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terça-feira, 10 de julho de 2012

Uma semana na Ilha de Koh Chang – Tailândia


Algumas vezes desejo desligar o telemóvel, esquecer o trabalho e mudar a rotina diária, escolhendo um local de férias calmo e relaxante! Porém, nem sempre as férias garantem isso.
Quantas vezes marcamos um determinado destino com esse objectivo, mas depois descobrimos (tarde demais), que afinal saímos do frenesim da cidade, para cair na confusão de um destino lotado e barulhento?
Foi com essa ideia que, em Junho, eu e o meu marido decidimos “fugir” da humidade intensa  e do calor denso que se faz sentir nesta altura em Macau, e passar uns dias num cantinho qualquer da Ásia, para descontrair do stresse diário.
As agências de viagens em Macau, estão cheias de programas, mas nem sempre ao nosso gosto, por isso, decidi marcar dois dias num hotel de Bangkok, Tailândia e depois procurar como continuar as férias, de forma mais calma e relaxante.
 De clima excelente, com baixo custo de vida local, há lugares fascinantes que nos aguardam e um povo, cujo princípio de bem receber, fazem-no com arte, a Tailândia é assim, o país ideal para umas férias inesquecíveis, onde se incluem a exótica cidade de Bangkok, as praias de Phuket ou as Ilhas Phi Phi, que já conhecemos, bem como outros cenários naturais do norte do país, tais como  Chiang Mai, onde passámos umas excelentes férias, através da agência e tudo funcionou de forma organizada e perfeita.
Entretanto, aproveitámos ao máximo esses dois dias em Bangkok, passeando e... fazendo compras no Centro Comercial  J. J. Mall, (The Dusit Thani, Bangkok, 946 Rama IV Road), onde na parte exterior, em toda a volta do edifício, têm tendinhas com mercadoria de toda a espécie.
Mas lá fora, o calor era sufocante e, depois de dar uma volta, passámos para dentro do Centro Comercial, sempre tem ar condicionado, onde almoçámos, pois já estava na hora.
Já refeitos do calor e de barriguinha atestada, fomos percorrendo as lojas, até que me encantei com umas blusinhas que comprei, entre umas outras pequenas compras que fiz moderadamente, pois há tanta mercadoria, tantas tentações, que o melhor é só ver e levar as recordações na memória...

Depois, fomos procurar a famosa Agência “K & J - Inernational Business Centre”, que nos programasse algo diferente, o que aliás, já não é a primeira vez que o fazemos, sempre com bons resultados.
“País dos mil sorrisos”, é assim que as agências apresentam a Tailândia, com programas de férias únicos e com preços simpáticos. Existem, pelo mundo fora, zonas com uma certa vida boémia ou um ritmo muito pacato, que podem satisfazer o nosso desejo de descansar e de nos divertir, fugindo um pouco da “civilização”, ou seja, da agitação das grandes cidades.

