Foi há muitos, muitos anos que nasci, na velhinha Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa, e era a menina desejada, depois da minha mãe ter tido dois rapazes.
A família achou-me graça e passei a ser tratada por uma corte de tias e primas. Não era careca, e mais tarde veio a revelar-se um cabelinho encaracolado e insolente, que as tias adoravam pentear em canudos, moda da época.
Mas acho que devia fazer um bocado de barulho como todos os bebés, embora o problema fosse logo resolvido, quando a minha mãe me dava de mamar... ah e mamava imenso!
Saí uma "bom garfo" de maminhas... aliás nem vou contar que mamei até aos 2 anos... mas foi por isso que fiquei assim esbelta e inteligente de certeza
Queriam que eu "pegasse" no biberão.. então não! Aquela coisa esquisita e fria?? Nã nã... e chucha??? E que era isso de chucha ou chupeta ou como lhe quiserem chamar? Nada disso!
Sou um bocado teimosa nos meus gostos e além disso, não gostava de ter a boca ocupada porque precisava de aprender a falar o mais rápido possível... o que aconteceu aos 11 meses... altura em que também decidi por me levantar e andar. Sim… nada de rastejar, que isso é para preguiçosos!
Todos diziam que era a cara do meu pai, de facto, tenho muitas semelhanças físicas com ele, mas o sorriso, foi sempre o da minha mãe…
Enfim... tudo isto se passou há muitas décadas atrás, mas hoje celebro mais uma vez o dia em que vi o mundo pela primeira vez.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Saudade " coisa" estranha...
Saudade é um sentimento que quando não cabe no coração, escorre pelos olhos
Os sentimentos são uma “coisa” estranha... nem sempre podemos descrever, nem sempre conseguimos explicá-lo, nem aos outros, nem a nós próprios. Sentimos, e pronto! Nada a fazer...
A roda viva que é a "sentimentalidade" (não sei se existe a palavra....depois registo a patente...)... as voltas que dá o nosso coração. Mas será mesmo ele que manda?? Não será ele simplesmente um mero "servo" da nossa mente, dos estímulos externos que ela lhe envia? A verdade é que nem sempre conseguem estar em consonância os dois... ás vezes a mente ordena certas coisas a que o coração não responde... pelo menos nas pessoas irracionais....nas que conseguem racionalizar sentimentos, vontades e desejos, isso não deve ou não deveria acontecer
Alguém me disse numa conversa mais ou menos profunda sobre este tema, que essa é a nossa diferença em relação aos “outros” animais. Será? Acho-os a todos tão capazes com nós, sentem saudades, amor, mágoa... não deve ser por aí que nos diferenciamos. Se calhar a diferença está nas mentalidades
Mas hoje o meu sentimento mais relevante é a saudade, palavra bem portuguesa e, dizem, que somos um povo saudosista, porque o nosso fado vem da saudade.
Pois eu tenho saudades... do meu país, das pessoas, dos cheiros, do mar, dos momentos em que era jovem e feliz e nem sabia...
O complexo mundo dos sentimentos! Porque temos afinal saudades? Responda quem souber...
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Festa das Lanternas
É uma festa em que as pessoas vêm para a rua com diferentes tipos de
lanternas vermelhas, símbolo das almas dos antepassados que, estando de visita,
são depois reconduzidas de novo para o outro mundo
Macau e as comunidades chinesas do mundo, assinalam
assim esta noite, a passagem do equinócio do Outono com a milenar Festa da Lua,
cheia de tradição e modernidade, festejada alegremente por toda a população.
As lanternas apareceram no reinado do imperador Han de Leste, Ming Di
(57-75) e por ordem deste, na primeira Lua Cheia do Ano, era costume as
famílias colocarem-nas acesas nas portas das suas residências, conjuntamente
com ramos de abeto, para atraírem a prosperidade e a longevidade. No entanto,
apenas no reinado do imperador Yang (604-617), da dinastia Sui, a Festa das
Lanternas foi oficializada para ser celebrada na capital, nessa época em Da
Xing (Xian).
