domingo, 11 de setembro de 2011

Os atentados de 11 de Setembro RENASCER!


Faz hoje 10 anos, que aconteceu uma das maiores tragédias que ficaram para sempre na memória de todos!
O quarteirão vazio no meio de tantos outros prédios, tornaram impossível esquecer os acontecimentos de Manhattan, onde as Torres Gêmeas do World Trade Center se impunham, com seus 110 andares, que ruíram nesse dia, como um baralho de cartas.
Um avião da United Airlines, bate contra a torre sul do "World Trade Center" às 09:03 da manhã do dia 11 de Setembro de 2001.
Foi a partir deste dia que se começa a conhecer o nome de "Al-Qaeda", que realizou o ataque terrorista, lançando aviões sequestrados contra as torres gêmeas em Nova York e contra o Pentágono, provocando a morte imediata de pelo menos 2754 pessoas, oriundas de 90 países distintos.
Até esta data, a Al-Qaeda era um grupo terrorista pouco conhecido pelo mundo.
Embora o pior ataque terrorista de todos os tempos tenha deixado marcas indeléveis na história da cidade, do país e do mundo, a vida da população segue o seu caminho, as suas rotinas, os temores agora são mais palpáveis, porque a maioria da população nunca mais foi a mesma. O mundo, nunca mais foi o mesmo!
Mesmo para os moradores que já estão em uma etapa diferente da vida, com outro tipo de responsabilidade, o risco do terror está ausente do quotidiano. Viajar de avião ficou mais restrito, e a polícia revista as malas de mão com frequência nas estações de camionetes, entra de surpresa dentro dos autocarros, comboios e metropolitano.

Ninguém protesta, é uma forma de tentar controlar o incontrolável, mas dá conforto saber que a policia está atenta e preocupada com a segurança de todos.
Dez anos depois, o comportamento de uma boa parte dos nova-iorquinos diante do que passaram naquela manhã de Setembro, ainda têm na sua mente uma pergunta que ganha força sempre que ocorre um acto terrorista noutra qualquer parte do mundo: quando acontecerá de novo conosco?

Para muitos, é difícil seguir em frente, em especial para quem perdeu parentes ou viu cenas muito fortes da tragédia, talvez nunca mais consigam superar. Não conseguem dormir normalmente, têm dificuldade de concentração, reagem de forma exagerada a alarmes ou a ruídos altos e evitam tudo o que lhes faça lembrar a tragédia.
A magnitude dos ataques às Torres Gémeas, causou um imediato sentimento de vulnerabilidade na então inquestionável superpotência do planeta que sãos os EUA.

Segundo dados dos diversos programas de saúde da Câmara de Nova York, dirigidos às vítimas dos ataques, pelo menos 10 mil bombeiros, polícias e civis expostos directamente ao combate de fogo e ajuda no World Trade Center, apresentaram um quadro de transtorno de stresse pós-traumático. Muitos não recuperaram esse trauma, que talvez se arraste até ao fim das suas vidas.
A captura e morte de Osama bin Laden, em Maio, foi determinante para reduzir o nível de tensão dos americanos, diante da ameaça do terror.

Esta foi a macabra foto da sua morte que percorreu o mundo inteiro. Há quem afirme que foi manipulada através de "photoshop", para acalmar o povo americano. O que é facto, a notícia provocou uma onda de jubilo e ao mesmo tempo apreensão, porque todos acreditam que o fim de Osama Bin Laden, não é o fim da Al-Qaeda, mas “tornou o mundo mais seguro”, disse o Presidente norte-americano Barack Obama, - acrescentando: - “Foi feita justiça”.
Ao longo de dez anos, a figura de Bin Laden foi um vulto incómodo não só para os Estados Unidos, mas para o mundo inteiro. Os agentes que invadiram o seu esconderijo na cidade de Abbottabad, no Paquistão, encontraram evidências de que Bin Laden planeava obcecadamente um novo ataque agora, no décimo aniversário, dos atentados às Torres Gêmeas.

Dez anos depois da destruição deste símbolo da pujança americana, emerge dali um novo arranha-céu, com 80 andares. Esta construção ultrapassará as torres originais. Quando ficar pronto, em 2013, o One World Trade Center será o prédio mais alto dos Estados Unidos, com 541metros e a seu lado, surgirão mais quatro novas torres. Nessa obra, está reflectido o sentimento nova-iorquino ao fim da década que, apesar de trazer lembranças difíceis de reviver, não se transformou num tabu em Manhattan. Vários eventos relacionados com os ataques estão previstos, desde o lançamento de livros, a exposições fotográficas e concertos musicais.
Foi feito um memorial, que tem parapeitos de bronze, com os 2.977 nomes de homens, mulheres e crianças que perderam a vida em Nova York, na Virgínia e na Pensilvânia – além das seis vítimas do ataque à bomba contra o WTC em 1993.

A melhor imagem que pode ilustrar os sentimentos de todos, são as duas fontes iluminadas com cascatas d’água, que são inauguradas hoje, no exacto local onde estavam as Torres Gêmeas.
Com a água a escoar-se, esvai-se assim simbolicamente, o legado sombrio do medo, deixado pelo terror dos ataques. Tal como os nomes inscritos no bronze, resta a memória – e a certeza de que, sem ela, é impossível construir o futuro.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Coisas da língua...


