sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Olhando o Passado...



Olhando para o passado encontrei
sentimentos misturados.

Saudade, amizade, paixão,
carinho, amor, ternura.
Vazios de alguns dias, plenitude de outros.

Lembrei-me de conversas tolas,
dos sorrisos cúmplices, do acto de compartilhar.
Dos amigos, da família, dos locais da minha infância…

Tentei sorrir como noutros dias,
mas não consegui parar de pensar,
no que hoje sou, no que me tornei...
das lutas, alegrias, desgostos,
E, porque estou tão longe de tudo o que amei?

Longe e perto ao mesmo tempo,
são dos momentos simples, que mais sinto falta.
Continuo na busca em aprender a conviver
com a realidade.
Longe de tudo o que me foi querido,
tento agora fazer desta saudade uma arte.

A arte de sentir a brisa, de sentir o sol de inverno,
de ouvir a chuva cair, de olhar o céu e
sentir ainda vivas as lembranças,
porque o meu coração está nas mãos
da saudade.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Uma lição de vida

Numa grande empresa na Finlândia, corre uma espécie de lenda entre os seus empregados, que tem sido transmitida aos novos que entram, como uma lição de vida.
Então a história passa-se com um dos engenheiros inspectores, que naquele dia estivera muito ocupado e só ao fim do expediente e de todos terem saído, é que conseguiu arranjar tempo para inspeccionar uma determinada câmara frigorífica, que são autênticos salões em dimensão.
Mas porque teria uma avaria qualquer, a enorme e pesada porta fechou-se prendendo-o assim, dentro da imensa câmara.
Aflito, bem bateu na porta com toda a força, gritou por socorro, mas ninguém o ouviu, todos já tinham saído para as suas casas e era impossível que alguém pudesse escutá-lo, uma vez que esta zona ficava bastante afastada dos escritórios e da entrada da fábrica.
O engenheiro estava preso dentro daquela caixa forte gelada, com temperaturas abaixo dos zero graus, condenado a morrer congelado.
E assim, passaram-se três infindáveis horas! Apesar do fato de trabalho térmico o proteger um pouco, o seu corpo começou a ficar debilitado, as forças abandonavam-no devido à insuportável temperatura e a sua visão começava a ficar turva, pois apercebeu-se como num sonho, a porta a abrir-se e o segurança da empresa a entrar na câmara gelada, resgatando-o assim, duma morte certeira.
Algumas horas depois de ter salvo a vida do homem, perguntaram ao segurança:
-“Gostaríamos de saber porque foi abrir a porta da câmara, se isto não fazia parte da sua rotina de trabalho?"
Então, ele explicou:
-“Saibam os senhores que eu trabalho nesta empresa há 20 anos. Centenas de empregados entram e saem aqui todos os dias, mas ele é o único a cumprimentar-me ao chegar pela manhã e despedir-se de mim ao sair, no fim do dia. Hoje pela manhã deu-me os habituais bons dias quando chegou, mas estranhei não se ter despedido de mim à saída. Pressenti que alguma coisa não estava bem e decidi ir procurá-lo e foi assim que o encontrei."

Aqui fica esta reflexão: sejamos humildes e amemos o próximo. A vida é curta demais e temos afinal um certo impacto que não conseguimos sequer imaginar, sobre as pessoas com que nos cruzamos.

e … a quantas pessoas você dirigiu ao menos um sorriso hoje?


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Amores de Internet


Não há muitos anos, que os amores eram encontrados através da apresentação de amigos, ou acontecia uma "faísca" entre colegas, ou havia um "clic" numa festa ou num baile…

