segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Histórias de Dragões

O dragão foi, e continua a ser, uma criatura de mitos e lendas ao longo dos séculos em todo o mundo. No seu livro, View Over Atlantis (1969), John Michell diz: - "Em todos os continentes do mundo, o dragão representa principalmente o princípio da fecundidade.
A criação da terra e o aparecimento da vida surge como resultado de uma combinação de elementos. A primeira célula viva, nasceu fora da terra, fertilizada no céu pelo vento e pela água. A partir desta união do yin e do yang nasceu a semente, que produziu o dragão.”
Não é difícil concluir que, muito mais que o unicórnio, a fénix ou os centauros, o Dragão é o ser fantástico mais presente em mitos, lendas e ficção. Do ponto de vista simbólico podemos até dizer que o dragão representa o nosso próprio fogo interior, que algumas tradições esotéricas chamam de “kundalini”, o fogo serpentino que se acredita ser a fonte da criatividade e da sexualidade no ser humano.
Não existem limites para a aparição de dragões na literatura. Animais ou seres racionais superiores, senhores da chuva ou lançadores de fogo, as suas histórias vão continuar a encantar-nos por muitos séculos.
Aqui ficam duas pequenas histórias chinesas, contadas através dos tempos:

O ADORADOR DE DRAGÕES
Havia um homem, de nome Yegong que adorava dragões. Quem fosse à sua casa, ficava sem dúvidas a respeito dessa admiração, pois por todo o lado havia imagens de dragões, nas paredes, nas roupas, nas loiças, nos móveis e até nos tectos. É que não havia mesmo uma porta ou coluna que não tivesse um dragão esculpido.
Ao tomar conhecimento desta paixão, o verdadeiro dragão ficou tão sensibilizado e vaidoso com Yegong que resolveu retribuir-lhe a amabilidade com uma visita. Preparou-se, perfumou-se com as melhores essências celestiais e desceu à Terra, rumo à casa do seu admirador.
Para que a surpresa fosse maior, o dragão achou por bem entrar pela janela. Apenas tinha metade da cabeça dentro da janela, já Yegong, apavorado, gritava e tremia, acabando por fugir para a rua numa gritaria infernal. O pobre dragão regressou a casa, numa tristeza enorme e, até hoje, nunca mais apareceu em carne e osso a qualquer humano.

UMA GRANDE FAMÍLIA DE DRAGÕES
Conta a lenda chinesa que existem quatro dragões, que vivem sobre a protecção dos deuses: Tien-lung, o dragão celestial;
Shen-lung, o dragão espiritual, responsável pelas chuvas e ventos;
Ti-lung, o dragão que controla os rios e as águas na Terra;
Futs-lung, o dragão dos subterrâneos, que guarda pedras e metais preciosos.
Há também mais quatro dragões ligados aos rios, conforme a região (norte, sul, leste e oeste) e o comandante dos dragões, que controlam os rios, que se chama ”o grande Chien-Tang”. Ele possui um corpo cor de sangue vermelho, uma juba de fogo e 900 pés de comprimento.
Um dos dragões, é pai de 9 filhos com características muito especiais. São eles:
Haoxian, que é um dragão imprudente;
Yazi, valente e belicoso (normalmente é representado na decoração das bainhas de espadas e punhais);
Chiwen, que está sempre a olhar para o horizonte (pode decorar pináculos);
Pulao, que gosta de rugir (aparece em representações de sinos);
Bixi, que gosta da companhia de outros seres;
Quiniu, que gosta de música e é normalmente representado em instrumentos de cordas;
Suanmi, que gosta de fumo e fogo e é representado nos queimadores de incenso;
Jiaotu, que vive enrolado como um caracol e pode ser utilizado na decoração de portas.
Ora todos eles comem muito bem e sandam sempre famintos por alimentos como bambu, leite, nata, carne de andorinha e outros alimentos inofensivos, pois normalmente não costumam devorar pessoas como consta por aí…
Ainda assim, a tradição diz ser arriscado andar de barco depois de eles terem comido carne de andorinhas, uma vez guiados pelo cheiro, podem fazer alguma confusão e seriam capazes de engolir uma pessoa inteira!
Seja como for, sempre que um humano aviste um dragão, será melhor não se mostrar, não vá ser confundido com uma andorinha…

O selo do Dragão


Foi com muita ansiedade que os chineses estiveram em longas filas de espera à porta dos Correios de toda a China, ao frio, para obterem um selo comemoratico do Novo Ano Lunar do Dragão, mas assustaram-se quando viram os dentes arreganhados e assustadores do dragão do selo, que entrou em circulação hoje. A estampa contém um animal incompreensivelmente feio e assustador, o que está a provocar uma enorme polémica na China.

O repórter Peter Simpson, do periódico britânico The Telegraph, relata, de Pequim, a reacção de coleccionadores e comentadores sociais deixando no ar a pergunta: "se o Ministério das Relações Exteriores, vai mandar este selo nos seus presentes para os velhos amigos, ou, para antigos inimigos?"

É que este dragão não corresponde ao significado tradicional do dragão. Ao contrário dos mitos ocidentais, que o retratam como uma criatura violenta, agressiva e cuspidora de fogo, o dragão oriental é visto como benévolo, poderoso, mágico e auspicioso.