Ela tinha vindo há pouco tempo do Leste e depressa arranjou trabalho naquele bairro pacato.
Aprendeu rápido a expressar-se em português, mas ainda confundia muito as palavras e trocava muitas vezes o masculino com o feminino.
Dizia: - “Eu gosta muito da mar…” quando a filha da patroa fazia alguma maldade ela ameaçava: - “Olha que tu levas na cu!”
Prendeu a atenção do António da “Pastelaria Chic”, quando lhe pediu um bolo:
-“Toino, dá-me um café e uma queca”
Ele, como bom profissional que é, tirou a “bica” e deu-lhe um queque.
E ela, todos os dias, pedia o mesmo, naquele jeitinho simples e meigo, de fazer crescer água na boca do Toino que, um dia, lhe fez a vontade…

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

CIRURGIAS PLÁSTICAS


A cirurgia plástica tem por objectivo a reconstituição de uma parte do corpo humano por razões médicas ou estéticas que se desenvolve sob duas fases:
cirurgia plástica reparadora e a cirurgia plástica estética.
A cirurgia plástica reparadora, tem o propósito de corrigir lesões deformantes, defeitos congénitos ou adquiridos. É considerada tão necessária quanto qualquer outra intervenção cirúrgica.
A cirurgia plástica estética, já tem a intenção de realizar melhorias à aparência. A pessoa quando se submete a tal intervenção cirúrgica, não a faz com a ideia ou o propósito de obter melhoras no seu estado de saúde, mas sim para melhorar algum aspecto físico que não lhe agrada, ou seja, corrigir uma deformidade que adquiriu no seu nascimento como por exemplo, uma orelha proeminente ou em abano, devido ao esforço do parto ou mesmo genético.
Um outro caso, uma mama flácida, que pode dificultar um relacionamento afectivo. Estas situações, não causam prejuízo da ordem funcional, mas sim de ordem psicológica e podem ser rectificadas.

Actualmente, fazem-se cirurgias plásticas estéticas, como quem vai arranjar as unhas ou o cabelo.
A oferta é vasta e as clinicas de estética espalham-se como cogumelos por todo o lado. As mais procuradas, são a lipoaspiração e o implante de prótese de silicone nos seios.
Em qualquer cirurgia plástica, pretende-se que a zona afectada mantenha o seu funcionamento e, na medida do possível, um aspecto natural. Mas há muito mais...

*******BOTOX*******

É um tratamento muito utilizado na actualidade, consiste em administrar uma substância capaz de bloquear a contracção dos músculos faciais provocadores de rugas. Não trata a flacidez, que se já estiver instalada e acompanhada de grande excesso cutâneo, só consegue ser resolvida com um “lifting”. Por outro lado existe o mito de que com o botox se perde a expressão total da face. Tal pode acontecer se a sua administração for feita sem critério e conhecimento clínico. Os melhores resultados com o botox são alcançados logo após o aparecimento das primeiras rugas e não quando elas já estão muito marcadas.

*******SUBSTÂNCIAS DE PREENCHIMENTO*******

O preenchimento de rugas, têm evoluído bastante nos últimos anos. Podemos dividi-las em definitivas e não definitivas.
As definitivas podem sofrer rejeição ou provocar alergias. As não definitivas, são extremamente seguras. Estas substâncias não corrigem a flacidez e não dão alteração à expressão. Se forem aplicadas aos primeiros sinais do aparecimento das rugas, sobretudo ao nível dos lábios, sulcos naso-genianos ou na região frontal, permitem um atraso no envelhecimento cutâneo.
O resultado é melhor se estas substâncias forem associadas a bons cuidados com a pele, tais como a manutenção de uma adequada hidratação, o evitar a exposição solar, o não fumar e uma alimentação equilibrada.

*******SUSPENSÕES*******

As suspensões, conhecidos por "fios russos" ou "fio-lifting", é uma técnica de rejuvenescimento facial sem cicatrizes, sem sangramentos e com o mínimo de trauma.
O procedimento cirúrgico é realizado sob anestesia local, utiliza fios de polipropileno (fio cirúrgico), cujas garras são implantadas na face, provocando sustentação e suspensão dos tecidos, com consequente rejuvenescimento, mas não resolvem a flacidez acentuada. A sua aplicação não é indolor e a recuperação é cerca de uma semana. Só estão indicados em idades jovens, sem flacidez marcada, sendo o resultado pouco duradouro.

*******LIPOASPIRÇÃO*******

A lipoaspiração é uma técnica que tem evoluído bastante e com esta evolução, surgiu também o conceito de "lipoaspiração à hora do almoço".
Isto não é de modo nenhum correcto, mesmo tratando-se de uma pequena lipoaspiração e com utilizando as técnicas mais modernas, não deixa de ser uma cirurgia com todos os riscos inerentes à cirurgia. A lipoaspiração não trata o problema da celulite e só vai actuar em depósitos profundos de gordura e assim alterar o contorno corporal.
O resultado é duradouro se o peso for mantido e depende da experiência do cirurgião, da zona do corpo aspirada e da qualidade da pele do paciente. Não deve ser feita quando a pele apresenta flacidez acentuada.

*******ESTRIAS*******

As estrias são o pesadelo de muitas pessoas, principalmente para as grávidas. Elas surgem quando a pele estica demais, e as fibras de colágeno rebentam. É um problema para o qual ainda não há solução eficaz, excepto se estiverem numa área em que seja possível removê-las cirurgicamente.
Existem múltiplos tratamentos disponíveis, cujo objectivo é estimular o colagéneo e contrair a estria, mas estas nunca desaparecem.
A palavra de ordem é a prevenção, ou seja, durante a gravidez, aplicar produtos próprios que ajudem a obter maior elasticidade da pele.

