quinta-feira, 2 de maio de 2013

Dê atenção aos seus pés...



 Aproveitei este feriado do 1 º de Maio para relaxar em casa e ver um pouco de televisão. É sempre com agrado que vejo o programa “Portugal no Coração”, que nos é oferecido através da RTP Internacional e dá gosto ver o ambiente positivo e alegre que este programa tem, dado que foca sobre temas de utilidade pública, que nos é mostrado em diversas áreas, sobre artesanato, cultura, gastronomia, saúde...
A certa altura, chega a rubrica dedicada à saúde e foram convidadas duas técnicas em “podologia” para falar sobre o cuidado que se deve ter com os nossos pés.
Fiquei surpreendida pela importância que foi demonstrada ao tratamento dos pés e porque são considerados pés de risco, todos aqueles que apresentam alterações do foro neurológico, metabólico, sistémico e vascular.
Todos nós sabemos que existem imensas patologias tais como calos e calosidades, gretas e fissuras, tendinites, joanetes, pé de diabético, micoses, unhas encravadas, e muitos outros problemas que, não sendo graves para recorrer ao hospital ou centros de saúde, podem afinal ser resolvidos nas diversas clinicas e centros vocacionados para diversos tipos de tratamentos e até operações correctoras e estéticas.
Os nossos pés, além de suportarem o peso do corpo, estão sujeitos a um enorme desgaste e inúmeras alterações que, se diagnosticadas a tempo, podem ser corrigidas.
É, por isso, importante consultar um podologista sempre que se verifique alguma alteração patológica para que, com os cuidados apropriados e conhecimentos específicos, esses técnicos, possam prevenir o agravamento da patologia e procedam ao tratamento mais adequado.
Após um minucioso diagnóstico, quer em estática como em dinâmica, através do sistema biomecânico computorizado, é possível detectar várias patologias do foro estrutural/apoio dos pés. Assim, pode-se de forma segura, prevenir a doença e as suas repercussões no organismo humano.
A Podologia torna-se assim importante no campo da saúde, visto não estudar o pé de uma forma isolada, mas sim num todo, e preencher uma lacuna nesta área.

REFLEXOLOGIA
(Faça você mesmo)  
 
Está cansado, corpo dorido? Pois aqui tem um pequeno mapa que o ensina a tratar-se de forma caseira e simples.
Faça um ponto de pressão ou uma massagem no local correspondente no seu pé, durante alguns minutos.
Se a dor não for causada por algo mais grave, o alívio costuma ser imediato, mais rápido do que tomar um analgésico.
Esta técnica é conhecida por vários nomes, sendo os mais aceites como reflexologia podal.


ALGUNS CONSELHOS PARA O SEU DIA A DIA


1. EXAMINE OS SEUS PÉS ATENTAMENTE TODOS OS DIAS
·         Verifique a presença de edema (inchaço), mudança da coloração, temperatura da pele, rachaduras, pele seca, descamação, fissuras, bolhas, calos, feridas, alteração nas unhas e micoses (frieiras);
·         Procure um serviço de saúde se observar ou sentir alguma alteração em seus pés;
·         Se for impossível verificar seus pés, utilize espelho ou peça ajuda para alguém.
 
2. MANTENHA SEUS PÉS LIMPOS
·         Lave diariamente os seus pés em água corrente e morna (verifique a temperatura da água com as mãos), e evite deixá-los em imersão, pois poderá ressecá-los. Prefira sabão neutro.
·         Seque os pés com cuidado, especialmente entre os dedos.
·         Use toalhas macias para secá-los. 

3. SEJA MAIS ACTIVO
·         Converse com um profissional de saúde para planear um programa de actividade física mais adequado para o seu caso;
·         Caminhar, dançar, nadar e andar de bicicleta são boas formas de actividade física que não agridem os seus pés;
·         Evite actividades físicas que agridam os pés, tais como: correr e pular uma vez que quando corre, a pressão nos pés pode aumentar 3 a 4 vezes;
·         Faça sempre um aquecimento antes de iniciar qualquer actividade física e depois, um relaxamento ao terminar;
·         Use roupas e calçados adequados à sua prática desportiva.


