Todos os anos, dezenas de palhaços em Inglaterra, juntam-se para orar numa igreja em Londres.
A cerimónia é feita em homenagem a Joseph Grimaldi, que morreu em 1837 e que foi o inventor dos palhaços modernos.
Há 68 anos que no primeiro domingo de Fevereiro, vários profissionais da gargalhada, vestem-se a rigor para se apresentarem na missa, cuja cerimónia decorre na Igreja “Holy Trinity”, em Londres.
Embora o humor seja fundamental nesta profissão, a cerimónia é séria, porque pretende também homenagear os colegas que faleceram no ano anterior.
Esta cerimónia anual, tornou-se num evento turístico, pois muitos curiosos juntam-se dentro e fora da Igreja, para assistir à cerimónia e no final, todos os artistas se juntam para fazer uma grande actuação.
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sábado, 1 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Pais abandonados
Hoje em dia não compreendo o desamor dos filhos pelos pais. É com enorme indiferença que “atiram” os pais para os “lares de terceira” idade, e muitos deles nem sequer se dignam visitá-los ou preocuparem-se mais com a sua sorte.
Noutras situações, são abandonados nos hospitais! Embora isso aconteça ao longo do ano, acentua-se quando se avizinham as férias de verão, as Festas do Natal e o Fim do Ano. Contudo, o abandono não ocorre só nas quadras festivas. Ao longo de todo o ano há idosos “esquecidos” pelos seus familiares directos nos hospitais e em lares da terceira idade.
Responsáveis hospitalares garantem que sim; - “há idosos que são trazidos às Urgências devido a alegadas indisposições ou falhas de saúde e que, uma vez constatado o falso alarme, não têm quem os receba de volta, porque se descobre que são falsos os dados de identificação fornecidos na recepção aquando da entrada”.
Esta é a nova sociedade? Que esperam quando chegar a vez deles? Exemplos destes, são um incentivo para os próprios filhos lhes fazerem o mesmo.
Mais estranho ainda, são os casos verificados com famílias de boa condição social, gente sem dificuldades económicas e que, apesar disso, se escusam a manter em casa idosos a que estão ligados por laços directos de sangue.
São situações que mostram claramente que o problema do abandono dos nossos idosos não pode ser atribuído apenas a dificuldades económicas, às faltas de espaço ou de outras condições de assistência.
As conclusões remetem-nos para a convicção de que noutros tempos os velhos eram tidos como símbolos de dignidade, hoje são um estorvo.
Mais ainda desde que as mulheres tiveram de deixar de ser “donas de casa” para passarem a competir com os homens nos empregos, que só a estes eram destinados. Hoje, os casais saem de casa logo pela manhã, seguindo cada um o caminho do seu posto de trabalho, de onde só regressam no final do dia.
Os filhos, se os há, são “despejados” à porta da escola, com as consequências que daí resultam e que todos conhecemos, e os idosos são deixados em casa, todo o dia entregues a si próprios, com os episódios dramáticos que frequentemente daí advêm ou então, metidos num lar e para ali ficam até morrer.
É uma situação que deriva das imposições trazidas pela sociedade actual, “mais aberta” e exigente. Uma sociedade afinal sem valores morais, que só num futuro não muito distante se encarregará de mostrar as suas deploráveis consequências.
Noutras situações, são abandonados nos hospitais! Embora isso aconteça ao longo do ano, acentua-se quando se avizinham as férias de verão, as Festas do Natal e o Fim do Ano. Contudo, o abandono não ocorre só nas quadras festivas. Ao longo de todo o ano há idosos “esquecidos” pelos seus familiares directos nos hospitais e em lares da terceira idade.
Responsáveis hospitalares garantem que sim; - “há idosos que são trazidos às Urgências devido a alegadas indisposições ou falhas de saúde e que, uma vez constatado o falso alarme, não têm quem os receba de volta, porque se descobre que são falsos os dados de identificação fornecidos na recepção aquando da entrada”.
Esta é a nova sociedade? Que esperam quando chegar a vez deles? Exemplos destes, são um incentivo para os próprios filhos lhes fazerem o mesmo.
Mais estranho ainda, são os casos verificados com famílias de boa condição social, gente sem dificuldades económicas e que, apesar disso, se escusam a manter em casa idosos a que estão ligados por laços directos de sangue.
São situações que mostram claramente que o problema do abandono dos nossos idosos não pode ser atribuído apenas a dificuldades económicas, às faltas de espaço ou de outras condições de assistência.