*******CIRURGIA ESTÉTICA NOS HOMENS*******
A cirurgia plástica nos homens ainda é um "tabu" em muitos países, mas no nosso, vai-se fazendo…
A procura tem aumentado, pois o factor imagem é cada vez mais importante, não só na mulher como no homem, quer a nível profissional, quer no capítulo das relações humanas.
As indicações são idênticas às da mulher. O homem, por exemplo, tem a vantagem de possuir uma pele que retrai melhor após uma lipoaspiração.
As cirurgias mais procuradas pelo universo masculino são, entre outras, a rinoplastia, a lipoaspiração abdominal, a blefaroplastia e o implante capilar. Os principais pedidos feitos são desejo de descrição, que tenha um resultado o mais natural possível e uma recuperação rápida.
Ainda há outra preocupação masculina: o tamanho do pénis…
Controversias à parte, o tamanho pénis permanece como uma das grandes preocupações masculinas em todo mundo.
Na actualidade, a questão do tamanho do pénis é discutida muito mais abertamente e cada vez mais, os homens que se sentem inseguros, procuram os consultórios e clínicas de cirurgia plástica, em busca de cirurgias para o aumento peniano.
Contudo, segundo os médicos baseados em depoiamentos femininos, o tamanho desse órgão sexual masculino, não influencia no prazer, na masculinidade, na virilidade, nem no desejo sexual, pois sua função é concluída, independente do tamanho que tenha. Essa preocupação é meramente psicológica e social, que vai sendo incutida no pensamento humano, porque desde criança já há uma preocupação e uma comparação com o tamanho do órgão dos amigos.
Culturalmente foi criada a ideia de que o tamanho do pénis importa; que faz diferença na hora da relação sexual e, em torno dessa ideia, muitos mitos aparecem no imaginário colectivo. O tamanho do pênis é muito relativo se comparado ao de outra pessoa. O que é pequeno para uma, pode não ser para outra. Logo, não há definições claras de tamanhos.
O homem que considera o seu órgão pequeno, sente-se constrangido até para manter relações sexuais, perdendo muitas vezes a possibilidade de viver grandes relacionamentos.
Todo esse imaginário em torno do tamanho do órgão sexual masculino, acaba por alimentar uma indústria de técnicas, transplantes e medicações a fim de aumentar o tamanho do pénis. Nesse aspecto é necessário tomar cuidados e precauções para não se arrepender por fazer cirurgias e implantes desnecessários.
Saber mais em: http://www.ruadireita.com/outros/info/o-tamanho-importa/#ixzz1XE5b9YAl

*******ATENÇÃO!*******

Há histórias incríveis sobre pessoas viciadas em operações de estética. Tanto querem melhorar, que acabam por ficar deformadas e com um aspecto pior do que tinham.
Milagres cirúrgicos não existem! Um bom resultado cirúrgico depende não só da habilidade do cirurgião, mas também de factores relacionados com o paciente, tais como, a história clínica, a idade e qualidade da pele, a ausência de hábitos tabágicos, a educação alimentar e a motivação do paciente. Uma relação de confiança mútua cirurgião-paciente é fundamental para o sucesso do tratamento.
Como em qualquer outra cirurgia, as cirurgias plásticas também têm os seus riscos, embora alguns tipos de cirurgia plástica raramente ofereçam problemas aos pacientes, outras, podem causar deformações permanentes e até a morte.
Pode ser causado na maioria dos casos por erro médico, onde o responsável colocou a prótese no lugar errado, ou usou um equipamento não esterilizado, ou perfurou algum órgão, ou teve problemas com a anestesia aplicada.
Cuidado pois, na escolha da clínica e dos médicos que a praticam. Verifiquem se as condições de higiene da clínica são as mais recomendáveis e evitem fazer mais que uma cirurgia num curto espaço de tempo, porque podem surgir infecções entre muitos outros problemas, principalmente nos seios.
Quando colocadas as próteses, muitas vezes acontece uma retracção capsular, ou seja, o corpo rejeita a prótese e forma uma cápsula fibrosa ao redor do implante, deformando o seio. Além de causar dores, a paciente é obrigada a retirar essa prótese até resolver o problema.
Outro risco frequente, é o de algumas mulheres desenvolverem uma infecção ao redor do implante, tendo que tirar a prótese para curar essa infecção, é recolocado algum tempo depois. Todos este processo, torna-se doloroso e dispendioso.

A história de Michael Jackson foi seguida por milhões de pessoas em todo o mundo que assistiu à gradual transformação física do cantor.
Como ele, existem muitas pessoas que se deixam vencer pelo bisturi e transformam os seus corpos e personalidade em quimeras muitas vezes inalcansáveis. Tal como uma droga, muitos não conseguem parar, outros, após conseguirem o seu objectivo, param a tempo.
Mas infelizmente crescem os casos em que o vício da transformação é tanto, as histórias de mutilações crescem assustadoramente. Mais tarde... tornam-se criaturas de aspecto dantesco, sem saberem depois quem são realmente.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O que a dor ensina...

