Esta foto mostra o produto de dois tempos e de dois mundos: Eusébio e Ronaldo ombreiam, como os maiores das suas eras.
Eusébio morreu e o futebol perdeu uma lenda! Durante uma semana não se falou em mais nada em todos os meios da comunicação social. Eusébio era uma força da natureza, que levava tudo à frente e honrou Portugal pelo seu excelente trabalho e dedicação ao futebol.
Acho muito bem que se façam homenagens a pessoas que se destacaram na vida social, politica e humanitária, mas infelizmente só se lembram de o fazer depois da pessoas morrer, como por exemplo as homenagens póstumas ao Health Leadger e muitos outros mais.
Não percebo muito bem esse velho hábito de homenagear os grandes feitos e/ou os grandes heróis apenas e só depois de mortos. Enquanto vivas, as ditas "estrelas" (as verdadeiras, que brilham por valor próprio) enchem páginas de revistas e jornais pelos piores motivos. Gerar polémica é o objectivo-mor. Valorizar o trabalho individual? Uma ou duas páginas de longe a longe, nada de mais, não vá o artista habituar-se a tanto mimo e desmazelar-se no seu trabalho ou ver o ego aumentar para dimensões fora do real. E as homenagens, os tributos, a valorização, ficam para o post mortem, quando o homenageado não está mais presente para ver, para sentir, para agradecer, para se orgulhar, merecedoramente, do seu trabalho. Mas assim que morre torna-se o melhor do mundo, um ser único e impossível de igualar.
Felizmente não foi o caso de Eusébio que sempre foi admirado e mimado pelos colegas e por todos os média, mas estou a lembrar-me de Michael Jackson por exemplo. Aqueles que lhe infernizavam a vida, hoje dedicam-lhe edições completas de revistas e jornais. As rádios que o ignoravam quase totalmente, passam as suas músicas incessantemente, repetindo que "nunca se fez nada assim".
As televisões oferecem documentários comprados e atirados para o fundo da prateleira, porque "o Jackson já era" e agora que ele se foi mesmo, são noites consecutivas com reportagens e mais reportagens.
É o espírito do "só dar valor depois de perder" levado ao extremo ou… ganharam balúrdios à conta do morto. É a ridícula valorização do corpo ausente, tantas vezes ignorado, enquanto presente.
Mas o lugar de Eusébio entre os melhores, sempre foi reconhecido, um caso raro e todas as homenagens que lhe fizeram em vida, foram merecidas e portanto é um exemplo a seguir. Eusébio era um embaixador da Fifa e do futebol. Ele fará muita falta.
Descansa em paz Pantera Negra!
Mostrar mensagens com a etiqueta homenagem. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta homenagem. Mostrar todas as mensagens
sábado, 11 de janeiro de 2014
quarta-feira, 25 de maio de 2011
África - Carta de um Contratado

O continente africano acolhe uma grande variedade de culturas, caracterizadas cada uma delas por um idioma próprio, tradições e formas artísticas características.
África é o segundo maior continente da Terra e conta com uma população de mais de 820milhões de habitantes. Possui uma incrível diversidade cultural e ambiental, com patrimónios históricos e naturais.
Hoje, é o DIA DE ÁFRICA,
não queria deixar de prestar homenagem a um poeta que muito admiro: António Jacinto, que nasceu em Angola e que é um reconhecido poeta que se tornou conhecido através da sua escrita de protesto.
Devido à sua militância política anti-colonialista e de base marxista, foi exilado no Campo de Concentração de Tarrafal, em Cabo Verde, no período de 1960 a 1972. Voltou para Angola em 1973, e juntou-se ao MPLA [Movimento Popular de Libertação da Angola].
Escolhi este seu poema,porque é um dos mais expressivos da sua obra, como quiçá, de toda a literatura angolana.
CARTA DE UM CONTRATADO
Eu queria escrever-te uma carta
amor
uma carta que dissesse
deste anseio
de te ver
deste receio de te perder
deste mais que bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue...
Eu queria escrever-te uma cara
amor
uma carta de confidências íntimas
uma carta de lembranças de ti
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como macongue
dos teus seios duros como maboque
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí...
Eu queria escrever-te uma carta
amor
que recordasse nossos dias na capôpa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura nossa separação...
Eu queria escrever-te uma carta
amor
que a não lesses sem suspirar
que a escondesses do papá Bombo
que a sonegasses à mãe Kieza
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento...
Eu queria escrever-te uma carta
amor
uma carta que te levasse o vento que passa
uma carta que os cajus e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que se o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levasse puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor...
Eu queria escrever-te uma carta...
Mas ah meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu - Oh! Desespero - não sei escrever também!
António, foi empregado de escritório e técnico de contabilidade, Ministro da Educação de Angola e Secretário de Estado da Cultura.
Colaborou com produções suas em diversas publicações nomeadamente Jornal de Angola, Notícias do Bloqueio, Itinerário, Império e Brado Africano e foi membro da revista Mensagem.
BAILARINAS

A noite
(uma trompete, uma trompete)
fica no jazz.
A noite
sempre a noite
sempre a indissolúvel noite
sempre a trompete
sempre a trépida trompete
sempre o jazz
sempre o xinguilante jazz.
Um perfume de vida
esvoaça
adjaz
serpente cabriolante
na ave-gesto da tua negra mão.
Amor,
vénus de quantas áfricas há,
vibrante e tonto,
o ritmo no longe
preênsil endoudece.
Amor
ritmo negro
no teu corpo negro
e os teus olhos
negros também
nos meus
são tantãs de fogo
amor.