As conclusões remetem-nos para a convicção de que noutros tempos os velhos eram tidos como símbolos de dignidade, hoje são um estorvo.
Mais ainda desde que as mulheres tiveram de deixar de ser “donas de casa” para passarem a competir com os homens nos empregos, que só a estes eram destinados. Hoje, os casais saem de casa logo pela manhã, seguindo cada um o caminho do seu posto de trabalho, de onde só regressam no final do dia.
Os filhos, se os há, são “despejados” à porta da escola, com as consequências que daí resultam e que todos conhecemos, e os idosos são deixados em casa, todo o dia entregues a si próprios, com os episódios dramáticos que frequentemente daí advêm ou então, metidos num lar e para ali ficam até morrer.
É uma situação que deriva das imposições trazidas pela sociedade actual, “mais aberta” e exigente. Uma sociedade afinal sem valores morais, que só num futuro não muito distante se encarregará de mostrar as suas deploráveis consequências.
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Carimbo chinês
É com muita frequência que no dia-a-dia de um chinês se ouve dizer: - "Por favor, assine o seu nome e autentique com o seu carimbo". E, mesmo com o passar dos séculos e entrarmos na época moderna, na China, continua a ser necessário o carimbo com o nome do cliente, para diversas actividades sociais e comerciais tais como para retirar dinheiro no banco, para receber uma carta registada no correio, para legalizar um contrato, para acusar o recebimento de documentos oficiais, etc.
Na China, desde o tempo dos imperadores até ao presente, desde negócios governamentais oficiais a assuntos particulares, o carimbo continua a fixar o crédito e a promessa, mesmo após a assinatura, ele continua a ser necessário para que um documento tenha validade legal.
Apesar de seu pequeno tamanho, o carimbo desempenha um papel extremamente importante na vida de um chinês. Sela como quem assina, mas esse vermelho milenar da chancela chinesa, pode apenas reflectir um estado de espírito.
Os carimbos com nomes também são companheiros constantes de calígrafos e pintores chineses. Os artistas mantêm a tradição de carimbar as suas obras com os seus carimbos para "assiná-las", como prova de autenticidade.
Tradicionalmente, os materiais mais comuns para o fabrico de carimbos eram o cobre, para a população em geral, e o jade, para o imperador e a nobreza.
Há carimbos quadrados, redondos e até ovais. O tamanho deve depender da superfície a carimbar e, dependendo do formato da pedra, é que se define a técnica de impressão.
Mas sem tinta não há selo chinês e essa pasta pode ser à base de água ou de óleo. É tudo uma questão de preferência, mas se a primeira é mais corriqueira, a segunda tem outra qualidade e resiste mais ao tempo.
Os carimbos são esculpidos à mão. Através da técnica de escultura, os carimbos com nome combinam a beleza dos caracteres chineses com desenhos de linha
A parte mais importante da escultura talhada é a gravação da superfície do carimbo. E a metade do trabalho de esculpir um carimbo, está feito quando um estilo caligráfico for escolhido e o arranjo dos caracteres for decidido; todo este processo tem o nome de "composição" de um carimbo.
Esculpir os caracteres com cortes habilidosos, confiantes, é chamada a "técnica da faca". A união dessas duas técnicas resulta em uma forma totalmente nova de expressão escrita conhecida como "técnica caligráfica".
Muitos estrangeiros mandam fazer o seu carimbo com o caracter que tem o som do seu nome e usam-no por graça, apondo o carimbo no fim da assinatura, quando escrevem a um amigo…
Na China, desde o tempo dos imperadores até ao presente, desde negócios governamentais oficiais a assuntos particulares, o carimbo continua a fixar o crédito e a promessa, mesmo após a assinatura, ele continua a ser necessário para que um documento tenha validade legal.
Apesar de seu pequeno tamanho, o carimbo desempenha um papel extremamente importante na vida de um chinês. Sela como quem assina, mas esse vermelho milenar da chancela chinesa, pode apenas reflectir um estado de espírito.
Os carimbos com nomes também são companheiros constantes de calígrafos e pintores chineses. Os artistas mantêm a tradição de carimbar as suas obras com os seus carimbos para "assiná-las", como prova de autenticidade.
Tradicionalmente, os materiais mais comuns para o fabrico de carimbos eram o cobre, para a população em geral, e o jade, para o imperador e a nobreza.
Há carimbos quadrados, redondos e até ovais. O tamanho deve depender da superfície a carimbar e, dependendo do formato da pedra, é que se define a técnica de impressão.