4. USE MEIAS E SAPATOS ADEQUADOS
·         Use sempre calçados macios, não use sapatos apertados e evite o uso de sandálias.
·         Prefira calçados de couro, solas mais espessas, ponta arredondada, salto baixo (de preferência até 4 cm), sem costuras ou rugosidades internas.
·         Verifique o interior dos calçados antes de usá-los.
·         Tenha o hábito de limpar os calçados internamente, expondo-os ao sol.
·         Procure alternar o uso de sapatos.
·         Use meias de algodão, de preferência sem costuras e confortáveis, evitando elásticos apertados e, no inverno, se necessário, use meias de lã.
·         Troque as meias diariamente, nunca as remende, é preferível comprar meias novas.
 
5. COMPARTILHE COM OS SEUS MÉDICOS OU ENFERMEIROS
·         Dúvidas sobre alterações nos seu pés, estes profissionais poderão ajudá-lo;
·         Procure formar o hábito de tirar os sapatos e as meias a cada consulta médica ou de enfermagem para serem examinados.
·          
6. HIDRATAÇÃO
·         Passe um creme hidratante diariamente na parte superior (dorso) e inferior (planta) dos pés, evitando passá-lo entre os dedos;
·         Prefira cremes a base de lanolina;
·         Aproveite este momento para massagear seus pés. 

7. CUIDADO COM AS UNHAS
·         Corte as unhas após o banho e sob boa luz, corte suas unhas em linha recta, utilizando uma tesoura sem ponta. As laterais não devem ser cortadas, assim evitará a formação de unhas encravadas;
·         Nunca utilize gilete ou canivete para cortá-las;
·         Evite retirar a cutícula, porque ela é a protecção da unha, e quanto mais se retira, mais cresce.




quarta-feira, 1 de maio de 2013

A morte


A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.
 
(Fernando Pessoa)

Não sei nem posso imaginar como é a morte para quem parte para o outro lado... apenas sei, o que é para quem está deste lado... apenas sei, o que é para mim, e de bom não tem nada.
Sei, apenas, que fica um grande vazio e que se agarra a nós e vai permanecendo sem nunca poder ser preenchido seja com o que for, porque não há nada nem ninguém que possa ocupar o lugar de alguém único e querido.
(homenagem à minha mãe que faria hoje anos se fosse viva)


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Os Humanos e as Máquinas

Só aqueles que encaram despreocupadamente as coisas com que se preocupam os homens, pode preocupar-se com as coisas que os homens encaram despreocupadamente. (Confúcio)
Actualmente em todas as sociedades do mundo e devido à globalização, são mais valorizadas as máquinas, que os humanos, que vão sendo substituídos gradualmente por elas. Em qualquer dos sectores comerciais e industriais, a técnica é que domina!
A ideia inicial seria a máquina facilitar a vida do homem, e não criar a fome em função do desemprego que elas vieram causar.
O desemprego causado pelas novas tecnologias, como a robótica e a informática, passou a ter o pomposo nome de “desemprego estrutural”. Ele não é resultado de uma crise económica, mas sim das novas formas de organização do trabalho e da produção. Assim, as máquinas substituem os homens no processo produtivo, mas os beneficiados são os donos do capital constante e acontece, em função de mudanças definitivas na própria estrutura da sociedade, que vai investindo cada vez mais na automatização e na tecnologia de ponta.

