segunda-feira, 18 de abril de 2011

Alzheimer! Até quando?


É frequente ouvirmos dizer que a mãe daquela nossa colega ou aquela nossa vizinha, já não diz "coisa com coisa". É desculpável porque já tem muita idade e, com a idade, as pessoas vão esquecendo as coisas.... o mais grave porém, foi aquela senhora com 38 anos, que muitas vezes se perde a caminho do emprego ou quando vai às compras e não se lembra onde mora. Mas não acontece só com as senhoras...
Sim, estamos a falar da Doença de Alzheimer, que, "democraticamente", não escolhe raças nem sexo. Pode manifestar-se muito cedo, com casos não documentados de Alzheimer aos 28 anos de idade, mas é mais usual a sua eclosão a partir dos 40 anos de idade, com a incidência a aumentar de forma exponencial a partir dos 60.
Sabe-se que a partir dos 65 anos 10 a 15% da população será afectada, e que a partir dos 85 anos praticamente metade dos idosos apresentará essa doença.
Os sintomas mais comuns passam pela perda gradual da memória, principalmente memória recente, declínio no desempenho de tarefas quotidianas, diminuição do senso crítico, desorientação temporo-espacial, alterações da personalidade, dificuldade na aprendizagem e dificuldades na área da comunicação inter-pessoal. Segundo dados estatísticos, nos EUA 70 a 80% dos pacientes são tratados no domicílio, o que demonstra cabalmente a importância do ensino e da orientação da família nas questões relativas aos cuidados e à gestão desses pacientes. Os doentes restantes permanecem ao cuidado de clínicas especializadas.

O Alzheimer é uma doença degenerativa, progressiva e irreversível que compromete irremediavelmente o cérebro causando alterações comportamentais profundas, dificuldade no raciocínio e na articulação do pensamento e diminuição da memória, com efeitos devastadores sobre o doente e sobre a família. As pessoas com Doença de Alzheimer tornam-se confusas, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta e acabam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmas quando colocadas frente a um espelho.
No começo são os pequenos esquecimentos, normalmente aceites pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente.
À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão permanente, até mesmo para as actividades elementares do quotidiano como alimentação, higiene, vestuário, etc.
1 – Perda de Memória
Um dos sinais mais comuns da Doença de Alzheimer, especialmente nas fases iniciais, é o esquecimento de informações recentes. Outros exemplos incluem o esquecimento de datas importantes ou eventos, repetir a mesma pergunta várias vezes, usar auxiliares de memória (por exemplo, notas, lembretes ou dispositivos electrónicos) ou mesmo membros da família para as coisas que habitualmente se lembrava por si mesmo.

2 – Dificuldade em planear ou resolver problemas
Algumas pessoas podem perder as suas capacidades de desenvolver e seguir um plano de trabalho ou trabalhar com números. Podem ter dificuldade em seguir uma receita familiar ou gerir as suas contas mensais. Podem ter muitas dificuldades de concentração e levar muito mais tempo para fazer coisas que habitualmente faziam de forma mais rápida.

3 – Dificuldade em executar tarefas familiaresPessoas com Doença de Alzheimer podem ter dificuldades em executar diversas tarefas diárias desde ter dificuldades em conduzir até um local que já conhecem, gerir um orçamento de trabalho ou em lembrar-se das regras do seu jogo favorito. Inclusivamente pode ser incapaz de preparar qualquer parte de uma refeição, ou esquecer-se de que já comeu.

4 – Perda da noção de tempo e desorientação
Podem perder a noção de datas, estações do ano e da passagem do tempo e ter dificuldades em entender alguma coisa, que não esteja a acontecer naquele preciso momento. Às vezes podem até esquecer-se de onde estão ou como chegaram até lá.

5 – Dificuldade em perceber imagens visuais e relações especiais Para algumas pessoas, ter problemas de visão pode ser um sinal de Doença de Alzheimer. Podem ter dificuldades de leitura, dificuldades em calcular distâncias e determinar uma cor ou um contraste. Em termos de percepção, a pessoa pode passar por um espelho e achar que é outra pessoa, não reconhecendo a sua imagem reflectida no espelho.

6 – Problemas de linguagem
Podem ter dificuldades em acompanhar ou inserir-se numa conversa. Param a meio da conversa e não sabem como continuar ou repetir várias vezes a mesma coisa. Vê-se que têm dificuldade em encontrar palavras adequadas para se expressarem ou dar nomes errados às coisas.