Mas sem tinta não há selo chinês e essa pasta pode ser à base de água ou de óleo. É tudo uma questão de preferência, mas se a primeira é mais corriqueira, a segunda tem outra qualidade e resiste mais ao tempo.
Os carimbos são esculpidos à mão. Através da técnica de escultura, os carimbos com nome combinam a beleza dos caracteres chineses com desenhos de linha
A parte mais importante da escultura talhada é a gravação da superfície do carimbo. E a metade do trabalho de esculpir um carimbo, está feito quando um estilo caligráfico for escolhido e o arranjo dos caracteres for decidido; todo este processo tem o nome de "composição" de um carimbo.
Esculpir os caracteres com cortes habilidosos, confiantes, é chamada a "técnica da faca". A união dessas duas técnicas resulta em uma forma totalmente nova de expressão escrita conhecida como "técnica caligráfica".
Muitos estrangeiros mandam fazer o seu carimbo com o caracter que tem o som do seu nome e usam-no por graça, apondo o carimbo no fim da assinatura, quando escrevem a um amigo…
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quarta-feira, 9 de outubro de 2013
CRIANÇAS E BIRRAS
Ontem assisti no supermercado à cena de uma criancinha, que não teria mais de seis ou sete anos, com uma birra daquelas, que apetece chegar ao pé dela e dar-lhe dois valentes açoites. Mas não, a mãezinha, tentava levantar pacientemente a filha do chão, e ela esperneava, batia nas pernas da mãe furiosa e não se levantava do chão por mais esforços que a senhora fizesse, emitindo guinchos lancinantes.
Estas cenas são o prato forte de há uns anos a esta parte em qualquer lugar, nos supermercados, restaurantes, cafés, etc.
A maioria dos pais ficam passivos, ou os deixam a berrar até se calarem, ou não lhes ligam nenhuma, e, quem está por perto, tem de suportar aquele ambiente de criancinha mal educada porque o seu ‘anjinho’ começa a fazer birra e a gritar… deixa lá, é uma criancinha pequena, não percebe…
Sinceramente?! Não SUPORTO aquela criança que visivelmente está a fazer uma birra e os pais não conseguem manter o mínimo controle sobre elas?
Pois é… deviam ficar em casa com os avós ou com alguém, que tenha um bocadinho de senso e educação e metê-lo na ordem, até estarem devidamente educadas para conviver em sociedade.
Sem hipocrisia, eu acho mesmo muito desagradável! Ainda mais quando percebo que os pais não estão preocupados em apaziguar o incómodo de quem está por perto e, apesar dos olhares reprovadores ou complacentes de alguns espectadores forçados, o papá ou a mamã nem estão para se incomodar a resolver a situação.
E isto tem acontecido igualmente com filhos de colegas meus, em festas ou em convívios em que algumas dessas criancinhas são simplesmente insuportáveis.
Quando lhes digo que sou extremamente favorável a outras formas de educação, ou seja, de certo modo uma palmadinha no rabiosque, nunca matou ninguém, pelo contrário, têm sido motivo de boas histórias dos adultos actuais. Aliás, muitas vezes deviam de ser os pais que precisam apanhar e não os filhos, afinal eles são reflexos de uma educação, que não receberam ou se receberam, esqueceram!
Penso que isto é o reflexo da sociedade que criámos, porque há uma década ou duas começou a ser moda a educação “pedagógica”: se um pai dava uma palmada na mão de um filho num sítio público (digamos, durante uma birra, num café ou supermercado), as pessoas à volta olhavam para o dito pai, como se ele fosse um leproso.
Então é mais fácil dar umas gotinhas de medicamento para “a hiperactividade”, (perdoem-me os pais que têm filhos hiperactivos, porque esses são mesmo um caso sério), do que dar uma palmada, ou fazer cara feia, do que ralhar a sério, do que o pôr de castigo.
Se um adulto não tem capacidade de explicar a uma criança, que ela está a agir mal, e aguentar-se à bronca quando a criança não percebe ou não quer perceber e então recorre-se à velha palmada ou a um castigo para o fazer compreender que está errado, então não devia ter crianças.
As criancinhas são, na generalidade, indisciplinados, esticam-se para além do que nós consideramos admissível, não têm noção das regras sociais, são manipuladores e chinfrineiros. São putos, é normal e até é bom que o sejam, porque precisam (e têm o direito) de passar por esses estágios de desenvolvimento para aprender os limites, sem ganharem medo de desafios. Mas, para tudo há um limite!