A automatização dos processos produtivos na indústria e nos serviços, é uma mudança definitiva na forma de produzir bens e prestar serviços nas actuais sociedades modernas. Por isso, o desemprego que está a ser causado por essa automatização infelizmente está para ficar e durar.
Como exemplo, há uma cadeia produtiva de plástico que consegue, há anos, uma maior produtividade e competitividade, particularmente nos transformadores, em luta cerrada contra as garras cada vez mais afiadas da concorrência externa. A fim de se defenderem nesse confronto e ainda contemplá-los com maior controle de qualidade, destacam-se os mecanismos e equipamentos para automatização desse processo produtivo
A única solução, para quem ficou desempregado em função dessas mudanças estruturais, é (re)qualificar-se noutras áreas. os que não conseguem, vão ficando para trás...
Devido à actual crise de valores, egoísmo e individualismo, cada vez mais as pessoas estão a ficar isoladas da sociedade, muitos recorrem então ao uso excessivo do computador.
As pessoas, apesar de estarem juntas no emprego ou em família, sentem-se cada vez mais sós e isoladas do mundo. Para combater esse problema, recorrem à internet, para procurar um parceiro ou amigos. Noutros tempos, as pessoas conheciam-se através de amigos comuns, no café ou no ginásio. Mas agora, a realidade é diferente e a internet permite conhecer pessoas, que se podem tornar amigas ou algo mais.
No mundo virtual é fácil construírem-se personagens que em nada encaixam na realidade, mas mesmo assim muita gente marca encontro em lugares públicos ou cafés, com êxito ou sem ele, cada dia existem mais fãs deste procedimento.
O namoro on-line tem-se provado na prática, que tem muitas desvantagens, por isso, há que ter muita cautela para não se acreditar em tudo o que o outro publica, e ter a sensatez de não revelar pormenores da sua vida privada.
O que é um facto real é que o relacionamento humano está a passar por uma crise aguda e de consequências imprevisíveis. Mas atribuir às máquinas toda a culpa, também não é justo, embora elas tenham e continuarão a ter, uma considerável parcela de culpa pelo arrefecimento das relações pessoais entre os seres humanos, talvez a culpa seja  dos excessos...

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Se mudares o Homem, mudas o Mundo!


Circula na Internet, sem identificação do Autor, a seguinte fábula:
 
Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minorá-los. Passava os dias no seu laboratório em busca de respostas para as suas dúvidas. 
Certo dia, o filho de sete anos, invadiu o seu santuário e decidiu ajudá-lo a trabalhar.
Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse distrair-lhe a atenção. Até que se deparou com o mapa do mundo. Com o auxílio de uma tesoura, recortou-o em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho:
"- Toma, vou dar-te o mundo para consertar. Vê o que se consegue. Faz tudo sozinho!"
Pensou que, assim, estava a livrar-se do garoto, pois ele não conhecia a geografia do planeta e certamente levaria dias para montar o quebra-cabeças.  
Porém, uma hora depois, ouviu a voz do filho:
-"Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!"
Para surpresa do pai, o mapa estava completo. Todos os pedaços tinham sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz?
-"Mas não sabias como era o mundo, meu filho, como conseguis-te?"
O menino respondeu:
-“ Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando tiraste o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando me deste o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e descobri que tinha consertado o mundo."



sábado, 20 de abril de 2013

Gatos & Ratos



Alguns ratos, que viviam apavorados, alvoroçados com a frequente presença de um gato, resolveram
fazer uma reunião para encontrar uma forma de acabar com aquele eterno transtorno das perseguições.
Muitos planos foram discutidos e depois abandonados.
Finalmente, um rato jovem levantou-se e deu a ideia de pendurar uma sineta no pescoço do gato; assim, sempre que o gato chegasse perto, eles ouviriam a sineta e poderiam fugir correndo.
Todo o mundo bateu palmas: o problema estava resolvido!
Vendo aquilo, um rato velho que tinha ficado o tempo todo calado, levantou-se do seu canto e deu o seu parecer:
- O vosso plano é muito inteligente, muito audacioso e com toda a certeza, as preocupações quase chegaram ao fim. Só falta um pequenino detalhe: - quem vai pendurar a sineta no pescoço do gato?
Os Gatos e os ratos aparentemente nunca vão encontrar a Paz!



Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és, é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

(Fernando Pessoa, Cancioneiro, 1931)
 





domingo, 14 de abril de 2013

Uma vida...

Eu fui...
Mas o que fui, já me não lembro:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.

Eu sou! Mas o que sou, tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.

Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.

(José Saramago)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

PIMAVERA! Onde estás?



O tempo tem estado tão baralhado, que as estações do ano deixaram de estar definidas. Hoje acordei com saudades da Primavera de antigamente… Quem não acorda com saudades de qualquer coisa?

Sinto saudades de ver os raios de sol entrarem pela janela da minha casa de infância, saudades do tempo perdido, que uma pessoa não aproveitou como devia ser, saudades de um pouco de tudo…

A saudade é a luz viva e nítida, que ilumina a estrada do nosso passado.