Os Correios da China e o designer Chen Shaohua, afirmam que a posição do animal mítico deve ser interpretada não como ataque, mas como um sinal da autoconfiança chinesa. “O dragão é um dos doze animais que fazem parte do Zodíaco chinês e é usado para exorcizar os maus espíritos e para amenizar os desastres previstos para 2012 e ao mesmo tempo, oferecer bênçãos, foi por isso que criámos esta imagem forte”, diz Shaohua.

O dragão representa o povo chinês e esta imagem é de facto assustadora, comentam alguns cibernautas na Internet, muito divididos se devem anular ou não, este agressivo selo comemorativo, devido à grande polémica que está a gerar.

domingo, 22 de janeiro de 2012

O Dragão de 2012


Os chineses acreditam que os dragões trazem boa sorte ao povo, que é reflectida nas suas qualidades, que incluem grande poder, dignidade, fertilidade, sabedoria e prosperidade. A aparência do dragão é assustadora e intimidadora, mas também possui uma disposição benevolente, o que eventualmente o transformou no símbolo da autoridade imperial.

Macau, assim como toda a China, já se enfeitou de vermelho, para receber o Ano do Dragão e amanhã, dia 23 de Janeiro, dia em que entra o novo animal mitológico que, de todos os signos chineses, é o mais forte e poderoso!
As ruas estão à pinha, é um corrupio de gente que nunca mais acaba. Os carros demoram-se nas filas, as pessoas atropelam-se nas ruas...
Este ano é esperado o dragão, cujo signo simboliza a figura do imperador e está associado à riqueza, à felicidade e à boa sorte. Um bom ano para os que possuem metas definidas, conhecimento, força de vontade e muito bom senso.
A impulsividade, arrogância e excesso de optimismo deverão ser evitados, e há risco de excesso de autoritarismo e fanatismo. Este ano favorecerá as actividade intelectuais, as pesquisas, os negócios em geral, projectos a longo prazo, os grandes empreendimentos e as viagens.
Também favorece o casamento, as uniões, as sociedades e o nascimento de filhos. Muitos casais na China planeiam para que os seus filhos nasçam sob este signo do Dragão, pois este é o signo que dá liderança e sucesso nos negócios.
Entretanto, o espírito do Dragão é indomável e tem tendência a tornar tudo maior, exagerar ou fazer grandes apostas, mas também pode > estimular-nos a ultrapassar os limites da prudência nos gastos. Como o Dragão é um grande apostador e não joga para perder, este é um ano para bons empreendimentos, desde que não vejamos as coisas melhores do que são.

Os vendedores mais uma vez exibem as suas mercadorias onde o vermelho predomina, em especial a venda de lanternas para enfeitar as portas das casas, as ruas, e por todo o lado a agitação das compras e o exôdo de 2 mil milhões de pessoas, que viajam por toda a China para ir ao encontro da família para, durante 15 dias se juntarem, trocarem presentes e assistirem às barulhentas celebrações de rua.

As lojas enchem-se de mercadorias e guloseimas próprias para estas festividades pois apesar do ponto alto das celebrações durar apenas 2 ou 3 dias, contando com a véspera de ano novo, a época de Ano Novo começa mais ou menos duas semanas antes e estende-se até duas semanas depois do dia exacto da celebração. Durante este período os chineses compram presentes, material decorativo, comida e roupas novas, numa espécie de ritual considerado indispensável para qualquer chinês. Fecham algumas lojas para férias e abrem tantas outras, muitas vezes com um novo negócio: os artigos típicos da época.
Reúnem-se com as suas famílias, em casas totalmente limpas e decoradas para o efeito, e panos e papéis recortados com cores (vermelho - felicidade; dourado - riqueza) e motivos da ocasião são colocados um pouco por todo o lado.
Preparam os Hui Chun, frases de 4 caracteres escritas em rectângulos de papel encarnado, expressando votos de felicidade, riqueza, saúde, etc., que se penduram nas paredes para afastarem os maus espíritos e o infortúnio.

Vão aos templos queimar pivetes e fazer oferendas de comida junto dos altares dos antepassados, também eles decorados e iluminados para a ocasião.
Na véspera de Ano Novo tem lugar um jantar familiar com receitas muito próprias para a ocasião, como é o caso do Jiaozi (bolinhos cozidos). Depois do jantar, têm lugar os jogos em família. À meia-noite todos vêem os fogos de artifício que tornam os céus luminosos durante algum tempo;
Por serem bastante supersticiosos, nestes dias os chineses escondem todas as facas e vassouras, que consideram trazem infelicidade e má sorte. Além do mais, caso alguém parta acidentalmente um prato, deve dizer imediatamente "sui sui ping an", senão terá um ano de infortúnio.

No dia de Ano Novo propriamente dito, as crianças recebem dos pais, dos avós e dos amigos, uns envelopes encarnados (lai-sis), que contém dinheiro, uma quantia simbólica para dar sorte. A tradição diz que o Lai Si também deve ser dado aos solteiros, mas acontece que, pelo facto de ser simbolo de boa sorte, quase toda a gente acaba por receber. É uma tradição gira, até porque as pessoas têm prazer em dar, mesmo que isso signifique gastar muito dinheiro nesta altura do ano.
Depois, as famílias vão de porta em porta saudar os parentes e vizinhos, o que torna todo o ambiente muito familiar e amigável. É a época da amizade e, se for o caso, da reconciliação.