O funcionário da Agência, mostrou-se atencioso, prestativo e com uma grande dose de paciência...
Depois de termos rejeitado algumas das sugestões do simpático funcionário, umas, por já conhecermos, outras porque não nos agradava, ele acabou por nos trazer um enorme cartaz onde se via a ilha, Koh Chang e garantia-me satisfeito que poucas pessoas sabem da sua existência. Afirmou que ali na agência, lhe chamam "o último paraíso das ilhas do Sudeste Asiático".
Nós sabemos por amigos nossos, que ainda é possível encontrar ilhas paradisíacas no litoral da Tailândia, sem que a quantidade de turistas seja proporcional à beleza das suas praias, mas não há nada como seguir os conselhos de quem sabe…
Explicou-nos que Koh Chang faz parte das 52 ilhas do Parque Nacional Marinho, ao longo da província de Trat, e é a segunda maior ilha da Tailândia, já muito próximo do Camboja e, tal como pretendíamos, está longe do banzé turístico, que caracteriza as ilhas de Phukett ou de Koh Samui.
Acrescentou que, esta ilha é praticamente desconhecida do mundo exterior, não está estragada pela “civilização”, porque ainda se encontram muito dos seus recursos naturais, (quase) intactos…
Depois de olharmos atentamente as fotos que ele nos mostrava, concordámos que talvez fosse o local que procurávamos e assim, fizemos o contrato.
No dia seguinte, uma carrinha da Agência, foi buscar-nos ao hotel. Saímos de Bangkok às oito da manhã, percorremos cerca de 300 quilómetros a sudeste, (con duas paragens de dez minutos) e chegámos finalmente quase seis horas depois, ao cais de Laem Ngop, que é a ponta setentrional, onde está o terminal dos ferries, sendo esta a única ligação com o continente, que é uma espécie de fronteira da “civilização”, devido ao estatuto de “reserva marinha”, que garante que nenhuma ponte rodoviária pode ser construída entre o continente e essa ilha.
Assim sendo, o acesso faz-se exclusivamente por ferry, percurso que demora entre 35 a 40 minutos, entre o porto continental de Laem Ngop e os dois terminais insulares, na ponta norte da ilha de Koh Chang.
O trajecto custa 3€ por pessoa, 5€ por carro. A cidade mais próxima é Trat, com ligações aéreas duas a três vezes por dia com Bangkok (50€ por voo, telefone: +66 39551654). Teríamos preferido ir de avião, porque a viagem de quase seis horas na carrinha, é bastante cansativa e uma perda de tempo, mas na agência nem nos deram essa hipótese, talvez porque não tenham nada programado com a companhia aéra de Trat…
O barco é de grande porte, transporta pessoas e carros. E assim, conforme nos aproximávamos da ilha, avistámos um enorme letreiro, que dá as boas vindas aos recém-chegados em inglês e thai. Logo que desembarcámos, alguns táxis, tipo carrinha aberta atrás, com dois bancos corridos, dá lugar para 6 a 8 passageiros, aguarda quem chegava. São diferentes dos famosos "tuck-tuck" que estão espalhados por toda a Tailândia. Este era o único tipo de táxi que serve a Ilha de Koh Chang, com uma armação no tejadinho para transportar as bagagens dos turistas e distribuí-los pelos Resorts.

O motorista fez o preço, de 100 bates (4 €) cada um, mas como só éramos 5, levou 120 B para perfazer o preço que ele achava justo. É claro que não tínhamos outra escolha, uma ilha completamente estranha e nem fazíamos a mínima ideia onde ficava o nosso resort, nem discutimos, olhámos uns para os outros, encolhemos os ombros e partimos então.
Só há uma estrada (incompleta) em Koh Chang, a maior parte da ilha é floresta tropical virgem, onde se avistavam paisagens submarinas em redor, vimos mais tarde, que são um espectáculo prodigioso.
A ilha, tem uma largura máxima de 14 quilómetros e alonga-se por 30 quilómetros. Mas a única estrada digna desse nome em Koh Chang, contorna a orla marítima, não havendo qualquer ligação de costa a costa, pelo interior.

Finalmente chegámos ao nosso "Plaloma Cliff Resort", na White Sand Beach, que a agência antecipadamente nos tinha marcado. Poderemos dizer que ficava na parte mais central da ilha. O aspecto no geral era agradável, embora já tivesse conhecido melhores dias. Mais para o interior, vimos que tinha o aspecto um tanto degradado (por estar junto ao mar) e, uma das alas do edificio principal, estava em obras.

A piscina apesar de pequena, foi-nos preciosa, sempre que nos quisemos refrescar ou nadar, não nos atrevemos a ir até à praia, porque o mar estava bastante agitado, devido ao vento que fez quase todos os dias em que lá estivemos, até porque Junho, é altura de aguaceiros intensos na Tailândia, bastante típico da monção, que vai até Agosto.

Levaram-nos para um bungalow junto ao mar, bastante simples, onde não nos faltava nada para passarmos uns dias confortáveis, sem esquecer um pequeno frigorifico e televisão.
Reparei que há poucos alojamentos na ilha, que não sejam em bungalows, uns mais luxuosos que outros, mas nesta altura em que é chamada a "época vermelha", devido ao tempo instável, há poucos turistas e por isso, não só a piscina esteve praticamente por nossa conta, como restaurantes, cafés e bares, onde chegámos a ser os únicos clientes...
A uns quinhentos metros, ficava a praia mais próxima. O tempo nublado e o vento, não nos entusiasmou para ir até lá, até porque a corrente estava a puxar com força e um motorista de táxi contou-nos que já tinham morrido cinco pessoas no mês anterior, enganadas pelo ar manso da paisagem.
Fomos à procura de um restaurante para jantar. As ruas da ilha são praticamente todas razas e com este aspecto simples de aldeia. Na verdade, o anel de asfalto persiste, incompleto, e falta terminar a ligação entre as duas pontas meridionais. A dificuldade de comunicações é um dos factores que concorre para o tardio e ainda fraco desenvolvimento turístico da ilha.
Mas não nos faltou sitios,  mesmo à porta do Resort, para irmos à Internet e comunicarmos com a família e amigos. Aliás,  quase todos os dias, colocava no "facebook", as fotos que ia tirando diariamente.