7 – Trocar o lugar das coisas
As pessoas já com a Doença de Alzheimer, podem colocar as coisas em lugares desadequados. Por vezes perdem os seus objectos e não são capazes de voltar atrás no tempo para se lembrarem de quando ou onde o usaram. Por vezes, podem até acusar os outros de lhes roubar as suas coisas.

8 – Discernimento fraco ou diminuído
Podem sofrer alterações na capacidade de julgamento ou tomada de decisão. Por exemplo, podem não ser capazes de perceber quando os estão claramente a enganar e ceder a pedidos de dinheiro, podem vestir-se desadequadamente ou mesmo não ir logo ao médico quando têm uma infecção, pois não reconhecem a infecção como algo problemático.

9 – Afastamento do trabalho e da vida social
As pessoas com Doença de Alzheimer podem começar a abandonar os seus obbies, actividades sociais, projectos de trabalho ou desportos favoritos. Podem começar a demonstrar dificuldade em assistir a um jogo do seu clube até ao fim, como faziam antes, ou podem esquecer-se de acabar alguma actividade que começaram.

10 – Alterações de humor e personalidade
O humor e a personalidade das pessoas com Doença de Alzheimer, pode alterar-se. Podem tornar-se confusos, desconfiados, deprimidos, com medo ou ansiosos. Podem começar a irritar-se com facilidade em casa, no trabalho, com os amigos ou em locais onde eles se sintam fora da sua zona de conforto. Alguém com a Doença de Alzheimer pode apresentar súbitas alterações de humor – da serenidade ao choro ou à angústia – sem que haja qualquer razão para tal facto. Alguns especialista estão a testar uma nova droga que poderá ter a capacidade de reverter todos os sintomas da doença de Alzheimer em apenas alguns minutos. Cientistas ingleses dizem que é ainda cedo para que se possam tirar grandes conclusões, uma vez que os testes somente foram feitos num reduzido número de portadores da doença, e não podem ainda ser generalizados ou encarados como uma cura de facto eficiente.
O tratamento envolve a injecção de uma droga chamada Enbrel - que normalmente é utilizada no tratamento da artrite - na coluna, junto ao pescoço.
A actuação da droga passa pelo bloqueio de um químico responsável pela inflamação. Pelo menos um dos doentes que foi tratado com este composto viu os sintomas completamente revertidos em apenas alguns minutos, enquanto outros melhoraram substancialmente na incapacidade de memorização de factos recentes, com a administração de injecções semanais.
ALZHEIMER... até quando?

Nota:
Dentro do cérebro: Quer fazer uma viagem interactiva? Copie o endereço abaixo:
http://www.alz.org/brain_portuguese/links.asp

... e assim, com esta viagem, vamos aprender um pouco mais, sobre essa máquina fantástica, que explica o funcionamento do cérebro e como a doença de Alzheimer o afecta.
Como fazer a viagem?
Há 16 slides interactivos. Ao visualizar cada slide, passe o mouse sobre qualquer texto colorido para destacar os recursos especiais de cada imagem. Em seguida, clique na seta para avançar ao próximo slide.
1. Ao abrir a página, clique em "INICIAR A VIAGEM”.
2. Em cada página exibida, clique nas palavras realçadas em vermelho.
Boa viagem!!

domingo, 17 de abril de 2011

Domingo de Ramos (Macau)

No calendário litúrgico da Igreja Cristã, o domingo antes da Páscoa, é chamado de DOMINGO DE RAMOS.
Em Macau, este domingo, como em todas as comunidades católicas espalhadas pelo mundo, celebrou-se a missa paroquial, muito especial, dedicada a este dia.
O sacerdote benze solenemente os ramos, distribui-os ao clero e aos fiéis, que os levam primeiro em procissão e depois para as suas casas.
Eles serão guardados e no ano que vem serão queimados na Quarta-feira de Cinzas. As cinzas servirão para nos lembrar que somos frágeis e passageiros: não podemos contribuir em nada para nossa salvação. Ela é a graça concedida pela fé.
Esta cerimónia simboliza a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, seis dias antes da sua paixão.
Durante a missa canta-se ou lê-se a narrativa da Paixão, escrita por São Mateus,(na terça-feira a de São Marcos; na quarta a de São Lucas e na sexta a de São João), que exprime claramente quais devem ser os sentimentos e os afectos do verdadeiro cristão durante toda a semana santa.
O texto bíblico da prédica abordou um momento posterior a esta entrada triunfal, ou seja, o momento do julgamento de Jesus, em que cada grupo procura jogar a culpa uns nos outros. Pilatos joga a culpa no povo (lava as mãos), o povo joga a culpa em Jesus, pois ele não correspondeu às expectativas. Mateus, que escreveu o texto, joga a culpa nas autoridades. E nós conhecemos o desfecho... Cada pessoa deve, sim, assumir a sua própria culpa, mas também deve entender que está inserida num contexto maior e que as mudanças pessoais devem acompanhar as mudanças estruturais.
Mas, não devemos jamais esquecer que a capacidade de Deus de perdoar, é maior do que a nossa capacidade de errar. Não vivemos mais oprimidos pelas culpas, mas fomos baptizados e por isso, somos os herdeiros da promessa, do perdão e da reconciliação.