Como a fé, a esperança e o amor pela família, podem "matar" um cancro... Começou por se sentir cansada. Subia um lanço de escadas e parecia que tinha corrido a maratona. Não ligou. Andava, talvez, a trabalhar demais; ser professora universitária pode ser esgotante, talvez precisasse de vitaminas, talvez fosse carência de sol, muita chuva e mau tempo nos ossos. Havia de passar. Mas não passou.
Um dia, levava dois sacos do supermercado, um em cada mão, e sentia que os braços se iam arrancar pelos ombros. Não havia de ser nada. – pensou- Tinha feito análises há menos de três meses e estava tudo bem; se calhar, andava a dormir mal; se calhar, era só a idade, que isto já se sabe, o corpinho não é o mesmo aos 18 e aos 43 anos, o tempo faz a sua mossa. Havia de passar.

Mas não passou. Em Março de 1999, Otília Pires de Lima suspirava dezenas de vezes ao dia de cansaço. Estacionar só se fosse de frente. Manobras estavam completamente fora de questão. Às vezes, até lhe apetecia seguir com o carro a direito, afastando-se do seu destino, só para não ter de fazer força com os braços para virar o volante para a esquerda ou para a direita. Estava exaurida.
Por sorte (ou porque o destino decidiu dar uma mãozinha), uma perda de sangue entre duas menstruações, levou-a ao ginecologista para ver se estava tudo bem.
O médico, ao fazer uma ecografia, encontrou um quisto de seis milímetros num ovário e explicou que teria de ser removido. Para isso, era necessário fazer novas análises.
Otília há-de ter protestado um bocadito, que tinha uma colheita de sangue feita há menos de três meses, não era preciso outra, que maçada, mas o médico insistiu e ela lá foi, até porque estava mais aliviada por ter encontrado (julgava ela) a razão do seu cansaço.
Por sorte também (ou porque o destino estava mesmo decidido a dar um empurrão), Otília andava a ouvir uns barulhos tenebrosos no interior da sua cabeça e marcou uma TAC (tomografia axial computorizada).
- “Eu ouvia martelar dentro da minha cabeça. Mas era um martelar tão claro, que durante algum tempo eu achava que havia obras no andar por cima do meu. Até cheguei a insultar, entredentes, o pobre do vizinho por estar a fazer obras à meia-noite. Depois, percebi que as obras estavam dentro da minha cabeça e decidi ir ver o que era aquilo.”
No dia 19 de Maio de 1999, o dia do 21.º aniversário da sua filha, Otília tinha dois afazeres importantes: ir buscar as análises e fazer a TAC.
Quando chegou ao laboratório, não foi a recepcionista quem lhe deu o resultado. Um enfermeiro de ar grave disse-lhe:
-“A senhora tem de ir já para o hospital. Está com 6 de hemoglobina! [O normal são 12 a 16g/dl].»
Otília riu-se: - “Que disparate, vou lá agora para o hospital! Hoje é o aniversário da minha filha, tenho é de me despachar que ainda tenho muito que fazer.”
O enfermeiro persistiu, que era o melhor, que os resultados não estavam bons, que tivesse cuidado, com a saúde não se brinca. E ela sim, sim, pois claro, amanhã ligo ao médico, não se preocupe.
Saiu do laboratório extenuada e foi fazer a TAC, marcada para esse dia. Quando chegou, desmoronou numa cadeira, arfando. A recepcionista perguntou:
_ “Está em jejum?” Otília disse que não e a recepcionista retorquiu:
- “Ah, então não vai poder fazer o exame. Tem de ser em jejum”
Otília soltou uma gargalhada das suas:
-“Olhe, então não vou fazer isto nem hoje, nem nunca. Se eu depois de ter comido me sinto assim, sem forças, imagine que estava em jejum! É que nem conseguia cá chegar!”
A recepcionista ficou pensativa.- “A senhora está tão branca …”
E, alarmada, chamou a médica. Foi então que ela desabafou que tinha ido pouco antes buscar o resultado das análises e que estava com 6g/dl de hemoglobina. A médica arregalou os olhos, fez-lhe a TAC e repetiu as mesmas palavras do enfermeiro do laboratório:
- “A senhora tem de ir para o hospital e é já. Ligue ao seu médico, vai ver que ele lhe diz o mesmo”
Otília mal conseguia marcar os números no telemóvel, mas ligou ao Prof. Ricardo Jorge. Do outro lado da linha, mais do mesmo. –“Mas, ó doutor, eu tenho de ir para casa fazer bacalhau com natas! É o aniversário da minha filha …”
Já não foi! Quando chegou ao Hospital São Francisco Xavier, trataram-na como se fosse uma bomba-relógio prestes a explodir a qualquer instante. Deite-se, não fale, não se mexa. O médico, seríssimo, a decidir:
- “Vai ter de ficar internada!” Otília respondeu: - “Ok. Eu fico cá, mas tenho de ir lanchar com a minha filha!”
A enfermeira que estava ali ia abrir a boca, mas a doente espetou-lhe um dedo no nariz: -“E isto não é negociável!”
Ela não sabe explicar o que sentia, mas era como se tudo aquilo fosse uma ridicularia sem sentido. Tanta histeria à sua volta parecia-lhe uma piada. Achava graça ao modo como todos se agitavam em seu redor, aos gestos nervosos, às vozes de comando dos médicos, à ansiedade dos enfermeiros. Nem lhe passou pela cabeça que aquilo só podia ser muito mau sinal. Estava divertida, em suma, como uma tonta. – “Não me perguntem porquê, mas era como se não fosse nada comigo. Estive o tempo todo a fazer piadas.”