Quando não chove, o comércio faz-se ali mesmo na berma da estrada, uma vez que a ilha é dominada por um colar de altas colinas arredondadas, forradas de cima a baixo por densas florestas húmidas, não dá para construir no seu interior e também porque 70%  da Ilha de Kho Chang, incluindo todo o seu miolo montanhoso, é floresta classificada e absolutamente virgem.
A costa ocidental da ilha é um longo bordado de unidades hoteleiras, com acesso mais ou menos directo às praias. Para percorrer a ilha, o ideal é alugar uma motorizada, à disposição do turista em cada esquina, talvez a única forma de visitar os recantos que o táxi de grande porte se recusa a levar-nos. Uma pena não sabermos conduzir uma motorizada, pois nem exigem a licença e assim, pouco ficámos a conhecer dos encantos escondidos desta ilha...

Ao longo da orla maritima da ilha, oferece uma notável sequência de praias, mas nunca muito longe de um empreendimento turistico, onde se espalham diversos resortes e recantos encantadores, onde depois de uma caminhada, podemos descansar e contemplar o infinito entre o céu e o mar ou então, arriscar  um trekking (trilhas) sem pistas, até ao cume de Khao Jom Peasat, o ponto mais alto da ilha, que se eleva a 744 m de altitude, é um balcão privilegiado para contemplar de forma diferente e mais intensa a imensidão do mar.
A ilha tem também como atracção, uma zona onde se pode andar de elefante. Mas eu tenho muita pena dos pobres dos elefantes! Todos eles têm sofrido uma constante e implacável redução do seu habitat, pois vão criando cada vez mais cidades esticando-se para as zonas mais selvagens e eles vão sendo sistematicamente capturados.
Já não existem elefantes selvagens na Ásia, e os que sobraram, vivem num estado de escravidão - trabalham na indústria do turismo, transportando os visitantes em trilhos, ou em espectáculos, trabalham na madeira, carregando toras, em condições deploráveis, etc.
Quando envelhecem, ou são sacrificados pela carne e pelo couro ou são vendidos sabe Deus para que fim, uma vez que os proprietários mesmo que quisessem conservá-los, têm dificuldade em os sustentar com uma dieta de 250 kilos de ração diária, sem terem lucro em troca...
BANG BAO
No dia seguinte, perguntei à menina da recepção do nosso Resort, o que havia de interessante para visitar na ilha. Com grande entusiasmo, aconselhou-me que fosse visitar Bang Bao, a meia hora de táxi.
Trata-se de uma aldeia piscatória de palafita, no extremo oposto da ilha, onde as antigas cabanas de pescadores são agora estendais de artesanato tailandês, embora barato e produzido em série, mas cujos preços são difíceis de baixar, uma vez que é um dos únicos rendimentos dos que ali residem, para além da pesca e dos restaurantes.
É um local diferente, onde a paisagem muda constantemente, desde as casas construídas sobre o mar, umas com ar modesto, outras mais imponentes e, entre elas, há também pequenas habitações de um quarto com casa de banho comum, para alugar aos mochileiros.
Muitos pescadores ainda partem nos seus barcos, para trazerem o pescado que é servido nos restaurantes, desta zona e possivelmente também fornecem outros restaurantes da ilha. Mas é um local bastante pitoresco e tranquilo.
É muito agradável ficar ali sentada, à beira mar, observando as embarcações e a beber uma aguinha de côco fresquinha.

