quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Procurando no espelho...

Reza a cartilha que numa certa
Idade, nos tornamos descartáveis.

Passamos a viver à margem de
uma sociedade preconceituosa
onde os mais velhos perderam
o seu poder de pensar.

eu não sei se me encaixo nesse
contexto, mas...

o que me ocorre é que quanto mais
tempo vivo por aqui, mais consciente
me torno de que sou timoneira
do meu 'navio', e isso me faz
ainda mais responsável
pela viagem a seguir.

Descobrí também nesta 'viagem' quantas
limitações, e o quanto de liberdade
o caminho me oferece, e cabe a mim
a escolha de que lado
quero seguir.

Movida por estas escolhas descobrí o tamanho
dos meus anseios, e a medida da minha
coragem quando me olho no espelho,
procurando quem fui, e feliz,
encontro quem sou,
nessa imagem retratada
sorrindo pra mim.

...sigamos, então!!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

É de marca… é bom!

O meu neto de 16 anos deixou de gostar da roupa que eu e a mãe lhe compramos, porque passou a gostar ( e a comprar) roupas de marca. Prefere ter apenas uma camisola de marca, do que três ou quatro das que compramos por serem bonitas, confortáveis e práticas. Por mais que explicamos que a moda é feita pelo nosso gosto pessoal e para o nosso conforto e não porque alguém dita as regras e coloca uma etiqueta a preço de ouro, que ele fica mais bonito ou elegante, não se convence “porque os amigos fazem o mesmo e... porque sim!”.
Pois é, nunca compreendei esta mania do “que é de marca, é que é bom e tem qualidade” e… será que as pessoas ficam mais importantes por isso? Parece que é essa a mentalidade, porque infelizmente para os mais jovens, as marcas constituem uma nova religião.
Penso que talvez gostem das marcas, porque lhes simplificam as escolhas e procuram a apregoada qualidade, como também pode ser que busquem um sentido, uma emoção, paixão ou dinamismo ou mesmo por ter necessidade de aceitação social, ou seja, buscam a exclusividade do produto, que deve ser reconhecido como “a cara do grupo de amigos”, em que o adolescente está inserido.

Claro que não são apenas os mais jovens que preferem marcas, conheço pessoas de todas as idades que preferem comprar as marcas em detrimento da “vulgaridade”…
Este curioso costume pode explicar-se por vários factores. Em primeiro lugar, o desejo de exibir o dinheiro que se tem (ou às vezes nem por isso). Depois, essa “mania” de mencionar a marca e os preços, revela alguma insegurança, pois, mais do que ter conforto ou outro critério, parte-se do princípio que, se é de marca e da moda, o sucesso está garantido! Finalmente, há o desejo de competir com os conhecidos, de maneira a não ficar atrás.
Pessoalmente, acho cada vez mais que a importância de não ser importante, é a essência do luxo no futuro.
A aparência deixará de ter o poder de nos iludir e eu sinto-me deveras bastante importante por não ser escrava de marcas, passo por elas sem tentações e sofrimentos.
Não me quero fazer valorizar por elas, ser apenas eu e só eu, na minha simplicidade e essência. (devem estar a pensar quanta frustração vai nesta cabeça e na carteira… ) Pelo contrário, tenho alguma possibilidade de as adquirir, mas prefiro ser bem tratada por aqueles que não me conhecem, sem que as marcas sejam o meu cartão de visita ou seja apreciada pela minha conta bancária.
Todos os dias, somos bombardeados por diversas marcas, que nos levam a diferentes estilos de vida, diferentes costumes… é preciso saber muito bem o que se quer e não sucumbir às tentações dos estilos e das "sensações" do momento.



quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Chegou 2014!

E adeus ano velho… Na última noite de 2013, à mesa entre amigos num excelente jantar, aguardamos a passagem do ano, entre risos e vinho tinto. Antes da meia noite, engoli as 12 passas, pedi os desejos do costume, brindei com o champanhe de sempre e assisti ao fogo de artifício da varanda da casa dos meus amigos, espalhando muitos beijos, abraços e os desejos que o próximo ano seja melhor que o anterior.

Consultei o meu horóscopo para saber as novidades do próximo ano, e fico satisfeita por saber que vou ter um ano fora de série, ou seja, vai tudo correr bem, dizem os astros.

Entrei bem num ano que quero melhor, farei para que seja melhor, mas tem tudo para não ser muito diferente do ano que passou. Divido-me entre o optimismo e o realismo, e persisto em caminhar no fio da navalha.