Com as novas tecnologias porém, os nossos hábitos foram mudando e os amores também. Aos poucos, a Internet foi-se instalando na nossa casa e na nossa vida social.
Muitas pessoas deixaram de sair, de conviver com amigos e colegas, para ficarem agarradas ao pequeno écran,  fazendo amizades virtuais ou à procura de um novo amor.
São infindáveis os casos em que se encontram paixões, fazem-se casamentos e a seguir vêm os desgostos, tudo através da Internet.
Mas… o que há de verdade nesse mundo de relações virtuais? E até onde podemos acreditar no que está escrito? Ainda assim, esses relacionamentos virtuais parecem encantar jovens e os menos jovens de todo o mundo, até mesmo aqueles que, na vida real, encontram dificuldades enormes para estabelecer qualquer tipo de relacionamento
Qual a razão para tanto êxito na busca dos amores virtuais?
Talvez porque o romance na internet é mais rápido e intenso, porque as pessoas se despem das suas máscaras e dos seus papeis sociais.
Protegidas pelo anonimato, expõem ali os seus medos e inquietações. Tornam-se mais humanas e, por isso, mais encantadoras. Normalmente apaixonam-se pela essência, pela alma e pelo carisma do outro lado que, anonimamente, fazem os sonhos um dos outro.
Quantas vezes nos deparamos com pessoas com almas lindíssimas, trocando ideias e mensagens nos chats, navegando pelos nossos blogs, sites, ou facebook? Essas pessoas interagem com tal intensidade que, movidos por afinidades insuspeitas, que se vão acentuando com o passar dos dias, acabam por fazer amizade pessoal e entrar no MSN, ou nas caixas de emails.
E, quando isso acontece, nada impede de surgir cumplicidades, trocas de segredos, trocas de carinhos nos momentos em se vão abrindo em confidências, deixando que o outro, numa intimidade total, o veja por dentro.
Este será o primeiro passo para um amor virtual, é preciso somente um passo, para abrir o coração e deixar que o outro entre sem reservas, e ali faça a sua morada.
Passam então a contar as horas, os minutos, os segundos, para o próximo encontro, quando abrem os emails, ou entram no Messenger MSN, ávidos para encontrar as palavras do ser amado, deliciando-se com os pontinhos coloridos em forma de beijos e carinhos na pequena tela e que os alimenta através do coração, cada dia mais apaixonado.
Será que vai resultar? Esta é a última pergunta que se faz, quando tomados por aquela sensação de amar e ser amado.
O que os move é a busca da plenitude, o momento mágico, quando se pensa ter encontrado o tão almejado amor.
Nesses momentos, nem se lembram se o amor é real ou virtual... o que importa é que encontraram o AMOR! E quem é que não gosta de AMOR?


Todos os dias ele aparece na minha tela!
Vem-me trazer carinhos, fazer-me sorrir,
Deixar-me feliz,
Vem dar-me amor!

Não o conheço,
não sei de onde vem,
nem para onde vai.

Não sei a cor dos seus olhos,
nem a cor dos seus cabelos,
muito menos, senti a sua pele.

Mas sei melhor do que ninguém
a cor da sua alma, o colorido do seu coração.
Porque é um amor silencioso,
que baila entre cabos e conexões.

Mas para mim é tão real,
que posso sentir o calor do seu abraço aconchegante,
do seu beijo de amor,
Em letrinhas saltitantes,
na tela do meu monitor.







terça-feira, 9 de outubro de 2012

A barbearia...

O ti Francisco chegara cedo à barbearia como sempre fizera desde há trinta anos. Devagar, limpa as bancadas que já tinham sido limpas na véspera, troca as tesouras e pentes, lava as mãos, muda o lugar dos champoos e das lacas nos armários, dobra e desdobra as toalhas, lava as mãos outra vez.
Não quer que as pessoas que passam e olhem para dentro da barbearia o vejam inactivo, desesperado, sem clientes e já sem esperança que venham dias melhores.
Por isso não pára e anda de um lado para o outro a fingir que arruma coisas, vai mudando de lugar aos frascos de perfumes, secadores, os pinceis da barba…
Há trinta anos que é dono daquela barbearia e nunca tinha tido uma semana assim, nem um único cliente! Nenhum rapaz a quem rapar o cabelo, nenhum velho que queira fazer a barba. Nenhum careca de óculos à procura de uma boa conversa sobre futebol, nada!
Passadas duas horas, não sabe o que fazer, já desarrumou e arrumou tudo, limpou todos os espelhos, esfregou todas as toneiras e varreu o chão pela décima vez e agora sente-se cansado. Doem-lhe as pernas, as costas, a cabeça…
Parado, de barbearia vazia, o ti Francisco olha as pessoas lá fora que se movimentam apressadas sem deitar um único olhar à barbearia.
Senta-se na primeira cadeira virada para o espelho e fecha os olhos. Lá fora, há demasiados barulhos de rua; automóveis, obras, pessoas… e pensa que é um homem só, que dormita no seu próprio fracasso. Culpa sua? Talvez… deveria ter mudado de ramo quando o fazer barbas começaram a rarear e muitos dos seus clientes começaram a preferir os novos salões de cabeleireiro, com as bonitas manicures que se tornaram um chamariz…
Nunca fora um homem de grandes ambições, sempre sustentara a casa e educara três filhos, todos eles emigrados e com família no estrangeiro, apenas com o seu trabalho na barbearia. A mulher falecera há cinco anos e os filhos raramente davam noticias, agora era um homem só, com a sua barbearia vazia e a suportar a tal crise.
Quando abriu os olhos vê um gato à entrada da porta. Um bicho malhado de olhos esguios, que o fita entre curioso e receoso. O ti Francisco levanta-se, agradado daquela súbita companhia.
- “Entra, diz com voz doce – anda, não tenhas medo”.
Mas o gato, não sai da entrada, fitando-o com um olhar indefinido.
- ‘Vem, aqui está mais quentinho”
O gato não se mexe e o barbeiro dá meia volta e dirige-se à porta do fundo. Regressa depois com um pacote de bolachas Maria e um prato de água.
-“Deves ter sede? Olha, estas bolachas são boas, são as que comprava para os meus netos, mas agora já não os vejos há um bom tempo, tinha aqui este pacotinho de reserva, nunca se sabe…”
Abre o pacote e parte duas bolachas aos bocadinhos e coloca-os no chão, junto ao prato da água.
-“Que tal? Isto é bom, hã? Não faças cerimónia…”
O gato olha-o como se tivesse percebido e avança para o prato da água e bebe um pouco.
O barbeiro, satisfeito por ter uma companhia, sorriu, colocou-se atrás da cadeira e começou a conversar com o bicho:
-“Esta vida traz-nos sempre algumas surpresas, não é verdade? Hoje, quando aqui cheguei, a última coisa que me passaria pela cabeça, era “atender” um gato perdido como tu e, no entanto, aqui estamos, tu e eu!”
O gato que se tinha sentado junto ao prato da água, olha-o de novo e dá uma trinca no pedaço de bolacha.
- “Imagina se alguma vez pensei não ter um único cliente uma semana inteirinha. Que se passa com as pessoas? A crise não pode ser a culpada de tudo! Há falta de vontade sabes? As pessoas agora têm outros interesses e as tradições vão morrendo com estas modernices. Eles vão ao cabeleireiro, é mais chic, percebes? E agora? O que vai ser de mim e da minha barbearia?”
O gato que olhava distraído para a rua, mirou mais uma vez o ti Francisco, depois rodou a cabeça como se escutasse algo de interesse lá fora. Levantou-se e saiu! O barbeiro viu-o afastar-se e, finalmente, sai também. Fecha a porta, roda a chave e vira as costas à barbearia.



sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Biblioteca

Quando eu era adolescente, gostava de ir até à Biblioteca, perto da minha escola secundária. Era um edifício antigo, que tinha sido um palacete de gente rica que, falidos, o tinham vendido à Câmara Municipal e esta, depois de alguns anos de obras de remodelação tornou-se numa linda e espaçosa biblioteca, que fazia os meus encantos.
Os corredores eram compridos e, durante esse trajecto, eu gostava de ir comendo o meu lanche que constava de uns biscoitos recheados, porque depois não deixavam comê-los lá dentro.
Porém, quando chegava à recepção, o guarda, um velhote cheio de preconceitos e de educações “à antiga” via-me de boca cheia e mandava-me engolir tudo rápido. Eu acenava afirmativamente com a cabeça, mas ele, insatisfeito perguntava –“Ouviste o que eu disse?”
Eu, aflita, dizia “sim, senhor” de boca cheia, e cuspia um monte de migalhas, o que o deixava ainda mais zangado.
Depois, andava mais depressa, a pensar porque diabo é que nunca me lembrava de comer as bolachas antes de ir para a biblioteca?
Mal chegava ao segundo andar, onde moravam o Super Homem, o Homem-Aranha e O Incrível Hulk, escondia-me ali, sob a protecção dos super-heróis da estante dos quadrinhos, que era a minha favorita e onde passava parte do meu tempo livre a sonhar que também gostava de ter super poderes.

Numa manhã de outono, resolvi fazer o caminho mais longo do outro lado da biblioteca. Quando cheguei à recepção, já tinha comido todos os meus biscoitos. Passei despercebida pelo guarda, que nem me olhou.
Então, pela primeira vez, não senti necessidade da protecção do Homem-Aranha e do Incrível Hulk. Nesse dia, parei de ler histórias aos quadrinhos e passei a ficar na secção de ficção e de aventuras do primeiro andar, onde dormi tranquilamente a manhã inteira.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Praia, bikinis...

As férias são sempre bem vindas para quem andou a sonhar com elas e, conforme os meses passaram e o verão se aproxima... a preocupação das senhoras de todas as idades com a linha, para ficarem lindas num belo fato de banho ou... num biquíni!

Quando estou sentada na areia, vou admirando quem passa, em especial algumas senhoras ou as jovens que usam os actuais “fio dental”, praticamente nuazinhas, mas mesmo assim, charmosas, fazendo com que as cabeças masculinas rodem perigosamente, à beira de um torcicolo, quando elas passam...