sábado, 16 de abril de 2011

Dia da Voz (em Macau)


Este dia é tão importante como qualquer outro, como chamada de atenção para a importância da voz e a sua qualidade no dia a dia de muitos profissionais, sobretudo como chamada de atenção para os cuidados a ter com a sua utilização.
Muitos são os problemas sobre o uso profissional da voz e as principais doenças que a afectam, principalmente a professores, cantores e todos aqueles que precisem de a usar como profissão.
É por isso que é dedicado um dia à voz, numa acção que tem como objectivos, ajudar as pessoas a lidar com os problemas vocais, promover o diagnóstico e análise da saúde da voz e ensinar técnicas que permitam cuidar e manter uma voz saudável.

WORKSHOP NA UNIVERSIDADE DE MACAU

O workshop realizou-se pela primeira vez, na Universidade de Macau, foi antecipado para o dia 14 de Abril por uma questão de agenda, com a presença de vários especialistas e profissionais da voz, desde médicos, cantores, jornalistas entre outros, onde os participantes tomaram conhecimento dos cuidados que devem ter continuadamente. Foram também colocadas diversas questões e foram esclarecidas muitas dúvidas.
Foi dado especial relevo a questões como a colocação da voz dos locutores, cantores ou de actores de teatro, sobre a importância da técnica vocal e ainda foi enfatizado o problema e a causa da origem dos sintomas com os problemas de voz, que incluem cansaço vocal, ao longo do dia e/ou da semana; dor ao falar ou impressão de corpo estranho na garganta; esforço para falar; rouquidão; afonia ou perda de voz; tosse persistente; dificuldade em engolir ou alterações do timbre da voz, etc.
O tabaco, o abuso do álcool, o refluxo ácido do estômago, as poeiras inalantes ou o abuso da voz por falar alto, gritar e tossir, são alguns dos factores que podem prejudicar e alterar as cordas vocais.


Usar a voz de maneira inadequada pode causar disfonia (alteração da voz), como rouquidão crónica, hemorragia nas cordas vocais, e quando há associação com o fumo, aumenta o risco para as doenças benignas da laringe.
Segundo os especialistas, um único momento de abuso como, por exemplo, o grito dado na altura de um golo durante uma partida de futebol, já é capaz de gerar lesões nas cordas vocais. Esta lesão, embora benigna, não sendo tratada na altura devida, pode ser transformada numa rouquidão crónica.

- "O ideal é evitar falar muito em ambientes barulhentos, pois neles é comum falar mais alto. Há também pessoas que têm como padrão falar sempre alto em qualquer momento e isso pode ser decorrente de falha de audição ou padrão incorreto de fala, que deve ser corrigido por um especialista" - afirmou um dos oradores.
Outro cuidado refere-se ao pigarro, pois ele gera forte impacto nas cordas vocais. O pigarro pode ser o sintoma de um problema gástrico, dentre eles o refluxo, ou até mesmo um hábito. - "É fundamental saber a origem do pigarro, pois se a causa for o refluxo de nada adiantará visitar o fonoaudiólogo", destacou o especialista.

Mitos & Verdades:

Acredite que aquelas pastilhas facilmente encontradas em farmácias, não são boas para a voz. Na verdade, a maioria delas anestesia a garganta, fazendo com que a pessoa force a voz sem perceber, podendo causar lesões pelo esforço repetitivo.
Verifique outros mitos:
- O spray de mel e chocolate não são benéficos. O chocolate engrossa a saliva e isso dificulta a articulação, exigindo um maior esforço das pregas vocais e o trato fonatório como um todo. O spray de mel e própolis, por sua vez, apenas anestesiam o local.
- Fazer gargarejos com água e vinagre, também não ajuda a melhorar a voz, pois o efeito é apenas anestésico também.