Otília não tinha vaga num quarto e, por isso, puseram-na numa maca no corredor de obstetrícia. Achavam que talvez fosse um problema ginecológico, porque ela mencionou o quisto. Novas análises e a hemoglobina estava ainda mais baixa.
As horas foram passando e, a certa altura, uma auxiliar veio perguntar-lhe se já tinha nascido o seu bebé. Como era o dia de aniversário da filha, que tinha nascido às 21.40, respondeu:
- “Sim, já nasceu. É uma menina com 3,650 kg.” A empregada deu-lhe uma festa, disse parabéns, e perguntou: - “E quando foi?” Otília replicou, então com a mesma naturalidade: - “Foi há 21 anos.”
Outro dos episódios que recorda, divertida, é aquele em que um médico aparece no corredor aos gritos: -“Otília Pires de Lima? Quem é Otília Pires de Lima?”
Ela levantou o braço. O homem, corado e nervoso, levantou-lhe o lençol:
- “A senhora está a sangrar de onde?” Ela encolheu os ombros: - “Eu? Eu não estou a sangrar de lado nenhum!”
O médico estava uma pilha: -“A senhora tem de estar a sangrar de algum lado! Com estes valores, tem de estar a perder sangue por algum lado!” Mas a sua pesquisa não detectou hemorragias, e Otília continuava alegre, como se tudo não passasse de uma brincadeira.
Uma semana depois, foi transferida para o Hospital Garcia de Orta, e nem quando viu a placa a dizer “Hemato-oncologia” se deu conta do que lhe estava a acontecer.
–“Nada me atingia, era tudo como se não fosse comigo, e eu até hoje não sei explicar como e porque é que eu reagi assim.” Só quando uma manhã a médica chega de semblante carregado e lhe diz que se confirmaram as piores expectativas, e pronunciou a palavra, impronunciável, “leucemia”, só aí é que lhe caiu a ficha. O céu desabou sobre a sua cabeça. Queria saber tudo: quais os prognósticos, o que se seguia, o que fazer?
Mas quando a médica lhe perguntou, assim de chofre, se queria mesmo saber tudo, Otília estacou. Não! Era melhor não. E se lhe determinavam um limite? E se lhe diziam: tem um ano de vida? Seis meses? Não. Não queria viver a prazo. Não queria ficar condicionada por uma validade que lhe impunham. Por isso, levantou a mão e declarou:
- “Não. Não quero saber nada.” Quis ficar sozinha. E nesse instante desvairou. Andou pelo quarto como louca. Levou as mãos à cabeça, viu a vida deslizar-lhe à frente dos olhos. E foi nesse filme da existência que parou. Deixou de respirar por segundos. E disse em voz alta para consigo mesmo: - “Não. Eu não posso morrer. Eu não vou morrer disto. Eu não vou fazer isto aos meus pais.”
Otília tinha 43 anos, dois filhos e um pai e uma mãe que já tinham perdido quatro filhas. Ela era a quinta e última descendente e não podia morrer-lhes também.
– “Claro que pensei nos meus filhos, e no quanto os amava, e no quanto não queria deixar de os ver. Mas naquele momento foi nos meus pais que pensei: como é que eu podia morrer também? Como é que eu lhes podia fazer uma coisa dessas? E então soltou-se um grito dentro de mim: Não! Eu não ia morrer, era o que faltava! Eu ia lutar com todas as minhas forças. E ia ganhar.”

