terça-feira, 20 de setembro de 2011

Colecção de Postais

Quando tinha 7 para 8 anos e já começava a soletrar as primeiras letras, gostava imenso de ler e guardar postais com desenhos, imagens com humor, pinturas, etc, que os meus pais recebiam dos amigos das suas viagens, pelo natal ou pelos aniversários...
Depois passou a ser a minha vez, em todos os meus aniversários, a família e amigos, sabendo do meu gosto, escreviam-me um postalinho com imagens de meninas, flores ou animais a desejar-me um dia feliz e muitos anos de saúde.
Acredito que os objectos, neste caso, os postais, são capazes de contar extraordinárias e reveladoras histórias. Sobre um povo e os seus gostos peculiares, sobre uma sociedade e o seu contexto, sobre uma história, que é afinal, uma identidade comum. Hoje em dia, esse excelente hábito perdeu-se com o nascimento da Era Informática. Mas mesmo assim, continuo a comprar postais e até alguns amigos também me enviam alguns dos locais onde passam as férias, felizmente que este hábito não está completamente banido, pelo menos das pessoas da minha idade.
Ao longo de todos estes anos, tenho guardado os postais que fui recebendo, que fui comprando, e, a maioria deles, estão metidos em caixas na minha casa de Portugal. Aguardam que um dia os meta em álbuns por temas, será um dos meus trabalhos prioritários, quando me reformar, penso eu...
Desde então aprendi a fantasiar através deles. Estes são postais de Setúbal dos anos 70...
Ao olhar os postais encontro referências visuais de vários momentos vividos e sonhados em locais que me são gratos, que vivi com os meus pais e outros familiares já desaparecidos. Hoje acho que foi uma boa ideia em os ter guardado e, quase inconscientemente, organizei-os por temas, ou seja, animais, paisagens, os mais antigos, de humor, flores, enfim, acabei por criar um museu visual pessoal, que mais tarde os meterei nos respectivos álbuns. Nesta época, quem recebia destes postais, guardava-os invariavelmente em álbuns mais ou menos luxuosos, conforme o gosto ou as possibilidades de cada um. Em quase todas as casas das pessoas com quem mantínhamos relações, e por onde passei a minha meninice, havia belos álbuns de postais ilustrados, que fizeram o encanto de muitas das minhas tardes em casa de amigos dos meus pais. Talvez esta minha apetência em coleccioná-los venha da vontade em ter esses álbuns. Postal da Guiné - Bissau onde os meus dois irmãos foram parar na altura da guerra colonial. Tenho imensos, e, no verso, estão escritos pedaços de ansiedade, medos disfarçados, conversas banais de acontecimentos do dia a dia deles, onde a morte pairava a cada momento. Muitos dos postais, não condizem com a realidade. São, por vezes, uma realidade recriada, como uma invenção de situações e paisagens. Merecem atenção e carinho, não só pelo que têm de curioso, como pelo seu valor documental para o futuro.
Por vezes, abro o envelope onde tenho um molhinho, aqui em Macau, e passo algum tempo a examiná-los. Não deixo de sorrir ao observar as "poses" das modelos, ou as paisagens de algumas cidades, que hoje já nem são uma sombra do que eram. Os postais são uma forma de memória, e, como todas as memórias, uns mais bonitos que outros.
Das viagens que faço trago sempre vários postais: dos museus, pintura, desenho, poesia, poesia visual, animais, arquitectura, paisagens...
Guardo também muitos deles de locais que passei em Portugal outros, comprei porque achei bonitos:, Lisboa, Sintra, Setúbal, Sesimbra, Lagos, Águeda, Porto, Gouveia, Serra da Estrela, Viseu, Guarda, Coimbra, Madrid, Sevilha, Barcelona, Londres, Paris, e depois de começar a viver em Macau, vou comprando os de várias cidades. Nestas viagens cheias de bons momentos, ao olhar para os postais, elas ficam para sempre na nossa memória afectiva. E os postais também são uma pequena parte dessa alegria. O estilo "arte nova" foi dominante em várias séries de postais de edição limitada, desde o ano de 1890 até 1906.
É interessante ter vários tipos de postais de arte, quer de pintura, de artesanato ou mesmo de vestes tradicionais de vários países, incluindo o nosso. Ou... aprender com eles, como por exemplo, de acordo com este postal inglês, as áreas destinadas a banhos obedeciam a uma espécie de apartheid: meninas para um lado, meninos para outro. (pode ler-se no letreiro nas costas da banhista: "mixed bathing not allowed")
E, porque conhecemos – como não? – o infinito poder da saudade, outorgamos também aos postais esse condão mágico de, como uma certa madalena, acordar sensações e lembranças em cada um de nós. Revelar-nos portanto.
Coleccionar postais é um acto de prazer, aprendizado e de memória, que podem ser passados aos nossos descendentes, como uma herança do passado e das nossas raizes.

domingo, 18 de setembro de 2011

Abraços em Macau

Para dar um abraço, basta abrir os braços, formar um laço e encher-se de afecto.

Hoje é domingo! Macau acordou cinzento, chuvoso, triste... é daqueles dias que uma pessoa fica com a neura, só de olhar pela janela e ver aquelas núvens negras no céu que parecem ali ficar eternamente. Ou se fica em casa ou, se tem de sair, não nos vai deixar outra opção, senão o de andar de sombrinha atrás.
Mas os afazeres não perdoam e, no início da tade, fomos a Macau fazer as compras da semana.
Chegando ao Largo do Leal Senado, um grupo de jovens, entre os 15 e os 20 anos, exibiam cartazes com a palvra "Free Hugs" (Abraços grátis), também em chinês, despertando a curiosidade de quem passava.

Num mundo em que cada um vive a sua vida, com indiferença ao "outro", um mundo de desamor, de querras, de conflitos... que tal dar um abraço e um sorriso a um estranho? Porque não? Porque não sorrir a quem passa por nós? Os nossos dias decerto seriam muito mais agradáveis! Talvez houvesse mais tolerância, mais ajuda entre uns e outros, mais alegria, porque não?

