Começaram as compras de Natal!
O (vergonhoso) espírito consumista está no seu auge e os cartões multibanco não param de passar nas máquinas. Os Centros Comerciais estão a abarrotar, (alguns vão apenas para verem as montras) os parques de estacionamento parecem avenidas em hora de ponta e as duas mãos não chegam para tantos sacos.
E agora eu penso: felizes daqueles que podem viver esta época na totalidade e oferecer algo àqueles de quem mais gostam. Calma! Não sou a favor do consumismo desenfreado e de deixar qualquer um na banca rota. Sou a favor do espírito de Natal, e Natal só é Natal com prendas (não vale a pena negar, os pioneiros disto tudo também ofereciam prendas - leia-se os Reis Magos a Jesus).
Eu gosto de oferecer prendinhas no Natal, sim! Mais! Eu gosto de comandar a distribuição das prendas e antigamente, fazia-o vestida a rigor, à meia noite. Mas pronto! As tradições de Natal já não são o que eram, mas para mim são bonitas e esforço-me por as manter.
Gosto de uma casa cheia à volta de uma mesa bem decorada. De uma sala de jantar com direito a lareira acesa, árvore de Natal com luzes e presentes à espera de serem descobertos. Infelizmente nestas casas modernas, já não há lugar para as lareiras, mas ok, vivam os aquecedores…
Gosto do cheiro a bacalhau cozido com batatas e de encher a mesa com os doces típicos, embora fique enjoada quando os acabo de fazer…
E gosto de ver o sorriso na cara das pessoas, quando têm uma prenda na mão e a desembrulham para descobrir o que lhes calhou.
Eu adoro o Natal e, por isso, o meu período de compras de Natal também já começou. Regra básica: gastar o menos possível e alegrar o coração daqueles que amo.
domingo, 16 de dezembro de 2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
O noivo perfeito
A minha amiga Ângela andava triste e frustrada com a sua vida amorosa. Desabafou que já não sabia o que fazer: estava com 32 anos e continuava super-solteira, sem fim à vista quanto ao seu celibato.
Não sabia o que pensar dela própria, se seria culpa dos seus cinco ex-namorados oficiais, de alguns dos outros romances ocasionais, ou se o defeito seria mesmo dela, do destino ou da falta de sorte.
Sentia sempre uma certa fúria suicida, quando se lembrava do Francisco, cujo namoro tinha durado mais que o normal e estavam quase noivos, quando ele a trocou pela mamalhuda da empregada do seu restaurante favorito…
Voltou a lamentar-se sobre o Zé Carlos, embora bonitão e com um certo charme, o problema era ele ser tão rústico, com as suas atitudes infantis, o que a deixavam sem pachorra e lá vinham as discussões. Um dia ele, apesar de ser rústico, fartou-se e nunca mais apareceu.
Ah, ainda havia o Pedro que ela conheceu na internet, nada de se deitar fora por sinal, mas quando foram beber um cafezinho para se conhecerem pessoalmente, foi uma desilusão ao ouvi-lo, de língua presa, que tinha “um e fefenta e oito” de altura…
E pronto! As coisas estavam mesmo difíceis para a minha amiga Ângela e nós, as amigas, bem que tentávamos apresentar colegas e amigos das nossas relações, mas rapidamente eles passavam para a ala dos frutos: ou eram “bananas”, ou tinham cara de “figo maduro”, etc.
Então, um dia em que estava mesmo desesperada, disse-me ao telefone que ia tomar uma atitude radical, pois iria beijar o primeiro homem que passasse na rua, sem selecção, sem sentido, sem quase olhar…
E assim decidida, tomou um banho, vestiu as suas melhores jeans, uma blusa que lhe deixava os ombros seminus, perfumou-se e, decidida, abriu a porta da rua, agradecendo o facto do porteiro ser casado e pôs os pés na calçada.
Olhou para os lados e viu o vizinho viúvo, com os seus setenta e tal anos a passear o cãozinho.
O rapaz do supermercado, provinciano, gorducho e coradinho, vinha abraçado a um caixote de fruta
... e o filho esquizofrénico da dona Jacinta, que fazia a sua corridinha matinal.