Venha lá então o 2014 novinho em folha, vamos ver até onde eu aguento e resisto.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

FELIZ ANO 2014!

E assim, acaba o ano de 2013. Um ano que foi de recordações boas e más, um ano que pessoalmente não me posso queixar, passou calmo, produtivo, mas com muitas convulsões sociais por este mundo fora e que não deixa ninguém indiferente.
Foi um ano de tristeza e alegria, de riso e de lágrimas para muitos... Está a terminar e as esperanças renovam-se, como se renova o novo ano que entra, pois a vida continua e o melhor é não olhar para trás e sim, para a frente, com um sorriso para que tudo corra pelo melhor.
Desejos para 2014? O costume... Paz, Amor, Saúde... o normal da época... tudo o que possa ajudar o mundo a voltar a girar como eu gosto...

Deixa o mundo girar para o lado que quer
Não o podes parar, nem tens nada a perder
Estás de passagem...
Não o leves a mal se te manda avançar
Talvez seja um sinal que não podes parar
Estás de passagem...
Vai aonde queres
Sê quem tu quiseres
Estende a tua mão
A quem vier por bem

FELIZ ANO 2014!!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Tenho saudades da Inocência do Natal

Esta época que vivemos, o Natal, é feito de encontros, de partilha, de amor, de comunhão familiar. As famílias juntam-se, partilham e recordam com saudade, vidas vividas, momentos importantes, histórias engraçadas.
Recordo que nessa época, viviamos com o mais profundo dos sentimentos, de partilha com quem mais gostámos, sem reservas, sem medos, sem sentimentos negativos, com alegria e com muito pouco, havia fartura.
Ainda recordo com saudade os Natais da minha infância, em que não tinha noção da realidade, da responsabilidade e da dureza da vida. Eram Natais mágicos, não só pela ilusão da chegada do Pai Natal ou do Menino Jesus, mas também pelos momentos vividos na presença de toda a família.
Saudades de esperar o Menino Jesus, que trazia os presentes na Noite, que era a mais bela, mais luminosa e ao mesmo tempo a mais calma. De escolher os sapatos melhores que tinha para colocar no fogão e limpá-los bem limpos, a ver se as prendas eram mesmo as que tínhamos pedido depois de escolher nos "reclames", que passavam nessa altura na TV.
Depois, já mais tarde, procurarmos as prendas junto à árvore de Natal, que afinal eram os nossos pais que compravam, mas que fingíamos que acreditávamos ser o gorducho barbudo quem as levava...
Saudades do cheiro, dos bolos "de família" e "de mel" e as broas que roubávamos da mesa, porque afinal era a Festa.
Todos os anos tirávamos da caixa de madeira, religiosamente guardadas, as bolinhas para enfeitar a árvore de natal, que o meu pai pacientemente electrificava com luzinhas multicolores. Depois colocávamos o anjo e a estrela no cimo do presépio, enfeitado com figurinhas de barro, montes feitos com musgo verdadeiro que íamos buscar a uma quinta próxima... cada figura, tinha uma história que o meu pai todos os anos repetia...
Saudades das disputas com a minha irmã e com o meu pai, a ver quem mais decorações colocava na árvore, cujo pinheiro verdadeiro era sempre negociado uma semana antes da noite de natal. Ai o cheiro dos ramos verdes, que saudades!
Saudades das jarras enfeitadas de azevinho por toda a casa...saudades do cheiro da carne em vinha d’alhos a marinar para o almoço do dia de natal... saudades do cheiro a fritos das rabanadas e sonhos, dos risos vindos da cozinha... a vinda dos tios, da minha prima, dos meus irmãos... Afinal tudo era especial, era o amor da família, a união... porque estávamos com quem amávamos, porque o natal é isso mesmo, Natal é família! Estarmos com quem amamos... agora, no meu coração, mora apenas a lembrança de todos os que partiram. Tenho saudades...
O Natal mudou muito. No meu caso, até a família mudou. Já não tenho os tios, nem os meus pais. Mas nas minhas memórias ainda vejo os meus natais feitos de encontros, brincadeiras, refeições, conversas, abraços, sonecas e em alguns lugares, lareiras, casacos, tocas e luvas.
O Natal deve ser transmitido pelas gerações para repassar os momentos mágicos de uns para os outros, para que todos possam sonhar sobre aquilo que é importante nesta data.
Que neste natal se encontre no meio de pessoas que ama e que o amam!
Grave cada cheiro, cada momento em que convive com a sua família para que as suas memórias sejam repletas de momentos únicos e inesquecíveis.

FELIZ NATAL!



sábado, 21 de dezembro de 2013

Triste tristeza...