Olhando para estas duas peças, que continuam a fazer êxito há mais de cinquenta anos, faz-nos pensar o porquê deste êxito, e o porquê do nome "biquíni"? Ou desta peça ser desenhada de uma forma e não de outra?

Os primeiros fatos de banho, apareceram na primeira metade do século XIX com a moda dos banhos de mar. Mas foi nos anos 30 que tudo mudou com a moda dos banhos de sol, que eram prescritos pelos médicos como indispensáveis à saúde, e porque em França começou-se a receber subsídio de férias, o que atraiu várias pessoas à praia.

A moda do bronzeado
Coco Channel, considerada já nessa época uma mulher livre, também foi uma das causadoras desta mudança brusca quando, após umas férias, foi vista com um bronzeado espantoso. E é a partir desse momento que a moda do bronzeado começou a entrar em vigor.

Inicia-se então uma saga para encontrar o fato-de-banho perfeito para conseguir o melhor bronzeado, já que os modelos existentes tapavam o mais possível o corpo. E, por esta razão, um novo fato-de-banho é lançado: sem costas.

Mas o biquíni foi criado mais tarde, quando o engenheiro mecânico francês Louis Reard, a 3 de julho de 1946, apresentou a sua colecção em Paris de trajes de banho com um modelo completamente diferente do resto da colecção, apenas com duas peças, que chamou de “biquíni”, pois achou tão atómico como a bomba que tinha sido testada quatro dias antes pelos Estados Unidos da América (EUA), no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico.
As estrelas de cinema eram as maiores divulgadoras deste novo modelo de duas peças. Com o lançamento do biquíni, surgiram algumas sex symbol, como a francesa Brigitte Bardot, nos anos 50, que eternizou esta nova peça no filme "E Deus Criou a Mulher" ao usar um modelo vichy.

Relacionado com a revolução de costumes da década de 60, as mulheres adoptaram o biquíni como uma forma de expressarem a sua liberdade.
Nessa época, a sensual actriz Ursula Andress, usa um poderoso biquíni na cena do filme de James Bond, "Dr.No". Foi também nesta altura que algumas piscinas exibiam cartazes onde se lia "Não utilizar os chamados biquínis".

Surgiram outros modelos como o monokini, um modelo sem soutien, apenas com dois suspensórios, e que foi criado em 1964 por Rudi Gernreich. Posteriormente, apareceram os modelos string (fio-dental), no Brasil onde a cultura da “bundinha” ganhou vida.
Actualmente, o biquíni é classificado como tão importante como outra peça de roupa qualquer. Diversos modelos são produzidos e apresentados em desfiles de moda, criando o desejo nas mulheres de adquirir todos os anos um novo modelo.
E, vamos ser sinceros: dá gosto ver um corpinho bem feito a passear pelas praias com estas duas peças, não é verdade?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A vida...


A vida nem sempre sorri;
Os dias nem sempre são coloridos,
Os sonhos nem sempre se concretizam
As estrelas nem sempre são visíveis,
O amor nem sempre aparece;
A lua nem sempre é nova,
Os filmes nem sempre têm um final feliz.

Mas…
Viver, é saber que tudo, pode ter um recomeço.
É aproveitar cada oportunidade, pois a vida permite-nos
Conhecer novos caminhos, novos sentimentos, novos sonhos…





terça-feira, 10 de julho de 2012

Uma semana na Ilha de Koh Chang – Tailândia


Algumas vezes desejo desligar o telemóvel, esquecer o trabalho e mudar a rotina diária, escolhendo um local de férias calmo e relaxante! Porém, nem sempre as férias garantem isso.
Quantas vezes marcamos um determinado destino com esse objectivo, mas depois descobrimos (tarde demais), que afinal saímos do frenesim da cidade, para cair na confusão de um destino lotado e barulhento?
Foi com essa ideia que, em Junho, eu e o meu marido decidimos “fugir” da humidade intensa  e do calor denso que se faz sentir nesta altura em Macau, e passar uns dias num cantinho qualquer da Ásia, para descontrair do stresse diário.
As agências de viagens em Macau, estão cheias de programas, mas nem sempre ao nosso gosto, por isso, decidi marcar dois dias num hotel de Bangkok, Tailândia e depois procurar como continuar as férias, de forma mais calma e relaxante.
 De clima excelente, com baixo custo de vida local, há lugares fascinantes que nos aguardam e um povo, cujo princípio de bem receber, fazem-no com arte, a Tailândia é assim, o país ideal para umas férias inesquecíveis, onde se incluem a exótica cidade de Bangkok, as praias de Phuket ou as Ilhas Phi Phi, que já conhecemos, bem como outros cenários naturais do norte do país, tais como  Chiang Mai, onde passámos umas excelentes férias, através da agência e tudo funcionou de forma organizada e perfeita.
Entretanto, aproveitámos ao máximo esses dois dias em Bangkok, passeando e... fazendo compras no Centro Comercial  J. J. Mall, (The Dusit Thani, Bangkok, 946 Rama IV Road), onde na parte exterior, em toda a volta do edifício, têm tendinhas com mercadoria de toda a espécie.
Mas lá fora, o calor era sufocante e, depois de dar uma volta, passámos para dentro do Centro Comercial, sempre tem ar condicionado, onde almoçámos, pois já estava na hora.
Já refeitos do calor e de barriguinha atestada, fomos percorrendo as lojas, até que me encantei com umas blusinhas que comprei, entre umas outras pequenas compras que fiz moderadamente, pois há tanta mercadoria, tantas tentações, que o melhor é só ver e levar as recordações na memória...