A não! Beijar o velhinho, estava fora de questão, só de pensar em beijar o merceeiro, dava-lhe arrepios na espinha ao ver-se a ajudá-lo naquele tipo de faina e o corredor era perigoso…
Caramba, nada lhe corria bem! Ainda mais infeliz, sacudiu a cabeça com um sorriso amargo e caminhou até à árvore do outro lado da rua. Olhou para ela e abraçou-a, já que não tinha ali ninguém para a confortar pela falha de ideias malucas que lhe tinham passado pela cabeça.
O Sérgio, activista do “Greenpeace”, ao dobrar a esquina naquele instante, olhou comovido para aquela cena…
O casamento aconteceu dez meses depois. Todas estivemos presentes, apenas a árvore é que não pode comparecer…
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quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Jerónimo, o "médium" coitadinho
O Jerónimo era um grande amigo de Chico Xavier, mas este médium, era totalmente paralítico há mais de trinta anos, sem mover sequer o pescoço, cego há mais de vinte anos e tinha artrite reumatóide, que lhe dava dores terríveis no peito e em todo o corpo, era quase sempre levado por mãos amigas para proferir palestras.
Nascido em Ituiutaba (MG), Brasil, a 1 de Novembro de 1939, faleceu a 25 de Novembro de 1989, mas a vida deste médium, Jerónimo Mendonça, foi um exemplo de superação sobre os limites da resistência humana e foi tão grande o seu exemplo, que foi apelidado pelos amigos e pela imprensa, de "O Gigante Deitado". Aqui fica a sua história:
Em meados de 1960, quando ainda via, o Jerónimo ia morrendo, devido a uma hemorragia acentuada, das vias urinárias.
Estava internado num hospital, quando o médico, seu amigo, chamou os seus companheiros espíritas que ali estavam à espera do desfecho, dizendo-lhes que o caso não tinha solução, porque a hemorragia não cedia, e que portanto, Jerónimo iria desencarnar
- “Doutor, será que podemos pelo menos levá-lo até Uberaba, para despedir-se de Chico Xavier? Eles são muitos amigos… “
-“Só se for de avião. De carro ele morre pelo caminho”
Um de seus amigos tinha um avião. Levaram-no para Uberaba. O lençol que o cobria era branco, mas quando chegaram ao seu destino, estava vermelho, tinto de sangue.
Chegaram à Comunhão Espírita, onde o Chico trabalhava então. Naquela altura ele não estava, porque estava a participar num trabalho de peregrinação, visita fraterna, levando o pão e o evangelho aos pobres e doentes.
Quando regressou, vendo o amigo vermelho de sangue o Chico comentou para todos os que olhavam para esta cena:
- “Olha só quem está nos visitando! O Jerónimo! Está parecendo uma ROSA VERMELHA! Vamos todos dar uma beijo nessa rosa, mas com muito cuidado para ela não "despetalar".
Um a um, os companheiros, passavam e depositavam-lhe no rosto um suave beijo.
Ele sentia a vibração da energia fluídica que recebia de cada beijo.
Finalmente, Chico deu-lhe um beijo, colocando a mão no seu abdome, permaneceu assim por alguns minutos. O doente sentia uma sensação de um choque de alta voltagem saindo da mão de Chico.
A hemorragia parou. Ele, bastante fraco, havia ido ali para se despedir, para desencarnar, acabou por fazer a explanação evangélica, a pedido de Chico.
Em seguida vem a explicação:
- “Você sabe o porquê desta sua hemorragia, Jerónimo?
- “Não, Chico, diga por favor!”
- “Foi porque você aceitou o "Coitadinho". Coitadinho do Jerónimo, coitadinho... Você desenvolveu a autopiedade. Começou a ter dó de você mesmo. Isso gerou um processo destrutivo: o seu pensamento negativo, fluidicamente interferiu no seu corpo físico, gerando a lesão. Doravante, Jerónimo, vença o coitadinho. Tenha bom ânimo, alegre-se, cante, brinque, para que os outros não sintam piedade de você. Ele seguiu o conselho.
A partir de então, após as palestras, ele cantava e contava histórias hilariantes sobre as suas dificuldades. A maioria das pessoas esquecia, nestes momentos, que ele era cego e paralítico, tonando-se assim igual aos sadios.
Vencendo o "COITADINHO" sobreviveu quase trinta anos, após a hemorragia "fatal". Que essa história nos seja um exemplo, para que nos momentos difíceis tenhamos bom ânimo, vencendo a nossa tendência natural de autopiedade e esmorecimento.