Por muitos anos que vivemos, há coisas que nunca vamos perceber: a mente humana!
O ideal seria termos todos um botão de “delete” para apagarmos o que nos magoa para esquecer as “nódoas negras”, os medos, as mágoas, a revolta e seguirmos em frente sem nos lembrarmos das atitudes que nos ferem, que nos magoam, principalmente vindo daqueles que amamos e que em princípio, deviam também de nos amar e principalmente respeitar.
Infelizmente não é nada disso que acontece... há cada vez mais desamor pelo próximo e, principalmente, de quem é mais próximo.
Por isso, guardamos para sempre no fundo da nossa alma, as nossas mágoas, os nossos ressentimentos, os nossos medos... para sempre ficam as lembranças do mal que nos fizeram, dos sentimentos piores que sentimos...
Ficamos tolhidos na emoção, na incapacidade de acordar quem nos maltrata, não racionalizamos da forma mais correcta... dramatizamos tudo mais e damos uma importância gigante às atitudes que tiveram connosco e que consideramos não merecer…
Resmungamos quando as coisas não acontecem como queremos, revoltamo-nos como crianças e ficamos a remoer até à exaustão os pensamentos que nos chegam negativos.
Resta-me esperar... ter paciência... aguardar que todas as minhas feridas sarem da melhor forma, para que eu não me torne uma criatura azeda e descrente da raça humana.
Quero acreditar que nós, os humanos, somos recuperáveis no sentido da bondade e que as atitudes que nos magoam, sejam apenas parte de uma defesa de instintos e não de crueldade e egoísmo.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

As praxes académicas

Com a tragédia da praia do Meco, Sesimbra, onde morreram seis jovens no passado dia 15 de Dezembro, volta a questionar-se a brutalidade das praxes e das instituições académicas que autorizam tais práticas.
O debate foi lançado: qual o caminho a seguir? Proibir ou ignorar?
Como proibir é sempre o fruto mais apetecido, parece não ser este o melhor caminho a seguir e ignorar, está fora de questão, uma vez que as imagens e histórias que vamos tendo conhecimento, passaram a ser práticas de humilhação, de agressão física e psicológica, é por isso urgente tomar medidas enérgicas e capazes de acabar com este pesadelo.

Com a explosão de universidades e institutos que apareceram nos últimos anos, com elas nasceram também novas praxes, na sua maioria deprimentes, que nada têm a ver com o espírito original, que servia sobretudo como porta de entrada para a rotina académica. Não a rotina da praxe em si, mas como uma brincadeira que daria a conhecer colegas mais velhos, colegas esses, que serviriam, depois de uma brincadeira inicial, de orientadores e facilitadores da integração de uma nova e difícil fase da vida.

Como pode uma Instituição de Ensino ser conivente com rituais patéticos de iniciação maçónica baseados na humilhação, na brutalidade e no terror?! Espero que os pais das vítimas não se deixem levar [pelas 'ondas' de compaixão, mais ou menos institucional] e que esta tragédia sirva para punir severamente todas as Instituições de Ensino que possuam praxes académicas, sob pena de serem encerradas. Querem tradição? Querem fazer bem à sociedade? Façam voluntariado!
Morreram agora seis alunos levados por uma onda que não se mostrou piedosa com a juventude destes estudantes, que nunca irão cumprir os seus sonhos ou os sonhos que os seus pais depositaram neles.
Quantas mais vítimas serão precisas, para que os responsáveis tomem uma medida eficaz e definitiva?

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ser Feliz...

Passamos pelas coisas sem as ver;
Gastos, como animais envelhecidos
Se alguém chama por nós, não respondemos
Se alguém nos pede amor, não estremecemos
Como frutos de sombra sem sabor
Vamos caindo ao chão, apodrecidos

