quarta-feira, 11 de abril de 2012

A Moda e a Morte de Animais


A pele de jacaré é matéria-prima indispensável no mercado internacional!
Foi assim que o locutor começou com um programa sobre moda e sofisticação, num programa na TV. Nós não vemos, nem sonhamos como se processa determinadas carnificinas aos animais de várias espécies, mas este programa despertou-me a atenção, deixando-me horrorizada.
O programa falava sobre o abate de crocodilos para confecção de carteiras, malas, cintos, sapatos etc, com muita procura no mercado…
Fiquei chocada com a forma da abordagem do assunto, como se fosse a coisa mais natural do mundo, criar animais para lhes tirar a vida de forma brutal, para os escalpar por um motivo tão fútil, como alimentar a vaidade tola dos humanos.
Para acentuar ainda mais a minha revolta, entrevistam a dona de um matadouro “regular”, que sorria feliz da vida, dizendo que construiu um império, com a morte dos animais.
Pelo amor de Deus! Onde é que o nosso mundo vai parar? Como é permitido a estas pessoas irem matando centenas de animais, para deixar benefícios a uma geração, que só visa o lucro e o luxo, não importa se são criadores ou não, com essa finalidade?
Os animais sentem dor, sentem frio, sentem medo e merecem viver assim como qualquer outro ser, humano!! Se Deus os colocou no mundo foi com um propósito e tenho a certeza que não foi para que um homem pegasse neles e os torturasse, arrancasse a sua pele para vender em grande escala e ficar rico!

Cada vez mais, encontramos animais mutilados e torturados por gente má, sem escrúpulos e sem um pingo de humanidade.
Infelizmente como carne, porque esta ainda faz parte da alimentação dos humanos e portanto da nossa cadeia alimentar. Porém, eu sei que os matadouros também são cruéis, mas quero acreditar que os criadores de gado os deixem viver o melhor possível, e que morram de forma digna e indolor (é o que chamam de abate humanitário, onde o animal é dissensibilizado antes do abate) e sim, utilizar tudo o que for possível deste animal, não haver disperdícios… mas matar, por vaidade é injustificável… é maldade mesmo!

O ser humano está cada vez mais a perder a noção do racional, a capacidade de amar e da caridade. O homem é o único ser que mata por prazer, pois temos como exemplo, os caçadores…
Uma pessoa que tem coragem de torturar ou matar um animal indefeso, mata uma criança e um adulto, sem qualquer peso na consciência.
Assistimos, impotentes, à inversão de valores, poucas são as crianças hoje em dia que aprendem o que é amor ao próximo, a respeitar os animais e o meio ambiente e, espera-nos por isso, um futuro de horrores e sofrimento. E as notícias aí estão a dar-me razão!
Os jornais desfilam horrores: loucos que entram em escolas e atiram a matar em tudo o que mexe, outros, matam e mutilam por ciúmes. Outro matou, porque o vizinho lhe roubou um pedaço de terra e por aí fora, qualquer pequena razão, é motivo para sacar da arma e tirar uma vida.

Quando comprar roupa. há que ter em atenção as etiquetas. Sempre que comprarem um casaco, um par de sapatos, uma mala, é importante saber qual o tipo de material que compõe essa peça. Tudo o que contém pele, possui o seguinte símbolo identificativo:

Este símbolo indica-nos que uma determinada peça de roupa, por exemplo, possui pele na sua composição. Existem alternativas sintéticas, como a pele falsa (poliuretano) que não é responsável por atrocidades como estas:

Não se justifica que, em pleno século XXI, ainda se matem animais para fazer roupa!!
É absurdo e é cruel, especialmente se considerarmos que os animais destinados à produção de pele, são mantidos em jaulas mínimas, imundas, onde vivem uma vida de miséria, cativeiro e sofrimento e que são esfolados ainda vivos e totalmente conscientes, em muitos casos.
Por este motivo, é importantíssimo que cada um de nós decida não comprar produtos com pele. Existem alternativas. Enquanto continuar a existir procura, existirá oferta e consequentemente, sofrimento de animais inocentes
Fica aqui o meu apelo:

NÃO COMPREM NADA QUE SEJA FABRICADO COM PELE DE ANIMAL!
NÃO APOEM ESSA BARBARIDADE.