Depois entrámos num dos restaurantes, e encomendámos marisco, peixe na grelha e a deliciosa sopinha tailandeza. Nada de picantes... para apreciar o verdadeiro sabor dos alimentos!
Satisfeitos com o almoço, fomos dar um passeio por Bang Bao, apesar de ser uma aldeia, tem imensas casinhas, uma soberba paisagem maritima, onde diversas embarcações de pescadores e barcos de recreio baloiçam tranquilamente na baía de água mansa e espelhada que ali se forma. A completar, porta sim, porta não, pequenas lojinhas cheias de artesanato e bugigangas, alguns bares e mercearias, povoam o estrado de madeira, suspenso sobre as águas.
Reparámos que havia muitos barcos de pesca, adaptados a excursões marítimas, atracados no antigo ancoradouro palafita de Bang Bo. Nas agências locais informaram-me que poderia fazer um pequeno cruzeiro, com escala em praias mais selvagens e visitar alguns bancos de coral mais bem preservados do planeta, que se encontram, porém, no sul mais remoto do arquipélago. Levaria um dia inteiro, mas, devido ao tempo instável, com chuvadas fortes e o mar bastante picado, decidimos não embarcar e essa visita ficará adiada para um dia, quando decidirmos voltar a esta ilha.
De regresso ao Hotel, finalizámos a tarde na piscina, com a companhia dos nossos amigos caninos, pois logo no primeiro dia, selamos amizade com dois deles, com a oferta do fiambre dos nossos pequenos almoços... há muitos gatos e cães por toda a ilha. Felizmente são bem tratados pela população. Gente boa, não fossem eles budistas!


É claro que também não perdemos as excelente massagens do Royal Spa, bem pertinho do nosso Resort e que, devido a ser considerada "época baixa" para o turismo, estava a fazer uma promoção de 30% mais barato.
As massagens feitas por mãos experientes, são autênticas vivências de relaxe e prazer, pelo que não é fácil descrevê-las, na medida em que não há palavras capazes de transmitir as sensações puras que se experimentam. As massagens tailandesas são famosas por se conseguir um efeito único de relaxamento e, simultaneamente, energizante, principalmente depois das caminhadas que fizemos pela ilha.
O organismo adquire assim, uma nova flexibilidade e a mente retoma a um estado de paz, plenitude e tranquilidade e... foram 90 minutos de relax.

Para atrair turistas e haver alguma animação na ilha, há, para além das tradicionais massagens relaxantes, um pouco de vida nocturna, próxima dos bazares locais, lojas tradicionais, restaurantes e boutiques, mas tudo com um ar pacato de pouco movimento, o que torna este lugar um verdadeiro refúgio, longe da movimentada vida citadina.

CULINÁRIA
As nossas refeições foram sempre de peixe e marisco, e também a típica e deliciosa sopa tailandeza.

Todo o país é um território de aromas e sabores que cativam os mais exigentes dos goumerts. A riqueza dos ingredientes, a criatividade gastronómica, a delicadeza na apresentação e a boa qualidade dos adereços, fazem da cozinha tailandesa uma das mais exóticas e ricas de todo o oriente.

Deliciámos-nos com imenso marisco fresco

A base da gastronomia são os molhos preparados com vários ingredientes, como pimentas, massa de caranguejo, alho e espécies. Alguns desempenham um papel específico, como por exemplo, o molho de peixe (nam pla), que em muitos pratos substitui o sal.

Outros, utilizam para ressaltar sabores, como o molho de ostras fermentadas ou para equilibrar os sabores, como a que incorpora o leite de coco.
O arroz é um dos pratos que nunca faltam e são preparados de diversas formas: fervido, frito ou na sopa.

São conhecidos os seguintes pratos:
Tom Kha Kai (sopa de leite de côco com frango, cogumelo, legumes, galangal, lemongrass e kafir lime).
Red Curry Soup (pasta de red curry com leite de côco, legumes e carne).
Khao Soi (curry com leite de côco, frango, suco de limão, shallots, green onion e espageti frito)
Pad thai (noodle frito com legumes e carne)
Mango & Sticky Rice (fatias de manga com sticky rice ao molho de leite de côco doce)
Roti Banana (espécie de crepe frito, com banana e leite condensado)

Depois das refeições, encontrámos sempre um barzinho ou um estabelecimento que nos serviu um delicioso café, ou, como nós portugueses chamamos, uma deliciosa e aromática "bica", que nos estimulou nas caminhadas ou no remate de uma boa refeição, com a apresentação que aqui se vê.
Outras vezes, jantámos na praia, onde pudemos contemplar o crepúsculo, sobre o horizonte maritimo
E ainda, nos fins de tarde, ficar ali, a ouvir o mar bater nas pedras, frente ao nosso bungalow e esquecer que o mundo existe...

E, com este pôr do sol, que observámos todos os dias, frente ao nosso bungalow, acabou-se a semana de férias na Ilha de Koh Chang e regressámos a Macau, para mais uns tempos de trabalho e stresse, mas que nos deixou repousados e prontos para os novos embates do dia a dia, mas desta vez com um sorriso nos lábios...