Mas hoje, estamos na Primavera, que é a estação mais bela do ano! Céu claro, pássaros a cantar, a vida a florescer através das flores, que nos renova o corpo e a alma.

Estes dias cinzentos e chuvosos, trazem-me nostalgia e saudades…

segunda-feira, 8 de abril de 2013

6 Contos Sufís

Mulla Nasrudin (Khawajah Nasr Al-Din) viveu no século XIV. Contou e escreveu histórias onde ele próprio era a personagem. São histórias que atravessaram fronteiras desde a sua época, enraizando-se em diversas culturas. Elas compõem-se num imenso conjunto que integra a chamada Tradição Sufi, ou o Sufismo, uma seita religiosa da antiga tradição persa, que se tem espalhado desde então pelo mundo.
CONSELHOS: Nasrudin começou a construir uma casa. Os seus amigos, que tinham cada um, a sua própria casa, e todos eles eram carpinteiros e pedreiros, rodearam-no de conselhos. Mulla estava radiante! Um após outro, e às vezes todos juntos, disseram-lhe o que fazer.
Nasrudin seguia docilmente as instruções que cada um lhe dava. Quando a construção terminou, ela não se parecia em nada com uma casa.
- Que curioso! - disse Nasrudin - e contudo eu fiz exactamente aquilo que cada um de vocês me tinha dito para fazer…”

PASSEIO DE BARCO

Nasrudim às vezes levava as pessoas para viajar no seu barco. Um dia, um pedagogo exigente contratou-o para transportá-lo para o outro lado de um rio, muito largo. Assim que se lançaram à água, o sábio perguntou-lhe se faria mau tempo. –“Não me pergunte nada sobre isso” - disse Nasrudim.
- “Você nunca estudou gramática?” – “Não!” – “Nesse caso, metade da sua vida foi desperdiçada"
O Mulla não disse nada. Porém, logo de seguida, desabou uma terrível tempestade. O pequeno e desorientado barco de Mulla, começou a encher-se de água. Ele inclinou-se para o companheiro e perguntou-lhe:
- “Alguma vez você aprendeu a nadar?” –“Não!” – respondeu o pedante
. – “Nesse caso, caro mestre, toda a sua vida foi desperdiçada, pois estamos a afundar-nos e eu, que nunca aprendi gramática, vou apenas salvar a minha pele.

DESEJOS
A festa reuniu todos os discípulos de Nasrudin. Comeram e beberam durante muitas horas, sempre a conversar sobre a origem das estrelas e dos propósitos da vida. Quando já era quase de madrugada, preparavam-se todos para voltar para as suas casas.
Restava um belo prato de doces sobre a mesa. Nasrudin obrigou os seus discípulos a comê-lo.
Um deles, porém, recusou:- ‘O mestre está-nos a testar. Quer ver se conseguimos controlar os nossos desejos?”
- “Estás enganado!” –respondeu Nasrudin – “ A melhor maneira de dominar um desejo, é vê-lo satisfeito. Prefiro que vocês fiquem com o doce no estômago, do que com ele no pensamento, que deve ser usado para coisas mais nobres.”

NASRUDIM E O OVO

Certa manhã, Nasrudin colocou um ovo embrulhado num lenço, foi para o meio da praça da sua cidade, e chamou aqueles que andavam por ali.
- “Hoje vamos ter um importante concurso! A quem descobrir o que está embrulhado neste lenço, eu dou de presente o ovo que está dentro!”
As pessoas olharam-se, intrigadas, e responderam:
- “Como podemos saber? Ninguém aqui é capaz de fazer esse tipo de previsões!”
Mas Nasrudin insistiu:- “O que está neste lenço tem um centro, que é amarelo como uma gema, cercado de um líquido da cor da clara, que por sua vez está contido dentro de uma casca, que se parte facilmente. É um símbolo de fertilidade, e lembra-nos dos pássaros que voam para seus ninhos. Então, quem é que me pode dizer o que está aqui escondido?”
Todos os habitantes pensavam que Nasrudin tinha nas suas mãos um ovo, mas a resposta era tão óbvia, que ninguém resolveu passar essa vergonha diante dos outros. E se não fosse um ovo, mas algo muito importante, produto da fértil imaginação mística dos sufis? Um centro amarelo podia significar algo do sol, o líquido em seu redor talvez fosse um preparado alquímico. Não, aquele louco estava a querer fazer alguém passar por ridículo.
Nasrudin perguntou mais duas vezes, e ninguém respondeu. O receio do ridículo tolheu-lhes a língua…