Se realmente quisermos fazer algo pelos animais, devemos procurar saber a procedência dos alimentos que ingerimos, comprar apenas produtos cosméticos cujo fabrico seja amigo dos animais, (continuam a fazer testes em animais embora agora de forma um pouco mais responsável, mas ainda longe do ideal) ou seja, fazem testes alternativos ao uso deles.
Está nas nossas mãos mudar o rumo de acontecimentos que não concordamos, temos realmente que pesquisar as empresas que tratam bem os seus animais e buscar meios alternativos para que o nosso bem estar, não seja baseado na dor e no sacrifício dos animais.

Activistas do Peta (organização que defende o tratamento ético dos animais) fazem várias vezes, protestos contra os maus tratos aos animais.
Despidos e tingidos de falso sangue, os manifestantes 'cravaram' bandeirilhas nos seus próprios corpos, numa referência à crueldade com que são tratados os animais. Neste caso, foi contra as touradas...
Humanize-se, para que o nosso futuro não seja uma terra de ninguém, pois são nas pequenas atitudes, que nascem os grandes homens.
Se hoje o seu filho se sente triste pela morte de um animal, preserve-lhe e essentive esse sentimento. Com certeza ele crescerá como um ser humano maravilhoso, que respeitará a vida do seu semelhante e ajudará a tornar esta nossa sociedade um pouco melhor.


"Quando se é capaz de lutar por animais, também se é capaz de lutar por crianças ou idosos. Não há bons ou maus combates, existe somente o horror ao sofrimento aplicado aos mais fracos, que não podem se defender". Brigitte Bardot

terça-feira, 10 de abril de 2012

A origem de "bunda"

Os responsáveis pela “bunda” como é conhecida na actualidade no Brasil, e aí refiro-me ao conceito contemporâneo de bunda, ou seja, a bunda como ela é, são os africanos.
Mais especificamente os angolanos e os cabo-verdianos. Para ser ainda mais preciso, as angolanas e as cabo-verdianas!
Foram elas, angolanas e cabo-verdianas, que, ao chegarem ao Brasil durante as trevas da escravatura, revolucionaram tudo o que se sabia sobre as bundas até então.

Foi assim: naquela época, a palavra bunda não existia. Os portugueses, quando queriam falar a respeito das nádegas de uma cachopa, chamavam-lhe exactamente: nádegas. Ou região glútea, tanto faz.
Então, os escravos angolanos e cabo-verdianos chegaram ao Brasil. Só que eles não eram conhecidos como angolanos nem cabo-verdianos. Eram os "bantos" designados por "bundos", que falavam o idioma ambundo ou quimbundo. A língua bunda, enfim.
Os bundos, esses, em especial as mulheres bundas, possuíam a tal região glútea muito mais sólida, avantajada, globosa.
Os portugueses, que, ao contrário do que se acredita, não são tolos, logo deitaram longos olhares para as nádegas das bundas. Uma delas, que passava diante de um grupo de portugueses que comentavam: - Que bunda!

Em pouco tempo, a palavra bunda, antes designação de uma língua e de um povo, passou a ser sinónimo de nádegas.
Assim nasceu a bunda moderna com lindas e apreciadas bundas.