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Pequim e os Hutongs (Bairros antigos)


Para quem visita a cidade de Pequim, atracções como a Cidade Proibida, a Grande Muralha, o Templo do Céu, o Palácio de Verão, etc, são indispensáveis, pois a sua glória e grandiosidade reflectem parte da cultura milenar chinesa. No entanto, há um outro lugar nesta Capital que não se deve perder: são os Hutongs, ou os becos tradicionais chineses, espalhados por alguns bairros mais antigos de Pequim.
Fomos visitar um hutong que se situa no bairro de Qianmen, ao sul da Praça da Paz Celestial, no centro de Pequim.Os principais prédios num hutong eram quase todos quadrangulares formando um complexo pela construção de quatro casas ao redor de um pátio.
Os pátios variavam de tamanho e design de acordo com o estatuto social dos moradores. Se fosse designado para um alto funcionário ou para ricos comerciantes, eram especialmente construídos com vigas no telhado e pilares lindamente esculpidos e pintados, cada um tinha um jardim ou quintal. As pessoas mais comuns, viviam simplesmente nos pátios construídos de casas baixas.
No século XIII, os mongóis fundaram a Dinastia Yuan e escolheram Pequim como Capital. De origem mongol, palavra "Hutong", que designa um conjunto de becos e ruas, foi trazido assim ao quotidiano dos Hans.
A zona de Qianmen concentrava o maior número de visitantes na antiga capital chinesa, o que tornou o lugar cheio de lojas, restaurantes e estabelecimentos de entretenimento. Com a chegada constante de moradores, os becos no bairro começaram a ficar cada vez mais estreitos. Em 2003, o governo municipal aprovou o "Projecto para Restauração do Bairro de Qianmen", que foi remodelado conforme o aspecto que tinha nos anos 30 do século passado. Estreitos e longos, os Hutongs de Pequim, têm nos seus dois lados, casas de paredes e telhados de cor cinzenta, com portas de madeira, na sua maioria, pintadas de vermelho (cor da sorte, segunda a tradição chinesa).A maior parte dos Hutongs foram construídos no século XIII. Hoje, devido à remodelação constante da cidade, é difícil saber um número exacto, mas os que existem, atraem muitos turistas que, curiosos, observam o quotidiano de algumas famílias, na sua maioria, são os idosos que vão mantendo os seus passatempos, como cultivar nos seus pátios flores de diversas espécies, ouvir ópera chinesa, jogar xadrez com os vizinhos e, até a criação de pombos -, o que atrai muita atenção dos visitantes estrangeiros.
Eles alimentam os pombos, passeiam com as gaiolas dos seus pássaros, cuidam das plantas e levam os seus netos à escola. São cenas do quotidiano muito bonitas e cada vez mais raras, que mostram como viver naquela zona antiga, não esmorece terem atitudes positivas perante a vida.Ao passear nas ruas estreitas dos Hutongs, seria fácil mergulharmos na serenidade e na calma, fugindo do trânsito caótico e da modernidade. As avezinhas a cantar nas gaiolas penduradas sob os beirais dos telhados e as bicicletas que vão passando de vez em quando, tudo revela uma tradição bem preservada.
Actualmente, com o crescimento significativo de visitantes, o turismo de Hutong já se tornou uma nova atracção turística em Pequim.Muitos turistas, escolhem alugar um dos triciclos turísticos que abundam na zona, para percorrer melhor este lugar bastante típico do hutong, sob as explicações dos condutores, dado que a maioria nasceu e mora no bairro.