Em momento algum fez a pergunta típica: porquê eu? – “Perguntei para quê, e não porquê. Percebi que havia um motivo, uma razão. Que havia uma lição a tirar, de certeza que havia. Não tive raiva, não me revoltei. Aceitei, respeitei e decidi lutar, com a certeza de que ia vencer.”
Já refeita do choque, chamou a médica e disse: - “Vamos lá a isto, então. Primeiro ponto: eu não admito ninguém a olhar para mim com pena. Não sou uma coitadinha. Outra coisa: quero poder controlar as visitas. Não quero ninguém ao pé de mim que seja pessimista. Num momento tão decisivo, em que estou tão frágil, não quero que venham para aqui carregar-me negativamente.”
A médica sorriu, contente com a determinação, mas provavelmente sentindo desconsolo. As estimativas para Otília não podiam ser piores: a equipa dava-lhe quatro semanas de vida, mais coisa menos coisa. Não lho disseram porque ela pediu que não dissessem. Mas era esse o seu prazo.
Os tratamentos começaram de imediato. E as análises. E os exames. E todo um batalhão de “torturas” a que o seu corpo foi sujeito. Ao todo, fez 19 mielogramas (punção da medula óssea). Furaram-na 11 vezes para meter o cateter. Mas Otília aguentava tudo quase sem um ai.
- “Tinha uma enorme resistência à dor, que tinha que ver com a minha aceitação. Tenho a certeza! O Prof. Manuel Abecasis dizia que um estado de espírito optimista cria resistência à dor. E a verdade é que eu nunca senti uma dor insuportável. Minto. Um dia, decidi que queria anestesia para me darem um pontinho na zona onde tinha estado o cateter. A médica disse que não era preciso, que eu já tinha aguentado tanta coisa pior, que aquilo era só um pontinho. E eu não aceitei aquilo sem anestesia, estava com medo, estava crispada. Conclusão? A agulha chegou a entortar! A médica só dizia que eu tinha pele de cão. Esta era a prova: a não-aceitação. Se aceitarmos, o nosso corpo, como que se abre. E permite. E não dói." Otília Pires de Lima esteve um ano em tratamentos. Precisava de um dador, mas não havia nenhum compatível e ela não tinha tempo para esperar. Então, tentaram o auto-transplante. Mas as suas células não eram suficientes. Com o cenário mais negro, era ela quem tranquilizava os filhos, os pais, era ela que fazia humor com a situação, como se fosse uma brincadeira. Dizia coisas como:
-“Já viram a minha sorte? Tenho um cancro que não me vai deixar mutilada. Aqui não há nada para cortar. É o sangue. Ou se regenera ou não se regenera. E vai ficar tudo bem.” Para ela, a leucemia não era um agressor. Era um professor. “Aprendi a aceitar a leucemia, e mais: aprendi a amá-la. Ela veio para me ensinar qualquer coisa. Eu meti isto de tal modo na cabeça que, quando me caiu o cabelo, chorei, mas de felicidade. Porque eu acreditava que estava ali para aprender. E que aquela Otília tinha de morrer para nascer uma nova. E personalizei no cabelo, essa pessoa que tinha de morrer. De maneira que comecei a desejar que isso acontecesse. E quando caiu, chorei de alegria.”
O filho, então com 17 anos, foi-se abaixo. No dia em que ela chegou a casa com o lenço na cabeça, deitou-se na cama, chamou-o e disse-lhe: -“Meu querido, eu não quero ter de andar com isto na cabeça aqui dentro de casa. Tenho umas peladas horríveis, isto não é bonito, mas eu quero estar à vontade. E nós somos mais do que cabelo.”
O filho puxou-lhe o lenço, olhou-a, deu-lhe um beijo na cabeça e murmurou: -“Tu és bonita de qualquer maneira, mãe.”
A 12 de Outubro de 2000, os médicos deram-lhe a boa nova: era como se tivesse feito o autotransplante. Estava bem. Tinha alta. Eles não sabiam explicar como, mas Otília venceu.
- “Foi dos dias mais felizes da minha vida.” Neste processo, Otília Pires de Lima descobriu a sua, a nossa, filiação divina.
- “Se somos filhos de Deus, herdámos-lhe o ADN. E se ele é uma força de amor incondicional, nós também temos esse poder. E podemos exercê-lo. Devemos exercê-lo.”
A aprendizagem foi uma aprendizagem de amor. Otília aprendeu a amar-se em primeiro lugar. Só depois aos outros. –“Disseram-nos que é pecado colocarmo-nos em primeiro lugar. Pecado é não nos amarmos. Pecado é não nos perdoarmos. Se não nos amarmos, quem é que o vai fazer? Passamos a vida a ouvir os conselhos dos outros e raramente perdemos tempo a escutar-nos a nós, ao que diz o nosso instinto.”
Foi justamente para espalhar esta lição, que aprendeu da pior maneira, que Otília Pires de Lima escreveu o livro Viver de Amar (Papiro Editora). Porque acredita que o Universo nos dá sinais que nós, por estarmos demasiado ocupados ou por não querermos ver, não vemos. Não é preciso chegar ao estado a que ela chegou para aprender a lição.
O problema é que nós aprendemos mais depressa com o sofrimento do que com a alegria, com a bonança. E este livro era a sua missão! Serve para ajudar as pessoas a amarem-se, a confiarem mais em si mesmas. Ela sentiu que de repente a vida não era nada, mas também teve o privilégio de vencer, e de finalmente sentir a necessidade de ajudar outras pessoas a vencerem também.
Aqui fica esta história de vida, para dar esperança àqueles que desanimam, àqueles que desistem de lutar, àqueles que não acreditam que, “nada acontece por acaso, nem ao acaso”.

NOTA:
Este acto de amor para com os outros, não se ficou apenas na partilha desta experiência com outras pessoas que sofrem de cancro. O livro foi lançado e Otilia ofereceu na íntegra, a receita dos direitos de autor à Associação Portuguesa contra a Leucemia e ao Serviço onde esteve internada.
Quando o livro "Viver de Amar" for publicado no estrangeiro, a receita reverterá, também na íntegra, para a investigação do Genoma Humano, no intuito de ajudar a que mais ninguém precise pagar tão alto preço para nascer de novo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O valor de um especialista

Ganha-se pelo que se SABE e não apenas pelo que se faz...

Algumas vezes é um erro julgar o valor de uma actividade só pelo tempo que leva a realizá-la... Um bom exemplo diiso, foi o caso de um engenheiro, que foi chamado para arranjar um computador muito grande e extremamente complexo de uma empresa, um computador que valia alguns millões de euros. Sentado em frente do ecrã, carregou numas poucas de teclas, abanou lentamente a cabeça, murmurou qualquer entre dentes para si próprio e finalmente desligou o aparelho.
Depois, tirou do bolso uma pequena chave de fendas e apertou um minúsculo parafuso. Ligou novamente o computador e comprovou que funcionava perfeitamente. O presidente da companhia ficou impressionado e ofereceu-se para pagar a conta de imediato.
-“Quanto é que lhe devo? "- perguntou
-“São mil euros, se faz favor."
-“Mil euros? Mil euros por uns minutos de trabalho!? Mil euros por apertar uma porra de parafuso!?! Eu sei que o computador custa muitos milhões de euros, mas mil pelo seu trabalho é um absurdo! Pagar-lhe-ei se me enviar uma factura perfeitamente detalhada e que justifique esse preço."
O engenheiro aceitou o pedido e foi-se embora. No dia seguinte, o presidente recebeu na sua secretária a factura. Olhou-a com calma e procedeu ao seu pagamento naquele momento, sem qualquer objecção.
A factura dizia:

Detalhe sobre os serviços prestados à Empresa....
Apertar um parafuso................ .... .... .... ... ..1 dólar
Saber qual parafuso apertar.............. ..... ... 999 dólares
Total ............................................. ..1000 dólares

Muitos técnicos enfrentam desconsiderações de pessoas que, na sua ignorância, não dão o devido valor ao saber de um profissional competente.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cartão de Cidadão (alerta)


Este novo cartão, pode ser muito útil e prático, isso não contesto, mas há que ter cuidado com algumas situações, como por exemplo, o caso de esta senhora que tem circulado pela net e que aqui fica como alerta:

-"O meu Bilhete de Identidade caducou e passei a ser portadora do Cartão de Cidadão. No momento do levantamento deste, numa Loja do Cidadão, fui confrontada com cuidados muito complexos do que os até então utilizados, para o levantamento de BI (neste contexto, entrega ao próprio, identificação pelas impressões digitais dos indicadores direitos e esquerdos, assinatura presencialmente na recepção do mesmo).
Perante o enorme volume de falsificações de documentos a que hoje em dia se assiste, todos estes cuidados pareceram-me correctos.
Apercebi-me, contudo, que o cartão contém diferentes informações não visíveis (que me dizem respeito) e às quais só com acesso a um leitor de cartões.
Aparentemente, a maioria dos usuários, não possui esta máquina. Refiro-me concretamente a todas as informações recolhidas nos documentos, que este novo cartão congrega: direcção, freguesia, número de contribuinte, data de validade, etc
Um dia tive de me deslocar fora da minha localidade e pernoitar num Hotel. Aí pediram-me o BI. Obviamente, apresentei o meu novo Cartão do Cidadão.
Qual não foi o meu espanto quando percebi que o jovem que me atendeu, colocou o meu Cartão de Cidadão num leitor de cartões e, num segundo, teve acesso a mais informações sobre mim do que eu própria! (foi ele mesmo que me disse que até via data de validade, que eu nem sabia qual era!) Meus amigos, isto faz algum sentido?
Então, têm todos os cuidados para entregar o cartão ao próprio cidadão e depois qualquer sujeito privado ou público tem acesso a esses dados? Deixam omissas informações que, depois qualquer pessoa tem acesso desde que tenha um leitor? Então o leitor de cartões não está acessível exclusivamente a organismos públicos? Para que diabo é que um serviço privado, como um hotel, tem acesso à minha vida toda privada e pessoal?
Onde está o direito à não invasão da minha privacidade? Todos estes dados, em conjunto, permitem o acesso a outras informações da minha vida pessoal e profissional, através da internet. Ex: a página pessoal de qualquer funcionário público. Que raio de prevenção contra a falsificação de documentos é esta? Será que ninguém percebeu ainda que, assim, a cópia da identidade de alguém se torna simples e eficaz?
Basta roubar um simples documento. O complicador é só ter um chip? Mas alguém acredita nisso? Cá por mim, nunca mais apresento o Cartão de Cidadão em lado nenhum.
A carta de condução (que também é um documento identificativo) vai passar a servir muito bem.
E o mais grave, é que, qualquer pessoa pode comprar um leitor destes através da Internet, eu própria pesquisei e cá estão pelo menos 2 modelos que escolhi entre muitos outros:
Leitura de cartões de alto rendimento e de pequenas dimensões para utilização móvel e de secretária. O leitor de BI electrónico Omnikey 3021 USB é muito flexível. Preparado para ler o Cartão de Cidadão (Portugal), o DNI electrónico (Espanha), bem como cartões de Saúde espanhois. Vantagens deste produto: * Leitor de smart cards e de BI electrónico (Cartão de Cidadão) * Suporta a maioria dos sistemas operativos

LEITOR DE CARTÕES PARA O USAR COM O CARTÃO DE CIDADÃO!
Leitor de cartões chip muito fácil de integrar e utilizar com qualquer cartão chip, cartões de crédito, DNI Electrónico espanhol e BI electrónico português, e smart cards.
Ideal para operações com cartão chip, incluindo “single sign-on”, banca online ou assinatura digital. Aplicações móveis Aplicações de leitura do BI Electrónico (Cartão do Cidadão)

Aqui fica o alerta! De facto, para se identificar num hotel, Correios ou noutra situação qualquer sem ser numa entidade do Governo que o exija, pode mostrar a carta de condução, porque é tão válida como o Cartão de Cidadão.