Eugénio de Andrade

Quando li este poema de Eugénio de Andrade, fiquei a pensar como nós, seres humanos, somos tão distraídos e não enxergamos as coisas mais simples da vida sem as complicarmos.
Nunca percebi porque é que coisas simples se transformam em grandes complicações... provavelmente não vou obter aqui a resposta... Se não complicássemos tanto a nossa e a vida dos outros, não seríamos todos mais felizes? E digo isto pelas mais variadas razões e afinal o objectivo continua a ser o de “ser feliz”
Em conversa com uma amiga minha, perguntei-lhe qual a sua noção de felicidade, o que a fazia feliz?
A resposta foi que a felicidade é um estado passageiro e que provavelmente não haveria uma felicidade duradoura... que a natureza e que todos os seus elementos que acarretam uma "energia positiva" são o que podem desencadear o sentimento de felicidade.
Esqueceu-se de falar das pessoas... engraçado como as pessoas nem sempre entram na ideia de "serem felizes" umas das outras!
São opiniões é certo, coisas pessoais, formas de ver e viver a vida, mas fiquei a pensar... afinal onde param as pessoas no ideal que temos (e tenho) sobre o "ser feliz"? Serão a família, aqueles a quem amamos e ainda os amigos, será tudo isso em conjunto que nos ajudam a alcançar essa felicidade? Então porque há tanta insatisfação? Tanta (in)felicidade?
Será que a felicidade está num gesto de carinho seja de quem for, numa palavra agradável mesmo de um desconhecido, num sorriso depois de termos feito algo errado, quem sabe se não será mesmo esse conjunto de factores que façam uma pessoa sentir-se valorizada, estimada, importante no seu meio diário e essa felicidade passe a ser uma realidade?
Estaremos assim tão desacreditados nas pessoas que já nem valorizamos nada disto? Mesmo com a fé diminuída, penso cada vez mais nas pessoas que buscam o sentido de “felicidade” nas grandes coisas materiais, como uma boa casa, um carro, férias no estrangeiro, muito dinheiro no Banco, mas mesmo esses que têm tudo isso, acabam por se sentirem vazios…
Não serão pequenos gestos no dia a dia, em especial de quem gostamos, que nos fazem sentir amados, queridos e talvez seja essa a parte mais importante para ser feliz?!
Um sorriso vale por mil palavras, tal como um olhar ou um gesto e na medida certa provocarão a quem dirigidos uma sensação de bem estar, talvez a tal felicidade seja passageira...
Quantos de nós tivemos oportunidade de senti-la e de permitir que alguém seja agraciado por ela e passamos ao lado?
Quero coisas simples, quero preto no branco sem rodeios, quero entender e fazer-me entender... Não quero complicar nem perder o momento de "ser feliz" e quero saber aproveitar a minha oportunidade para fazer outras pessoas felizes…
Será que é pedir muito?

domingo, 8 de dezembro de 2013

Dinheiro...

Num jantar de amigos, perguntei ao padre franciscano que estava sentado ao meu lado, sobre as dúvidas dos crentes – o dinheiro acima de todas, claro.

- «Por que raio tantas pessoas ignóbeis, mesquinhas e pequenas têm tanto dinheiro? – perguntei eu - e por que raio de desígnio, Deus condena gente cumpridora e generosa a ter tão pouco?»…

De todos os assuntos práticos, apostei que essa era a pergunta mais inquietante e à qual não encontro lógica.

Desarmante e certeiro, o franciscano respondeu descontraído:

- «Se as pessoas vissem o dinheiro como uma provação, a pior de todas, as que Deus nos pode colocar no caminho, talvez pensassem de outra maneira».

Há quem viva em função dele, quem o ponha no topo das suas prioridades e faça tudo para o ter; há os que não têm jeito nenhum para o ganhar e os que se queixam da falta de sorte; os que vão roubando; os que têm o dom de o multiplicar e aqueles que o partilham com quem precisa.

Independentemente de razões, motivos ou sensibilidades, a verdade é que a frase 'o dinheiro não é tudo' é uma treta normalmente saída da boca de quem nunca precisou ou de quem nunca lhe sentiu a falta.

A vida é feita de momentos e, de facto, o dinheiro não é tudo... Mas ajudava, e muito, quem não o tem!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Tesouro! O que será?

Hoje ouvi uma frase que me ficou no ouvido todo o dia: “onde está o teu coração, aí estará o teu tesouro’.

Fiquei a pensar, a reflectir na frase tão pequena e com tanto significado. Esta é das tais frases que nos pode mudar a vida ou a forma de viver pelas questões que podem surgir na nossa mente ao escutá-la.

Nunca tenho uma resposta igual quando me interrogo afinal onde estará o meu tesouro? Estará na pouca família, sem a qual vivo? Estará no amor e na relação que tenho e que quero manter bem junto ao coração, como se de facto um tesouro se tratasse? Estará na carreira, na profissão pela qual dou tudo por tudo e me esforço o máximo por levar adiante, sem a qual não poderia obter alguns dos meus "luxos", que também se podem tornar nos meus tesouros? Estará nos amigos que, mesmo poucos, considero-os tesouros?

Família, amigos, amor, dinheiro... dá que pensar a que coisas damos mais valor e onde está verdadeiramente o nosso coração...ou será tudo isso o nosso verdadeiro tesouro?