Uma curiosidade: é que cada hutong possui o seu próprio nome, que geralmente conta uma história interessante. A rua onde andámos chama-se na sua tradução "Rua Inclinada do Cachimbo". Um nome bastante estranho, que resulta de uma história de rua, porque antigamente nesta zona, concentravam-se muitas lojas onde se vendiam os cachimbos e os respectivos tabacos. As lojas, em geral, tinham um letreiro na porta para chamar atenção dos passantes. Na actualidade, esta rua já não se limita apenas a vender os tabacos, pois pode encontrar-se muitos artigos tipicamente chineses e… bastante caros, uma vez que as lojas foram remodeladas e os seus donos são artistas que assinam as suas obras de arte, já com nome feito no mercado, que são de artesanato, pintura e moda.Ao sair da “Rua Inclinada do Cachimbo”, aparece à nossa frente uma imponente construção - a famosa "Torre dos Tambores de Pequim", que se situa no eixo central desta antiga cidade e a norte, fica a Torre de Sinos. Estas duas torres serviam antigamente para dar as horas. Há um termo chinês que diz: sinos de manhã e tambores à noite, ou seja, de manhã replicavam os sinos e à noite batiam-se os tambores.A Torre de Tambores foi construída em 1271 e tem o nome original de Torre de Qizheng, que significa a “administração unificada”. A construção que se observa hoje, foi reconstruída em 1420, pois já foi destruída por vários incêndios. A torre regista uma altura de 46,7 metros e tem toda a estrutura de madeira, onde havia originalmente 25 tambores.Para chegar à torre, deparamos com estes degraus extremamente íngremes que parecem nunca mais ter fim, chegamos lá acima, sufocados de cansaço… Encontrámos então um largo salão onde se expõem ao longo das paredes 26 tambores. Além dos 25 que servem para as horas, um deles, é o único original que foi preservado até hoje.
Como já não existia hoje em dia a função de ter de dar as horas, as autoridades organizam uns shows, fazendo com que os visitantes possam sentir a solenidade da Torre dos tempos antigos, e são tocados ali ao vivo de meia em meia hora, por alguns funcionários, que nos deixam maravilhados pela sua potente sonoridade.Além dos tambores, também achei interessante um aparelho de medição de tempo - a clepsidra de bronze. A original já não se conservou até aos dias de hoje, e a clepsidra que nós encontrámos, é uma cópia produzida pela Agência de Conservação das Torres de Sinos e de Tambores de Pequim e pelo Instituto de Suzhou, mas mesmo assim, fica uma ideia de como os tempos antigos funcionavam...Cá fora num varadim, podemos desfrutar da vista parcial sobre o bairro que acabámos de visitar com os seus caracteristicos telhados cinzentos. Hutongs, na verdade, são passagens formadas por muitos pátios organizados em ruas estreitas de diferentes tamanhos.
Já passava há muito da hora do almoço e um certo desconforto instalou-se nos nossos estômagos. Fomos encontrando alguns restaurantes com comida tipicamente chinesa e até chegámos a entrar num deles, mas ao olharmos para as mesas percebemos que aquelas tigelas onde se via um caldo escuro e outros pratos carregados de malaguetas, não era exactamente o que pretendiámos.Descobrimos este simpático Café no largo da Torre dos Sinos.
Lá dentro,encontrámos um ambiente acolhedor e as duas jovens que nos atenderam, foram uma simpatia. O menu estava nas duas línguas e elas também falavam o suficiente para nos entendermos. As sandes estavam uma delicia e o batido de chocolate aconchegou-nos o estômago e deu-nos nova energia para continuarmos o passeio.
Apesar do crescente número de arranha-céus nesta Capital, os hutongs continuam a ser um dos símbolos mais importantes de Pequim.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Mais um Natal em Pequim