Cuidados a ter com a voz:
- Ingerir, diariamente, dois litros de água na temperatura ambiente.
- NÃO gritar de forma frequente, falar alto ou pigarrear demais, pois são acções muito agressivas.
- NÃO fumar, independente da quantidade ou frequência. O cigarro é um factor de risco para doenças benignas da laringe. - NÃO beber frequentemente, água gelada.
- Dormir bem é fundamental, pois durante o sono a voz descansa.
- Quando se está resfriado, é maior o esforço e, em razão disso, o ideal é falar menos.
- O falar baixinho (cochichar) pode gerar uma lesão laríngea que é tão maléfica quanto a provocada pelo acto de falar alto.
- No período pré-menstrual, as mulheres estão com as cordas vocais inchadas devido à retenção de líquidso e algumas podem ter uma leve rouquidão que, falando em demasia, pode piorar o grau dessa rouquidão.
- Caso a rouquidão dure mais de duas semanas, o ideal é procurar um fonoaudiólogo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

"Não consigo"...

Um dia fui assistir a uma aula de jovens que oscilavam entre os 12 e os 14 anos. Cheguei com ligeiro atraso, por isso, sentei-me silenciosamente num lugar vazio, no fundo da sala e reparei que todos os alunos já estavam a trabalhar numa tarefa, preenchendo uma folha de caderno com ideias e pensamentos.
Reparei que uma das alunas, mais próxima de mim, estava a encher a folha de "não consigos": - "não consigo atar os meus atacadores correctamente, porque se desfazem sempre" "não consigo fazer divisões longas com mais de três números." "Não consigo fazer com que o João goste de mim."
Achei aquilo curioso e então caminhei pela sala para ver o que os outros estavam a fazer e notei que todos estavam a escrever o que não conseguiam fazer. "Não consigo fazer dez flexões": "Não consigo comer um bolo só"; “Não consigo aprender a andar de bicicleta”, etc, etc
Esta actividade despertou a minha curiosidade e decidi perguntar à professora que tipo de aula era aquela, mas nem abri a boca, porque percebi que ela também estava ocupada a escrever uma lista de "não consigos".
Como não quis interromper, ali fiquei a observar e a pensar porque razão estariam ali os alunos quase adolescentes a trabalhar com frases negativas, em vez de escrever frases positivas.
Voltei para o meu lugar e os estudantes continuavam na sua tarefa extremamente concentrados, não se ouvia nada na sala a não ser o barulho das canetas a escrever no papel…
A maioria encheu a sua página. Alguns deles, começaram outra. Quando todos terminaram, foram instruídos a dobrar as folhas ao meio e colocá-las numa caixa de sapatos, vazia, que estava sobre a secretária da professora.
Quando todos os alunos tinham colocado as folhas na caixa, a professora, acrescentou as suas, fechou a caixa, colocou-a de baixo do braço e saiu pela porta do corredor, seguida pelos alunos e eu, também a segui, fechando a fila.
Mais à frente a professora entrou na sala do porteiro da escola e saiu com uma pá. Depois, seguimos todos para o pátio da escola, onde havia num canto distante um canteiro com flores e pequenas árvores e foi ali que começaram a cavar um buraco não muito fundo, mas o suficiente para caber a caixa que a professora transportava.
Então percebi que iam enterrar os seus "não consigos"! E a caixa foi depositada no fundo e rapidamente coberta com terra. Trinta e uma crianças permaneceram ali de pé, em torno da sepultura recém cavada. A professora então proferiu um pequeno discurso:
-"Amigos, estamos hoje aqui reunidos para honrar a memória do ´não consigo´. Enquanto esteve connosco aqui na Terra, ele partilhou a vida de todos nós, de alguns mais do que de outros. O seu nome, infelizmente, foi mencionado em cada instituição pública - escolas, câmaras, assembleias legislativas e até mesmo nas reuniões dos nossos governantes.
Por isso, é muito importante termos arranjado um local para o seu descanso final e uma lápide que contém seu epitáfio. Ele vive na memória de seus irmãos e irmãs ´eu consigo´, ´eu vou´ e ´eu vou imediatamente´.
Que o ´não consigo´ possa descansar em paz e que todos os presentes possam retomar as suas vidas e ir em frente na sua ausência. Amém."
Ao escutar as orações entendi o que aquela fantástica professora queria ensinar aos seus alunos e eles, jamais esqueceriam esta lição.
A actividade era simbólica: uma metáfora da vida. O "não consigo" estava enterrado para sempre.
A seguir, a sábia professora encaminhou os seus alunos de volta à sala de aula e promoveu uma pequena festa com algumas bebidas e bolos. Fazia parte da celebração, uma grande lápide de papelão recortada onde se liam as palavras "não consigo" no topo, "descanse em paz" no centro, e a data em baixo.
A lápide de papel ficou pendurada na sala de aula durante o resto do ano. Nas raras ocasiões em que um aluno se esquecia e dizia "não consigo", a professora simplesmente apontava o cartaz do “descanse em paz”. O aluno então era lembrado que o "não consigo" estava morto e reformulava a frase.
Agora, anos depois, sempre que ouço a frase "não consigo", vejo as imagens daquele funeral e, tal como os alunos, eu também me lembro de que o "não consigo" está morto e enterrado.