Inquiri de quem tinha tido esta ideia. Levaram-me a esta menina: - "Porque sim" - respondeu ela com um sorriso alegre. - "Não é preciso haver datas especificas para sensibilizar as pessoas a serem mais cordeais, mais humanas".
E, para cada abraço, uma assinatura. Ela já tinha muitas, assim como todos os outros, já tinham sido abraçados por muitos passeantes que aderiram espontâneamente à campanha do abraço.

Já no ano passado, perto do Natal, tinha havido uma iniciativa destas e o público tinha reagido igualmente bem. Foi combinado na escola! O grupo decidiu fazê-lo este domingo e nem a chuva, que fez alguns intervalos, os demoveu de abraçar quem quisesse ser abraçado.
Um abraço, é um toque de conforto e protecção, de saudade e união, de amizade e paixão. Já deu o seu abraço hoje a alguém?

A felicidade é um bem que se multiplica ao ser dividido
(Maxwell Maltz)

NOTA:
Free Hugs Campaign (Campanha dos Abraços Grátis) é um movimento social que envolve pessoas que oferencem abraços aos estranhos, em locais públicos. A campanha começou em 2004 por um homem australiano conhecido pelo pseudônimo "Juan Mann", em Sydney, Austrália. O movimento tornou-se internacionalmente famoso em 2006 por causa do videoclip no YouTube da banda australiana "Sick Puppies". O vídeo actualmente é um dos mais vistos no site, tendo sido assistido mais de 50 milhões de vezes.
Os abraços são um exemplo de um acto de bondade e humanitário executado por alguém cujo objetivo é apenas fazer as pessoas sentirem-se melhores.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Alimentos que saciam a fome


Existem alimentos que lhe transmitem uma sensação de saciedade rapidamente, mas que cinco minutos depois a deixam cheia de fome, enquanto que outros são seus ‘amigos’. Além de serem igualmente deliciosos, permitem com que a sensação de ‘buraquinho no estômago’ não seja uma constante.

Bananas – Possuem potássio o que é óptimo para a sua pressão sanguínea, além de serem uma óptima forma de contrabalançar outros erros. Sempre que abusar do sal, deverá comer um alimento à base de potássio. A banana é uma excelente opção. Escolha uma de tamanho médio ou uma banana da Madeira, que são muito saborosas.

Iogurte – São óptimos para saciar a fome em pequenas colheradas. Escolha os de baixas calorias e adquira o hábito e os substituir pela sobremesa à refeição, ou ao lanche.

Nozes – Se por um lado são um alimento rico em fibras, por outro também são elevadas em gordura. Comer algumas nozes faz bem, além de transmitirem uma rápida sensação de saciedade, são igualmente boas para o coração.

Queijo fresco – É ideal adicioná-lo à dieta diária. Além de ser baixo em calorias, pode misturá-lo em saladas, comê-lo ao lanche ou ao pequeno-almoço, ou até mesmo, sempre que lhe der a fome.

DE BOA SAÚDE EM QUALQUER IDADE
Assim que entramos nos 30, o nosso metabolismo começa a sofrer alterações. O corpo vai-nos dando sinais de aviso e ficamos mais vulneráveis às doenças. Em cada ano que passa podemos detectar e prevenir os riscos para garantir a nossa saúde por mais tempo.
Enquanto não inventarem um elixir da juventude, sabemos que é inevitável irmos perdendo algumas capacidades à medida que os anos passam (felizmente que ganhamos outras também...). Vamo-nos dando conta disso em pequenas coisas, sobretudo quando nos aproximamos dos 30. Nesta idade, o corpo começa a dar sinais subtis de que os tempos áureos em que se aguentava tudo e se recuperava depressa já lá vão: de repente temos uma dor nas costas, que já não passa no dia a seguir; os três lances de escada que subíamos a correr, já não são feitos com tanta ligeireza ou, então, são as análises de rotina que acusam colesterol...
A prevenção e um estilo de vida saudável, são os melhores passaportes para uma saúde invejável em qualquer idade.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Singapura, Lei & Ordem

... e sabe porquê?
Singapura é uma cidade jardim! Todos os prédios e residências nascem como frutos, no meio das árvores e flores. Não existe poluição nem trânsito congestionado. É um dos paises mais desenvolvidos e seguros para se visitar e para se morar.
É uma cidade limpa, pois o acto de jogar lixo nas ruas, é punido com multas pesadas e trabalho comunitário realizado com uniformes verdes e expostos aos mídias. Há uma coexistência relativamente pacífica com o mundo muçulmano ali existente, embora toda a população continue a ser organizada militarmente.

Há muitas proibições afixadas em vários pontos da cidade para alertar os turistas, porque o povo, esse, está bem educado!
Quando os passageiros ainda estão no avião, a ficha de desembarque tem um "DEAD" (morte) bem grande a vermelho, para alertar que se deve respeitar as leis locais principalmente, é um aviso para os traficantes de droga. Qualquer droga!
Basta um pacotinho de algumas gramas de qualquer coisa de cocaína encontrada, a pessoa é sumariamente julgada e fuzilada, ou então é condenada a prisão perpétua, com trabalhos forçados.
A ilha é o primeiro país do mundo a ser conectado por fibra óptica em toda a sua extensão e deve tornar-se também, o primeiro país a livrar-se do fumo e das drogas.

Várias histórias vêm em jornais de todo o mundo, desde simples turistas, a jornalistas que entram com drogas em Singapura. É óbvio que determinam a sua própria morte e o governo rejeita sistematicamente todos os pedidos de clemência dos países de origem desses condenados. Não adianta os presidentes e ministros pedirem a anulação da pena, nem os protestos de associações humanitárias, evitam o cumprimento da lei instituída em Singapura.
Nos hotéis, os "Guias da Cidade" têm uma página a explicar que a polícia de Singapura garante a integridade física de qualquer mulher, 24 horas por dia! (isto, porque na antiga Singapura, sem lei e ordem, as mulheres que saíam sózinhas eram violadas e, ou, mortas).