Saber a sorte que nos espera é fundamental. Os adivinhos, bonzos e até monges, andam super atarefados nas suas previsões. Porém, é já do conhecimento geral, que será um ano de mudanças que nos convida a recomeçar, a sermos prudentes e adaptáveis, a proteger-nos das doenças e dos desastres naturais...
Mas como o Dragão é o mais auspicioso de todo o zodíaco chinês, por atrair a fortuna e o sucesso dos mais ousados, decerto a maioria terá o seu momento de glória.

Nos locais próprios (à beira-rio, numa estrutura montada propositadamente, debaixo de apertada vigilância e presença constante dos Bombeiros) queimam-se foguetes de todas as formas e feitios e panchões (cartuchos de pólvora revestidos a papel de cor vermelha), que tanto podem ser curtos como ter vários metros, o que se traduz numa queima de vários minutos, com a barulheira infernal que a acompanha.
O barulho é mesmo o intuito desde ritual, que segundo a tradição, cumpre-se para afugentar um animal sobrenatural denominado “Shan Xiao”, que tinha por vício matar pessoas ou gado nos fins de ano, mas que tinha medo da luz e do ruído. Crê-se que queimar panchões que rebentam e fazem um barulho tremendo, afasta os males e traz sorte.

Em Macau, terra do jogo, os casinos (que nunca fecham), faz-se a cerimónia da "abertura do jogo".
A afluência é enorme e os funcionários públicos, proibidos de ali se deslocarem durante o resto do ano, estão durante estes três dias autorizados a frequentar as salas de jogo para tentar a sua sorte.

E assim, todos os anos se celebra o Ano Novo Chinês. Na ida aos templos, na passagem pelos mercados, nas ruas engalanadas ou à mesa da família, onde se partilham sabores auspiciosos, a vida renasce todos os anos no primeiro dia da primeira lua do calendário tradicional chinês.
Kung Hei Fat Choi! - Feliz Ano Novo!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Saiba como usar o papel alumínio


O papel alumínio tornou-se um material quase indispensável na cozinha. Além de ser indicado em inúmeras receitas para auxiliar na cozedura dos alimentos, ele é muito útil como embalagem para conservar, congelar ou transportar os alimentos.
Agora só falta aprender a utilizá-lo de maneira eficaz.
O papel alumínio possui um lado brilhante e um lado opaco, graças ao seu processo de fabrico.
As folhas de alumínio são colocadas entre cilindros, que vão diminuindo a sua espessura até que elas fiquem muito fininhas. Neste processo, o lado que fica em contacto directo com os cilindros torna-se fosco e, na altura em que precisamos de envolver os nossos alimentos com o papel alumínio, surge a dúvida: qual o lado que deve ficar para fora?

O lado brilhante reflete melhor tanto o calor, como as baixas temperaturas. Portanto, para congelar alimentos, o melhor é manter o lado brilhante para fora, assim, quando o frigorifico for aberto, a folha de alumínio reflectirá o calor, mantendo por mais tempo as baixas temperaturas.
Já para cozinhar alimentos deve-se manter o lado brilhante para dentro, pois isso faz com que os alimentos cozinhem um pouco mais rápido.

Podemos usar papel alumínio no micro-ondas?
As folhas de papel alumínio não, mas as embalagens de alumínio sim.

DICAS

Afiar tesouras e facas – O papel de alumínio pode ajudar a recuperar aquela tesoura ‘cega’, que há já algum tempo está posta de lado. Pegue num pedaço de papel de aluminio, amasse e use a tesoura para cortar o papel. Repita o processo pelo menos 10 vezes, e a sua tesoura ou faca irá cortar bem outra vez.

Na limpeza – Pouca gente usa, mas o papel alumínio realmente serve como um óptimo protector para evitar a sujidade no forno e no fogão. Forre o forno e o fogão com ele sempre que for assar, fritar ou fazer algo que possa sujá-lo. Depois é só deitar a folha suja fora e poupa muito trabalho.

A fruta pode durar mais – pois o papel alumínio conserva a humidade natural das frutas, então se não quer mantê-las dentro do frigorifico, pode envolvê-las em papel de alumínio e assim a sua duração será como se elas estivessem no frio.

Limpa sujidade difícil – algo queimado colou no fundo da panela ou no tacho e não sai? Amasse um pedaço de papel alumínio e esfregue e esse queimado vai soltar-se com facilidade.