NOTA:
"Bunda" tem origem no idioma Quimbundo, falado pelos Ambundos em Angol que dizem M′BUNDA para "nádegas". Assim, tal palavra vem quase sem modificação de um idioma africano.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Páscoa e as tradições

São muitas as tradições relacionadas com a Semana Santa, que vão desde entregar os ramos aos padrinhos, ao comer o folar e, ou beijar a cruz de Cristo.
Algumas podem já estar ultrapassadas nas grandes cidades, mas na Páscoa, não podem faltar as amêndoas e os ovos, que além de cumprirem a tradição, também animam as festividades e dão um toque de alegria a esta época religiosa.
Muito se tem especulado por na Páscoa se oferecer ovinhos de chocolate coloridos e coelhinhos…

OVOS COLORIDOS O costume de pintar ovos e dar os mesmos de presente na Páscoa, tem várias origens. Uma delas, é que receber ovos pintados, traz boa sorte, fertilidade, amor e fortuna. Na cristandade primitiva, o ovo era símbolo da vida e da ressurreição e, um ovo, era sempre adicionado ao túmulo, quando do falecimento de um cristão.
Os cristãos acarinharam a imagem do ovo para festejar a Páscoa, que celebra a ressurreição de Jesus – o Concílio de Nicéia, realizado em 325, e estabeleceu o culto até aos dias de hoje.
Nessa época, pintavam os ovos (geralmente de galinha, gansa ou cordoniz) com imagens de figuras religiosas, com o próprio Jesus e de sua mãe Maria.
Assim o ovo adquiriu a imagem de conter algo oculto, ser como um túmulo fechado, no qual está encerrada uma vida, que em qualquer momento irá dali surgir...
O ovo é também um alimento, considerado um símbolo de vida, de pureza, de fertilidade, e era usado como forma de pagamento de dívidas, como sacrificio ou como oferta de gratidão.
Em Inglaterra, no século X, os ovos ficaram ainda mais sofisticados, porque o rei Eduardo I (900-924), costumava presentear a realeza e os seus súbditos com ovos banhados em ouro ou decorados com pedras preciosas e oferecia-os na Páscoa.

PORQUÊ O COELHO: O coelho, apesar de ser um mamífero e por conseguinte não põe ovos, assumiu o papel de produtor e entregador dos ovos de Páscoa. Isto devido à notória capacidade de reprodução desses animais, que se tornaram o símbolo da fertilidade, pois o Coelho, na mitologia grega, era o símbolo da fecundidade e aparecia nos respectivos ritos. Daí pode ter-se infiltrado na lenda ocidental, devido à Páscoa estar relacionada no calendário, com o início da primavera.

O FOLAR E A LENDA: Não se consegue precisar no tempo a origem da história do Folar da Páscoa. Sabe-se apenas que é muito antiga e segundo ela, uma jovem aldeã de seu nome Mariana, tinha como grande objectivo de vida, casar cedo.
Tanto rezou a Santa Catarina, que lhe surgiram dois pretendentes ao mesmo tempo: um lavrador pobre e um fidalgo rico. A única coisa que era comum aos dois, era a sua beleza e juventude.
Indecisa quanto à escolha a tomar, a jovem pediu novamente ajuda a Santa Catarina. Ambos os jovens pretendentes a pressionavam a escolher, tendo mesmo o jovem lavrador marcado o Dia de Ramos como data limite para a resposta.
Ainda segundo a lenda, no Dia de Ramos, os dois jovens pretendentes envolveram-se numa luta de morte e, Mariana acabou por se decidir pelo lavrador Amaro.
Contudo Mariana vivia preocupada e receosa porque constava que o fidalgo iria aparecer no dia de casamento para matar o seu Amaro. Mais uma vez recorre a Santa Catarina, e ao que parece, a santa sorriu-lhe enquanto Mariana rezava. Mais tranquila e agradecida, Mariana ofereceu flores à sua santa. Quando chegou a casa tinha em cima da mesa um bolo com ovos inteiros e as flores que tinha oferecido à santa, ao lado. Aflita, Mariana dirigiu-se a casa de Amaro para lhe contar o sucedido, mas a este também tinha acontecido o mesmo. Ambos pensaram que tinha sido obra do fidalgo e quando o procuraram para agradecer, constataram que a ele também tinham oferecido o mesmo.
É por isso que este bolo chamado folar se tornou numa tradição que é entendida como a celebração da reconciliação e da amizade.
Por isso no Domingo de Ramos os afilhados oferecem aos padrinhos um ramo de flores e recebem o folar, no Dia de Páscoa.