António Jacinto é considerado, por muitos, um dos maiores escritores angolanos.
Com a independência do país, frente à colonização portuguesa em 1975, foi nomeado Ministro da Educação e Cultura, cargo que ocupou até ao ano de 1978.
Arrebatou vários prémios, como o Prémio Noma, Prémio Lotus da Associação dos Escritores Afro-Asiáticos e Prémio Nacional de Literatura.
Publicou Poemas(1961), Vovô Bartolomeu (1979), Poemas (1982, edição aumentada), Em Kilunje do Golungo (1984), Sobreviver em Trrafal de Santiago (1985; 2ªed.1999), Prometeu (1987), Fábulas de Sanji (1988).
Morreu a 23 de Junho de 1991, com 67 anos.
Etiquetas:
António Jacinto,
Dia de Áfica,
homenagem,
poesia
sábado, 19 de junho de 2010
Adeus Saramago...
Saramago deixou-nos… deixou-nos mais pobres, é esta a sensação que senti ao ouvir a notícia.Senti um certo vazio que se associou à sensação desconfortável de que o mundo está agora mais triste e ainda mais "tacanho". Saramago era um homem inteligente acima de tudo, lúcido e lógico.
Expressava o seu sentir, sem perder a visão crítica da realidade e isso dava credibilidade às suas letras, sem diminuir a beleza e a profundidade dos sentimentos expressos.
É com pesar que me despeço do homem, do cidadão e da obra ainda possível, que viu um fim sem ter tido tempo sequer de principiar, porque ainda tinha muito para dar.
É hora de louvarmos a obra, imensa, que nos ajuda a compreender um pouco melhor a necessidade humana, de pensarmos e reflectirmos sobre quem somos, para onde vamos e o que queremos ser.
O estilo de Saramago, único na literatura contemporânea, é considerado por muitos críticos, um mestre no tratamento da língua portuguesa.
E é hora de prestarmos homenagem ao génio, Saramago, por nos ter levado tão longe na sua viagem.
"De que adianta falar de motivos, às vezes basta um só, às vezes nem juntando todos..."
"O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas."
"O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio."
"Sempre chega a hora em que descobrimos que sabíamos muito mais do que antes julgávamos."
"Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória."
terça-feira, 2 de março de 2010
Homenagem
Quando a noite perde o rosto;E as palavras se recusam;
Surgem os muros,
Os muros onde se ergue o desgosto.
De uma perda inesperada
Que arrasa, que dói, que confunde.
Entre palavras sem cor,
Rostos de espanto
Palavras esperadas e inesperadas
Sentidas como a poesia ou o amor.
O nome de quem se ama e se perdeu
Num ápice, num segundo.
Como é possível Deus,
Que iluminas as almas e a noite,
Nos retirares o nosso irmão, sem aviso, sem piedade?
O teu nome será gravado
Num mármore distraído,
Num papel mais tarde abandonado.
Mas as tuas palavras, serão guardadas.
Essas palavras que nos transportam
Ao teu mundo, onde a noite é a mais forte
E onde onde o silêncio é doçura.
De todas as certezas que pode ter o ser humano, a morte é sem dúvida uma delas!
Quem nasce já está fadado à morte. Mensageira estranha, por vezes, abraça antes os mais jovens e os mais sadios, deixando para trás os idosos e os doentes.
Contudo, ela chega sempre. Paradoxalmente, é um dos assuntos que quase todos nós evitamos tocar.
É por isso mesmo que, quando ela chega, surpreende sempre. Esta é a pequena e singela homenagem que faço ao meu cunhado, Humberto de Abreu, cuja doença fulminante o levou no dia 27 de Fevereiro, deixando-nos entre lágrimas de espanto.
Por tudo isto, é bom considerar que a nossa existência é muito efémera. Hoje estamos aqui, amanhã poderemos não nos encontrar mais deste lado da vida.
A ele, só lhe posso desejar que descanse em paz e que o recordaremos sempre com amor e carinho.
Etiquetas:
homenagem
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Adeus Rosa...
Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.
E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.
Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.
Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?
Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvores, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.
Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo.
Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)
Escolhi este poema, em homenagem à agora desaparecida poetisa e ecritora Rosa Lobato Faria que faleceu em Lisboa, devido a uma anemia grave no dia 2 de Fevereiro. Um ser dotado de talento que se apagou, mas a sua memória viverá nos seus livros e nas suas obras.
Rosa Lobato de Faria nasceu em Lisboa, em Abril de 1932. Romancista, poeta e actriz, afirmou-se como uma das vozes mais influentes da literatura portuguesa, tendo sido reconhecida, em 2000, com o Prémio Máxima de Literatura. O seu último livro, As Esquinas do Tempo, foi publicado em 2008 pela Porto Editora.
O essencial da sua poesia está reunido no volume Poemas Escolhidos e Dispersos, de 1997. O seu primeiro romance, O Pranto de Lúcifer, veio a público em 1995. Seguiram-se-lhe Os Pássaros de Seda (1996), Os Três Casamentos de Camilla S. (1997), Romance de Cordélia (1998), O Prenúncio das Águas (1999), A Trança de Inês (2001), O Sétimo Véu (2003), Os Linhos da Avó (2004), A Flor do Sal (2005), A Alma Trocada (2007), A Estrela de Gonçalo Enes (2007). Foi, igualmente, autora de diversos livros infantis. Está traduzida em Espanha, França e Alemanha e representada em várias colectâneas de contos, em Portugal e no estrangeiro.
Rosa Lobato de Faria foi também conhecida do grande público como actriz de televisão e cinema.
Etiquetas:
homenagem
Subscrever:
Mensagens (Atom)