Cone multi uso – Precisa de um funil ou mesmo de um saco para enfeitar um bolo? Faça-o com o papel alumínio. Ele é moldável e impermeável, assim ganha qualquer formato e não suja suas mãos.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O fenómeno Lady Gaga

Stefani Joanne Angelina Germanotta, que nasceu em 1986, mais conecida por Lady Gaga, tornou-se a cantora pop que conquistou o mundo com os seus temas, mas é também uma surpresa ambulante: nunca se consegue adivinhar qual a extravagância que vai fazer ou vestir, a seguir.
O certo é que esta criatura parece não conhecer limites na sua ânsia de surpreender o público e, em 2011, foi protagonista das maiores excentricidades no que se refere ao campo da moda e dos seus polémicos clips.
Goste-se ou não, é impossível negar que Lady Gaga vai onde mais ninguém se atreveu ir antes dela. O mundo inteiro rende-se aos seus pés, incluindo o Japão, onde a admiração dos fãs neste país, toca as raias do fanatismo.
Mistura elementos sensuais e religiosos no seus clipes, beija mulheres, usa roupas excêntricas, usa looks provocantes nos espectáculos, diz querer superar os U2, Michael Jackson, Rolling Stones e Madonna; veste-se de "zumbi" para ir a uma festa, aparece nua num clip, a dançar numa clinica psiquiátrica, etc, etc, etc, enfim, tudo aquilo que a Madonna já fez 20 anos atrás, ela imita de forma ainda mais extravagante e arrojada.
O que, por sua vez, vários outros artistas já têm feito desde a década de 50. Para completar o grotesco quadro, ela faz questão de usar sempre uma grossa e grosseira maquilhagem de modernidade. Por detrás dessa maquilhagem, porém, apenas mais do mesmo. Nada de diferente, nenhuma inovação, nenhuma proposta nova, apenas usa e abusa de uma excentricidade obscena, que afinal a tem levado aos píncaros da fama, porque o público aplaude e quer mais...
Nesta foto, Gaga inventou um acessório para curtir uma noite na casa noturna Nevermind, em Sydney, na Austrália.
A cantora estava com um look inteiro nude e escondeu-se num véu branco e longo.
Fala-se também que a actriz pratica rituais satânicos, para aumentar ainda mais os rumores de que o seu sucesso foi alcançado por parte de um trato demoníaco.
O site "Truthquake" declarou que, durante a sua estada em Londres, no ano passado, uma funcionária do hotel, onde ela ficou hospedada, teria alertado os seus superiores por a cantora ter deixado a banheira cheia de sangue após desocupar o quarto, o que causou um certo pânico entre o pessoal da limpeza.
Uma fonte contou que, na verdade, Gaga se teria banhado com sangue como parte de um ritual satânico. Após relatar o acontecimento, a gerência do hotel advertiu esses funcionários para que "esquecessem o assunto".

Mas o que realmente me impressiona não é a artista requentar antigas polémicas. O que espanta é que tais polémicas requentadas surtam efeito. Após toda a revolução cultural das décadas de 60 e 70, a mais do que batida fórmula de misturar sensualidade à iconografia católica ainda pega e choca. Décadas após Jim Morrisson se masturbar no palco durante um show, Michael Jackson esfregar os genitais enquanto dança, Madona beijar na boca, em plena actuação, uma das meninas do seu coro. Actualmente Lady Gaga, entre outras loucuras, tem agora a ideia estapafúrdia de lançar um perfume, cuja fórmula é uma mistura de sangue e sémen, que, pelos vistos, ainda rende (muita) conversa nos tablóides e dá bastante matéria para aos média, sempre atrás tudo o que seja depravação.
Só pode haver uma explicação para isto: mesmo após tanta revolução cultural, mesmo após tanta libertação e tanto confronto com o status quo, a sociedade actual, aparentemente, não mudou nada, uma vez que permanece fundamentalmente conservadora e retrógrada, a ponto de se chocar com as mesmas fórmulas, aquelas que chocavam nos anos 20, 30, 40…
Verdade seja dita, que o público já acolhe certas excentricidades da "Lady" com uma certa indiferença, talvez por isso, ela tenha que ser cada vez mais criativa, persistente e aterrorizante nas suas novas fórmulas de chamar a atenção.

AS DROGAS
Como boa parte das celebridades, Lady Gaga também viu a imprensa especular sobre escândalos que envolveram a sua vida amorosa. A revista "Star", por sua vez, publicou um Julho do ano passado, uma reportagem na qual dizia que a estrela sofria com abuso das drogas e distúrbios alimentares. O jornalista responsável por essa matéria, definiu-a como sendo uma bomba ambulante.
- “Aqueles que trabalharam com ela durante a última tourné de shows, disseram que Gaga pode ficar semanas a comer um quase nada, só para conseguir entrar nas suas fantasias" - disse um repórter. - "Ela é doente e obcecada com o seu peso. Gaga fica horas em frente do espelho analisando e criticando seu corpo. É uma obsessão doentia."
Apesar do público achar que as fantasias e maquilhagens carregadas fazem parte do espectáculo, Halperin revelou os motivos ainda mais sinistros que a levam a fazê-lo:
- "Ela sofre de Lúpus – uma doença crónica, auto-imune, que causa inflamações em várias partes do corpo, na qual Gaga já revelou sofrer - está muito pior do que ela deixa transparecer",- disse ele - "Um dos maiores motivos para Gaga usar tantas perucas e maquilhagem carregada, é que o cabelo dela cai muito, e está coberta por manchas vermelhas, efeitos da sua doença, razão porque anda com a maquilhagem tão carregada, para disfarçar essas manchas."
A saúde e o distúrbio alimentar não são os únicos problemas apontados pelo jornalista.
- "Ela começou a usar drogas muito cedo. De heroína, cocaína até ecstasy, os amigos dizem que ela já usou de tudo, talvez por isso se esconda nesta personagem chamada Lady Gaga, que nem é uma pessoa real.
A menina conhecida como "Stefi" para os seus amigos e familiares, praticamente desapareceu."