As pastilhas elásticas (chicletes) são proibidas em Singapura, pelo simples facto de que, se jogadas no chão, pegam-se aos sapatos, sujam as calçadas da cidade e são difíceis de limpar. Andar a distribuir panfletos, nem pensar, porque a publicidade e divulgações diversas, estão em suportes próprios, distribuídos pela cidade, à porta de establecimentos, hoteis, restaurantes, etc.

Quem governa este país? Porque são cumpridas as leis? Porque funciona tudo?

Este é o Sr. Lee Kuan Yew, que assumiu com mão de ferro o comando deste país, e em seis meses, dos cerca de 500 mil presidiários, sobraram somente 50. Todos os outros, criminosos confessos, foram fuzilados.
Todas as personagens públicas corruptas (políticos, funcionários, polícias, etc), foram simplesmente fuzilados, pois existiam muitas provas contra eles.

Todos os empresários ladrões, foram fuzilados ou fugiram rapidamente do país.

A multidão de drogados que andavam a dormir pelas ruas, fugiram desesperados para a Malásia, para não terem que trabalhar ou, seriam fuzilados.

Durante muito tempo, passava uma mensagem na TV, do tipo anúncio, onde o novo governo avisava que o país estava com um cancro e que a única solução era extirpá-lo, e avisava: "se algum parente seu foi fuzilado, compreenda, ele era um cancro para a nação".

Depois de ter feito toda a limpeza ao país, reorganizado o sistema político, judiciário e penal, este militar convocou eleições directas e candidatou-se a presidente.
E... não é que venceu as eleições, com 100% dos votos!?


UM RADICALISMO PARA REFLEXÃO... OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS!?!
Pois é, pelo visto PORTUGAL tem SOLUÇÃO!!! Mas... que a população diminuiria muuuuito, não tenham dúvidas !!!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Saudade...



Saudade!
O que será? não sei... procurei sabê-lo,
em dicionários antigos e poeirentos.
e noutros livros,
onde não achei o sentido desta doce palavra,
de perfis ambíguos.

Saudade... oiça, vizinho,
sabe o significado,
desta palavra branca,
que se evade como um peixe?
Não... agita-se na boca,
no seu tremor delicado,
a palavra
saudade...

- Pablo Neruda -

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Festival de Outono

A China é um país agrícola e por isso, a maioria das festividades populares estão ligadas às estações do ano e à produção rural. Como sempre, Macau engalanou-se para receber o Outono que, segundo a filosofia oriental, corresponde à época do ano em que a harmonia dos elementos Yang e Ying (masculino e feminino) começa a alterar-se, pendendo para o lado feminino. A essência do Yang enfraquece com o final do verão, e agora chega a altura de Ying para exercer o seu domínio até ao final do inverno.

A Lua redonda simboliza portanto, além da feminidade, a união da família. É por essa razão que os familiares mais afastados regressam ao lar para celebrarem este festival em conjunto, à semelhança do que acontece com o Ano Novo Lunar
Ao cair da noite muitas pessoas juntam-se a observar a lua e para tal transportam lanternas das mais variadas formas e cores (é por isso também chamada a Festa das Lanternas), que antigamente eram de papel e bambu iluminadas com velas.
Várias lendas são lembradas nesta altura, desde a de Seong-Ngó, (a mulher do arqueiro divino que roubou e comeu a pílula da imortalidade, oferecida pelos deuses ao marido e que, de castigo, foi desterrada para a lua, onde se transforma de vez em quando numa rã de três patas), à lenda da lebre ou do coelho lunar, (que, elevado a divindade, também lá habita e passa a vida a preparar pílulas da imortalidade no seu almofariz).

Este ano, no Largo do Leal Senado em Macau, ergue-se "A Torre do Grou Amarelo", que desperta a curiosidade dos turistas e dos residentes, dando um toque verdadeiramente alegre a este largo. A verdadeira torre, ergue-se em Sheshan (Montanha da Serpente) na cidade de Wuhan, na província de Hubei. Tem cinco pisos, mede 51,4 metros de altura. Foi construída no segundo ano do Reinado dos Estados do Wu Oriental (223dC)durante o Período dos Três Reinos.
É uma das três torres mais famosas de Jiangnan e um dos principais quarenta destinos turísticos da China.

Sob a luz brilhante da lua cheia, toda a família se senta a contemplá-la, enquanto come os deliciosos “bolos da lua”, também chamados “bolo bate-pau”, por serem metidos à paulada dentro das formas de madeira.
O bolo lunar está associado a uma rebelião lendária contra o jugo invasor. O pequeno bolo compactado, que só se come nesta festividade, serviu para fazer passar uma mensagem de revolta, iludindo os espiões dos dominadores. Na data proposta, o povo armou-se como pôde e acorreu em força ao chamado, derrubando, assim, o regime

domingo, 11 de setembro de 2011

Os atentados de 11 de Setembro RENASCER!


Faz hoje 10 anos, que aconteceu uma das maiores tragédias que ficaram para sempre na memória de todos!
O quarteirão vazio no meio de tantos outros prédios, tornaram impossível esquecer os acontecimentos de Manhattan, onde as Torres Gêmeas do World Trade Center se impunham, com seus 110 andares, que ruíram nesse dia, como um baralho de cartas.
Um avião da United Airlines, bate contra a torre sul do "World Trade Center" às 09:03 da manhã do dia 11 de Setembro de 2001.
Foi a partir deste dia que se começa a conhecer o nome de "Al-Qaeda", que realizou o ataque terrorista, lançando aviões sequestrados contra as torres gêmeas em Nova York e contra o Pentágono, provocando a morte imediata de pelo menos 2754 pessoas, oriundas de 90 países distintos.
Até esta data, a Al-Qaeda era um grupo terrorista pouco conhecido pelo mundo.
Embora o pior ataque terrorista de todos os tempos tenha deixado marcas indeléveis na história da cidade, do país e do mundo, a vida da população segue o seu caminho, as suas rotinas, os temores agora são mais palpáveis, porque a maioria da população nunca mais foi a mesma. O mundo, nunca mais foi o mesmo!
Mesmo para os moradores que já estão em uma etapa diferente da vida, com outro tipo de responsabilidade, o risco do terror está ausente do quotidiano. Viajar de avião ficou mais restrito, e a polícia revista as malas de mão com frequência nas estações de camionetes, entra de surpresa dentro dos autocarros, comboios e metropolitano.