Mais uma vez estamos a viver o clima, o ambiente, os sentimentos e as emoções de uma grande festa, que é sempre para nós, esta época de Natal.
Por isso mesmo não podíamos deixar a nossa filhota mais nova sem os nossos miminhos e os cozinhados desta época, uma vez que ela está a estudar numa Universidade de Pequim e, à semelhança dos anos anteriores, de novo voámos neste último sábado direitos a Pequim.
O encontro foi de alegria...
Desta vez achámos muito frio que nos anos anteriores, viemos encontrar Pequim com uma temperatura com -9 contra os menos -14 do ano passado, mas um vento gélido vindo da Sibéria,que atravessava toda a roupa, deixou-nos com pouca vontade de andar na rua.
Mas o entusiasmo de nos encontrarmos de novo nesta fantástica cidade, no dia seguinte, domingo, fomos rever os locais nossos conhecidos e não resistimos a fazer algumas compras nos arredores de casa.Como sempre nesta altura, Pequim veste-se de luzes e por todos os Centros Comerciais, podemos ver enormes e bem iluminadas árvores de natal.
As lojas estão sempre cheias de gente e de mercadoria a preços chamativos, não só próprios para esta época, como para todos os gostos e bolsas. Até porque os chineses não dão o mesmo sentido ao Natal, como nós os ocidentais.
Como vivem por cá muitos estrangeiros, ninguém sente a falta de nada material, porque mercados, lojas, restaurantes e o comércio em geral, providenciam tudo para que nada nos falte.
Ontem decidimos fazer uma visita ao Mercado das Sedas.
Basta apanhar o Metro, que tem uma rede impecável por toda a cidade, com as indicações, além do chinês, também em inglês, portanto para um estrangeiro também se torna fácil de seguir as indicações para o destino pretendido.
As mudanças para outras linhas, são anunciadas também em inglês, bem como as indicações que vão aparecendo num quadro electrónico dentro da carruagem, vai informando nas duas línguas, qual a estação que dá a ligação para outras estações.
Se a carruagem estiver muito cheia, espera-se pelo próximo, pois estão permanentemente a passar,é por isso um serviço, rápido, cómodo, que serve toda a cidade ao módico preço de 2 yuans (20 centimos de euros).Uma nota curiosa: em todas as estações há uma vigilância bastante apertada, ou seja, ninguém entra no recinto sem primeiro passar a mala, sacos ou bagagem por estas máquinas electrónicas a fim de evitar que algum louco transporte armas, facas ou algo que possa pôr em perigo a vida dos passageiros. Não é por acaso que Pequim é considerada uma cidade das mais seguras da China.Logo à saída do Metro, lá está em letras bastante grandes o famoso "Mercado da Seda", que não vende apenas vestuário e tecidos em seda como o nome indica, mas de tudo um pouco, desde sapatos, botas, malas, casacos, casacões, calças, toalhas, peças artesanato, tapetes, jóias, relógios, brinquedos e até existem algumas salas para fazer massagens aos pés dos cansados turistas, porque são 6 andares (incluindo duas caves)com corredores infindáveis de artigos a preços tentadores.Este é de facto o mundo das pérolas. Elas existem de todos os tamanho, feitios, qualidade, preços, que são discutíveis, ou seja, se nos pedirem 400 yuans, vai baixando conforme mostrarmos desinteresse até que acaba no preço razoável de 100 ou 80 yuans...
Ainda fomos visitar mais uma zona de compras conhecida por Xidan, onde há Centros Comerciais para todos os gostos, ou seja, os que vendem roupas e objectos com etiquetas de marcas caras e outros Centros Comerciais mais populares com artigos a preços acessíveis.Aqui está o interior de um desses Centros Comerciais como se pode ver, tem uma belissima árvore de natal, mas os produtos de todas estas lojas são de marcas famosas, como a Boss, Kalvin Klein, MaxFactor, Levís, Gucci, etc, etc.Dentro de um Centros Comerciais em Xidan, que são enormes, modernos, com produtos de bom aspecto, mas muito caros.
Os vinhos nacionais, como os de renome internacional, também têm grande destaque, não só pelos supermercados, como também nos Centros Comerciais como é o caso deste.
O que me encanta são os amplos corredores, onde não foram esquecidos bancos bastante originais para as pessoas descansarem... É esse bom aspecto que atrai o olhar e a vontade de escolher por exemplo, uma destas lindas caixas de chocolates, uma excelente e vistosa prenda para este Natal. Mas... a mais pequena custa 128 yuan (13 euros)...

A bateria do seu telemóvel está descarregado? Pois aqui, em pleno Centro Comercial, pode ser carregado nesta máquina durante o tempo necessário para poder voltar a utilizá-lo.Espaços tipo barzinho para se poder tomar uma bebida, lanchar ou mesmo comer um iogurte como o que documenta na foto, devido a uma campanha/promoção de uma nova marca de iogurte de frutas, que aparentemente estava a ter muito êxito, porque os lugares estavam todos ocupados e pessoas em pé à espera...

E a pastelaria? Meu Deus, é o que se queira, existem imensas pastelarias que fabricam diversas qualidades de pão e os bolos são tão perfeitos e bem enfeitados, que parecem de plástico...

Num outro Centro Comercial, mais popular, havia bancadas e bancadas de doces (alguns são frutos secos embrulhados em papel alegre), muito apreciados pelo povo chinês e... não só, alguns deles, são deliciosos ao nosso paladar.
E pronto, gostámos de visitar a zona comercial de Xidan (com o mesmo nome do Metro), que merecia ser vista com mais tempo, mas o dia passou rápido demais, escurece cedo e à noite o frio é pior, e depois, o regresso a casa, com milhares de pessoas no Metro é de evitar...