O LADO MASCULINO DE GAGA
Depois de encarnar inúmeras facetas, 2011 foi o ano da cantora surpreender o público (como se isso fosse possível), ao exibir o seu lado masculino.
A cantora apareceu, quese irreconhecivel, nas imagens de divulgação, no vídeo clipe da música “You And I" e em outros eventos, usando a roupa do seu alter-ego Jo Calderone. As imagens foram divulgadas no Twitter oficial da cantora.

FESTIVAL DE QUEDAS
A trajectória de Gaga é formada por momentos surpreendentes. Mas na cerimónia de entrega do Video Music Awards de 2011, o fenómeno pop chamou a atenção por um imprevisto.
A estrela acabou por escorregar e caiu de frente, ao tentar descer de cima de um piano. Outras quedas foram presenciadas pelos fãs, como aconteceu num show em Houston e em outra apresentação em Atlanta, ambas em Abril do ano passado, que leva muitas pessoas a interrogar-se se estaria drogada ou doente?!

COMPLEXADA
Para esconder a sua baixa estatura de 1,55m, a cantora costuma usar saltos altíssimos por onde passa e nos ensaios que protagoniza.
Mas, o ano que passou, Gaga exagerou. Para se deslocar a fim de ser fotografada para uma das edições da revista "Vanity Fair", ela precisou de ser levada ao colo por um homem para poder deslocar-se até ao local do ensaio, que foi feito pela renomada fotógrafa Annie Leibovitz.
Apesar da aparência de rebeldia, Lady Gaga não se está a “rebelar” contra nada. Todos os seus actos, não são uma tentativa de contestação ou de rebelia mas apenas e só uma tentativa de permanecer o máximo tempo possível sob os holofotes dos mídia. E o seu sucesso nesta empreitada é o resultado directo de algo sintomático na nossa sociedade: dá-se demasiada à aparência e muito pouca, ao conteúdo. E é precisamente neste ponto que caímos nas mesmas polémicas requentadas de décadas atrás. Se prestássemos mais atenção ao conteúdo, veríamos em Lady Gaga apenas a tentativa patética de ser diferente, sendo igual. De “inovar” mas que vai repetindo fórmulas. De chocar com os mesmos actos dos nossos pais ou talvez mesmo nossos avós.
Mas para não parecer muito pessimista, tenho que reconhecer que tudo isto tem ao menos um lado positivo: antes a Lady Gaga com as suas extravagâncias requentadas, do que a Britney Spears quando fingia que era virgem! Em Maio de 2011, Lady Gaga deu que falar com o clipe de Alejandro, em que dança sensualmente vestida de freira, engole um terço e simula ser violada por um grupo de homens. É claro que, antes mesmo de ser apresentado ao público, o vídeo foi criticado pela Igreja Católica, como não podia deixar de ser, pois achou uma provocação de Gaga ao interpretar uma personagem bíblica de forma provocatória e nada “santa”.
Em Judas", o segundo single do álbum "Born This Way", ela aparece vestida de Maria Madalena e aponta um revólver a Judas.
Tudo isto numa tentativa desesperada de atrair os holofotes e as críticas para si, porque talvez seja esta a maneira de chamar a atenção de diversas camadas de população, mesmo pela negativa, o importante é que todos a conheçam.

HOMENAGEM A AMY WINEHOUSE
Durante sua passagem pelo estúdio da rádio americana, Gaga expressou a sua admiração por Amy Winehouse e aproveitou para deixar um recado aos fãs sobre a vida e morte de Amy:
- "Muitas pessoas me confundiam com ela na rua. Sou grande admiradora de Amy e o mundo perdeu uma grande artista. O que lhe aconteceu foi uma lição para o mundo, por isso, não matem a superstar. Vamos cuidar da sua alma"! disse.
Recentemente, Lady Gaga prestou uma homenagem à cantora na sua página no Twitter, onde expressa a grande admiração que nutre por ela:
"Amy mudou a música pop para sempre. Lembro-me de não me sentir sozinha por causa dela. Amy viveu o jazz, ela viveu os blues", escreveu na sua página.

Muito mais se poderia escrever sobre a "Lady das confusões", pois são tantas as polémicas que envolvem cenas patéticas e infelizes, que poderemos perguntar: quem será mais doentio? Ela, ou o público que lhe dá tanta atenção e a vai promovendo nestas e noutras loucuras? Que final terá esta cantora, à semelhança de outros artistas deste mesmo estilo? Só o futuro o dirá…

domingo, 15 de janeiro de 2012

PRESIDENTA! porque... sou mulher!