Ninguém protesta, é uma forma de tentar controlar o incontrolável, mas dá conforto saber que a policia está atenta e preocupada com a segurança de todos.
Dez anos depois, o comportamento de uma boa parte dos nova-iorquinos diante do que passaram naquela manhã de Setembro, ainda têm na sua mente uma pergunta que ganha força sempre que ocorre um acto terrorista noutra qualquer parte do mundo: quando acontecerá de novo conosco?

Para muitos, é difícil seguir em frente, em especial para quem perdeu parentes ou viu cenas muito fortes da tragédia, talvez nunca mais consigam superar. Não conseguem dormir normalmente, têm dificuldade de concentração, reagem de forma exagerada a alarmes ou a ruídos altos e evitam tudo o que lhes faça lembrar a tragédia.
A magnitude dos ataques às Torres Gémeas, causou um imediato sentimento de vulnerabilidade na então inquestionável superpotência do planeta que sãos os EUA.

Segundo dados dos diversos programas de saúde da Câmara de Nova York, dirigidos às vítimas dos ataques, pelo menos 10 mil bombeiros, polícias e civis expostos directamente ao combate de fogo e ajuda no World Trade Center, apresentaram um quadro de transtorno de stresse pós-traumático. Muitos não recuperaram esse trauma, que talvez se arraste até ao fim das suas vidas.
A captura e morte de Osama bin Laden, em Maio, foi determinante para reduzir o nível de tensão dos americanos, diante da ameaça do terror.

Esta foi a macabra foto da sua morte que percorreu o mundo inteiro. Há quem afirme que foi manipulada através de "photoshop", para acalmar o povo americano. O que é facto, a notícia provocou uma onda de jubilo e ao mesmo tempo apreensão, porque todos acreditam que o fim de Osama Bin Laden, não é o fim da Al-Qaeda, mas “tornou o mundo mais seguro”, disse o Presidente norte-americano Barack Obama, - acrescentando: - “Foi feita justiça”.
Ao longo de dez anos, a figura de Bin Laden foi um vulto incómodo não só para os Estados Unidos, mas para o mundo inteiro. Os agentes que invadiram o seu esconderijo na cidade de Abbottabad, no Paquistão, encontraram evidências de que Bin Laden planeava obcecadamente um novo ataque agora, no décimo aniversário, dos atentados às Torres Gêmeas.

Dez anos depois da destruição deste símbolo da pujança americana, emerge dali um novo arranha-céu, com 80 andares. Esta construção ultrapassará as torres originais. Quando ficar pronto, em 2013, o One World Trade Center será o prédio mais alto dos Estados Unidos, com 541metros e a seu lado, surgirão mais quatro novas torres. Nessa obra, está reflectido o sentimento nova-iorquino ao fim da década que, apesar de trazer lembranças difíceis de reviver, não se transformou num tabu em Manhattan. Vários eventos relacionados com os ataques estão previstos, desde o lançamento de livros, a exposições fotográficas e concertos musicais.
Foi feito um memorial, que tem parapeitos de bronze, com os 2.977 nomes de homens, mulheres e crianças que perderam a vida em Nova York, na Virgínia e na Pensilvânia – além das seis vítimas do ataque à bomba contra o WTC em 1993.

A melhor imagem que pode ilustrar os sentimentos de todos, são as duas fontes iluminadas com cascatas d’água, que são inauguradas hoje, no exacto local onde estavam as Torres Gêmeas.
Com a água a escoar-se, esvai-se assim simbolicamente, o legado sombrio do medo, deixado pelo terror dos ataques. Tal como os nomes inscritos no bronze, resta a memória – e a certeza de que, sem ela, é impossível construir o futuro.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Coisas da língua...


Ela tinha vindo há pouco tempo do Leste e depressa arranjou trabalho naquele bairro pacato.
Aprendeu rápido a expressar-se em português, mas ainda confundia muito as palavras e trocava muitas vezes o masculino com o feminino.
Dizia: - “Eu gosta muito da mar…” quando a filha da patroa fazia alguma maldade ela ameaçava: - “Olha que tu levas na cu!”
Prendeu a atenção do António da “Pastelaria Chic”, quando lhe pediu um bolo:
-“Toino, dá-me um café e uma queca”
Ele, como bom profissional que é, tirou a “bica” e deu-lhe um queque.
E ela, todos os dias, pedia o mesmo, naquele jeitinho simples e meigo, de fazer crescer água na boca do Toino que, um dia, lhe fez a vontade…

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

CIRURGIAS PLÁSTICAS


A cirurgia plástica tem por objectivo a reconstituição de uma parte do corpo humano por razões médicas ou estéticas que se desenvolve sob duas fases:
cirurgia plástica reparadora e a cirurgia plástica estética.
A cirurgia plástica reparadora, tem o propósito de corrigir lesões deformantes, defeitos congénitos ou adquiridos. É considerada tão necessária quanto qualquer outra intervenção cirúrgica.
A cirurgia plástica estética, já tem a intenção de realizar melhorias à aparência. A pessoa quando se submete a tal intervenção cirúrgica, não a faz com a ideia ou o propósito de obter melhoras no seu estado de saúde, mas sim para melhorar algum aspecto físico que não lhe agrada, ou seja, corrigir uma deformidade que adquiriu no seu nascimento como por exemplo, uma orelha proeminente ou em abano, devido ao esforço do parto ou mesmo genético.
Um outro caso, uma mama flácida, que pode dificultar um relacionamento afectivo. Estas situações, não causam prejuízo da ordem funcional, mas sim de ordem psicológica e podem ser rectificadas.