Não estou a falar por falar! Tenho três filhos agora adultos e netos. Graças a Deus e à educação que lhes demos, nunca nos envergonharam em lado nenhum com este tipo de “actuações”.
A minha filha ainda se lembra de uma primeira birra que fez com 4 anos, esperneou e começou aos gritos porque queria nem sei o quê e talvez porque viu na escola outras a fazerem o mesmo. Levou duas palmadas e disse-lhe: -“agora tens razão para chorar de verdade”. Passou-lhe logo a vontade de bater os pezinhos no chão e chorar sem razão e nunca mais me fez esse tipo de cenas.
Desculpem-me os devotos as práticas pedagógicas que afinal não funcionam, mas é melhor pecar pelo excesso de educação, do que pela falta. Disciplina, boa criação e diálogo, muito diálogo, ainda são bem-vindos e quanto mais cedo este conceito for passado, melhores adultos serão. Educação ainda não é artigo de luxo, certo?
Estas cenas são o prato forte de há uns anos a esta parte em qualquer lugar, nos supermercados, restaurantes, cafés, etc.
A maioria dos pais ficam passivos, ou os deixam a berrar até se calarem, ou não lhes ligam nenhuma, e, quem está por perto, tem de suportar aquele ambiente de criancinha mal educada porque o seu ‘anjinho’ começa a fazer birra e a gritar… deixa lá, é uma criancinha pequena, não percebe…
Sinceramente?! Não SUPORTO aquela criança que visivelmente está a fazer uma birra e os pais não conseguem manter o mínimo controle sobre elas?
Pois é… deviam ficar em casa com os avós ou com alguém, que tenha um bocadinho de senso e educação e metê-lo na ordem, até estarem devidamente educadas para conviver em sociedade.
Sem hipocrisia, eu acho mesmo muito desagradável! Ainda mais quando percebo que os pais não estão preocupados em apaziguar o incómodo de quem está por perto e, apesar dos olhares reprovadores ou complacentes de alguns espectadores forçados, o papá ou a mamã nem estão para se incomodar a resolver a situação.
E isto tem acontecido igualmente com filhos de colegas meus, em festas ou em convívios em que algumas dessas criancinhas são simplesmente insuportáveis.
Quando lhes digo que sou extremamente favorável a outras formas de educação, ou seja, de certo modo uma palmadinha no rabiosque, nunca matou ninguém, pelo contrário, têm sido motivo de boas histórias dos adultos actuais. Aliás, muitas vezes deviam de ser os pais que precisam apanhar e não os filhos, afinal eles são reflexos de uma educação, que não receberam ou se receberam, esqueceram!
Penso que isto é o reflexo da sociedade que criámos, porque há uma década ou duas começou a ser moda a educação “pedagógica”: se um pai dava uma palmada na mão de um filho num sítio público (digamos, durante uma birra, num café ou supermercado), as pessoas à volta olhavam para o dito pai, como se ele fosse um leproso.
Então é mais fácil dar umas gotinhas de medicamento para “a hiperactividade”, (perdoem-me os pais que têm filhos hiperactivos, porque esses são mesmo um caso sério), do que dar uma palmada, ou fazer cara feia, do que ralhar a sério, do que o pôr de castigo.
Se um adulto não tem capacidade de explicar a uma criança, que ela está a agir mal, e aguentar-se à bronca quando a criança não percebe ou não quer perceber e então recorre-se à velha palmada ou a um castigo para o fazer compreender que está errado, então não devia ter crianças.
As criancinhas são, na generalidade, indisciplinados, esticam-se para além do que nós consideramos admissível, não têm noção das regras sociais, são manipuladores e chinfrineiros. São putos, é normal e até é bom que o sejam, porque precisam (e têm o direito) de passar por esses estágios de desenvolvimento para aprender os limites, sem ganharem medo de desafios. Mas, para tudo há um limite!
Não estou a falar por falar! Tenho três filhos agora adultos e netos. Graças a Deus e à educação que lhes demos, nunca nos envergonharam em lado nenhum com este tipo de “actuações”.
A minha filha ainda se lembra de uma primeira birra que fez com 4 anos, esperneou e começou aos gritos porque queria nem sei o quê e talvez porque viu na escola outras a fazerem o mesmo. Levou duas palmadas e disse-lhe: -“agora tens razão para chorar de verdade”. Passou-lhe logo a vontade de bater os pezinhos no chão e chorar sem razão e nunca mais me fez esse tipo de cenas.