FONTE:(Baseado e adaptado de um texto americano de Chick Moorman, do livro “Canja de Galinha para a alma”, Jack Canfield & Mark Victor Hansen, ed. Ediouro.)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Confúcio redimido...


Em Janeiro deste ano, a China instalou uma estátua de Confúcio de 7,90 metros de altura, assente num pedestal de pedra, no seu centro político, na Praça da Paz Celestial, (Praça Tiananmen) de frente ao retrato de Mao Tsé-tung e perto do moderno obelisco para os Heróis do Povo. Dois símbolos que, materialmente, definiram a identidade nacional chinesa durante 60 anos.
Este acto, não seria novidade de maior, porque Confúcio representa a cultura tradicional da China e tem uma vasta e profunda influência na sociedade internacional, mas a novidade é que Mao-Tse-Tung quando governava o país, considerava o grande sábio chinês da antiguidade “um pensador feudal e decadente”.
Durante a década da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), na última cruzada de Mao, a liderança chinesa lançou uma “campanha política de massas” intitulada “Criticar Lin Biao e Criticar Confúcio”, porque os radicais da altura, entre os quais, a mulher de Mao (Jiang Qing) pretendiam “aprofundar a luta de classes sob a ditadura do proletariado”, e, para eles, Confúcio era demasiado “conservador”…

O retrato de Mao, afixado na tribuna de cor púrpura que dá o nome à praça, continua lá, mas a “Revolução Cultural” é hoje considerada “o mais grave erro e o maior retrocesso da história do socialismo na China”.
Ao contrário do que então preconizava, o Partido Comunista Chinês defende agora, a economia de mercado.
Confúcio, nasceu em 551 a.C., quando a China estava dividida em vários reinos, tornou-se filósofo e pedagogo, tendo seguidores e escolas que ensinam a sua filosofia, até aos dias de hoje. O organismo criado em 2005, pelo governo chinês para divulgar internacionalmente a cultura e a língua chinesas, por ironia, chama-se precisamente Instituto Confúcio.
Mas desde Janeiro deste ano, Confúcio e o fundador da China comunista juntaram-se no centro de Pequim numa aliança impensável na década de 70. O filósofo foi reabilitado e a “sociedade harmoniosa” inspira-se agora nos seus ensinamentos…
O monumento de Confúcio em frente de Mao marca o fim de uma clara separação ideológica entre a história imperial e a moderna. É o reconhecimento de que a China contemporânea se tornou (talvez), num novo social-capitalismo confuciano…

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Elogio dos porcos

Um agricultor coleccionava cavalos e só lhe faltava uma determinada raça. Um dia ele descobriu que o seu vizinho tinha esse determinado cavalo e atazanou-o até conseguir comprá-lo.
Mas infelizmente, um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário:
- Bem, o seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este medicamento durante 3 dias, no terceiro dia eu retornarei e, caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo.
Alí perto, o porco escutava a conversa toda...
No dia seguinte deram o medicamento e foram-se embora.
O porco aproximou-se do cavalo e começou a dar coragem ao cavalo:
- "Força amigo! Levanta-te daí, senão serás sacrificado!"
No segundo dia, deram-lhe o medicamento e foram-se embora. O porco aproximou-se do cavalo e voltou a incentivá-lo:
- "Vamos lá amigo, levanta-te senão vais morrer! Vá lá... coragem, eu ajudo-te a levantar... Upa! Um, dois, três.
No terceiro dia deram-lhe o medicamento e o veterinário abanou negativamente a cabeça desanimado:
- "Infelizmente, vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos."
Quando se foram embora, o porco aproximou-se do cavalo e ordenou-lhe energicamente:
- "É agora ou nunca, levanta-te depressa! Coragem! Upa! Upa!Isso, devagar! Óptimo, vamos, um, dois, três, agora mais depressa, vá...