Foi o livro 'Memorial do Convento' que fez Pilar del Río encontrar José Saramago em 1986. Desde então, ficou conhecida dos portugueses por ser capaz de fazer afirmações tão contundentes como as do escritor e partilhar do seu 'exílio'. Nesta entrevista, confessa-se "uma mulher indignada", que não perdoa sexismos gramaticais nem perguntas machistas
... e a entrevista começou com a afirmação da jornalista:
-"Há um ano que é presidente da Fundação José Saramago..."
-"Presidenta!..."
-"Presidenta?" - repetiu admirada, a jornalista.
Mas Pilar, muito segura de si, passou a explicar:
-"Só os ignorantes é que me chamam presidente. A palavra não existia porque não havia a função, agora que existe a função há a palavra que denomina a função. As línguas estão aí para mostrar a realidade e não para a esconder de acordo com a ideologia dominante, como aconteceu até agora. Presidenta, porque sou mulher e sou presidenta.
(extracto do jornal "Diário de Noticias de 8/7/2008)

Como podemos ver, a jornalista Pilar del Rio costuma explicar, com um ar de catedrática no assunto, que dantes não havia mulheres presidentes e por isso é que não existia a palavra presidenta... Daí que ela diga insistentemente que é "Presidenta da Fundação José Saramago" e se refira a Assunção Esteves como "Presidenta da Assembleia da República".
E isto não é tudo, uma portuguesa de renome da nossa praça, Helena Roseta, ainda há bem pouco tempo dizia: «Presidenta!», retorquindo o comentário de um jornalista da SICNotícias, muito segura da sua afirmação... HAJA DEUS!!!

A propósito desta questão recebi o texto que se segue, que é uma belíssima aula de português e foi elaborada para acabar de uma vez por todas, com toda e qualquer dúvida se temos presidente ou presidenta.


A presidenta foi estudanta? Existe a palavra: PRESIDENTA?
Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?

No português existem os particípios activos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio activo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante... Qual é o particípio activo do verbo ser? O particípio activo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha. Se diz capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta".


Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".

Por favor, há que ter mais amor e respeito pela língua portuguesa!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Pais & Filhos de hoje...


Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos progenitores. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos mas, por outro lado, os mais tontos e inseguros que já houve na história.

O grave é que estamos a lidar com crianças mais "espertas", ousadas, agressivas e poderosas do que nunca.

Parece que, na nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo ao outro. Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram aos seus pais e a primeira geração de pais que obedecem aos seus filhos...

Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos. Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos. E o que é pior, os últimos que respeitámos os nossos pais e os primeiros que aceitamos(às vezes sem escolha...)que os nossos filhos nos faltem com o respeito.

Na medida em que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical, para o bem e para o mal. Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam às suas ordens e tratava-os com o devido respeito. Eram bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam os seus pais.

Mas, à medida que as fronteiras hierárquicas entre nós e os nossos filhos foram-se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que os seus filhos os amem, ainda que pouco, os respeitem. E são os filhos quem, agora, esperam respeito dos seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas ideias, os seus gostos, as suas preferências e a sua forma de agir e viver. E, além disso,que patrocinem no que necessitarem para tal fim.

Quer dizer; os papéis se inverteram, e agora são os pais quem tem que agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso, como no passado. Isto explica o esforço que fazem hoje tantos pais e mães para serem os melhores amigos e "dar tudo" a seus filhos. Dizem que os extremos se atraem.

Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo dos seus pais, a debilidade do presente que os preenche de medo e menosprezo ao ver-nos tão débeis e perdidos como eles.

Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente das suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter, e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão. Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca.

Apenas uma atitude firme, respeitosa, permitir-lhes-á confiar na nossa idoneidade para governar as suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os e não atrás, carregando-os, e rendidos à sua vontade.

É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio, no qual está uma sociedade a afundar-se e que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino.

Os limites abrigam o indivíduo. Com amor ilimitado e profundo respeito.

Texto adaptado de Mónica Monastero

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cora Coralina e a VIDA!


A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro,
mas deixou o seu legado.
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Cora Coralina, tinha um modo diferente de contar histórias, apesar de ter apenas a instrução primária e ser doceira de profissão, começou a escrever os seus primeiros textos aos 14 anos de idade, publicando-os nos jornais da cidade de Goiás, e nos jornais de outras cidades. Ela era conhecida como Aninha da Ponte da Lapa e publicou o seu primeiro livro aos 75 anos de idade.
Casou em 1910 com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas, com quem se mudou, no ano seguinte para o interior de São Paulo, onde viveu durante 45 anos. Teve seis filhos, quinze netos e 19 bisnetos e morreu aos 95 anos de idade.

Ficou famosa principalmente quando as suas obras chegaram às mãos de Carlos Drummond de Andrade, quando ela tinha quase 90 anos de idade.
Levou uma vida tumultuosa, cheia de encontrões do destino que, em vez de lhe provocar desânimo, despertaram no espírito de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas (nome verdadeiro de Cora Coralina), uma fibra de guerreira e uma sabedoria simples, por vezes meio marota, feita de respeito e piedade pelo ser humano, sobretudo pelos que sofrem, mas também com um fundo de ironia mansa e de malícia sem maldade, um humor típico da gente do interior, um sarcasmo angelical (se é que há sarcasmo entre os anjos), numa mistura de humildade franciscana e de revolta diante das estúpidas repressões da sociedade e da dureza dos costumes antigos, sob os quais foi criada e educada, e que lhe deixou marcas tão profundas na alma:
- "Na casa antiga, castigos corporais e humilhantes, coerção,/ atitudes impostas, ascendência férrea, obediência cega./ Filhos foram impiedosamente sacrificados e despojados./ E para alguma rebeldia indomável, lá vinha a ameaça terrível, impressionante/ da maldição da mãe, a que poucos resistiam./ Do resto prefiro não esmiuçar".
Nos poemas de ”Vintém de Cobre” – que são meias confissões de Aninha, livro que viria depois, mas eles são uma confissão de corpo e alma inteiros, escritos num tom simples e comunicativo, num lirismo quase de toada sertaneja, ricos de experiência humana. Talvez por pudor, ou autodefesa, nunca revelam toda a dureza dos factos. Ficam nas meias-confissões. E, por malícia, são chamados de vintém de cobre quando, na realidade, constituem a mais pura e autêntica moeda de ouro.
Aninha e as suas pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos Jovens
e na memória das
gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de
todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
(Outubro, 1981)