Extraído do Jornal Espírita de Setembro de 2007
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Saudade... o que será?
Saudade...
O que será? não sei e... procurei sabê-lo,
em dicionários antigos e poeirentos.
e até noutros livros,
onde não achei o sentido desta doce palavra,
de perfis ambíguos.
Oiça, vizinho,
sabe o significado,
desta palavra branca,
que se evade como um peixe?
Não... agita-se na minha boca,
num tremor delicado,
a palavra,
saudade...
Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades.
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde... para resgatar alguma coisa que nem sei o que é, nem onde perdi…
sábado, 27 de outubro de 2012
Inquietude
Coloquei toda a minha alma numa canção
que cantei para os homens,
e os homens riram!
Tomei o meu alaúde, fui sentar-me no topo
de uma montanha e cantei para os
deuses a canção que os homens
não tinham entendido.
O sol baixava.
E, ao rítmo da minha canção, os Deuses
dançaram nas nuvens encarnadas
que flutuavam no céu”.
Li Po (712-770) - (poeta chinês)
Sinto em mim uma desconfortável
inquietação de distância.
Tenho saudades de um tempo
vivido entre palavras,
poesia, e amor.
Hoje, madura e consciente, busco
na memória resquícios de
outras vidas em que sei,
fui muito feliz.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Olhando o Passado...
Olhando para o passado encontrei
sentimentos misturados.
Saudade, amizade, paixão,
carinho, amor, ternura.
Vazios de alguns dias, plenitude de outros.
Lembrei-me de conversas tolas,
dos sorrisos cúmplices, do acto de compartilhar.
Dos amigos, da família, dos locais da minha infância…
Tentei sorrir como noutros dias,
mas não consegui parar de pensar,
no que hoje sou, no que me tornei...
das lutas, alegrias, desgostos,
E, porque estou tão longe de tudo o que amei?
Longe e perto ao mesmo tempo,
são dos momentos simples, que mais sinto falta.
Continuo na busca em aprender a conviver
com a realidade.
Longe de tudo o que me foi querido,
tento agora fazer desta saudade uma arte.
A arte de sentir a brisa, de sentir o sol de inverno,
de ouvir a chuva cair, de olhar o céu e
sentir ainda vivas as lembranças,
porque o meu coração está nas mãos
da saudade.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Uma lição de vida
Numa grande empresa na Finlândia, corre uma espécie de lenda entre os seus empregados, que tem sido transmitida aos novos que entram, como uma lição de vida.
Aflito, bem bateu na porta com toda a força, gritou por socorro, mas ninguém o ouviu, todos já tinham saído para as suas casas e era impossível que alguém pudesse escutá-lo, uma vez que esta zona ficava bastante afastada dos escritórios e da entrada da fábrica.
O engenheiro estava preso dentro daquela caixa forte gelada, com temperaturas abaixo dos zero graus, condenado a morrer congelado.
E assim, passaram-se três infindáveis horas! Apesar do fato de trabalho térmico o proteger um pouco, o seu corpo começou a ficar debilitado, as forças abandonavam-no devido à insuportável temperatura e a sua visão começava a ficar turva, pois apercebeu-se como num sonho, a porta a abrir-se e o segurança da empresa a entrar na câmara gelada, resgatando-o assim, duma morte certeira.
Algumas horas depois de ter salvo a vida do homem, perguntaram ao segurança:
-“Gostaríamos de saber porque foi abrir a porta da câmara, se isto não fazia parte da sua rotina de trabalho?"
Então, ele explicou:
-“Saibam os senhores que eu trabalho nesta empresa há 20 anos. Centenas de empregados entram e saem aqui todos os dias, mas ele é o único a cumprimentar-me ao chegar pela manhã e despedir-se de mim ao sair, no fim do dia. Hoje pela manhã deu-me os habituais bons dias quando chegou, mas estranhei não se ter despedido de mim à saída. Pressenti que alguma coisa não estava bem e decidi ir procurá-lo e foi assim que o encontrei."
e … a quantas pessoas você dirigiu ao menos um sorriso hoje?
Então a história passa-se com um dos engenheiros inspectores, que naquele dia estivera muito ocupado e só ao fim do expediente e de todos terem saído, é que conseguiu arranjar tempo para inspeccionar uma determinada câmara frigorífica, que são autênticos salões em dimensão.