Depois, fomos procurar a famosa Agência “K & J - Inernational Business Centre”, que nos programasse algo diferente, o que aliás, já não é a primeira vez que o fazemos, sempre com bons resultados.
“País dos mil sorrisos”, é assim que as agências apresentam a Tailândia, com programas de férias únicos e com preços simpáticos. Existem, pelo mundo fora, zonas com uma certa vida boémia ou um ritmo muito pacato, que podem satisfazer o nosso desejo de descansar e de nos divertir, fugindo um pouco da “civilização”, ou seja, da agitação das grandes cidades.

O funcionário da Agência, mostrou-se atencioso, prestativo e com uma grande dose de paciência...
Depois de termos rejeitado algumas das sugestões do simpático funcionário, umas, por já conhecermos, outras porque não nos agradava, ele acabou por nos trazer um enorme cartaz onde se via a ilha, Koh Chang e garantia-me satisfeito que poucas pessoas sabem da sua existência. Afirmou que ali na agência, lhe chamam "o último paraíso das ilhas do Sudeste Asiático".
Nós sabemos por amigos nossos, que ainda é possível encontrar ilhas paradisíacas no litoral da Tailândia, sem que a quantidade de turistas seja proporcional à beleza das suas praias, mas não há nada como seguir os conselhos de quem sabe…
Explicou-nos que Koh Chang faz parte das 52 ilhas do Parque Nacional Marinho, ao longo da província de Trat, e é a segunda maior ilha da Tailândia, já muito próximo do Camboja e, tal como pretendíamos, está longe do banzé turístico, que caracteriza as ilhas de Phukett ou de Koh Samui.
Acrescentou que, esta ilha é praticamente desconhecida do mundo exterior, não está estragada pela “civilização”, porque ainda se encontram muito dos seus recursos naturais, (quase) intactos…
Depois de olharmos atentamente as fotos que ele nos mostrava, concordámos que talvez fosse o local que procurávamos e assim, fizemos o contrato.
No dia seguinte, uma carrinha da Agência, foi buscar-nos ao hotel. Saímos de Bangkok às oito da manhã, percorremos cerca de 300 quilómetros a sudeste, (con duas paragens de dez minutos) e chegámos finalmente quase seis horas depois, ao cais de Laem Ngop, que é a ponta setentrional, onde está o terminal dos ferries, sendo esta a única ligação com o continente, que é uma espécie de fronteira da “civilização”, devido ao estatuto de “reserva marinha”, que garante que nenhuma ponte rodoviária pode ser construída entre o continente e essa ilha.
Assim sendo, o acesso faz-se exclusivamente por ferry, percurso que demora entre 35 a 40 minutos, entre o porto continental de Laem Ngop e os dois terminais insulares, na ponta norte da ilha de Koh Chang.
O trajecto custa 3€ por pessoa, 5€ por carro. A cidade mais próxima é Trat, com ligações aéreas duas a três vezes por dia com Bangkok (50€ por voo, telefone: +66 39551654). Teríamos preferido ir de avião, porque a viagem de quase seis horas na carrinha, é bastante cansativa e uma perda de tempo, mas na agência nem nos deram essa hipótese, talvez porque não tenham nada programado com a companhia aéra de Trat…
O barco é de grande porte, transporta pessoas e carros. E assim, conforme nos aproximávamos da ilha, avistámos um enorme letreiro, que dá as boas vindas aos recém-chegados em inglês e thai. Logo que desembarcámos, alguns táxis, tipo carrinha aberta atrás, com dois bancos corridos, dá lugar para 6 a 8 passageiros, aguarda quem chegava. São diferentes dos famosos "tuck-tuck" que estão espalhados por toda a Tailândia. Este era o único tipo de táxi que serve a Ilha de Koh Chang, com uma armação no tejadinho para transportar as bagagens dos turistas e distribuí-los pelos Resorts.

