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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O restaurante do Senhor Shuang



De vez em quando, gosto de ir comer a um restaurante chinês, ali para os lados do Mercado Vermelho, hábito que me ficou quando vivi por aqueles lados e que na altura, fui arrastada por uma amiga macaense. Fiquei cliente!
O dono, é o senhor Shuang, que anda sempre por ali a ver se está tudo em ordem, fala um bocadinho de português, o suficiente para nos conseguirmos entender em simples conversas.
Numa das vezes em que lá fui almoçar, ele sentou-se na minha mesa, então perguntei-lhe com curiosidade, se se lembrava dos guardas vermelhos, na altura de “Revolução Cultural”. Acenou afirmativamente com um ar grave e confidenciou-me que tinha fugido de Xangai, mais a esposa Xiaoli, em 1970.
Tinham acabado de se casar, ele com 22 anos e ela com 19, numa época conturbada, a Revolução Cultural, que logo se transformou numa luta pelo poder.
Empreendida pelo grupo maoísta, sustentada pelo Exército Popular de Libertação, precisamente na altura em que Mao, entrou em choque com Lin Piao, seu sucessor e chefe do Exército Popular.
O movimento foi-se multiplicando em organizações revolucionárias, que se inspiravam no livro “Pensamentos de Mao Tsé-Tung”, conhecido como “Livro Vermelho”, onde se firmavam as ideias de reeducação socialista, críticas ao burocratismo, fidelidade a Mao e alerta contra o inimigo.
E todos eram inimigos, ninguém estava livre de um dos fanáticos jovens se lembrarem de inventar mentiras, para “mostrar serviço” e assim enviar milhares de inocentes para os campos de reeducação. Decidiram fugir.
Viajou com a esposa mais de um mês, sempre escondidos, até chegarem a Macau, para junto de um tio, que lhes deu guarida.
Dormiram muito tempo numa esteira à entrada da porta de casa desse tio. Ele e a esposa passaram a trabalhar na mercearia, que lhe foi deixada dez anos depois, após o falecimento do parente, pois ele não tinha mais ninguém.
Com um sorriso matreiro, o senhor Shuang confessa que foi uma sorte, porque o casal tomou a rédea ao negócio, que ainda durou uns dois ou três anitos no mesmo ramo. 
O tio deixara-lhes também algumas poupanças e, juntamente com um dinheirinho que tinham amealhado, na esperança de voltarem um dia à terra, que os viu nascer, decidiram comprar o espaço. Com o nascimento da filha, foram ficando…
A esposa cozinhava bem e por isso, resolveram apostar  na restauração. Após algumas obras, abriram o restaurante, com espaço que nessa altura, dava para uns quarenta lugares. Lentamente, foram angariando clientela.
Passados cinco anos, o senhor Shuang comprou a lojinha ao lado, que vendia artigos funerários e ampliou o restaurante para oitenta lugares. Agora sim, o estabelecimento passou a ser considerado “médio”, foi ganhando a confiança de clientela mais selectiva, que eram na sua maioria homens de negócios, funcionários públicos e bastantes estrangeiros, atraídos pela fama dos seus preços razoáveis e cozinha de qualidade.
Os melhores cozinheiros, têm sido ao longo dos anos, disputados pelo senhor Shuang, que lhes paga razoáveis salários, acima da média dos outros restaurantes.
-“Quando abri o meu restaurante em 1985, nesta rua, havia apena 5 restaurantes, agora são 97, embora tenha uma enorme concorrência, não me queixo, porque ganho muito bem a minha vida e boa clientela nunca me faltou. Mas com este problema dos preços das rendas sempre a aumentar, agradeço aos deuses a inspiração que tive em ter comprado o meu espaço. Tenho visto muitos vizinhos fecharem as suas portas e no seu lugar, obras, mais obras, um dia são uma coisa, noutro dia outra, totalmente diferente da primeira".
A chegada da filha do Senhor Shuang, interrompeu-nos a conversa. Baixinha e roliça como a mãe, fez-me uma vénia, depois do pai nos apresentar.
Ela tinha estudado inglês numa Universidade de Xangai e ainda trabalhara três anos nos Estados Unidos, onde casara com um americano. Mas o casamento e a vida por lá não tinha resultado, divorciou-se e de regresso a Macau, passou a ser o braço direito do pai, e futura herdeira do negócio.
Sobre o futuro, o senhor Shuang disse não ter nenhuma inquietação, não haveria regresso ao passado e Xangai, só para passear…

sábado, 27 de julho de 2013

Apanhados no lixo



Viver é uma das coisas mais difíceis do mundo, a maioria das pessoas limita-se a existir!


Na China, onde a maioria dos bebés lançados ao lixo são meninas, devido à política do filho único, o qual os chineses dão preferência aos rapazes, temos a história de Lou Xiaoying, agora com 88 anos e que está acamada, porque sofre de insuficiência renal.
Ela encontrou e salvou mais de 30 bebés deitados no lixo logo após o nascimento.
Na maioria eram meninas chinesas, abandonadas nas ruas de Jinhua, onde ela ganhava o seu sustento, através da recolha de cartões e outros materiais para reciclagem.
Ela e o seu falecido marido Li Zin, que morreu há 17 anos, mantiveram os quatro filhos que adoptaram e foi passando os outros que encontrava, para amigos e familiares, dando-lhes assim a oportunidade de uma vida nova.
Esta é uma lição de fé, solidariedade e respeito para com a vida e para com o seu próximo. 
Esta mulher, pobre mas com um coração sublime, é uma alma perfeita, que deu ao longo da sua vida um amor incondicional pelos desprotegidos da sorte tal como ela. Esta história de vida, mostra que em todas as raças e em qualquer canto deste planeta, há almas generosas que partilham o pouco que têm, com aqueles que nada possuem…


quinta-feira, 25 de julho de 2013

O que é Co-adoptar?