A TODOS, UMA DOCE PÁSCOA, CHEIA DE COELHINHOS, OVOS, FOLARES E A RENOVAÇÃO DOS VOSSOS SONHOS!

domingo, 1 de abril de 2012

Hoje, podemos mentir... (1.º de Abril)

Nunca percebi porque motivo temos um dia totalmente dedicado à mentira?! Bem sei que há dias dedicados a tudo, e, convenhamos, muito mais pertinente e educativo, mas num mundo cada vez mais de aparências, marcamos um dia no qual podemos mentir, enganar, pregar partidas e tudo o que mais nos apeteça?
É tudo (será?) brincadeira, eu sei, mas o resultado disto é que, desconfiada como sou, durante todos os outros dias do ano, acabo por não acreditar em nada do que me digam hoje.
Ao que parece, não existe consenso quanto à origem desta data, o que me leva a pensar que, se calhar, a própria existência deste dia é mentira...
Histórias à parte, porquê um dia das mentiras? Porquê inventar mentiras hoje, quando tantos e tantos são especialistas em mentira intencional?
Mentir e ser alvo de mentiras já faz parte da nossa vida. Todos nós já mentimos (e não vale a pena mentir e dizer que não) e todos nós já fomos enganados. A mentira acompanha-nos. Desde aquelas mentirinhas inocentes que encobrem atrasos, faltas ou má disposição, até às grandes mentiras, que nos agridem o coração e nos roubam uma pequenina parte de nós aos poucos.
As crianças mentem de forma pura. Mais correcto será dizer que inventam histórias para explicar o que não sabem ou que não querem que se saiba.
Confabulam de maneira impressionante e muitas das vezes conseguem convencer-nos até, mas basta uma dúvida nossa, uma pergunta, e todo o enredo já mudou. O problema são as mentiras "dos crescidos". Essas sim, são histórias dignas de best seller que, palavra a palavra, nos envolvem numa teia confusa mas muitas vezes convincente. Junto com a mentira vem a dúvida e aqui não sei dizer qual delas é a pior. A dúvida espalha-se com a força do mais mortífero vírus, atacando tudo o que é sentimento e contaminando qualquer relação. Uma vez instalada nunca mais nos larga, mesmo que se
minta e se diga "Eu confio". A mentira, em toda a acepção da palavra, destrói e corrói. Porquê dedicar-lhe um dia? Porque não um dia em que a verdade e nada mais que a verdade poderia ser dita? Já diz o provérbio "prefiro que me entristeças com a verdade, do que me alegres com a mentira".
No final, todos deveríamos ser como o Pinóquio e ter uma consciência com forma de grilo ou outro animal qualquer que nos assobiasse de cada vez que erramos, com palavras ou acções. A parte do nariz que cresce ficaria só para os doutorados em mentira. Para todos, um "grilo falante" já chegava. E já agora, esquecer o dia das mentiras. Porque deixar de mentir...hum...impossível de todo.
Mas que seres somos nós, que nos apelidamos de humanos, mas não conseguimos deixar de ser selvagens tantas vezes?