E o cavalo levantou-se...
-"Fantástico!" - rejubilou o porco feliz - "Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa!!! Tu venceste, Campeão!"
Então, de repente o dono chegou, viu o cavalo a correr no campo e gritou:
- "Milagre!!O cavalo melhorou e está salvo! Isto merece uma festa... para comemorar. vamos matar o porco!

Reflexão:
Isto acontece com frequência no ambiente de trabalho e na vida também.
Dificilmente se percebe quem é o funcionário que tem o mérito pelo sucesso, por isso saber viver sem ser reconhecido é uma arte.
Se algum dia, alguém lhe disser que o seu trabalho não é de um profissional, lembra-se que "amadores construíram a Arca de Noé e os profissionais, construíram o Titanic"...
Procure ser uma pessoa de valor, em vez de querer ser uma pessoa de sucesso.

terça-feira, 5 de abril de 2011

CHING MING ou o DIA DOS MORTOS

Hoje é feriado em Macau e em toda a China, por ser ser o dia dedicado aos mortos.
Assim, a comunidade chinesa de Macau, comemora hoje este culto ancestral de homenagem aos mortos que também está relacionada com a chegada da primavera, porque no calendário lunar, o Ching Ming marca o primeiro dia do quinto período e é tradicionalmente um dia dedicado para que as pessoas saiam à rua, celebrem a Primavera e cuidem dos túmulos dos seus antepassados.
Considerado o equivalente ao Dia dos Finados dos cristãos, embora com maior carga simbólica, o Ching Ming (ou Pura Claridade) leva os chineses a celebrarer um pouco por todo o mundo chinês este festival.
Dirigirem-se para todos os locais onde descansam os seus defuntos e os espíritos dos antepassados, para lhes prestar homenagem e culto. É uma ocasião de reunião familiar que demonstra bem o conceito chinês de continuidade para além da morte e de estreito relacionamento com os defuntos. Os familiares, vindos por vezes de muito longe (tal como no Ano Novo), juntam-se ao clã e visitam os vários cemitérios dentro da cidade ou nas colinas das ilhas e na vizinha Guangdong. Aí, limpam e lavam as campas, batem cabeça e fazem oferendas de incenso e de comida aos antepassados.
No final das cerimónias em honra dos mortos, os familiares realizam uma espécie de piquenique em pleno cemitério, junto à campa dos seus entes desaparecidos e a festa acaba com a queima de panchões e a colocação de um papel encarnado na pedra tumular, a avisar que aquele defunto já foi homenageado pelos seus familiares e que não é um abandonado...
Manda ainda a tradição que as mulheres não usem agulhas de costura, nem lavem os seus cabelos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O convertido

Estamos em plena Quaresma e, escolhi este autor, porque me faz lembrar que o Evangelho interpela em cada um de nós: "Tu crês no filho do Homem?"
-"Creio Senhor!" (Jo9, 35.38) - afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes...
Na verdade, Deus fez-se Homem, para que os homens de tornassem filhos de Deus, se divinizassem para serem herdeiros do Céu.
Claro que, para conquistar o Céu, é preciso prepararmo-nos para as realidades eternas e passar, antes da ressurreição, pela "cruz" do dia a dia.

Entre os filhos dum século maldito
Tomei também lugar na ímpia mesa,
Onde, sob o folgar, geme a tristeza
Duma ânsia impotente de infinito.

Como os outros, cuspi no altar avito
Um rir feito de fel e de impureza…
Mas um dia abalou-se-me a firmeza,
Deu-me um rebate o coração contrito!

Erma, cheia de tédio e de quebranto,
Rompendo os diques ao represo pranto,
Virou-se para Deus minha alma triste!