A festa das Lanternas popularizou-se durante a dinastia Tang, quando era
celebrada durante três dias e o imperador Rui Zong (710-712), na noite de 15 da
primeira Lua, abria as portas do parque do palácio imperial em Dong Du
(Luoyang) para que a população pudesse admirar uma gigantesca árvore iluminada com
50 mil lampiões. Nessa noite, o imperador saia do palácio e convivia com os
súbditos, havendo uma alegria generalizada. Eram as únicas noites do ano que
não havia toque para as pessoas recolherem às suas casas e, por isso, as ruas
encontravam-se cheias de foliões até à alvorada. Já na dinastia Song, a
festividade passou a ser realizada durante cinco dias, e no período Ming, entre
o oitavo dia ao décimo sétimo dia do primeiro mês lunar, estendendo-se desde
então a celebração da capital para o resto do país.
Chegou a ser uma festividade exclusivamente destinada às crianças, quando
passeavam à noite transportando lanternas acesas com formas de diversos animais
e outros seres estranhos e iam representar em espectáculos infantis. Se em
Macau chegou a existir quem construísse essas vistosas lanternas de formato
poligonal, revestidas com papéis de seda pintados e decorados com caracteres
significando felicidade e longevidade, actualmente esse artesanato é realizado
em Foshan, na província de Guangdong.
Nas ruas e praças, passou-se a pendurar as lanternas como decoração e, nas que eram trazidas pelas pessoas, tornou-se costume escreverem adivinhas, charadas e inigmas.
Nesta época, amigos e familiares, oferecem caixas de
bolos da Lua. Em toda a
China, os bolos da lua são os mais respeitados e todos têm de comer nem que
seja um pouco, para dar sorte.
Criados há
mais de mil anos pela etnia Hans, envoltos nessa história milenar, os bolos na
sua maioria são redondos, como a lua cheia que é celebrada pelo festival do
outono. Geralmente são do tamanho da palma da mão e feitos com uma massa de
torta seca, fina e levemente adocicada, com recheios bastante espessos.
Os bolos mais tradicionais,
têm recheios de sementes de lótus, pasta de feijão, jujubas e uma mistura de
sementes e castanhas. Muitos outros, cuja receita é proveniente da Província de
Cantão, no sul da China, é conhecida por colocar uma gema de ovo salgada no
centro do recheio, com o intuito de simbolizar a lua cheia.
Muitas famílias, vão até à praia e ali ficam a converar, a
petiscar os bolinhos e a olhar para a lua, exibindo as suas
lanternas...
FELIZ FESTA DA LUA!
domingo, 25 de agosto de 2013
Uma tarde passada entre o chá e o jardim
Numa tarde, em que o céu estava azul e havia sol (coisa rara em Macau), deu-me uma enorme vontade de estar em liberdade, ou seja, não me apetecia ficar enfiada no emprego, precisava de fugir da rotina, sentia-me a sufocar....
Neste estado de alma, apanhei o autocarro para Macau e saí na paragem do Jardim Lou Lim Iok.
Despertou-me a atenção da casa de chá, frente à paragem, que tinha sido em tempos a residência da família Lou.
Transformada pela arquitecto Carlos Marreiros e inaugurada em 2005, ficou assim um espaço de homenagem à tradição do comércio, preparação e consumo de chá em Macau.
O novo edifício, que tem o nome de Casa Cultural de Chá de Macau, apresenta uma arquitectura de forte influência portuguesa, combinada com o telhado em telha de cerâmica chinesa, evidenciando o característico encontro das culturas ocidental e oriental. Estranhamente lá dentro, não se ouve os ruídos da rua.
Neste estado de alma, apanhei o autocarro para Macau e saí na paragem do Jardim Lou Lim Iok.
Despertou-me a atenção da casa de chá, frente à paragem, que tinha sido em tempos a residência da família Lou.
Transformada pela arquitecto Carlos Marreiros e inaugurada em 2005, ficou assim um espaço de homenagem à tradição do comércio, preparação e consumo de chá em Macau.
O novo edifício, que tem o nome de Casa Cultural de Chá de Macau, apresenta uma arquitectura de forte influência portuguesa, combinada com o telhado em telha de cerâmica chinesa, evidenciando o característico encontro das culturas ocidental e oriental. Estranhamente lá dentro, não se ouve os ruídos da rua.
O chá
está estreitamente ligado a Macau, que tem uma incalculável abundância em relíquias culturais relacionadas com a cultura do chá, sob a forma de poemas e dísticos dedicados ao chá, lojas e tendas de chá, casas de chá, arte do chá, comerciantes e peritos de chá, enfim... hábitos de chá.