quinta-feira, 29 de março de 2012

FÁBULA DA ÁGUIA-GALINHA


Certo dia, um camponês foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo na sua quinta. Conseguiu encontrar um filhote de uma águia e levou-o para a sua casa, colocando-o no galinheiro junto às galinhas e assim, esta ave cresceu como uma galinha.
Passaram-se cinco anos! Nessa altura, o dono da quinta recebeu em sua casa a visita de um naturista.
Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturista:
- Oh, mas que estou eu a ver? Esta ave, não é uma galinha. É uma águia.
- Tem razão! De facto, é uma águia, mas eu criei-a como uma galinha e ela agora já não é mais uma águia, mas uma simples galinha como as outras.
- Não, rejeitou o naturista.- Ela é, e será sempre uma águia, porque o seu coração a fará um dia voar até às alturas.
- Mas é claro que não, - insistiu o céptico camponês - ela passou a ser uma galinha e jamais voará como águia.
Então decidiram fazer um teste. O naturista pegou na águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse:
- Já que és de facto uma águia, já que pertences ao céu e não à terra, então abre as tuas asas e voa!
A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturista. Olhava distraidamente em redor, mas depois viu as galinhas lá em baixo, picando os grãos e pulou para junto delas.
O camponês triunfante, comentou:
- Eu bem lhe disse, que ela é agora uma simples galinha!
- Não, tornou a insistir o naturista. - Ela é uma águia! E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
No dia seguinte, o naturista subiu com a águia ao tecto da casa e voltou a sussurrar-lhe.
- Águia, já que és uma águia, abre as tuas asas e voa!
Mas, quando a águia viu lá em baixo as galinhas a picar o chão, pulou dos braços do homem e foi juntar-se a elas.
O camponês sorriu triunfante e voltou à carga:
- Eu bem lhe disse que ela é uma galinha como as outras, porque foi criada com elas e já não consegue ser outra coisa!
- Não, respondeu firmemente o naturista. - Ela é uma águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez e amanhã vou fazê-la voar.
E no dia seguinte, o naturista e o camponês levantaram-se muito cedo. Pegaram na águia e levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava a nascer e dourava os picos das montanhas.
O naturista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
- Águia, já que és uma águia, já que pertences ao céu e não à terra, abre as tuas asas e voa!

A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse uma nova vida. Mas não voou. Então, o naturista segurou-a firmemente, bem na direcção do sol, de forma a que os seus olhos pudessem encher-se de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.
Foi quando ela abriu as suas potentes asas e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. Nesse instante começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto.
Voou e nunca mais voltou.

Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização.
Oxalá esta história nos faça pensar um pouco…
Existem pessoas que nos fazem pensar e agir como galinhas. Assim, até pensamos que somos efectivamente galinhas, em sentido figurado claro, mas esta é uma realidade do nosso dia a dia.
Porém, é preciso ser águia! Abrir as nossas asas e voar. Voar como as águias. E, jamais nos devemos contentar com os grãos que jogam aos nossos pés, para picarmos os miseráveis grãos que fazem de nós verdadeiros escravos.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Teatro da Vida

Nos dias que correm, a vida é muitas vezes encarada como uma peça de teatro, mas uma daquelas peças bastante artificiais...
O materialismo é o objectivo absoluto para muitos e talvez por isso mesmo, aparentemente, vivemos numa história de falsidades, fingimentos, traições e cada vez mais sentimos que vivemos numa história sem valores...
As coisas até decorrem com determinada ordem quando as vontades do homem são satisfeitas, o problema reside essencialmente quando existem conflitos de interesses.
Transformamo-nos em autênticos bichos numa luta sem tréguas pela sobrevivência! Até onde vai a nossa irracionalidade? Até que ponto esta, será uma luta pela sobrevivência?
Que forma doentia é esta de estar no mundo, em que os bens materiais são encarados como a forma mais fácil de nos mostrarmos aos outros, mas... afinal a menos inteligente?!
Que seres somos nós que, perante sentimentos tão nobres, nos moldamos e caímos em falsos moralismos?
É certo, e está provado, que somos seres repletos de fraquezas, seres solitários. Seres que nem sempre estão dispostos a andar em uníssono com o seu semelhante, porque só podemos conquistar o nosso semelhante quando baixamos a nossa guarda e nos apresentamos despidos e sem preconceitos, na esperança que o outro confie em nós e que nos mostre a sua alma, os seus medos... é então, quando nos tornamos vulneráveis.
Entramos nessa altura noutra história, em que os actores são os mesmos mas as motivações vão para além do conhecimento superficial, o politicamente correcto. E é aqui, que está a verdadeira e extraordinária essência do homem.
Aquele que, sem interesses, é capaz de actos heróicos, aquele que se sente complacentemente orgulhoso do sucesso dos que o rodeiam, o que é capaz de estender a mão e ver no outro a sua continuação, o seu complemento, o seu prolongamento...
Nesta fase do contexto tomamos consciência da profundidade da natureza humana que se traduz em relações de tanto contraste... e de quão frágeis somos, por vivermos numa sociedade mascarada, num teatro aberto, em que todos somos actores com máscaras diversas, que representam muitas peças, muitas personagens enganadoras e patéticas, numa sociedade em que o grande desafio está em conseguir descobrir as pessoas que estão por debaixo de cada máscara.
Somos nós que fazemos a sociedade em que vivemos e por isso, cabe-nos a nós tentar alterá-la, nem que seja através de pequenos gestos...

