante os acontecimentos supremos e irremediáveis. Quase sempre, em tais circunstâncias, a pessoa não se encontra devidamente preparada e, o imprevisto da situação, traz-lhe emoções amargas e terríveis.
Porém, esses casos, têm a interferência dos amparadores do plano espiritual, que ajudam o recém-desencarnado a desvencilhar-se das densas energias etéricas (fluídos vitais) que após esse acontecimento, elevam vibracionalmente as energias com passes, para que o desencarnado saia da zona das trevas (infradimensional).

EVOLUÇÃO
Toda a acção gera uma força energética que retorna a nós da mesma forma…
O que semeamos é o que colhemos.
E quando escolhemos acções que levam a felicidade e o sucesso aos outros, o fruto do nosso karma é igualmente a felicidade e o sucesso.
Deepak Chopra

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A Morte, essa Desconhecida...


A morte chegará inexoravelmente para todos, ricos e pobres. Portanto, que oca vaidade centrar a nossa existência apenas nesta vida?!
Porque sofrem, de diversas maneiras, tantas pessoas? A uns, porque com a idade ou doenças, chegam ao fim e dói-lhes deixá-la; a outros, porque dura demais, porque não têm ou tiveram objectivos e a vida aborrece-os... Em caso algum é admissível o erro de justificar a nossa passagem pela Terra como um fim.
É preciso sair dessa lógica, e afirmarmo-nos noutra: a eterna!
É necessária uma mudança total: esvaziar-se de si mesmo, dos motivos egocêntricos, que são caducos, para renascer em Cristo, que é eterno.
É verdade, só a morte como fim inevitável, dá sentido à vida e direcção ao tempo, colocando-nos diante do desafio de realizar coisas, da urgência em ver os nossos objectivos terminados. Ter planos para o futuro, é só para quem reconhece os limites nesse futuro! Mas, contradição demasiado humana, a mesma perspectiva que dá sentido à nossa vida é encarada, quase sempre, como facto gerador de sofrimento, medo e insegurança, fonte de melancolia e algo em que nós evitamos de pensar.
Todas a religiões têm uma explicação para esse estado material, que um dia todos nós vamos atingir. Todavia, assim como estas divergem nas suas doutrinas e dogmas, a explicação para o estado da morte também é divergente não só para os doutrinadores religiosos, mas também para a própria ciência.

Apesar de todas essas explicações, jamais saberemos o que de facto é a morte ou poderemos sentir a sua dimensão senão quando chegar nossa própria hora, e para a qual jamais nos mostramos preparados, pois fomos feitos e criados com a vontade e a necessidade de viver, porque Deus assim nos fez, e é assim que Ele nos mantém nesta esfera, embora o fascínio insondável da morte sempre venha a suscitar temores e dúvidas a respeito do significado da própria vida, afinal, por que devemos morrer, se todos queremos viver?
Esta é uma condenação a qual estamos todos sujeitos a passar, mas a dor, a conturbação de perder alguém querido, que nos é arrebatado pelo anjo da morte, faz-nos às vezes indagar sobre certos mistérios, como o estado da morte.
Apesar de muito lermos sobre o assunto e sermos doutrinados “que a morte é apenas uma passagem física para outro plano”, jamais aceitamos a morte de um ente querido com um sorriso, porque os nossos sentimentos em relação àquele ser humano, ao qual estavámos apegados, a separação brusca dessa morte, não nos deixa conformar que nunca mais o poderemos ver, falar, ouvir e tocar-lhe e a saudade e o desespero instala-se no nosso coração.

Não choreis nunca os mortos esquecidos
Na funda escuridão das sepulturas.
Deixai crescer, à solta, as ervas duras
Sobre os seus corpos vãos adormecidos.

E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,
Agonizar... guardai, longe, as doçuras
Das vossas orações, calmas e puras,
Para os que vivem, nudos e vencidos.

Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,
Da multidão sem fim dos que são vivos,
Dos tristes que não podem esquecer.

E, ao meditar, então, na paz da Morte,
Vereis, talvez, como é suave a sorte
Daqueles que deixaram de sofrer.

Pedro Homem de Melo, in “Caravela ao Mar”

VIDA DEPOIS DA MORTE?

O astrofísico Stephen Hawking*, de 69 anos, afirmou numa entrevista ao jornal "The Guardian", que a vida após a morte é apenas um “conto de fadas” para pessoas com medo de morrer.
Hawking, um dos mais conhecidos cientistas do planeta, sofre desde os 21 anos os efeitos de uma doença que o impede de se mover e que, segundo os médicos, deveria ter morrido logo após os primeiros sintomas, mas que, de acordo com o próprio astrofísico, permitiu que ele aproveitasse mais a vida.
-“Eu vivi com uma perspectiva de uma morte próxima nestes últimos 49 anos. Não tenho medo da morte, mas eu também não tenho pressa em morrer, porque tenho muita coisa ainda para fazer”, disse ao jornal britânico.
- “Considero o nosso cérebro como um computador, que vai parar de trabalhar quando os seus componentes falharem. Não há céu nem vida após a morte, para computadores quebrados, isso é um conto de fadas para as pessoas com medo do escuro”, afirmou categoricamente o cientista.
Em 2010, Hawking lançou o livro "The Grand Design", no qual afirma que, não há necessidade de um criador para explicar a existência do Universo. Estas afirmações vão contra um de seus mais famosos livros, "Uma Breve História do Tempo" (hoje revisado e com o título "Uma Nova História do Tempo"), de 1988, em parceria com Leonard Mlodinow.
Nos anos 80, Hawking dizia que uma teoria do "tudo", a qual Einstein buscava e que poderia explicar todas as forças e partículas do Universo, seria o que levaria o homem a “conhecer a mente de Deus”.
Agora, o astrofísico descarta a vida após a morte e diz que devemos concentrar o nosso potencial na Terra, fazendo o melhor uso possível das nossas vidas.
Hawking, proferiu há pouco tempo uma palestra em Londres, onde afirmou que as flutuações quânticas no início do Universo, tornaram possíveis as galáxias, estrelas e, por fim, a vida humana. Falou ainda sobre a teoria M, que une a teoria das cordas e é vista por muitos cientistas como a melhor candidata à teoria do “Tudo”…

* Stephen Hawking é um Físico teórico e cosmólogo inglês, Professor lucasiano na Universidade de Cambridge, posto ocupado por Sir. Isaac Newton. Envolvido com os campos de cosmologia teórica, gravidade quântica e teoremas sobre singularidades, e também envolvido com as pesquisas sobre os buracos negros, faz debates em todo o mundo, sobre as grandes questões do Universo.