Desculpem-me os devotos as práticas pedagógicas que afinal não funcionam, mas é melhor pecar pelo excesso de educação, do que pela falta. Disciplina, boa criação e diálogo, muito diálogo, ainda são bem-vindos e quanto mais cedo este conceito for passado, melhores adultos serão. Educação ainda não é artigo de luxo, certo?
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Filhos devolvem-se?
Muitos casais ambicionam ser pais e não conseguem por razões diversas. Na maioria
dos casos, a adopção é o último caminho a seguir.
Há quem consiga finalmente ver esse sonho realizado, mas em muitos casos,
acontece vir depois a desilusão, porque a criança não corresponde ao filho que
se idealizou.
Foi notícia o caso de uma norte-americana, que devolveu um filho adoptado,
à Rússia.
A cultura americana é muito diferente da nossa e mesmo nas séries americanas,
é muito comum ouvirmos falar da história de vida dos criminosos e da passagem
por várias casas de acolhimento e de adopção.
Qualquer notícia que fale da devolução de uma criança, é uma notícia
chocante. As crianças não são objectos, não se compram na mercearia da esquina
e assim como não vêm com livro de instruções, não se deviam devolver.
Felizmente que em Portugal não há devolução de
crianças adoptadas. Depois de
decretada a adopção, por lei, não há diferença nenhuma entre um filho biológico
e um adoptado, mas se houver a devolução de um filho, isso tem um outro nome:
abandono!
Numa adopção, não há grandes opções de escolha, de um dia para o outro, entra
pela casa dentro um estranho, raramente um bebé, mas sim alguém já com a sua
personalidade…
Nem sempre os casais têm a capacidade de gostar de imediato dos estranhos
que vão conhecendo, ora, se este estranho fica a viver em casa... e se ainda
por cima este estranho é uma criança, que já passou por situações de vida em
que foi maltratado, violentado, abandonado, o mais certo é que não seja o filho
ideal, que a maioria das pessoas sonhou.
O primeiro que faz uma criança adoptada, é testar os limites dos novos
pais, esticam a corda ao máximo e quanto mais corda se der, mais eles esticam,
faz parte do processo normal. Até se sentirem seguros, até concluírem que a
ligação é mesmo definitiva, eles fazem trinta por uma linha, haja paciência e
amor, que com o tempo acalmam...
Há que recordar que estamos a falar de crianças que vêm de instituições,
crianças que a maior parte das vezes estão habituadas a
viver com regras, que não tem nada a ver com a vida familiar. E, se a isto
juntarmos a pouca auto-estima que tem alguém que já foi abandonado, temos uma
mistura muitas vezes explosiva... nem sempre os futuros pais estão preparados
para isto e concluem que não são capazes.
Então surge tantos
casos de “devolução” e de abandono de novo, como se de uma peça defeituosa se
tratasse.
Deve ser
algo que marca para toda a vida...e nenhuma criança deveria ter de passar por
isso.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
O restaurante do Senhor Shuang
De vez em quando, gosto de ir comer a um restaurante chinês, ali para os
lados do Mercado Vermelho, hábito que me ficou quando vivi por aqueles lados e
que na altura, fui arrastada por uma amiga macaense. Fiquei cliente!
O dono, é o senhor Shuang, que anda sempre por ali a ver se está tudo em ordem,
fala um bocadinho de português, o suficiente para nos conseguirmos entender em
simples conversas.
Numa das vezes em que lá fui almoçar, ele sentou-se na minha mesa, então
perguntei-lhe com curiosidade, se se lembrava dos guardas vermelhos, na altura
de “Revolução Cultural”. Acenou afirmativamente com um ar grave e
confidenciou-me que tinha fugido de Xangai, mais a esposa Xiaoli, em 1970.
Tinham acabado de se casar, ele com 22 anos e ela com 19, numa época
conturbada, a Revolução Cultural, que logo se transformou numa luta pelo poder.
Empreendida pelo grupo maoísta, sustentada pelo Exército Popular de
Libertação, precisamente na altura em que Mao, entrou em choque com Lin Piao,
seu sucessor e chefe do Exército Popular.
O movimento foi-se multiplicando em organizações revolucionárias, que se
inspiravam no livro “Pensamentos de Mao Tsé-Tung”, conhecido como “Livro Vermelho”,
onde se firmavam as ideias de reeducação socialista, críticas ao burocratismo,
fidelidade a Mao e alerta contra o inimigo.