Actualmente, fazem-se cirurgias plásticas estéticas, como quem vai arranjar as unhas ou o cabelo.
A oferta é vasta e as clinicas de estética espalham-se como cogumelos por todo o lado. As mais procuradas, são a lipoaspiração e o implante de prótese de silicone nos seios.
Em qualquer cirurgia plástica, pretende-se que a zona afectada mantenha o seu funcionamento e, na medida do possível, um aspecto natural. Mas há muito mais...

*******BOTOX*******

É um tratamento muito utilizado na actualidade, consiste em administrar uma substância capaz de bloquear a contracção dos músculos faciais provocadores de rugas. Não trata a flacidez, que se já estiver instalada e acompanhada de grande excesso cutâneo, só consegue ser resolvida com um “lifting”. Por outro lado existe o mito de que com o botox se perde a expressão total da face. Tal pode acontecer se a sua administração for feita sem critério e conhecimento clínico. Os melhores resultados com o botox são alcançados logo após o aparecimento das primeiras rugas e não quando elas já estão muito marcadas.

*******SUBSTÂNCIAS DE PREENCHIMENTO*******

O preenchimento de rugas, têm evoluído bastante nos últimos anos. Podemos dividi-las em definitivas e não definitivas.
As definitivas podem sofrer rejeição ou provocar alergias. As não definitivas, são extremamente seguras. Estas substâncias não corrigem a flacidez e não dão alteração à expressão. Se forem aplicadas aos primeiros sinais do aparecimento das rugas, sobretudo ao nível dos lábios, sulcos naso-genianos ou na região frontal, permitem um atraso no envelhecimento cutâneo.
O resultado é melhor se estas substâncias forem associadas a bons cuidados com a pele, tais como a manutenção de uma adequada hidratação, o evitar a exposição solar, o não fumar e uma alimentação equilibrada.

*******SUSPENSÕES*******

As suspensões, conhecidos por "fios russos" ou "fio-lifting", é uma técnica de rejuvenescimento facial sem cicatrizes, sem sangramentos e com o mínimo de trauma.
O procedimento cirúrgico é realizado sob anestesia local, utiliza fios de polipropileno (fio cirúrgico), cujas garras são implantadas na face, provocando sustentação e suspensão dos tecidos, com consequente rejuvenescimento, mas não resolvem a flacidez acentuada. A sua aplicação não é indolor e a recuperação é cerca de uma semana. Só estão indicados em idades jovens, sem flacidez marcada, sendo o resultado pouco duradouro.

*******LIPOASPIRÇÃO*******

A lipoaspiração é uma técnica que tem evoluído bastante e com esta evolução, surgiu também o conceito de "lipoaspiração à hora do almoço".
Isto não é de modo nenhum correcto, mesmo tratando-se de uma pequena lipoaspiração e com utilizando as técnicas mais modernas, não deixa de ser uma cirurgia com todos os riscos inerentes à cirurgia. A lipoaspiração não trata o problema da celulite e só vai actuar em depósitos profundos de gordura e assim alterar o contorno corporal.
O resultado é duradouro se o peso for mantido e depende da experiência do cirurgião, da zona do corpo aspirada e da qualidade da pele do paciente. Não deve ser feita quando a pele apresenta flacidez acentuada.

*******ESTRIAS*******

As estrias são o pesadelo de muitas pessoas, principalmente para as grávidas. Elas surgem quando a pele estica demais, e as fibras de colágeno rebentam. É um problema para o qual ainda não há solução eficaz, excepto se estiverem numa área em que seja possível removê-las cirurgicamente.
Existem múltiplos tratamentos disponíveis, cujo objectivo é estimular o colagéneo e contrair a estria, mas estas nunca desaparecem.
A palavra de ordem é a prevenção, ou seja, durante a gravidez, aplicar produtos próprios que ajudem a obter maior elasticidade da pele.

*******CIRURGIA ESTÉTICA NOS HOMENS*******
A cirurgia plástica nos homens ainda é um "tabu" em muitos países, mas no nosso, vai-se fazendo…
A procura tem aumentado, pois o factor imagem é cada vez mais importante, não só na mulher como no homem, quer a nível profissional, quer no capítulo das relações humanas.
As indicações são idênticas às da mulher. O homem, por exemplo, tem a vantagem de possuir uma pele que retrai melhor após uma lipoaspiração.
As cirurgias mais procuradas pelo universo masculino são, entre outras, a rinoplastia, a lipoaspiração abdominal, a blefaroplastia e o implante capilar. Os principais pedidos feitos são desejo de descrição, que tenha um resultado o mais natural possível e uma recuperação rápida.
Ainda há outra preocupação masculina: o tamanho do pénis…
Controversias à parte, o tamanho pénis permanece como uma das grandes preocupações masculinas em todo mundo.
Na actualidade, a questão do tamanho do pénis é discutida muito mais abertamente e cada vez mais, os homens que se sentem inseguros, procuram os consultórios e clínicas de cirurgia plástica, em busca de cirurgias para o aumento peniano.
Contudo, segundo os médicos baseados em depoiamentos femininos, o tamanho desse órgão sexual masculino, não influencia no prazer, na masculinidade, na virilidade, nem no desejo sexual, pois sua função é concluída, independente do tamanho que tenha. Essa preocupação é meramente psicológica e social, que vai sendo incutida no pensamento humano, porque desde criança já há uma preocupação e uma comparação com o tamanho do órgão dos amigos.
Culturalmente foi criada a ideia de que o tamanho do pénis importa; que faz diferença na hora da relação sexual e, em torno dessa ideia, muitos mitos aparecem no imaginário colectivo. O tamanho do pênis é muito relativo se comparado ao de outra pessoa. O que é pequeno para uma, pode não ser para outra. Logo, não há definições claras de tamanhos.
O homem que considera o seu órgão pequeno, sente-se constrangido até para manter relações sexuais, perdendo muitas vezes a possibilidade de viver grandes relacionamentos.
Todo esse imaginário em torno do tamanho do órgão sexual masculino, acaba por alimentar uma indústria de técnicas, transplantes e medicações a fim de aumentar o tamanho do pénis. Nesse aspecto é necessário tomar cuidados e precauções para não se arrepender por fazer cirurgias e implantes desnecessários.
Saber mais em: http://www.ruadireita.com/outros/info/o-tamanho-importa/#ixzz1XE5b9YAl