Para mais informações pode consultar o site: www.cartaodecidadao.pt
e, tenha sempre consigo (pode meter no telemóvel), o número do Serviço de Apoio ao Cartão do Cidadão (707 200 886) e o respectivo código de cancelamento (o código comprido junto aos pin que vem na carta de activação) para o caso de ser roubado o cartão.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A mendiga


Ali sentada, a chuva batia-lhe forte no chapéu, nas costas e nos seus parcos haveres.
Nunca tinha saído daquela vila encravada entre montanhas, que aos poucos crescera e se tornara cidade.
Já tinha tido uma vida de várias cores, agora ela não passava de um cinzento desfocado e os sons, de uma linguagem que mal compreendia.
Não se lembra ao certo quando a despojaram da sua casa, onde andavam os filhos que tinham emigrado cedo e nem sabiam se ela estava viva. Mas...quem fora ela?
Apenas restavam os sacos que continham tudo o que agora possuía, que era nada…
Quando a barriga trinava de fome, sempre encontrava em algum desses sacos, uma côdea dada por alguém, num lugar qualquer, com que apaziguava aquele apertar de saudade, por uma refeição quente.
Os sentimentos eram já confusos, alegria, tristeza, angustia, contentamento, nem sequer percebia o que sentia… só o frio naquelas noites em que o chão luzia de molhado, lhe provocava uma arrelia grande, tão grande, que saía por essa cidade fora, aos tropeções, vociferando e praguejando para os fantasmas imaginários, até o sol lhe aquecer as carnes flácidas e arrepiadas.
Tinha apenas uma ambição e uma esperança: encontrar alguém que lhe sorrisse, lhe desse a mão e a levasse a ver aquela “coisa” infinita, que tanto ouvia falar, a que chamavam Mar!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Gratidão

Esta cadela Doberman está grávida e este bombeiro acabou de salvá-la do incêndio em sua casa, colocou-a no jardim e continuou a sua luta contra o fogo.
Quando finalmente conseguiu extinguir o fogo, ele sentou-se para tomar um pouco de ar e descansar. Um fotógrafo do jornal Notícias da Carolina do Norte / EUA, que estava ali para reportar o acontecimento, notou que a cadela observava o bombeiro à distância.
Então, viu a Doberman caminhar em direcção ao bombeiro e ficou na expectativa: -"o que é que ela vai fazer?"
Assim que levantou a sua câmara, para apanhar o momento em que o animal iria reagir, ela chegou de mansinho até ao homem cansado, que acabara de salvar a sua vida e a dos seus bebés e então.. o fotógrafo captou o momento exacto em que a cadela beijou o bombeiro!
O ser humano continua a ter muito que aprender com os animais, que tão mal tratados são pelo Homem.
Poucos de nós, humanos, temos o gesto nobre de agradecer a quem nos faz bem, isto inclui médicos, paramédicos, enfermeiros, bombeiros...
Esta foto mostra-nos simplesmente que até os animais têm o sentido da GRATIDÃO.
O facto de nunca agradecer a quem nos trata bem, só demonstra o quanto ainda temos de sofrer, para nos tornarmos realmente humanos...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O cobrador misterioso


No exterior do England's Bristol Zoo existe um parque de estacionamento para 150 carros e 8 autocarros. Durante 25 anos, a cobrança do estacionamento foi efectuada por um muito simpático cobrador.
As taxas eram o correspondente a 1.40 € para carros e 7.00 € para os autocarros.
Um dia, após 25 sólidos anos de nenhuma falta ao trabalho, o cobrador simplesmente não apareceu.
A administração do Zoo, então, ligou para a Câmara Municipal e solicitou que enviassem um outro cobrador. A Câmara fez uma pequena pesquisa e respondeu que o estacionamento do Zoo era da responsabilidade do próprio Zoo, não dela.
A administração do Zoo respondeu que o cobrador era um empregado da Câmara.
A Câmara, por sua vez, respondeu que o cobrador do estacionamento jamais fizera parte dos seus quadros e que nunca lhe tinha pago ordenado.
Enquanto isso, descansando na sua bela residência nalgum lugar da costa da Espanha (ou algo parecido), existe um homem que, aparentemente, instalou a máquina de cobrança por sua conta e então, simplesmente começou a aparecer, todos os dias, cobrando e guardando as taxas de estacionamento, estimadas em 560 € por dia... durante 25 anos!!!
Assumindo que ele trabalhava os 7 dias da semana, arrecadou algo em torno de 7 milhões de Euros.
E ninguém sabe, nem sequer o seu nome ...!

(Transcrito do "The London Times")

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A fuga...


Era jovem e bonita. A família casara-a com um rico proprietário, sem que
ela pudesse opor-se. Interesses de família, ordenou o pai, e ela obedecera.
O tempo foi passando e, todos os dias, depois de tomar o pequeno-almoço,ela punha-se a caminho da praia! E todos os dias tinha o mesmo ritual, como eram rituais e monótonos os seus dias de mulher bem casada e sem filhos.
Pelo caminho, ia absorvendo cores e aromas, mesmo desviando-se um pouco, ao fim de algum tempo já os conhecia todos e até os antecipava. Chegada à praia, tirava os sapatos e percorria a orla do mar até chegar às rochas, lá ao fundo.
Voltava… voltava sempre! Mas naquele dia não voltou!
Ainda de sapatos na mão, com o olhar procurando o horizonte, foi entrando de mansinho na água e deixou-se banhar por esse mar imenso.
Ninguém a viu desaparecer por detrás das rochas. As buscas foram infrutíferas; até hoje, o corpo nunca apareceu. Já lá vão mais de 30 anos,ninguém soube ao certo o que lhe terá acontecido.
Mas numa pequena aldeia piscatória, em Espanha, perto da fronteira, uma tranquila e bela mulher, sorri sempre que alguém fala de afogados. Abana a cabeça e só diz:
- “Pois… pois…”