Não sei se esta história é verdadeira, mas sei que se fazem barbaridades com as crianças, em todos os regimes jurídicos. Neste caso, a ser verdade, a família tinha mais que se unir e se pacificar com a família da mãe, em vez de radicalizar antagonismos, que só fizeram mal à criança. É incrivel mas casos como este estão sempre a acontecer e nada se faz em nome do "deixa andar"...

1 – A Teresinha tinha 6 anos quando a mãe, vítima de cancro da mama, faleceu. Desde o ano de idade que vivia com a mãe, perto dos avós e dos tios maternos. Foram estes a passar mais tempo com ela, durante a doença da mãe. Acima de tudo os primos... de quem tanto gostava, e com quem brincava longas horas…

2 – Durante estes 5 anos teve sempre um relacionamento saudável com o pai. O facto de o pai viver com um companheiro, o Jorge, nunca foi motivo de comentário. Contudo, desde os tempos do divórcio, o pai e os avós maternos ficaram de relações cortadas.

Após o óbito da mãe, a Teresinha foi viver com o pai, e com o Jorge.

3 – Os avós maternos receberam então uma notificação para comparecer em Tribunal onde lhes foi comunicado que a sua "neta" tinha sido coadaptada pelo companheiro do pai, pelo que deixava de ser sua neta.

Foi-lhes explicado que por efeito da co adopção os vínculos de filiação biológica cessam. É o regime legal aplicável (art. 1.986.º do C.C. – “Pela adopção plena, extinguem-se as relações familiares entre o adoptado e os seus ascendentes e colaterais naturais”).

Nada podiam fazer. Choraram amargamente a perca desta neta (depois da filha) que definitivamente deixariam de ver e acompanhar.

A Teresinha que tinha perdido a mãe, perdia também os avós, os tios e os primos de quem tanto gostava. Nunca mais pôde brincar com aqueles primos ou fazer viagens com o tio Zé e a tia Sandra que eram tão divertidos. A Teresinha tinha muitas saudades daquelas pessoas que nunca mais vira.

Não percebia porque desapareceu do seu nome o apelido "Passos" (art.º 1.988.º n.º1 – “O adoptado perde os seus apelidos de origem”).

4 – Um dia perguntou ao pai porque mudara de nome. Foi-lhe dito que agora tinha outra família. Não percebeu e, calou… Na escola, via que os outros meninos tinham uma mãe e um pai, mas ela não.

5 – Quando chegou aos 16 anos de idade foi ao ginecologista, sozinha. Ficou muito embaraçada com as perguntas que lhe foram feitas sobre os seus antecedentes hereditários maternos. Nada sabia. Percebeu que o médico não a podia ajudar na prevenção de várias doenças... Estava confusa. Nada sabia da mãe. Teria morrido? Teria abandonado a filha?

6 – Até que um dia descobriu em casa, na gaveta de uma cómoda, um conjunto de papéis em cuja primeira pagina tinha escrito SENTENÇA. E leu... que “o superior interesse da criança impunha a adopção da menor pelo companheiro do pai, cessando de imediato os vínculos familiares biológicos maternos, nos termos do disposto no art.º 1.986.º do C.C., tal como o apelido materno (Passos) (art.º 1.988.º n.º1 do C.C.) que era agora substituído por... Tudo por remissão dos artºs. X.º a Y.º da Lei Z/2013.

7 – O que mais a impressionara naquele escrito foi o facto de que quem a escrevia parecia estar contrariado com a decisão que estava a tomar. E, a dado passo escrevia: "Na verdade, quando da discussão da lei Z/2013 na Assembleia da República o Conselho Superior da Magistratura e a Ordem dos Advogados emitiram parecer desfavorável à solução legislativa que agora se aplica. Porém, “Dura lex sede lex”. A Teresinha não percebeu...

8 – Durante anos procurou a Família materna, em vão... Mas rapidamente consultou os Diários da Assembleia da República onde constavam os nomes dos deputados que tinham aprovado aquela lei que lhe tinha roubado os mimos da avó Rosa, as brincadeiras do avô Joaquim... e os primos.

A Teresinha queria voltar ao tempo destes, que são sangue do seu sangue, mas não pode porque esses anos foram-lhe usurpados. Vive numa busca incessante pela sua identidade. Se as outras raparigas da sua idade sabem das doenças que a mãe e o pai tiveram, porque é que ela não pode saber? Porque lhe negam esse direito?

9 – Leu então num livro que “a adopção é uma generosa forma de ajudar crianças a quem faltam os pais e a família natural para lhes dar um projecto de vida. A adopção é sempre subsidiária”.

E perguntou – Onde está a minha família que nunca me faltou mas, de mim foi afastada por estatuição legal e decisão judicial? A Teresa está muito triste.

10 – O pai e o Jorge entretanto divorciaram-se… e a Teresa é obrigada a ir passar os fins-de-semana a casa do Jorge… porque a Regulação das Responsabilidades Parentais assim o ditou.
 

FONTE: Isilda Pregado (Presidente Fed. Portuguesa pela Vida)

O casal de protagonistas, que não tem nada a ver se eram homossexuais, mas sim, mostraram ter má formação moral, e também demonstra os perigos que uma co adopção pode trazer.