Mas porque teria uma avaria qualquer, a enorme e pesada porta fechou-se prendendo-o assim, dentro da imensa câmara.Aflito, bem bateu na porta com toda a força, gritou por socorro, mas ninguém o ouviu, todos já tinham saído para as suas casas e era impossível que alguém pudesse escutá-lo, uma vez que esta zona ficava bastante afastada dos escritórios e da entrada da fábrica.
O engenheiro estava preso dentro daquela caixa forte gelada, com temperaturas abaixo dos zero graus, condenado a morrer congelado.
E assim, passaram-se três infindáveis horas! Apesar do fato de trabalho térmico o proteger um pouco, o seu corpo começou a ficar debilitado, as forças abandonavam-no devido à insuportável temperatura e a sua visão começava a ficar turva, pois apercebeu-se como num sonho, a porta a abrir-se e o segurança da empresa a entrar na câmara gelada, resgatando-o assim, duma morte certeira.
Algumas horas depois de ter salvo a vida do homem, perguntaram ao segurança:
-“Gostaríamos de saber porque foi abrir a porta da câmara, se isto não fazia parte da sua rotina de trabalho?"
Então, ele explicou:
-“Saibam os senhores que eu trabalho nesta empresa há 20 anos. Centenas de empregados entram e saem aqui todos os dias, mas ele é o único a cumprimentar-me ao chegar pela manhã e despedir-se de mim ao sair, no fim do dia. Hoje pela manhã deu-me os habituais bons dias quando chegou, mas estranhei não se ter despedido de mim à saída. Pressenti que alguma coisa não estava bem e decidi ir procurá-lo e foi assim que o encontrei."
Aqui fica esta reflexão: sejamos humildes e amemos o próximo. A vida é curta demais e temos afinal um certo impacto que não conseguimos sequer imaginar, sobre as pessoas com que nos cruzamos.
e … a quantas pessoas você dirigiu ao menos um sorriso hoje?
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Amores de Internet
Não há muitos anos, que os amores eram encontrados através da apresentação de amigos, ou acontecia uma "faísca" entre colegas, ou havia um "clic" numa festa ou num baile…
Com as novas tecnologias porém, os nossos hábitos foram mudando e os amores também. Aos poucos, a Internet foi-se instalando na nossa casa e na nossa vida social.
Muitas pessoas deixaram de sair, de conviver com amigos e colegas, para ficarem agarradas ao pequeno écran, fazendo amizades virtuais ou à procura de um novo amor.
São infindáveis os casos em que se encontram paixões, fazem-se casamentos e a seguir vêm os desgostos, tudo através da Internet.
Mas… o que há de verdade nesse mundo de relações virtuais? E até onde podemos acreditar no que está escrito? Ainda assim, esses relacionamentos virtuais parecem encantar jovens e os menos jovens de todo o mundo, até mesmo aqueles que, na vida real, encontram dificuldades enormes para estabelecer qualquer tipo de relacionamento
Qual a razão para tanto êxito na busca dos amores virtuais?
Talvez porque o romance na internet é mais rápido e intenso, porque as pessoas se despem das suas máscaras e dos seus papeis sociais.
Protegidas pelo anonimato, expõem ali os seus medos e inquietações. Tornam-se mais humanas e, por isso, mais encantadoras. Normalmente apaixonam-se pela essência, pela alma e pelo carisma do outro lado que, anonimamente, fazem os sonhos um dos outro.
Quantas vezes nos deparamos com pessoas com almas lindíssimas, trocando ideias e mensagens nos chats, navegando pelos nossos blogs, sites, ou facebook? Essas pessoas interagem com tal intensidade que, movidos por afinidades insuspeitas, que se vão acentuando com o passar dos dias, acabam por fazer amizade pessoal e entrar no MSN, ou nas caixas de emails.
E, quando isso acontece, nada impede de surgir cumplicidades, trocas de segredos, trocas de carinhos nos momentos em se vão abrindo em confidências, deixando que o outro, numa intimidade total, o veja por dentro.
Este será o primeiro passo para um amor virtual, é preciso somente um passo, para abrir o coração e deixar que o outro entre sem reservas, e ali faça a sua morada.
Passam então a contar as horas, os minutos, os segundos, para o próximo encontro, quando abrem os emails, ou entram no Messenger MSN, ávidos para encontrar as palavras do ser amado, deliciando-se com os pontinhos coloridos em forma de beijos e carinhos na pequena tela e que os alimenta através do coração, cada dia mais apaixonado.
