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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Amores de Internet


Não há muitos anos, que os amores eram encontrados através da apresentação de amigos, ou acontecia uma "faísca" entre colegas, ou havia um "clic" numa festa ou num baile…

Com as novas tecnologias porém, os nossos hábitos foram mudando e os amores também. Aos poucos, a Internet foi-se instalando na nossa casa e na nossa vida social.
Muitas pessoas deixaram de sair, de conviver com amigos e colegas, para ficarem agarradas ao pequeno écran,  fazendo amizades virtuais ou à procura de um novo amor.
São infindáveis os casos em que se encontram paixões, fazem-se casamentos e a seguir vêm os desgostos, tudo através da Internet.
Mas… o que há de verdade nesse mundo de relações virtuais? E até onde podemos acreditar no que está escrito? Ainda assim, esses relacionamentos virtuais parecem encantar jovens e os menos jovens de todo o mundo, até mesmo aqueles que, na vida real, encontram dificuldades enormes para estabelecer qualquer tipo de relacionamento
Qual a razão para tanto êxito na busca dos amores virtuais?
Talvez porque o romance na internet é mais rápido e intenso, porque as pessoas se despem das suas máscaras e dos seus papeis sociais.
Protegidas pelo anonimato, expõem ali os seus medos e inquietações. Tornam-se mais humanas e, por isso, mais encantadoras. Normalmente apaixonam-se pela essência, pela alma e pelo carisma do outro lado que, anonimamente, fazem os sonhos um dos outro.
Quantas vezes nos deparamos com pessoas com almas lindíssimas, trocando ideias e mensagens nos chats, navegando pelos nossos blogs, sites, ou facebook? Essas pessoas interagem com tal intensidade que, movidos por afinidades insuspeitas, que se vão acentuando com o passar dos dias, acabam por fazer amizade pessoal e entrar no MSN, ou nas caixas de emails.
E, quando isso acontece, nada impede de surgir cumplicidades, trocas de segredos, trocas de carinhos nos momentos em se vão abrindo em confidências, deixando que o outro, numa intimidade total, o veja por dentro.
Este será o primeiro passo para um amor virtual, é preciso somente um passo, para abrir o coração e deixar que o outro entre sem reservas, e ali faça a sua morada.
Passam então a contar as horas, os minutos, os segundos, para o próximo encontro, quando abrem os emails, ou entram no Messenger MSN, ávidos para encontrar as palavras do ser amado, deliciando-se com os pontinhos coloridos em forma de beijos e carinhos na pequena tela e que os alimenta através do coração, cada dia mais apaixonado.
Será que vai resultar? Esta é a última pergunta que se faz, quando tomados por aquela sensação de amar e ser amado.
O que os move é a busca da plenitude, o momento mágico, quando se pensa ter encontrado o tão almejado amor.
Nesses momentos, nem se lembram se o amor é real ou virtual... o que importa é que encontraram o AMOR! E quem é que não gosta de AMOR?


Todos os dias ele aparece na minha tela!
Vem-me trazer carinhos, fazer-me sorrir,
Deixar-me feliz,
Vem dar-me amor!

Não o conheço,
não sei de onde vem,
nem para onde vai.

Não sei a cor dos seus olhos,
nem a cor dos seus cabelos,
muito menos, senti a sua pele.

Mas sei melhor do que ninguém
a cor da sua alma, o colorido do seu coração.
Porque é um amor silencioso,
que baila entre cabos e conexões.

Mas para mim é tão real,
que posso sentir o calor do seu abraço aconchegante,
do seu beijo de amor,
Em letrinhas saltitantes,
na tela do meu monitor.







terça-feira, 12 de junho de 2012

Os adolescentes e a Internet

Os adolescentes dos nossos dias representam a primeira geração a crescer numa sociedade na qual a Internet e outras tecnologias fazem parte da rotina diária.
A Internet permite o acesso rápido a uma quantidade infindável de informação, cria novas possibilidades, ambientes de aprendizagem e ainda a descoberta de milhares de coisas, como músicas, filmes, etc.
Um artigo lido recentemente, alertou-me para o facto de essa mesma internet criar também novas oportunidades, não só para os pedófilos conseguirem vítimas com a maior das facilidades, como há agora uma nova forma de violência.
Ao tradicional bulliyng, a ameaça ou agressão de uma criança por parte de outra, junta-se agora o moderno "bullying electrónico", aquele bullying em que os agressores utilizam as novas tecnologias para assustar, ameaçar, insultar, intimidar ou difamar um colega.
Estes novos "bullies" servem-se das sms, emails, chat rooms ou páginas da web para "atacar" as suas presas, seja através de palavras ou através de imagens e fotos, que se encontram à distância de um clic num botão do telemóvel.
As vítimas sofrem, muitas vezes, duplamente. Na escola têm o frente-a-frente com os seus agressores e em casa, o porto de abrigo para muitas destas crianças, continuam a sofrer através de um computador ou de um telemóvel.
Tudo isto acarreta riscos emocionais e psicológicos. São comuns os níveis elevados de stress, o isolamento, sentimentos de embaraço, vergonha e humor deprimido.
Com a evolução imparável das novas tecnologias, com a facilidade de acesso a essas tecnologias por parte das crianças, jovens adolescentes e com a negligência por parte de muitos pais relativamente ao controlo do uso dessas tecnologias pelos seus filhos, temos os ingredientes ideais para uma nova forma de violência, facilitada pelo anonimato que proporciona e pelas dimensões que pode atingir.
Não é só a Internet que pode ser um perigo para as crianças. As próprias crianças podem ser um perigo para a Internet, servindo-se dela para assombrar a vida de outras colegas. E esses, continuam a sofrer em silêncio, na maioria dos casos. Embaraçados, envergonhados, amedrontados, sozinhos, ameaçados a qualquer hora do dia, em qualquer lugar.
E a questão impõe-se: como livrar estas crianças desse sofrimento? Como pôr termo a este tipo de violência do século XXI, que está apenas à distância de um Enter?

NOTA:
"Bullying" é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.