*******ATENÇÃO!*******

Há histórias incríveis sobre pessoas viciadas em operações de estética. Tanto querem melhorar, que acabam por ficar deformadas e com um aspecto pior do que tinham.
Milagres cirúrgicos não existem! Um bom resultado cirúrgico depende não só da habilidade do cirurgião, mas também de factores relacionados com o paciente, tais como, a história clínica, a idade e qualidade da pele, a ausência de hábitos tabágicos, a educação alimentar e a motivação do paciente. Uma relação de confiança mútua cirurgião-paciente é fundamental para o sucesso do tratamento.
Como em qualquer outra cirurgia, as cirurgias plásticas também têm os seus riscos, embora alguns tipos de cirurgia plástica raramente ofereçam problemas aos pacientes, outras, podem causar deformações permanentes e até a morte.
Pode ser causado na maioria dos casos por erro médico, onde o responsável colocou a prótese no lugar errado, ou usou um equipamento não esterilizado, ou perfurou algum órgão, ou teve problemas com a anestesia aplicada.
Cuidado pois, na escolha da clínica e dos médicos que a praticam. Verifiquem se as condições de higiene da clínica são as mais recomendáveis e evitem fazer mais que uma cirurgia num curto espaço de tempo, porque podem surgir infecções entre muitos outros problemas, principalmente nos seios.
Quando colocadas as próteses, muitas vezes acontece uma retracção capsular, ou seja, o corpo rejeita a prótese e forma uma cápsula fibrosa ao redor do implante, deformando o seio. Além de causar dores, a paciente é obrigada a retirar essa prótese até resolver o problema.
Outro risco frequente, é o de algumas mulheres desenvolverem uma infecção ao redor do implante, tendo que tirar a prótese para curar essa infecção, é recolocado algum tempo depois. Todos este processo, torna-se doloroso e dispendioso.

A história de Michael Jackson foi seguida por milhões de pessoas em todo o mundo que assistiu à gradual transformação física do cantor.
Como ele, existem muitas pessoas que se deixam vencer pelo bisturi e transformam os seus corpos e personalidade em quimeras muitas vezes inalcansáveis. Tal como uma droga, muitos não conseguem parar, outros, após conseguirem o seu objectivo, param a tempo.
Mas infelizmente crescem os casos em que o vício da transformação é tanto, as histórias de mutilações crescem assustadoramente. Mais tarde... tornam-se criaturas de aspecto dantesco, sem saberem depois quem são realmente.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O que a dor ensina...

Como a fé, a esperança e o amor pela família, podem "matar" um cancro... Começou por se sentir cansada. Subia um lanço de escadas e parecia que tinha corrido a maratona. Não ligou. Andava, talvez, a trabalhar demais; ser professora universitária pode ser esgotante, talvez precisasse de vitaminas, talvez fosse carência de sol, muita chuva e mau tempo nos ossos. Havia de passar. Mas não passou.
Um dia, levava dois sacos do supermercado, um em cada mão, e sentia que os braços se iam arrancar pelos ombros. Não havia de ser nada. – pensou- Tinha feito análises há menos de três meses e estava tudo bem; se calhar, andava a dormir mal; se calhar, era só a idade, que isto já se sabe, o corpinho não é o mesmo aos 18 e aos 43 anos, o tempo faz a sua mossa. Havia de passar.