terça-feira, 27 de março de 2012

Dia do Teatro

Hoje é o dia de lembrar duas classes das artes cénicas: no âmbito nacional, a vez é do circo, lugar onde é possível desfrutar momentos agradáveis proporcionados por palhaços, malabaristas, acrobatas, equilibristas e toda a magia que vem dos intrigantes truques dos ilusionistas.
Mas o dia 27 de Março, é um dia dedicado ao teatro em todo o mundo e ao seu conjunto complexo de profissionais, que actuam nos palcos e bastidores, com o intuito de provocar no público os mais diversos sentimentos.
O Teatro nasceu de uma civilização antiga, em Atenas, associado ao culto de Dionísio, divindade da vegetação, da fertilidade e do vinho, cujos rituais tinham um carácter orgiástico.
As representações teatrais tinham lugar em recintos ao ar livre, construídos para o efeito.

Os teatros gregos tinham tão boas condições que os espectadores podiam ouvir e ver, à distância, tudo o que se passava em cena, mesmo tratando-se de uma assistência muito numerosa. Isso devia-se, por um lado, ao facto de as bancadas se abrirem em leque sobre a encosta de uma colina e, por outro lado, a diversos artifícios utilizados em cena.
Os actores usavam trajes de cores vivas e sapatos muito altos para ficarem com uma estatura imponente. Cobriam o rosto com máscaras, que serviam, quer para ampliar o som da voz, quer para tornar mais visível à distância, a expressão do personagem.

Um aspecto curioso é que, em cada peça, só existiam três actores, todos do sexo masculino. Cada um deles tinha que desempenhar vários papéis, incluindo os das personagens femininas. A representação dos actores, em cena, era acompanhada pelos comentários do coro, que se movimentava na orquestra, juntamente com os músicos.
Havia dois géneros de representações: a tragédia e comédia.

As tragédias eram peças ou representações que pretendiam levar os espectadores a reflectirem nos valores e no sentido da existência humana.
As comédias eram, por sua vez, peças de crítica social que retratavam figuras e acontecimentos da sociedade da época, ridicularizando defeitos e limitações da actuação dos homens, provocando o riso na assistência.
O mais conhecido autor de comédias da Antiguidade, foi Aristófanes. De entre inúmeras outras peças suas, destaca-se "A revolução das mulheres", que faz uma sátira aos costumes políticos e às diferenças entre os sexos.
Outro género teatral muito difundido é o drama, que nasceu no século 18, em França e que leva ao palco, situações quotidianas e conflitos de pessoas comuns.

Monta-se um palco de vozes,
de gestos e alegorias
onde actuam actores e mimos
com as suas fantasias
e onde o velho Gil Vicente
faz questão de estar presente
representando os seus autos
ali mesmo à frente,
que o teatro é a magia
da palavra transformada
em sonho e em poesia
com a varinha encantada
de uma tragédia antiga
em que Romeu e Julieta
entoam uma cantiga
tão suave e tão secreta
que mais parece um madrigal
onde se canta o amor
em toada teatral,
nesse palco iluminado
de uma história intemporal.