Será que vai resultar? Esta é a última pergunta que se faz, quando tomados por aquela sensação de amar e ser amado.
O que os move é a busca da plenitude, o momento mágico, quando se pensa ter encontrado o tão almejado amor.
Nesses momentos, nem se lembram se o amor é real ou virtual... o que importa é que encontraram o AMOR! E quem é que não gosta de AMOR?
Todos os dias ele aparece na minha tela!
Vem-me trazer carinhos, fazer-me sorrir,
Deixar-me feliz,
Vem dar-me amor!
Não o conheço,
não sei de onde vem,
nem para onde vai.
Não sei a cor dos seus olhos,
nem a cor dos seus cabelos,
muito menos, senti a sua pele.
Mas sei melhor do que ninguém
a cor da sua alma, o colorido do seu coração.
Porque é um amor silencioso,
que baila entre cabos e conexões.
Mas para mim é tão real,
que posso sentir o calor do seu abraço aconchegante,
do seu beijo de amor,
Em letrinhas saltitantes,
na tela do meu monitor.
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terça-feira, 9 de outubro de 2012
A barbearia...
O ti Francisco chegara cedo à barbearia como sempre fizera desde há trinta anos. Devagar, limpa as bancadas que já tinham sido limpas na véspera, troca as tesouras e pentes, lava as mãos, muda o lugar dos champoos e das lacas nos armários, dobra e desdobra as toalhas, lava as mãos outra vez.
Não quer que as pessoas que passam e olhem para dentro da barbearia o vejam inactivo, desesperado, sem clientes e já sem esperança que venham dias melhores.
Por isso não pára e anda de um lado para o outro a fingir que arruma coisas, vai mudando de lugar aos frascos de perfumes, secadores, os pinceis da barba…
Há trinta anos que é dono daquela barbearia e nunca tinha tido uma semana assim, nem um único cliente! Nenhum rapaz a quem rapar o cabelo, nenhum velho que queira fazer a barba. Nenhum careca de óculos à procura de uma boa conversa sobre futebol, nada!
Passadas duas horas, não sabe o que fazer, já desarrumou e arrumou tudo, limpou todos os espelhos, esfregou todas as toneiras e varreu o chão pela décima vez e agora sente-se cansado. Doem-lhe as pernas, as costas, a cabeça…
Parado, de barbearia vazia, o ti Francisco olha as pessoas lá fora que se movimentam apressadas sem deitar um único olhar à barbearia.
Senta-se na primeira cadeira virada para o espelho e fecha os olhos. Lá fora, há demasiados barulhos de rua; automóveis, obras, pessoas… e pensa que é um homem só, que dormita no seu próprio fracasso. Culpa sua? Talvez… deveria ter mudado de ramo quando o fazer barbas começaram a rarear e muitos dos seus clientes começaram a preferir os novos salões de cabeleireiro, com as bonitas manicures que se tornaram um chamariz…
Nunca fora um homem de grandes ambições, sempre sustentara a casa e educara três filhos, todos eles emigrados e com família no estrangeiro, apenas com o seu trabalho na barbearia. A mulher falecera há cinco anos e os filhos raramente davam noticias, agora era um homem só, com a sua barbearia vazia e a suportar a tal crise.
Quando abriu os olhos vê um gato à entrada da porta. Um bicho malhado de olhos esguios, que o fita entre curioso e receoso. O ti Francisco levanta-se, agradado daquela súbita companhia.
- “Entra, diz com voz doce – anda, não tenhas medo”.
Mas o gato, não sai da entrada, fitando-o com um olhar indefinido.
- ‘Vem, aqui está mais quentinho”
O gato não se mexe e o barbeiro dá meia volta e dirige-se à porta do fundo. Regressa depois com um pacote de bolachas Maria e um prato de água.
-“Deves ter sede? Olha, estas bolachas são boas, são as que comprava para os meus netos, mas agora já não os vejos há um bom tempo, tinha aqui este pacotinho de reserva, nunca se sabe…”
Abre o pacote e parte duas bolachas aos bocadinhos e coloca-os no chão, junto ao prato da água.
-“Que tal? Isto é bom, hã? Não faças cerimónia…”
O gato olha-o como se tivesse percebido e avança para o prato da água e bebe um pouco.
