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sábado, 6 de abril de 2013

Viva como as flores

Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo. (Confúcio)
Contam as lendas que o filósofo Confúcio dava excelentes e sábios conselhos. Vejam este:

- “Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam. Que fazer para não me sentir tão infeliz com a maldade que me rodeia?
E o nosso sábio, tinha a resposta na ponta da língua:
- “Pois viva como as flores!” - advertiu o mestre.
- “Mas mestre, como é viver como as flores?” - perguntou o discípulo, pensando que o mestre estaria a brincar com ele.
–“Repare nestas flores - continuou o mestre imperturbável no seu saber, apontando os lírios que cresciam no jardim – “Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor das suas pétalas.
É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles, e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo o mal que vem de fora... Isso é viver como as flores...”


Confúcio: um dos mais influentes sábios chineses. Hoje, a sua filosofia é seguida por cinco milhões de pessoas, em especial na Ásia.
Seguindo a carreira como filósofo da corte, K’ung exortou os governantes chineses a ”governarem pela virtude interior” para ganhar o respeito de seus súbditos e dar um exemplo para que as pessoas pudessem seguir.
O Sábio chinês não aprovava a tirania e acreditava que o Estado existe para benefício do povo, e não o contrário. Como escritor, K’ung compilou poemas, estórias e lendas e reuniu-as numa série de livros que ainda hoje sobrevivem como clássicos da literatura chinesa. Entre eles estão o Livro dos Poemas, o Livro da História, o Livro das Etiquetas e o Livro das Mutações (o I Ching).
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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Confúcio redimido...


Em Janeiro deste ano, a China instalou uma estátua de Confúcio de 7,90 metros de altura, assente num pedestal de pedra, no seu centro político, na Praça da Paz Celestial, (Praça Tiananmen) de frente ao retrato de Mao Tsé-tung e perto do moderno obelisco para os Heróis do Povo. Dois símbolos que, materialmente, definiram a identidade nacional chinesa durante 60 anos.
Este acto, não seria novidade de maior, porque Confúcio representa a cultura tradicional da China e tem uma vasta e profunda influência na sociedade internacional, mas a novidade é que Mao-Tse-Tung quando governava o país, considerava o grande sábio chinês da antiguidade “um pensador feudal e decadente”.
Durante a década da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), na última cruzada de Mao, a liderança chinesa lançou uma “campanha política de massas” intitulada “Criticar Lin Biao e Criticar Confúcio”, porque os radicais da altura, entre os quais, a mulher de Mao (Jiang Qing) pretendiam “aprofundar a luta de classes sob a ditadura do proletariado”, e, para eles, Confúcio era demasiado “conservador”…

O retrato de Mao, afixado na tribuna de cor púrpura que dá o nome à praça, continua lá, mas a “Revolução Cultural” é hoje considerada “o mais grave erro e o maior retrocesso da história do socialismo na China”.
Ao contrário do que então preconizava, o Partido Comunista Chinês defende agora, a economia de mercado.
Confúcio, nasceu em 551 a.C., quando a China estava dividida em vários reinos, tornou-se filósofo e pedagogo, tendo seguidores e escolas que ensinam a sua filosofia, até aos dias de hoje. O organismo criado em 2005, pelo governo chinês para divulgar internacionalmente a cultura e a língua chinesas, por ironia, chama-se precisamente Instituto Confúcio.
Mas desde Janeiro deste ano, Confúcio e o fundador da China comunista juntaram-se no centro de Pequim numa aliança impensável na década de 70. O filósofo foi reabilitado e a “sociedade harmoniosa” inspira-se agora nos seus ensinamentos…
O monumento de Confúcio em frente de Mao marca o fim de uma clara separação ideológica entre a história imperial e a moderna. É o reconhecimento de que a China contemporânea se tornou (talvez), num novo social-capitalismo confuciano…