Mas não passou. Em Março de 1999, Otília Pires de Lima suspirava dezenas de vezes ao dia de cansaço. Estacionar só se fosse de frente. Manobras estavam completamente fora de questão. Às vezes, até lhe apetecia seguir com o carro a direito, afastando-se do seu destino, só para não ter de fazer força com os braços para virar o volante para a esquerda ou para a direita. Estava exaurida.
Por sorte (ou porque o destino decidiu dar uma mãozinha), uma perda de sangue entre duas menstruações, levou-a ao ginecologista para ver se estava tudo bem.
O médico, ao fazer uma ecografia, encontrou um quisto de seis milímetros num ovário e explicou que teria de ser removido. Para isso, era necessário fazer novas análises.
Otília há-de ter protestado um bocadito, que tinha uma colheita de sangue feita há menos de três meses, não era preciso outra, que maçada, mas o médico insistiu e ela lá foi, até porque estava mais aliviada por ter encontrado (julgava ela) a razão do seu cansaço.
Por sorte também (ou porque o destino estava mesmo decidido a dar um empurrão), Otília andava a ouvir uns barulhos tenebrosos no interior da sua cabeça e marcou uma TAC (tomografia axial computorizada).
- “Eu ouvia martelar dentro da minha cabeça. Mas era um martelar tão claro, que durante algum tempo eu achava que havia obras no andar por cima do meu. Até cheguei a insultar, entredentes, o pobre do vizinho por estar a fazer obras à meia-noite. Depois, percebi que as obras estavam dentro da minha cabeça e decidi ir ver o que era aquilo.”
No dia 19 de Maio de 1999, o dia do 21.º aniversário da sua filha, Otília tinha dois afazeres importantes: ir buscar as análises e fazer a TAC.
Quando chegou ao laboratório, não foi a recepcionista quem lhe deu o resultado. Um enfermeiro de ar grave disse-lhe:
-“A senhora tem de ir já para o hospital. Está com 6 de hemoglobina! [O normal são 12 a 16g/dl].»
Otília riu-se: - “Que disparate, vou lá agora para o hospital! Hoje é o aniversário da minha filha, tenho é de me despachar que ainda tenho muito que fazer.”
O enfermeiro persistiu, que era o melhor, que os resultados não estavam bons, que tivesse cuidado, com a saúde não se brinca. E ela sim, sim, pois claro, amanhã ligo ao médico, não se preocupe.
Saiu do laboratório extenuada e foi fazer a TAC, marcada para esse dia. Quando chegou, desmoronou numa cadeira, arfando. A recepcionista perguntou:
_ “Está em jejum?” Otília disse que não e a recepcionista retorquiu:
- “Ah, então não vai poder fazer o exame. Tem de ser em jejum”
Otília soltou uma gargalhada das suas:
-“Olhe, então não vou fazer isto nem hoje, nem nunca. Se eu depois de ter comido me sinto assim, sem forças, imagine que estava em jejum! É que nem conseguia cá chegar!”
A recepcionista ficou pensativa.- “A senhora está tão branca …”
E, alarmada, chamou a médica. Foi então que ela desabafou que tinha ido pouco antes buscar o resultado das análises e que estava com 6g/dl de hemoglobina. A médica arregalou os olhos, fez-lhe a TAC e repetiu as mesmas palavras do enfermeiro do laboratório:
- “A senhora tem de ir para o hospital e é já. Ligue ao seu médico, vai ver que ele lhe diz o mesmo”
Otília mal conseguia marcar os números no telemóvel, mas ligou ao Prof. Ricardo Jorge. Do outro lado da linha, mais do mesmo. –“Mas, ó doutor, eu tenho de ir para casa fazer bacalhau com natas! É o aniversário da minha filha …”
Já não foi! Quando chegou ao Hospital São Francisco Xavier, trataram-na como se fosse uma bomba-relógio prestes a explodir a qualquer instante. Deite-se, não fale, não se mexa. O médico, seríssimo, a decidir:
- “Vai ter de ficar internada!” Otília respondeu: - “Ok. Eu fico cá, mas tenho de ir lanchar com a minha filha!”
A enfermeira que estava ali ia abrir a boca, mas a doente espetou-lhe um dedo no nariz: -“E isto não é negociável!”
Ela não sabe explicar o que sentia, mas era como se tudo aquilo fosse uma ridicularia sem sentido. Tanta histeria à sua volta parecia-lhe uma piada. Achava graça ao modo como todos se agitavam em seu redor, aos gestos nervosos, às vozes de comando dos médicos, à ansiedade dos enfermeiros. Nem lhe passou pela cabeça que aquilo só podia ser muito mau sinal. Estava divertida, em suma, como uma tonta. – “Não me perguntem porquê, mas era como se não fosse nada comigo. Estive o tempo todo a fazer piadas.”

Otília não tinha vaga num quarto e, por isso, puseram-na numa maca no corredor de obstetrícia. Achavam que talvez fosse um problema ginecológico, porque ela mencionou o quisto. Novas análises e a hemoglobina estava ainda mais baixa.
As horas foram passando e, a certa altura, uma auxiliar veio perguntar-lhe se já tinha nascido o seu bebé. Como era o dia de aniversário da filha, que tinha nascido às 21.40, respondeu:
- “Sim, já nasceu. É uma menina com 3,650 kg.” A empregada deu-lhe uma festa, disse parabéns, e perguntou: - “E quando foi?” Otília replicou, então com a mesma naturalidade: - “Foi há 21 anos.”
Outro dos episódios que recorda, divertida, é aquele em que um médico aparece no corredor aos gritos: -“Otília Pires de Lima? Quem é Otília Pires de Lima?”
Ela levantou o braço. O homem, corado e nervoso, levantou-lhe o lençol:
- “A senhora está a sangrar de onde?” Ela encolheu os ombros: - “Eu? Eu não estou a sangrar de lado nenhum!”
O médico estava uma pilha: -“A senhora tem de estar a sangrar de algum lado! Com estes valores, tem de estar a perder sangue por algum lado!” Mas a sua pesquisa não detectou hemorragias, e Otília continuava alegre, como se tudo não passasse de uma brincadeira.
Uma semana depois, foi transferida para o Hospital Garcia de Orta, e nem quando viu a placa a dizer “Hemato-oncologia” se deu conta do que lhe estava a acontecer.
–“Nada me atingia, era tudo como se não fosse comigo, e eu até hoje não sei explicar como e porque é que eu reagi assim.” Só quando uma manhã a médica chega de semblante carregado e lhe diz que se confirmaram as piores expectativas, e pronunciou a palavra, impronunciável, “leucemia”, só aí é que lhe caiu a ficha. O céu desabou sobre a sua cabeça. Queria saber tudo: quais os prognósticos, o que se seguia, o que fazer?
Mas quando a médica lhe perguntou, assim de chofre, se queria mesmo saber tudo, Otília estacou. Não! Era melhor não. E se lhe determinavam um limite? E se lhe diziam: tem um ano de vida? Seis meses? Não. Não queria viver a prazo. Não queria ficar condicionada por uma validade que lhe impunham. Por isso, levantou a mão e declarou:
- “Não. Não quero saber nada.” Quis ficar sozinha. E nesse instante desvairou. Andou pelo quarto como louca. Levou as mãos à cabeça, viu a vida deslizar-lhe à frente dos olhos. E foi nesse filme da existência que parou. Deixou de respirar por segundos. E disse em voz alta para consigo mesmo: - “Não. Eu não posso morrer. Eu não vou morrer disto. Eu não vou fazer isto aos meus pais.”
Otília tinha 43 anos, dois filhos e um pai e uma mãe que já tinham perdido quatro filhas. Ela era a quinta e última descendente e não podia morrer-lhes também.
– “Claro que pensei nos meus filhos, e no quanto os amava, e no quanto não queria deixar de os ver. Mas naquele momento foi nos meus pais que pensei: como é que eu podia morrer também? Como é que eu lhes podia fazer uma coisa dessas? E então soltou-se um grito dentro de mim: Não! Eu não ia morrer, era o que faltava! Eu ia lutar com todas as minhas forças. E ia ganhar.”