A humildade com que Cora se encara a si mesma, e como se coloca diante da vida, é uma das características nos seus versos :

Eu sou aquela menina feia da ponte da Lapa.
Eu sou Aninha.
Eu sou aquela mulher
que ficou velha,
esquecida,
nos teus larguinhos e nos teus becos tristes,
contando estórias,
fazendo adivinhação.
Cantando teu passado.
Cantando teu futuro.

Extraído de “Poemas da Minha Cidade”
Não sei... se a vida é curta...
Não sei... Não sei... se a vida é curta ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa, verdadeira e pura...
enquanto durar. "
Cora Coralina

Em todos os seus trabalhos, podemos lançar o nosso olhar sobre a dimensão que a sua escrita tem tanto de humana como social, na sua linguagem simples e despojada de preconceitos. Foi um ser atento ao seu tempo e prestando um testemunho preciso, ao mesmo tempo em que critica os costumes da época, o que ela faz de forma ponderada e justa, sem amargura ou revolta.

domingo, 8 de janeiro de 2012

O declínio do nosso cérebro...


Para todos os "mais jovens" que frequentemente se esquecem do nome de alguém ou de um número, que antes ditavam de cor e sem esforço, era fácil acreditar que o declínio do cérebro só começava aos 60 anos. Porém, uma equipa de cientistas liderada por Archana Singh-Manoux, do Centro de Investigação de Epidemiologia e Saúde Populacional, em França e do University College London, no Reino Unido, publicou um artigo no British Medical Journal (BMJ) que fortalece esta suspeita, antecipando o princípio da deterioração das nossas capacidades cognitivas para os 45 anos.

Durante um período de dez anos, entre 1997 e 2007, 5,2 mil homens e 2,2 mil mulheres entre os 45 e os 70 anos foram submetidos três vezes a vários tipos de testes. Entre outros desafios às capacidades cognitivas e à memória, o desempenho dos participantes, todos funcionários públicos no Reino Unido, foi avaliado com problemas matemáticos e verbais e um teste de vocabulário. A verdade é que os investigadores concluíram que os cérebros de alguns dos participantes mais jovens - ou seja, aos 45 anos - já revelavam sinais de declínio.

HOMENS MAIS AFECTADOS

No prazo de uma década, os participantes com idades entre os 45 e 49 anos sofreram um declínio no raciocínio na ordem dos 3,6%.
Em idades mais avançadas, a diferença de género é mais clara com os homens entre os 65 e os 70 anos a mostrar uma perda de capacidades de 9,6%, e as mulheres da mesma idade, com um resultado de 7,4%. "Todos os resultados sobre as capacidades cognitivas, excepto o vocabulário, revelaram um declínio nas cinco categorias etárias (45-49, 50-54, 55-59, 60-64 e 65-70), com um evidente declínio mais rápido nos mais velhos", refere o artigo que conclui de forma clara: "O declínio cognitivo é já evidente na meia-idade (entre os 45 e 49 anos)".

Mais do que assinalar um triste marco nas nossas vidas, os resultados deste estudo podem vir a contribuir para as investigações relacionadas com diversas formas de demências, como a Doença de Alzheimer. Se os nossos cérebros se deteriorarem mais rápido podemos estar perante um maior risco de desenvolvermos uma demência quando formos mais velhos. E aqui surge a incontornável questão da prevenção.
No artigo do BMJ, os investigadores deixam algumas indicações sobre as possíveis formas de preservar os nossos cérebros. Assim, a adopção de um estilo de vida saudável e a diminuição dos riscos de doenças cardiovasculares (obesidade, hipertensão, níveis elevados de colesterol, entre outros) poderá ter um efeito benéfico.

Artigo do jornal "O Público", 7/1/2012
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Na verdade, há décadas que se sabe que o máximo da capacidade cerebral é atingido por volta dos 27-28 anos, idade típica em que são realizadas as grandes descobertas na Matemática e na Física. Depois começa uma lenta degradação, porém compensada pelo aumento de conhecimento, pelo que em áreas onde o conhecimento é mais importante do que a capacidade cerebral pura, as grandes realizações são atingidas por volta dos 35anos. Depois dos 35 anos é sempre a decair, razão por que essa é a idade típica limite para as ofertas de emprego de exigência intelectual. A decadência é gradual, mas cumulativa, de modo que aos 55 já se sente bem. No entanto, e como o artigo diz, a inteligência verbal decai menos.
Na verdade as questões que se colocam, a intervalos de tempo, a um conjunto de pessoas, não as sensibilizam, a todas, da mesma forma.
O cérebro faz uma triagem sistemática das questões que interessam a cada um, e o que não interessa, é colocado numa espécie de "arquivo morto" para uma eventual consulta em situações futuras, por isso quando, três anos depois, se coloca uma questão que foi importante há três anos atrás, que entretanto deixou de o ser, é normal que o cérebro não reaja da mesma maneira, uma vez que essa questão deixou de ser importante.
O que se passa é um processo de evolução (de regressão também acontece, mas devido a lesões sofridas no próprio cérebro), que leva o individuo a privilegiar determinados aspectos em detrimento de outros, podendo até dizer-se que o cérebro tende a restringir o seu campo de acção, porque o individuo em questão já definiu o seu espaço, já sabe o que quer e o que pretende salvaguardar.
Um jovem não tem ainda um perfil elaborado, por isso armazena no cérebro grande quantidade de informação, que lhe permite responder a um amplo rol de situações novas que, sem conhecimento, não conseguiria resolver. Daí que, este estudo é mais um contributo à satisfação de quem o fez, pois encontrou nele os argumentos que ele próprio procurava, encontrou o que queria encontrar. O cérebro humano não definha, apenas se adapta aos interesses do momento.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2012! Será mesmo o fim do mundo?

