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terça-feira, 5 de abril de 2011

CHING MING ou o DIA DOS MORTOS

Hoje é feriado em Macau e em toda a China, por ser ser o dia dedicado aos mortos.
Assim, a comunidade chinesa de Macau, comemora hoje este culto ancestral de homenagem aos mortos que também está relacionada com a chegada da primavera, porque no calendário lunar, o Ching Ming marca o primeiro dia do quinto período e é tradicionalmente um dia dedicado para que as pessoas saiam à rua, celebrem a Primavera e cuidem dos túmulos dos seus antepassados.
Considerado o equivalente ao Dia dos Finados dos cristãos, embora com maior carga simbólica, o Ching Ming (ou Pura Claridade) leva os chineses a celebrarer um pouco por todo o mundo chinês este festival.
Dirigirem-se para todos os locais onde descansam os seus defuntos e os espíritos dos antepassados, para lhes prestar homenagem e culto. É uma ocasião de reunião familiar que demonstra bem o conceito chinês de continuidade para além da morte e de estreito relacionamento com os defuntos. Os familiares, vindos por vezes de muito longe (tal como no Ano Novo), juntam-se ao clã e visitam os vários cemitérios dentro da cidade ou nas colinas das ilhas e na vizinha Guangdong. Aí, limpam e lavam as campas, batem cabeça e fazem oferendas de incenso e de comida aos antepassados.
No final das cerimónias em honra dos mortos, os familiares realizam uma espécie de piquenique em pleno cemitério, junto à campa dos seus entes desaparecidos e a festa acaba com a queima de panchões e a colocação de um papel encarnado na pedra tumular, a avisar que aquele defunto já foi homenageado pelos seus familiares e que não é um abandonado...
Manda ainda a tradição que as mulheres não usem agulhas de costura, nem lavem os seus cabelos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Festa da Lua ou Festividades de Outono

É no dia do 1.º mês lunar que recai uma das festividades mais importantes do calendário chinês:
o Festival de Lanternas.

Este ritual popular, este ano inicia-se logo ao amanhecer do dia 3 para 4 de Outubro, quando a maioria das famílias chinesas penduram lanternas de vários feitios nas suas habitações.
É desconhecida a origem definitiva deste costume, mas a explicação mais corrente e plausível aponta para um acto de prevenção contra as picadas de insectos nocivos, que anualmente invadem as noites de verão.

No passado longínquo, as lanternas eram fabricadas com rabanetes de cor encarnada. Antes de dar início ao processo de fabrico, cortava-se o rabanete ao meio. Em seguida, retirava-se a pele e o recheio, transformando-se assim cada metade numa espécie de recipiente semelhante a uma taça de contornos finos, que seguidamente se enchia de azeite.
Finalmente, acrescentava-se um pavio que, uma vez aceso, emanava uma luz suave e misteriosa. Havia quem pintasse os rabanetes de cores diferentes, proporcionando excelentes efeitos de luz.
A tradição das lanternas tornou-se uma prática comum entre a sociedade chinesa.
Os comerciantes, por exemplo, ao reabrirem os estabelecimentos no 7.º dia do 1.º mês lunar, que corresponde às celebrações de Ian-Iat(Aniversário Universal, ganharam o hábito de pendurar lanternas coloridas nas portas das suas lojas, atraindo assim grande número de clientes.
Ao longo dos tempos, foram surgindo muitas variedades de lanternas de estilos e materiais diferentes, tais como papel, palha, plástico, seda, etc.

As ruas das cidades são decoradas com figuras miticas chinesas iluminadas por dentro, animais, frutos e candeeiros de cores colidas que dão um ar alegre a todas as ruas.
Noutros tempos, quem pretendesse prosperidade para o seu gado, expunha lanternas em forma de bois, ovelhas, porcos, entre outros animais de criação, ao passo que os lavradores ou camponeses optavam por pendurar nas portas e janelas das suas casas, lanternas com feitios de frutos como a melancia, pêssego, laranja, maçã e outras tantas variedades. Habitualmente as lanternas ficam permanentemente acesas 24 horas por dia, até ao 16.º diado mês lunar.
Em Macau, ainda hoje, as lanternas policromáticas, iluminadas com velas, proporcionam nas ruas um colorido excepcional.

É também uma ocasião em que as familias invadem os jardins transportando candeeiros coloridos e de feitios variados, sobem a locais elevados e se deslocam às praias de Coloane, que se enchem de gente em animadas vigílias nocturnas, olhando a lua redonda e brilhante que parece sorrir e convidar todos a provarem os tradicionais bolos lunares, que têm como recheio uma gema de ovo, que simboliza a lua e que arrasta consigo o romantismo e o mistério inerentes ao seu culto...

Os bolos lunares, também chamados bolos "bate-pau", por serem metidos à paulada dentros das formas de madeira. Várias lendas são lembradas nesta altura e passadas aos mais pequenos, que as ouvem fascinados.
À semelhança do que acontece em Macau, também na maioria das cidades e povoações de toda a China celebram anualmente com grande euforia e colorido nocturno, o carismático Festival de Lanternas.

Baseado e adaptado do livro de Leonel Alves