O barbeiro, satisfeito por ter uma companhia, sorriu, colocou-se atrás da cadeira e começou a conversar com o bicho:
-“Esta vida traz-nos sempre algumas surpresas, não é verdade? Hoje, quando aqui cheguei, a última coisa que me passaria pela cabeça, era “atender” um gato perdido como tu e, no entanto, aqui estamos, tu e eu!”
O gato que se tinha sentado junto ao prato da água, olha-o de novo e dá uma trinca no pedaço de bolacha.
- “Imagina se alguma vez pensei não ter um único cliente uma semana inteirinha. Que se passa com as pessoas? A crise não pode ser a culpada de tudo! Há falta de vontade sabes? As pessoas agora têm outros interesses e as tradições vão morrendo com estas modernices. Eles vão ao cabeleireiro, é mais chic, percebes? E agora? O que vai ser de mim e da minha barbearia?”
O gato que olhava distraído para a rua, mirou mais uma vez o ti Francisco, depois rodou a cabeça como se escutasse algo de interesse lá fora. Levantou-se e saiu! O barbeiro viu-o afastar-se e, finalmente, sai também. Fecha a porta, roda a chave e vira as costas à barbearia.
Não quer que as pessoas que passam e olhem para dentro da barbearia o vejam inactivo, desesperado, sem clientes e já sem esperança que venham dias melhores.
Por isso não pára e anda de um lado para o outro a fingir que arruma coisas, vai mudando de lugar aos frascos de perfumes, secadores, os pinceis da barba…
Há trinta anos que é dono daquela barbearia e nunca tinha tido uma semana assim, nem um único cliente! Nenhum rapaz a quem rapar o cabelo, nenhum velho que queira fazer a barba. Nenhum careca de óculos à procura de uma boa conversa sobre futebol, nada!
Passadas duas horas, não sabe o que fazer, já desarrumou e arrumou tudo, limpou todos os espelhos, esfregou todas as toneiras e varreu o chão pela décima vez e agora sente-se cansado. Doem-lhe as pernas, as costas, a cabeça…
Parado, de barbearia vazia, o ti Francisco olha as pessoas lá fora que se movimentam apressadas sem deitar um único olhar à barbearia.
Senta-se na primeira cadeira virada para o espelho e fecha os olhos. Lá fora, há demasiados barulhos de rua; automóveis, obras, pessoas… e pensa que é um homem só, que dormita no seu próprio fracasso. Culpa sua? Talvez… deveria ter mudado de ramo quando o fazer barbas começaram a rarear e muitos dos seus clientes começaram a preferir os novos salões de cabeleireiro, com as bonitas manicures que se tornaram um chamariz…
Nunca fora um homem de grandes ambições, sempre sustentara a casa e educara três filhos, todos eles emigrados e com família no estrangeiro, apenas com o seu trabalho na barbearia. A mulher falecera há cinco anos e os filhos raramente davam noticias, agora era um homem só, com a sua barbearia vazia e a suportar a tal crise.
Quando abriu os olhos vê um gato à entrada da porta. Um bicho malhado de olhos esguios, que o fita entre curioso e receoso. O ti Francisco levanta-se, agradado daquela súbita companhia.
- “Entra, diz com voz doce – anda, não tenhas medo”.
Mas o gato, não sai da entrada, fitando-o com um olhar indefinido.
- ‘Vem, aqui está mais quentinho”
O gato não se mexe e o barbeiro dá meia volta e dirige-se à porta do fundo. Regressa depois com um pacote de bolachas Maria e um prato de água.
-“Deves ter sede? Olha, estas bolachas são boas, são as que comprava para os meus netos, mas agora já não os vejos há um bom tempo, tinha aqui este pacotinho de reserva, nunca se sabe…”
Abre o pacote e parte duas bolachas aos bocadinhos e coloca-os no chão, junto ao prato da água.
-“Que tal? Isto é bom, hã? Não faças cerimónia…”
O gato olha-o como se tivesse percebido e avança para o prato da água e bebe um pouco.
O barbeiro, satisfeito por ter uma companhia, sorriu, colocou-se atrás da cadeira e começou a conversar com o bicho:
-“Esta vida traz-nos sempre algumas surpresas, não é verdade? Hoje, quando aqui cheguei, a última coisa que me passaria pela cabeça, era “atender” um gato perdido como tu e, no entanto, aqui estamos, tu e eu!”