José Jorge Letria
in "O livro dos dias"

sexta-feira, 23 de março de 2012

Desabafos & Confidências no WC


Há uma coisa que me faz uma certa comichão nos neurónios! Não será coisa para me tirar o sono todas as noites, mas é coisa pra me pôr a pensar sempre que vou a uma casa de banho pública.
Calma! Não vem aí nada de obsceno ou de odor pouco agradável.
Refiro-me a todo um conjunto de declarações de amor, insultos, contactos telefónicos e desenhos que "embelezam" as portas das nossas casas de banho públicas, desde escolas, Centros Comerciais e até mesmo nas universidades (este último preocupa-me dada a idade cronológica de quem as frequenta).
É que nunca percebi o porquê da escolha daquele preciso local, para tais desabafos e confidências!
Ora bem, de que vale a Maria escrever na porta do WC das meninas que ama muito o Manel, se o Manel (supõe-se que) não vai lá entrar?
Outra: de que vale escrever na porta da casa de banho das meninas que o João é um boi e isto e aquilo, se "Joões" há muitos e nenhum deles frequenta aquele espaço?
Meninas que insultam outras meninas, por entre portas de casas de banho, está no topo das minhas preferências. É que dada a descrição pouco pormenorizada dos alvos daquelas doces palavras, até eu já me senti insultada e ofendida entre um xixizito e outro.
Mas o que mais me agrada nessas visitas humanamente necessárias a estes cubículos é encontrar um tipo de "Hi5 WC Door". Mas qual lista telefónica de telemóvel topo de gama, qual MSN, qual Hi5, essa agência matrimonial do século XXI!
Nada como um aliviar de bexiga (ou outros) para aumentarmos a nossa rede de contactos sociais! Mas o mais curioso é que este “Hi5 WC door”, incentiva, maioritariamente, à amizade mas… com o mesmo sexo, embora também seja verdade que existem rapariguinhas que, em jeito de vingança atroz, colocam lá o número de um qualquer rapazito a quem deram demasiada importância e que no final se revelou parente próximo dos mais diversos animais.

Para terminar, temos as intelectuais das casas de banho, que adoram uma boa reflexão acerca das mais diversas áreas da vida e que não são fãs de cadernos, computadores ou essas modernices dos blogs e então fazem da porta a sua maior confidente.
Resumindo, ir a uma casa de banho pública sempre foi, para mim, um divertido exercício de análise ao outro. Confesso que após tantos anos a frequentar esses locais, continuo sem perceber o que está por trás de tal comportamento de catarse humana. Ainda assim, vale pela animação que esses seres proporcionam entre o subir da saia e o puxar do autoclismo.
Eu nunca escrevi numa porta de casa de banho...deve ser por isso que precisei de criar um blog...

Atenção elementos do sexo masculino! Esclareçam-me se nas vossas casas de banho também são presenteadas com estas pérolas, por favor. Será isto mais um elemento de diferenciação de género?

quarta-feira, 21 de março de 2012

É Primavera!


Chegou a Estação de todas,
a mais charmosa.
Traz o perfume das flores;
Traz belezas, como a rosa...
Deixa tudo mais bonito
desde a Terra ao infinito;
Torna a vida esplenderosa!

FELIZ PRIMAVERA!

Dia da Poesia

Todas as linguagens têm a sua poesia. A poesia contribui para a diversidade criativa, usando as palavras e os nossos modos de percepção e de compreensão do mundo.
O Dia Mundial da Poesia celebra-se hoje, dia 21 de Março e foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO a 16 de Novembro de 1999.
É um dia que celebra assim, a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, criatividade e inovação.
Habitualmente este dia é comemorado em todo o mundo e também em Portugal, com várias iniciativas e eventos, tais como feiras do livro, concursos de poesia, recitação de poemas e outras iniciativas de cariz cultural.
Esta celebração faz ainda uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa.
Deixo aqui um poema de um dos poetas meus favoritos: Fernando Pessoa do “Cancioneiro”:

Tenho Tanto Sentimento

Tenho tanto sentimento,
que é frequente persuadir-me
de que sou sentimental.
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isto é um pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos os que vivemos,
uma vida que é vivida
e outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é, a verdadeira
e qual a errada,
Ninguém nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
é a que tem que pensar.