CASAMENTO
Nasrudin estava conversando com um conhecido, que indagou:
- “Mullah, responda-me, você nunca pensou em se casar?”
- “Sim, claro que já! Quando eu era jovem, determinei-me a achar o meu par perfeito. Cruzei o deserto, cheguei a Damasco, e conheci uma mulher belíssima e espiritualmente muito evoluída; mas as coisas triviais, do dia a dia, atrapalhavam-na.
Mudei de rumo e lá estava eu, em Isfahan; ali pude conhecer uma mulher com o dom para as coisas materiais, da vida caseira, e além disso mostrou-se muito espiritualizada. Porém, faltava-lhe a beleza física. Pensei: o que fazer? E então resolvi ir até ao Cairo.
Quando lá cheguei, fui apresentado a uma linda jovem, que também era religiosa, boa cozinheira e conhecedora dos afazeres do lar. Ali estava a minha mulher ideal.
- "Entretanto você não se casou com ela. Porquê"?
- “Ah, meu prezado amigo, porque ela também estava em busca do homem ideal.”

MERCADO
Certa manhã, quando se dirigia ao mercado, Nasrudin viu alguns cegos e, fazendo tilintar as moedas da sua bolsa, disse em voz alta:
- “Amigos, amigos, peguem estas moedas. Tu, toma esta, tu, esta, e vocês repartam o resto” – e, enquanto fazia isso, fazia tilintar as moedas da sua bolsa.
É evidente e seria até demais esclarecer, que não repartiu um só tostão. Produzida a cena, afastou-se para observar a seguinte situação:
Os cegos começaram a precipitar-se uns sobre os outros, exclamando e gritando: "deu tudo para ti".
Ou então:" Vocês ficaram com tudo ao invés de repartir". " Eu nada recebi", " mentes", " dá-me a minha parte", etc. etc.
Estas cenas transforam-se em empurrões, socos, pontapés, insultos, terminando numa grande batalha indescritível, dada a cegueira total reinante.
Nasrudin, que seguia de perto as peripécias da batalha, murmurou:
- "Isto é o que poderia chamar-se de "uma luta de cegos, por motivo inexistente".


CONCLUINDO:
...assim somos nós construtores de problemas imaginários, onde deveria somente reinar a tranquilidade do ser.








sábado, 6 de abril de 2013

Viva como as flores

Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo. (Confúcio)
Contam as lendas que o filósofo Confúcio dava excelentes e sábios conselhos. Vejam este:

- “Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam. Que fazer para não me sentir tão infeliz com a maldade que me rodeia?
E o nosso sábio, tinha a resposta na ponta da língua:
- “Pois viva como as flores!” - advertiu o mestre.
- “Mas mestre, como é viver como as flores?” - perguntou o discípulo, pensando que o mestre estaria a brincar com ele.
–“Repare nestas flores - continuou o mestre imperturbável no seu saber, apontando os lírios que cresciam no jardim – “Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor das suas pétalas.
É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles, e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo o mal que vem de fora... Isso é viver como as flores...”


Confúcio: um dos mais influentes sábios chineses. Hoje, a sua filosofia é seguida por cinco milhões de pessoas, em especial na Ásia.
Seguindo a carreira como filósofo da corte, K’ung exortou os governantes chineses a ”governarem pela virtude interior” para ganhar o respeito de seus súbditos e dar um exemplo para que as pessoas pudessem seguir.
O Sábio chinês não aprovava a tirania e acreditava que o Estado existe para benefício do povo, e não o contrário. Como escritor, K’ung compilou poemas, estórias e lendas e reuniu-as numa série de livros que ainda hoje sobrevivem como clássicos da literatura chinesa. Entre eles estão o Livro dos Poemas, o Livro da História, o Livro das Etiquetas e o Livro das Mutações (o I Ching).
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