O gato que se tinha sentado junto ao prato da água, olha-o de novo e dá uma trinca no pedaço de bolacha.
- “Imagina se alguma vez pensei não ter um único cliente uma semana inteirinha. Que se passa com as pessoas? A crise não pode ser a culpada de tudo! Há falta de vontade sabes? As pessoas agora têm outros interesses e as tradições vão morrendo com estas modernices. Eles vão ao cabeleireiro, é mais chic, percebes? E agora? O que vai ser de mim e da minha barbearia?”
O gato que olhava distraído para a rua, mirou mais uma vez o ti Francisco, depois rodou a cabeça como se escutasse algo de interesse lá fora. Levantou-se e saiu! O barbeiro viu-o afastar-se e, finalmente, sai também. Fecha a porta, roda a chave e vira as costas à barbearia.
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012
A Biblioteca
Quando eu era adolescente, gostava de ir até à Biblioteca, perto da minha escola secundária. Era um edifício antigo, que tinha sido um palacete de gente rica que, falidos, o tinham vendido à Câmara Municipal e esta, depois de alguns anos de obras de remodelação tornou-se numa linda e espaçosa biblioteca, que fazia os meus encantos.
Os corredores eram compridos e, durante esse trajecto, eu gostava de ir comendo o meu lanche que constava de uns biscoitos recheados, porque depois não deixavam comê-los lá dentro.
Porém, quando chegava à recepção, o guarda, um velhote cheio de preconceitos e de educações “à antiga” via-me de boca cheia e mandava-me engolir tudo rápido. Eu acenava afirmativamente com a cabeça, mas ele, insatisfeito perguntava –“Ouviste o que eu disse?”
Eu, aflita, dizia “sim, senhor” de boca cheia, e cuspia um monte de migalhas, o que o deixava ainda mais zangado.
Depois, andava mais depressa, a pensar porque diabo é que nunca me lembrava de comer as bolachas antes de ir para a biblioteca?
Mal chegava ao segundo andar, onde moravam o Super Homem, o Homem-Aranha e O Incrível Hulk, escondia-me ali, sob a protecção dos super-heróis da estante dos quadrinhos, que era a minha favorita e onde passava parte do meu tempo livre a sonhar que também gostava de ter super poderes.
Numa manhã de outono, resolvi fazer o caminho mais longo do outro lado da biblioteca. Quando cheguei à recepção, já tinha comido todos os meus biscoitos. Passei despercebida pelo guarda, que nem me olhou.
Então, pela primeira vez, não senti necessidade da protecção do Homem-Aranha e do Incrível Hulk. Nesse dia, parei de ler histórias aos quadrinhos e passei a ficar na secção de ficção e de aventuras do primeiro andar, onde dormi tranquilamente a manhã inteira.
Os corredores eram compridos e, durante esse trajecto, eu gostava de ir comendo o meu lanche que constava de uns biscoitos recheados, porque depois não deixavam comê-los lá dentro.
Porém, quando chegava à recepção, o guarda, um velhote cheio de preconceitos e de educações “à antiga” via-me de boca cheia e mandava-me engolir tudo rápido. Eu acenava afirmativamente com a cabeça, mas ele, insatisfeito perguntava –“Ouviste o que eu disse?”
Eu, aflita, dizia “sim, senhor” de boca cheia, e cuspia um monte de migalhas, o que o deixava ainda mais zangado.
Depois, andava mais depressa, a pensar porque diabo é que nunca me lembrava de comer as bolachas antes de ir para a biblioteca?
Mal chegava ao segundo andar, onde moravam o Super Homem, o Homem-Aranha e O Incrível Hulk, escondia-me ali, sob a protecção dos super-heróis da estante dos quadrinhos, que era a minha favorita e onde passava parte do meu tempo livre a sonhar que também gostava de ter super poderes.
Numa manhã de outono, resolvi fazer o caminho mais longo do outro lado da biblioteca. Quando cheguei à recepção, já tinha comido todos os meus biscoitos. Passei despercebida pelo guarda, que nem me olhou.
Então, pela primeira vez, não senti necessidade da protecção do Homem-Aranha e do Incrível Hulk. Nesse dia, parei de ler histórias aos quadrinhos e passei a ficar na secção de ficção e de aventuras do primeiro andar, onde dormi tranquilamente a manhã inteira.
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