O que há de tão especial sobre 21 de Dezembro do ano que vem? Muitas pessoas pensam que é o fim do mundo. Este prognóstico é atribuído ao conceituado “Calendário Maia”, que encerra no dia 21 de Dezembro de 2012 e, assim, ocorrerá uma grande catástrofe que irá acabar com uma grande parte da Humanidade!
Muitos acreditam que isso se traduzirá em desastres e cataclismos naturais - algo muito próximo da concepção cristã do Juízo Final.
Outros, crêem que essa data marcará o fim da civilização ocidental. De qualquer modo, as especulações sobre a natureza dessa previsão, estão a aproximar-se cada vez mais da ciência, muito particularmente, das transformações que ocorrem ciclicamente com as irradiações solares…
A teoria revela que o fim da Terra começa com o alinhamento planetário e uma inversão dos pólos da Terra, após um grande tsunami.
Após isto, o caos instala-se e o planeta Terra começa a tornar-se inabitável com um grande número de desastres naturais, tais como erupções vulcânicas e tempestades.
Procurando pela frase 'desastres 2012' no Google, aparecem cerca de 35 milhões de resultados em todas as línguas. Isto significa que muitas pessoas estão preocupadas com esta data, mas afinal não existe razões para este pânico
Segundo a Nasa - Agência Espacial Norte-Americana, as pessoas podem dormir tranquilamente na noite entre 20 e 21 de Dezembro de 2012.
Apesar da polémica em torno desta data, o mundo não corre o risco de acabar, porque para além desta data marcar o início do solstício de inverno, instante que marca o começo do Inverno no Hemisfério Norte, nada de mais interessante irá acontecer.

Os defensores da teoria afirmam que uma estranha série de eventos terríveis estará a convergir para causar a destruição da humanidade naquele dia. Mas o astrónomo da Nasa rebate essas ideias, usando conhecimentos científicos para mostrar que tudo não passa de falta de informação:
O antigo calendário Maia, era um sistema distinto para medir o tempo. Além do ano, os Maias mediam períodos mais longos, assim como o nosso calendário divide o tempo em décadas, séculos e milénios.

A contagem do “Calendário Maia” mais curto, era de 52 anos, enquanto a contagem do calendário mais longo, era de 5125 anos. Grande parte da polémica sobre o fim do mundo, deve-se a este calendário de longa duração chegar ao fim, a 21 de Dezembro de 2012 (dois mil e doze).

No entanto, isto não significa que uma catástrofe irá acontecer. A data indica apenas o fim de um calendário e o início de outro. Supõe-se que os Maias nunca previram que o fim do mundo ocorreria nesse dia. Seria como dizer que o fim dos tempos será em 31 de Dezembro, porque a data marca o fim do calendário gregoriano.
O final dos ciclos do “Calendário Maia” significa "finais de período" e pode ser interpretado de diferentes formas, conforme as religiões. Enquanto existem aqueles que acreditam que 21 de Dezembro de 2012, trará uma nova era de iluminação, muitos outros temem uma catástrofe.

AS PROFECIAS MAIAS A primeira profecia Maia fala sobre o final do medo.
Com base nas suas observações os Maias, previram que a partir da data inicial da sua civilização, desde o 4° Ahua, 8° Cumku, isso é 3.113 a.C., 5.125 anos no futuro, ou seja, sábado 21 de Dezembro de 2012 o sol, ao receber um forte raio sincronizado proveniente do centro da galáxia, mudará a sua polaridade e produzirá uma gigantesca labareda radiante.
Diz que o nosso mundo de ódio e materialismo terminará nesse dia e a Humanidade deverá escolher entre desaparecer do planeta como “espécie pensante” que ameaça destruir o planeta, ou evoluir para a integração em harmonia com todo o Universo. Compreendendo que tudo está vivo e consciente, que somos parte desse todo e que podemos existir numa era de luz. Eles alertavam que devemos realizar mudanças de consciência para que, possamos desviar-nos do caminho da destruição o qual avançamos, para um outro, que abra as nossa consciências e a nossa mente, para a nossa integração com tudo o que existe.
Para os Maias, o processo universal, como a respiração da galáxia, é cíclico e nunca muda. O que muda é a consciência do homem, que passa através deles num processo sempre em direcção a uma maior perfeição.