O motorista fez o preço, de 100 bates (4 €) cada um, mas como só éramos 5, levou 120 B para perfazer o preço que ele achava justo. É claro que não tínhamos outra escolha, uma ilha completamente estranha e nem fazíamos a mínima ideia onde ficava o nosso resort, nem discutimos, olhámos uns para os outros, encolhemos os ombros e partimos então.
Só há uma estrada (incompleta) em Koh Chang, a maior parte da ilha é floresta tropical virgem, onde se avistavam paisagens submarinas em redor, vimos mais tarde, que são um espectáculo prodigioso.
A ilha, tem uma largura máxima de 14 quilómetros e alonga-se por 30 quilómetros. Mas a única estrada digna desse nome em Koh Chang, contorna a orla marítima, não havendo qualquer ligação de costa a costa, pelo interior.

Finalmente chegámos ao nosso "Plaloma Cliff Resort", na White Sand Beach, que a agência antecipadamente nos tinha marcado. Poderemos dizer que ficava na parte mais central da ilha. O aspecto no geral era agradável, embora já tivesse conhecido melhores dias. Mais para o interior, vimos que tinha o aspecto um tanto degradado (por estar junto ao mar) e, uma das alas do edificio principal, estava em obras.

A piscina apesar de pequena, foi-nos preciosa, sempre que nos quisemos refrescar ou nadar, não nos atrevemos a ir até à praia, porque o mar estava bastante agitado, devido ao vento que fez quase todos os dias em que lá estivemos, até porque Junho, é altura de aguaceiros intensos na Tailândia, bastante típico da monção, que vai até Agosto.

Levaram-nos para um bungalow junto ao mar, bastante simples, onde não nos faltava nada para passarmos uns dias confortáveis, sem esquecer um pequeno frigorifico e televisão.
Reparei que há poucos alojamentos na ilha, que não sejam em bungalows, uns mais luxuosos que outros, mas nesta altura em que é chamada a "época vermelha", devido ao tempo instável, há poucos turistas e por isso, não só a piscina esteve praticamente por nossa conta, como restaurantes, cafés e bares, onde chegámos a ser os únicos clientes...
A uns quinhentos metros, ficava a praia mais próxima. O tempo nublado e o vento, não nos entusiasmou para ir até lá, até porque a corrente estava a puxar com força e um motorista de táxi contou-nos que já tinham morrido cinco pessoas no mês anterior, enganadas pelo ar manso da paisagem.
Fomos à procura de um restaurante para jantar. As ruas da ilha são praticamente todas razas e com este aspecto simples de aldeia. Na verdade, o anel de asfalto persiste, incompleto, e falta terminar a ligação entre as duas pontas meridionais. A dificuldade de comunicações é um dos factores que concorre para o tardio e ainda fraco desenvolvimento turístico da ilha.
Mas não nos faltou sitios,  mesmo à porta do Resort, para irmos à Internet e comunicarmos com a família e amigos. Aliás,  quase todos os dias, colocava no "facebook", as fotos que ia tirando diariamente.

Quando não chove, o comércio faz-se ali mesmo na berma da estrada, uma vez que a ilha é dominada por um colar de altas colinas arredondadas, forradas de cima a baixo por densas florestas húmidas, não dá para construir no seu interior e também porque 70%  da Ilha de Kho Chang, incluindo todo o seu miolo montanhoso, é floresta classificada e absolutamente virgem.
A costa ocidental da ilha é um longo bordado de unidades hoteleiras, com acesso mais ou menos directo às praias. Para percorrer a ilha, o ideal é alugar uma motorizada, à disposição do turista em cada esquina, talvez a única forma de visitar os recantos que o táxi de grande porte se recusa a levar-nos. Uma pena não sabermos conduzir uma motorizada, pois nem exigem a licença e assim, pouco ficámos a conhecer dos encantos escondidos desta ilha...