E todos eram inimigos, ninguém estava livre de um dos fanáticos jovens se
lembrarem de inventar mentiras, para “mostrar serviço” e assim enviar milhares
de inocentes para os campos de reeducação. Decidiram fugir.
Viajou com a esposa mais de um mês, sempre escondidos, até chegarem a
Macau, para junto de um tio, que lhes deu guarida.
Dormiram muito tempo numa esteira à entrada da porta de casa desse tio. Ele e a esposa passaram a trabalhar na mercearia, que lhe foi deixada dez anos depois, após o
falecimento do parente, pois ele não tinha mais ninguém.
Com um sorriso matreiro, o senhor Shuang confessa que foi uma sorte, porque o casal tomou a rédea ao negócio,
que ainda durou uns dois ou três anitos no mesmo ramo.
O tio deixara-lhes também algumas
poupanças e, juntamente com um dinheirinho que tinham amealhado, na esperança de
voltarem um dia à terra, que os viu nascer, decidiram comprar o espaço. Com o
nascimento da filha, foram ficando…
A esposa cozinhava bem e por isso, resolveram apostar na restauração. Após algumas obras, abriram o restaurante, com espaço que nessa altura,
dava para uns quarenta lugares. Lentamente, foram angariando clientela.
Passados cinco anos, o senhor Shuang comprou a lojinha ao lado, que vendia artigos
funerários e ampliou o restaurante para oitenta lugares. Agora sim, o
estabelecimento passou a ser considerado “médio”, foi ganhando a confiança de clientela
mais selectiva, que eram na sua maioria homens de negócios, funcionários
públicos e bastantes estrangeiros, atraídos pela fama dos seus preços razoáveis
e cozinha de qualidade.
Os melhores cozinheiros, têm sido ao longo dos anos, disputados pelo senhor
Shuang, que lhes paga razoáveis salários, acima da média dos outros
restaurantes.
-“Quando abri o meu restaurante em 1985, nesta rua, havia apena 5
restaurantes, agora são 97, embora tenha uma enorme concorrência, não me
queixo, porque ganho muito bem a minha vida e boa clientela nunca me faltou. Mas
com este problema dos preços das rendas sempre a aumentar, agradeço aos deuses
a inspiração que tive em ter comprado o meu espaço. Tenho visto muitos vizinhos fecharem
as suas portas e no seu lugar, obras, mais obras, um dia são uma coisa, noutro
dia outra, totalmente diferente da primeira".
A chegada da filha do Senhor Shuang, interrompeu-nos a conversa. Baixinha e
roliça como a mãe, fez-me uma vénia, depois do pai nos apresentar.
Ela tinha estudado inglês numa Universidade de Xangai e ainda trabalhara
três anos nos Estados Unidos, onde casara com um americano. Mas o casamento e a
vida por lá não tinha resultado, divorciou-se e de regresso a Macau, passou a
ser o braço direito do pai, e futura herdeira do negócio.
Sobre o futuro, o senhor Shuang disse não ter nenhuma inquietação, não
haveria regresso ao passado e Xangai, só para passear…
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sábado, 27 de julho de 2013
Apanhados no lixo
Viver
é uma das coisas mais difíceis do mundo, a maioria das pessoas limita-se a
existir!
Na China, onde a maioria dos bebés lançados ao lixo são meninas, devido à
política do filho único, o qual os chineses dão preferência aos rapazes, temos a
história de Lou Xiaoying, agora com 88 anos e que está acamada, porque sofre de
insuficiência renal.
Ela encontrou e salvou mais de 30 bebés deitados no lixo logo após o nascimento.
Na maioria eram meninas chinesas, abandonadas nas ruas de
Jinhua, onde ela ganhava o seu sustento, através da recolha de cartões e outros materiais
para reciclagem.
Ela e o seu falecido marido Li Zin, que morreu há 17 anos, mantiveram os
quatro filhos que adoptaram e foi passando os outros que encontrava, para amigos e
familiares, dando-lhes assim a oportunidade de uma vida nova.
Esta é uma lição de fé, solidariedade e respeito para com a vida e para com
o seu próximo.
Esta mulher, pobre mas com um coração sublime, é uma alma
perfeita, que deu ao longo da sua vida um amor incondicional pelos
desprotegidos da sorte tal como ela. Esta história de vida, mostra que em todas as raças e em qualquer
canto deste planeta, há almas generosas que partilham o pouco que têm, com
aqueles que nada possuem…
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