Amortalhei na Fé o pensamento,
E achei a paz na inércia e esquecimento…
Só me falta saber se Deus existe

Antero de Quental

sexta-feira, 1 de abril de 2011

1º ABRIL! DIA DAS MENTIRAS

A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer. É da tradição deste dia, a rádio, TV e os jornais aproveitarem o primeiro de Abril para colorir as suas primeiras páginas com umas mentiritas, mais ou menos inocentes, como celebração do dia em que é, oficialmente, autorizado não dizer a verdade.
Mentimos porque é uma estratégia simples de resolver problemas…
Uma mentira piedosa pode ajudar alguém. Uma boa mentira pode ajudar a fazer toda uma vida.
Mais do que uma mentira – muitas e muitas vezes – é doença, mas na maior parte das vezes, a mentira acaba por ter ‘perna curta’ e o ditado popular não falha – “mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo”….

A mentira faz parte da natureza humana, sem ela seria impossível viver em sociedade, mas quando se torna um hábito sistemático assume contornos de patologia. Só que ao contrário das outras doenças, esta não causa sofrimento ao próprio, mas aos outros.
Até há uma estatística que diz que em dois minutos de conversação, há três mentiras', refere um especialista, No mundo dos mentirosos compulsivos, as pessoas transformam a farsa num estilo de vida. Alguns procuram ajuda clínica; outros continuam a enganar-se a si próprios de enganar o próximo.

JEAN-CLAUDE ROMAND: ACABOU EM HISTÓRIA LITERÁRIA
A história mais macabra aconteceu em França. Jean-Claude Romand enganou a família e os amigos durante 18 anos. Todos acreditavam que ele era médico e chegou a extorquir 2,5 milhões de francos aos parentes.
Quando a verdade foi descoberta, preferiu assassinar os pais, a mulher, os filhos e até o cão, com a ideia de se suicidar a seguir, a encarar a verdade.
O crime teve lugar a 9 de Janeiro de 1993. Jean-Claude Romand foi condenado a prisão perpétua a 2 de Julho de 1996. A sua vida inspirou o romance ‘O Adversário’, de Emanuel Carrère. Em 2001, a história, com título homónimo, foi adaptada para o cinema por Nicole Garcia, com o actor Daniel Auteil, no papel principal.
No ano seguinte, o cineasta Laurent Cantet recriou a história, em ‘L’Emploi du Temps’.

ESTUDO: UM CÉREBRO DIFERENTE
Uma equipa de cientistas da University of Southern California, nos Estados Unidos da América, descobriu que o cérebro dos mentirosos compulsivos é diferente das pessoas com reacções normais. Ao observarem os indivíduos submetidos ao estudo, os referidos cientistas concluíram que os mentirosos têm mais 26 por cento de matéria branca no cérebro. A função desta parte do cérebro é transmitir a informação, enquanto que a matéria cinzenta a processa. Quem sabe que talvez num futuro próximo possamos ter um aparelhómetro qualquer para analisar quanta matéria branca tem o nosso interlocutor, para que o possamos acreditar ou não?!
A mentira tornou-se nos últimos anos um hábito de todos nós! Na maioria, são os políticos que passam a vida inteira a mentir, onde uns mentem melhor que outros!
E o pior, é que, até serem descobertas as mentiras são verdades. Mas não são só os políticos que passam a vida a viver nas mentiras. Os cidadãos vulgares também passaram habituar-se e entrar nessa lenda da mentira, e até acreditam naquilo que dizem!
As mentiras são de todos os que prometem, não cumprem e assobiam para o lado como se não fosse nada com eles. E à conta de tanta promessa em resolver os problemas das populações, corremos o risco de, um dia, a descrença ser tanta, que nem acreditamos na verdade. E, infelizmente, esta situação tem tendência em continuar no futuro…