Ao longo da orla maritima da ilha, oferece uma notável sequência de praias, mas nunca muito longe de um empreendimento turistico, onde se espalham diversos resortes e recantos encantadores, onde depois de uma caminhada, podemos descansar e contemplar o infinito entre o céu e o mar ou então, arriscar  um trekking (trilhas) sem pistas, até ao cume de Khao Jom Peasat, o ponto mais alto da ilha, que se eleva a 744 m de altitude, é um balcão privilegiado para contemplar de forma diferente e mais intensa a imensidão do mar.
A ilha tem também como atracção, uma zona onde se pode andar de elefante. Mas eu tenho muita pena dos pobres dos elefantes! Todos eles têm sofrido uma constante e implacável redução do seu habitat, pois vão criando cada vez mais cidades esticando-se para as zonas mais selvagens e eles vão sendo sistematicamente capturados.
Já não existem elefantes selvagens na Ásia, e os que sobraram, vivem num estado de escravidão - trabalham na indústria do turismo, transportando os visitantes em trilhos, ou em espectáculos, trabalham na madeira, carregando toras, em condições deploráveis, etc.
Quando envelhecem, ou são sacrificados pela carne e pelo couro ou são vendidos sabe Deus para que fim, uma vez que os proprietários mesmo que quisessem conservá-los, têm dificuldade em os sustentar com uma dieta de 250 kilos de ração diária, sem terem lucro em troca...
BANG BAO
No dia seguinte, perguntei à menina da recepção do nosso Resort, o que havia de interessante para visitar na ilha. Com grande entusiasmo, aconselhou-me que fosse visitar Bang Bao, a meia hora de táxi.
Trata-se de uma aldeia piscatória de palafita, no extremo oposto da ilha, onde as antigas cabanas de pescadores são agora estendais de artesanato tailandês, embora barato e produzido em série, mas cujos preços são difíceis de baixar, uma vez que é um dos únicos rendimentos dos que ali residem, para além da pesca e dos restaurantes.
É um local diferente, onde a paisagem muda constantemente, desde as casas construídas sobre o mar, umas com ar modesto, outras mais imponentes e, entre elas, há também pequenas habitações de um quarto com casa de banho comum, para alugar aos mochileiros.
Muitos pescadores ainda partem nos seus barcos, para trazerem o pescado que é servido nos restaurantes, desta zona e possivelmente também fornecem outros restaurantes da ilha. Mas é um local bastante pitoresco e tranquilo.
É muito agradável ficar ali sentada, à beira mar, observando as embarcações e a beber uma aguinha de côco fresquinha.

Depois entrámos num dos restaurantes, e encomendámos marisco, peixe na grelha e a deliciosa sopinha tailandeza. Nada de picantes... para apreciar o verdadeiro sabor dos alimentos!
Satisfeitos com o almoço, fomos dar um passeio por Bang Bao, apesar de ser uma aldeia, tem imensas casinhas, uma soberba paisagem maritima, onde diversas embarcações de pescadores e barcos de recreio baloiçam tranquilamente na baía de água mansa e espelhada que ali se forma. A completar, porta sim, porta não, pequenas lojinhas cheias de artesanato e bugigangas, alguns bares e mercearias, povoam o estrado de madeira, suspenso sobre as águas.
Reparámos que havia muitos barcos de pesca, adaptados a excursões marítimas, atracados no antigo ancoradouro palafita de Bang Bo. Nas agências locais informaram-me que poderia fazer um pequeno cruzeiro, com escala em praias mais selvagens e visitar alguns bancos de coral mais bem preservados do planeta, que se encontram, porém, no sul mais remoto do arquipélago. Levaria um dia inteiro, mas, devido ao tempo instável, com chuvadas fortes e o mar bastante picado, decidimos não embarcar e essa visita ficará adiada para um dia, quando decidirmos voltar a esta ilha.
De regresso ao Hotel, finalizámos a tarde na piscina, com a companhia dos nossos amigos caninos, pois logo no primeiro dia, selamos amizade com dois deles, com a oferta do fiambre dos nossos pequenos almoços... há muitos gatos e cães por toda a ilha. Felizmente são bem tratados pela população. Gente boa, não fossem eles budistas!


É claro que também não perdemos as excelente massagens do Royal Spa, bem pertinho do nosso Resort e que, devido a ser considerada "época baixa" para o turismo, estava a fazer uma promoção de 30% mais barato.
As massagens feitas por mãos experientes, são autênticas vivências de relaxe e prazer, pelo que não é fácil descrevê-las, na medida em que não há palavras capazes de transmitir as sensações puras que se experimentam. As massagens tailandesas são famosas por se conseguir um efeito único de relaxamento e, simultaneamente, energizante, principalmente depois das caminhadas que fizemos pela ilha.
O organismo adquire assim, uma nova flexibilidade e a mente retoma a um estado de paz, plenitude e tranquilidade e... foram 90 minutos de relax.

Para atrair turistas e haver alguma animação na ilha, há, para além das tradicionais massagens relaxantes, um pouco de vida nocturna, próxima dos bazares locais, lojas tradicionais, restaurantes e boutiques, mas tudo com um ar pacato de pouco movimento, o que torna este lugar um verdadeiro refúgio, longe da movimentada vida citadina.