Em momento algum fez a pergunta típica: porquê eu? – “Perguntei para quê, e não porquê. Percebi que havia um motivo, uma razão. Que havia uma lição a tirar, de certeza que havia. Não tive raiva, não me revoltei. Aceitei, respeitei e decidi lutar, com a certeza de que ia vencer.”
Já refeita do choque, chamou a médica e disse: - “Vamos lá a isto, então. Primeiro ponto: eu não admito ninguém a olhar para mim com pena. Não sou uma coitadinha. Outra coisa: quero poder controlar as visitas. Não quero ninguém ao pé de mim que seja pessimista. Num momento tão decisivo, em que estou tão frágil, não quero que venham para aqui carregar-me negativamente.”
A médica sorriu, contente com a determinação, mas provavelmente sentindo desconsolo. As estimativas para Otília não podiam ser piores: a equipa dava-lhe quatro semanas de vida, mais coisa menos coisa. Não lho disseram porque ela pediu que não dissessem. Mas era esse o seu prazo.
Os tratamentos começaram de imediato. E as análises. E os exames. E todo um batalhão de “torturas” a que o seu corpo foi sujeito. Ao todo, fez 19 mielogramas (punção da medula óssea). Furaram-na 11 vezes para meter o cateter. Mas Otília aguentava tudo quase sem um ai.
- “Tinha uma enorme resistência à dor, que tinha que ver com a minha aceitação. Tenho a certeza! O Prof. Manuel Abecasis dizia que um estado de espírito optimista cria resistência à dor. E a verdade é que eu nunca senti uma dor insuportável. Minto. Um dia, decidi que queria anestesia para me darem um pontinho na zona onde tinha estado o cateter. A médica disse que não era preciso, que eu já tinha aguentado tanta coisa pior, que aquilo era só um pontinho. E eu não aceitei aquilo sem anestesia, estava com medo, estava crispada. Conclusão? A agulha chegou a entortar! A médica só dizia que eu tinha pele de cão. Esta era a prova: a não-aceitação. Se aceitarmos, o nosso corpo, como que se abre. E permite. E não dói." Otília Pires de Lima esteve um ano em tratamentos. Precisava de um dador, mas não havia nenhum compatível e ela não tinha tempo para esperar. Então, tentaram o auto-transplante. Mas as suas células não eram suficientes. Com o cenário mais negro, era ela quem tranquilizava os filhos, os pais, era ela que fazia humor com a situação, como se fosse uma brincadeira. Dizia coisas como:
-“Já viram a minha sorte? Tenho um cancro que não me vai deixar mutilada. Aqui não há nada para cortar. É o sangue. Ou se regenera ou não se regenera. E vai ficar tudo bem.” Para ela, a leucemia não era um agressor. Era um professor. “Aprendi a aceitar a leucemia, e mais: aprendi a amá-la. Ela veio para me ensinar qualquer coisa. Eu meti isto de tal modo na cabeça que, quando me caiu o cabelo, chorei, mas de felicidade. Porque eu acreditava que estava ali para aprender. E que aquela Otília tinha de morrer para nascer uma nova. E personalizei no cabelo, essa pessoa que tinha de morrer. De maneira que comecei a desejar que isso acontecesse. E quando caiu, chorei de alegria.”
O filho, então com 17 anos, foi-se abaixo. No dia em que ela chegou a casa com o lenço na cabeça, deitou-se na cama, chamou-o e disse-lhe: -“Meu querido, eu não quero ter de andar com isto na cabeça aqui dentro de casa. Tenho umas peladas horríveis, isto não é bonito, mas eu quero estar à vontade. E nós somos mais do que cabelo.”
O filho puxou-lhe o lenço, olhou-a, deu-lhe um beijo na cabeça e murmurou: -“Tu és bonita de qualquer maneira, mãe.”
A 12 de Outubro de 2000, os médicos deram-lhe a boa nova: era como se tivesse feito o autotransplante. Estava bem. Tinha alta. Eles não sabiam explicar como, mas Otília venceu.
- “Foi dos dias mais felizes da minha vida.” Neste processo, Otília Pires de Lima descobriu a sua, a nossa, filiação divina.
- “Se somos filhos de Deus, herdámos-lhe o ADN. E se ele é uma força de amor incondicional, nós também temos esse poder. E podemos exercê-lo. Devemos exercê-lo.”
A aprendizagem foi uma aprendizagem de amor. Otília aprendeu a amar-se em primeiro lugar. Só depois aos outros. –“Disseram-nos que é pecado colocarmo-nos em primeiro lugar. Pecado é não nos amarmos. Pecado é não nos perdoarmos. Se não nos amarmos, quem é que o vai fazer? Passamos a vida a ouvir os conselhos dos outros e raramente perdemos tempo a escutar-nos a nós, ao que diz o nosso instinto.”
Foi justamente para espalhar esta lição, que aprendeu da pior maneira, que Otília Pires de Lima escreveu o livro Viver de Amar (Papiro Editora). Porque acredita que o Universo nos dá sinais que nós, por estarmos demasiado ocupados ou por não querermos ver, não vemos. Não é preciso chegar ao estado a que ela chegou para aprender a lição.
O problema é que nós aprendemos mais depressa com o sofrimento do que com a alegria, com a bonança. E este livro era a sua missão! Serve para ajudar as pessoas a amarem-se, a confiarem mais em si mesmas. Ela sentiu que de repente a vida não era nada, mas também teve o privilégio de vencer, e de finalmente sentir a necessidade de ajudar outras pessoas a vencerem também.
Aqui fica esta história de vida, para dar esperança àqueles que desanimam, àqueles que desistem de lutar, àqueles que não acreditam que, “nada acontece por acaso, nem ao acaso”.

NOTA:
Este acto de amor para com os outros, não se ficou apenas na partilha desta experiência com outras pessoas que sofrem de cancro. O livro foi lançado e Otilia ofereceu na íntegra, a receita dos direitos de autor à Associação Portuguesa contra a Leucemia e ao Serviço onde esteve internada.
Quando o livro "Viver de Amar" for publicado no estrangeiro, a receita reverterá, também na íntegra, para a investigação do Genoma Humano, no intuito de ajudar a que mais ninguém precise pagar tão alto preço para nascer de novo.