domingo, 27 de março de 2011

A competência causa medo…

A violência é o último refúgio do incompetente.(Isaac Asimov)
Não se atreva a ser "diferente" ao mostrar rasgos de compreensão, que mostrem ao "outro", que é inteligente e competente, porque a sua vida vai tornar-se muito complicada.
Não raro temos encontrado pela nossa vida, gente incrivelmente incompetente em lugares complexos, onde deveria haver alguém mais qualificado.
Encontramos inúmeros exemplos de pessoas medíocres (e até idiotas), sem talento que estão bem na vida à custa do trabalho de outrém, porque teve a sorte de ter um “padrinho” ou um “amigo” que o colocou naquele lugar…
A maior parte das pessoas encostadas em posições políticas e de chefia são medíocres e têm um indisfarçável medo da inteligência. Temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista dessas posições. Eles conhecem bem as suas limitações, sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam com uma perna às costas.
Na medida em que admiramos a facilidade com que os mais lúcidos resolvem os problemas, os medíocres passam a vida a repudiá-los, para se defenderem.
É um paradoxo angustiante! Infelizmente temos de viver segundo essas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida.
Há duas maneiras de ser feliz nesta vida: uma é fazer-se de idiota; a outra, é sê-lo! (Freud)
Como é sábio o velho conceito: "Finge-te de idiota e terás o céu e a terra". Quanto talento estará a ser desperdiçado diariamente por falta de autoconfiança ou incentivo e fico muitas vezes a meditar, analisando o facto de quantas e quantas pessoas, que têm algum conhecimento diferencial, aqueles que a humanidade convencionou em chamar-lhes “normais”, que têm um talento natural e especial para avançarmos culturalmente, estão enclausuradas na sua casca de ovo toda uma vida, nunca poderão demonstrar ao mundo o seu brilhantismo, por não confiarem em si mesmos, nas suas qualidades ou por não terem a oportunidade de serem vistos na sua real potencialidade…
Através da História, sabemos o que têm sofrido os génios da medicina, da música, da pintura, entre outros, para provarem o valor das suas obras, porque a inveja dos incompetentes tudo fizeram para que não fosse reconhecido o real valor dos seus verdadeiros autores. Mesmo assim, quantos ficaram na sombra? Mas, é preciso considerar que esses medíocres são astutos, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de salvaguardar as posições conquistadas com verdadeiras muralhas de granito por onde os talentosos não conseguem passar.
Em todas as áreas encontramos dessas fortalezas estabelecidas, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos.
O contacto com a mediocridade gera mais mediocridade, eles são um perigo que andam à solta, espalhando ainda mais mediocridade, impunemente. Afaste-se deles, mas se por acaso você for um deles, deve esforçar-se mais e faça o possível por evoluír para o próximo estágio da vida… infelizmente, a única dificuldade é que geralmente medíocres não se reconhecem, por isso nunca deixam de ser medíocres. O escritor e consultor norte-americano John Hoover escreveu umas dicas de como lidar com a hierarquia no ambiente de trabalho, sem stress, para além de competente, não seja um “lambe botas”. A publicação traz uma lista com os variados tipos de chefes e conselhos para um convívio mais tranquilo, mostrando que o esforço pode pelo menos garantir o seu emprego.
De acordo com o autor, como cada dia está mais difícil de construir uma carreira ou simplesmente subsistir, sem passar pela experiência de trabalhar sob as ordens de um chefe prepotente, perfeccionista, inseguro ou apenas incompetente, o caminho é conhecer os pontos fracos e fortes do patrão e tentar adaptar-se. Outra sugestão de John Hoover, "Por Que as Pessoas de Negócios Falam Como Idiotas", sugere, a partir de inúmeros relatórios anuais de empresas do mundo todo, que os executivos, hoje em dia, falam como idiotas no mundo corporativo, usando e abusando de lugares comuns retirados de livros de auto-ajuda empresarial.
A solução para se destacar, seria justamente falar de forma inteligente. Seja um destemido! Comparando os dois, fica a lição, se você quer ser um empregado bem sucedido, chateie o patrão, mas se ainda não der certo e quiser seguir a carreira empresarial, seja um destemido. E se tudo não der certo de novo, escreva um livro de auto-ajuda e torne-se um conferencista profissional...

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DO MEU POBRE PORTUGAL:
Nunca tivemos um governo tão incompetente e cínico, como nestes últimos anos, com a maior carga de impostos do mundo, com a maior taxa de juros do mundo, uma burocracia obsoleta e corrupta cada vez mais inchada, com o maior déficit público, a maior dívida pública, o maior endividamento de estado, entre outros desastres económicos já evidentes.
Nunca se viu maior descaramento na manipulação das informações dos média, nos discursos dos governantes cada vez mais fantasiosos e demagógicos, com “planos” que continuam emPACotados, enquanto o Governo insiste em anunciar “crescimentos” do PIB” e “aumentos de emprego” inexistentes, pois a realidade do país é completamente oposta!
Nunca tivemos um período de tamanha estagnação quanto às necessárias (há décadas!) reformas em todos os sectores que atravancam o desenvolvimento nacional, tudo em nome de não mexer em “matérias impopulares”, comprometendo assim o futuro do país e das próximas gerações, impedindo as diversas reformas, mas fechando escolas e hospitais…
Nunca tivemos um Portugal tão à rasca!!