CULINÁRIA
As nossas refeições foram sempre de peixe e marisco, e também a típica e deliciosa sopa tailandeza.

Todo o país é um território de aromas e sabores que cativam os mais exigentes dos goumerts. A riqueza dos ingredientes, a criatividade gastronómica, a delicadeza na apresentação e a boa qualidade dos adereços, fazem da cozinha tailandesa uma das mais exóticas e ricas de todo o oriente.

Deliciámos-nos com imenso marisco fresco

A base da gastronomia são os molhos preparados com vários ingredientes, como pimentas, massa de caranguejo, alho e espécies. Alguns desempenham um papel específico, como por exemplo, o molho de peixe (nam pla), que em muitos pratos substitui o sal.

Outros, utilizam para ressaltar sabores, como o molho de ostras fermentadas ou para equilibrar os sabores, como a que incorpora o leite de coco.
O arroz é um dos pratos que nunca faltam e são preparados de diversas formas: fervido, frito ou na sopa.

São conhecidos os seguintes pratos:
Tom Kha Kai (sopa de leite de côco com frango, cogumelo, legumes, galangal, lemongrass e kafir lime).
Red Curry Soup (pasta de red curry com leite de côco, legumes e carne).
Khao Soi (curry com leite de côco, frango, suco de limão, shallots, green onion e espageti frito)
Pad thai (noodle frito com legumes e carne)
Mango & Sticky Rice (fatias de manga com sticky rice ao molho de leite de côco doce)
Roti Banana (espécie de crepe frito, com banana e leite condensado)

Depois das refeições, encontrámos sempre um barzinho ou um estabelecimento que nos serviu um delicioso café, ou, como nós portugueses chamamos, uma deliciosa e aromática "bica", que nos estimulou nas caminhadas ou no remate de uma boa refeição, com a apresentação que aqui se vê.
Outras vezes, jantámos na praia, onde pudemos contemplar o crepúsculo, sobre o horizonte maritimo
E ainda, nos fins de tarde, ficar ali, a ouvir o mar bater nas pedras, frente ao nosso bungalow e esquecer que o mundo existe...

E, com este pôr do sol, que observámos todos os dias, frente ao nosso bungalow, acabou-se a semana de férias na Ilha de Koh Chang e regressámos a Macau, para mais uns tempos de trabalho e stresse, mas que nos deixou repousados e prontos para os novos embates do dia a dia, mas desta vez com um sorriso nos lábios...


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Viajar...


Hoje vou (com o maridão) viajar! Nesta altura, em que a humidade é cansativa em Macau, sabe bem tirar uns diazinhos de férias para relaxar e espraiar os olhos para outras paragens. O destino será Bangkok, Tailândia. Pertinho de Macau, é um dos nossos destinos favoritos.
Sinto-me inexplicavelmente bem em aeroportos. Qualquer coisa toma conta de mim sempre que passo aquelas portas giratórias.
O som das rodas das malas que correm pelo chão rumo ao seu destino, os placards de informação, o verificar do voo, o check-in e aquela ânsia de "será que ultrapasso os 20kg permitidos?" (sim, quando eu viajo é um drama recorrente), o ti-ti-ti-ti do verificador de metais, a procura da porta de embarque, o espreitar as lojas para saber das novidades e dos preços e, finalmente, o embarque e o sempre sorridente "Tenha uma boa viagem".
Entrar no avião, procurar o meu lugar, acomodar-me, tomar medidas ao "bicho" que sustentará a minha vida nas próximas horas...não consigo fazer tudo isto sem um sorriso (estúpido) na cara.
Gosto de aeroportos, sim! E gosto de viajar! Não só de avião. Gosto de viajar e pronto. De partir, de deixar a minha casa e as minhas coisas, de chegar a um local diferente. Conhecer, explorar. E gosto de regressar! De saber que tenho o meu cantinho e os meus bichinhos (2 cães e 2 gatos), à minha espera, que tenho a minha casa e as minhas coisas tal como as deixei. E eu regresso mais rica, mais completa, mais realizada. Pronta para partir de novo, com a certeza que posso regressar.

Não gosto de ficar sempre no mesmo sítio, estagnada, acomodada. Tenho asas como os aviões e gosto de conhecer outros lugares, outras culturas, outros pensares…

Quando viajo, sinto-me como uma borboleta ou… como um avião. Talvez num aeroporto as minhas asas sintam que têm todo o espaço para se estenderem e baterem. Com ou sem destino, simplesmente batendo. Vivendo.

Tailândia, aí vou eu…