Não é
de estranhar que tenha sido erguido uma casa museu dedicada ao chá e aqui
tem-se realizado várias exposições temporárias e a longo prazo, bem como
actividades culturais relativas ao chá. Tudo isto serve para evidenciar a
cultura do chá em Macau, fornecer informações sobre o chá na China e no
ocidente, bem como para divulgar conhecimentos e estudos, pelo mundo inteiro,
sobre a cultura do chá.
Depois,
dei uma volta pelo jardim, procurei um banco junto ao lago e ali fiquei a contemplá-lo.
Vêem-se pessoas mais velhas a fazer exercício, sozinhas
ou em grupo e mesmo utilizando a natureza como apoio (uma senhora aproveitava o
tronco de uma árvore mais pequena para fazer alongamentos).
Este é um jardim muito bonito e o mais chinês de todos os
jardins de Macau, o Jardim Lou Lim Ieoc, foi construído no século XIX por Lou
Lim, um rico comerciante chinês que deixou uma herança para o seu filho Lou Lim
Ieoc. Com o declínio da fortuna da família, o jardim caiu em ruínas.
Posteriormente adquirida pelo Governo, foi restaurado e aberto ao público em
1974.
Chegaram-me
vozes alegres de cantigas de uma música popular chinesa. Um grupinho de
pessoas, possivelmente reformados, que ali se juntam algumas vezes, para
conviver e recordar velhas canções.
O
tempo passou rápido entre a promoção da cultura do chá, a minha nostalgia e a diversão
dos que me rodearam nessa tarde, tudo num só jardim.
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terça-feira, 20 de agosto de 2013
Filhos devolvem-se?
Muitos casais ambicionam ser pais e não conseguem por razões diversas. Na maioria
dos casos, a adopção é o último caminho a seguir.
Há quem consiga finalmente ver esse sonho realizado, mas em muitos casos,
acontece vir depois a desilusão, porque a criança não corresponde ao filho que
se idealizou.
Foi notícia o caso de uma norte-americana, que devolveu um filho adoptado,
à Rússia.
A cultura americana é muito diferente da nossa e mesmo nas séries americanas,
é muito comum ouvirmos falar da história de vida dos criminosos e da passagem
por várias casas de acolhimento e de adopção.
Qualquer notícia que fale da devolução de uma criança, é uma notícia
chocante. As crianças não são objectos, não se compram na mercearia da esquina
e assim como não vêm com livro de instruções, não se deviam devolver.
Felizmente que em Portugal não há devolução de
crianças adoptadas. Depois de
decretada a adopção, por lei, não há diferença nenhuma entre um filho biológico
e um adoptado, mas se houver a devolução de um filho, isso tem um outro nome:
abandono!
Numa adopção, não há grandes opções de escolha, de um dia para o outro, entra
pela casa dentro um estranho, raramente um bebé, mas sim alguém já com a sua
personalidade…
Nem sempre os casais têm a capacidade de gostar de imediato dos estranhos
que vão conhecendo, ora, se este estranho fica a viver em casa... e se ainda
por cima este estranho é uma criança, que já passou por situações de vida em
que foi maltratado, violentado, abandonado, o mais certo é que não seja o filho
ideal, que a maioria das pessoas sonhou.
O primeiro que faz uma criança adoptada, é testar os limites dos novos
pais, esticam a corda ao máximo e quanto mais corda se der, mais eles esticam,
faz parte do processo normal. Até se sentirem seguros, até concluírem que a
ligação é mesmo definitiva, eles fazem trinta por uma linha, haja paciência e
amor, que com o tempo acalmam...
Há que recordar que estamos a falar de crianças que vêm de instituições,
crianças que a maior parte das vezes estão habituadas a
viver com regras, que não tem nada a ver com a vida familiar. E, se a isto
juntarmos a pouca auto-estima que tem alguém que já foi abandonado, temos uma
mistura muitas vezes explosiva... nem sempre os futuros pais estão preparados
para isto e concluem que não são capazes.
Então surge tantos
casos de “devolução” e de abandono de novo, como se de uma peça defeituosa se
tratasse.
Deve ser
algo que marca para toda a vida...e nenhuma criança deveria ter de passar por
isso.
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