Planeámos ir até lá, no dia seguinte... e assim foi, indo de metro, não há que enganar, a paragem é a Yonghegong Lama Temple. Apesar de cedo, decidimos almoçar por lá, e até achámos a zona bastante curiosa como se pode ver na foto.
Se não fosse um frio de descolar-nos as orelhas da cabeça, o passeio teria sido mais agradável e confortável, mas mesmo assim, a curiosidade arrastou-nos até à bilheteira, decididos a conhecer a sua história.


Após adquirir o bilhete, logo a seguir, encontramos a planta do Templo, que mostra cinco pátios e cinco grandes alas que existem no recinto e a sua história.
O Templo Lama, como é conhecido em português, ou “Yonghe Gong Temple”, ou também conhecido como o Palácio da Harmonia e da Paz, foi fechado, mas escapou da destruição durante a Revolução Cultural (que definia os QUATRO VELHOS: “velhas ideias, velha cultura, velhos costumes e velhos hábitos”). Diz-se que o templo sobreviveu à revolução cultural, devido à intervenção do Primeiro Ministro, Zhou Enlai, e foi reaberto ao público em 1981.

Após a morte do imperador Yongzheng, em 1735, o templo tornou-se residência para um grande número de monges tibetanos budistas da Mongólia e do Tibete.

Com 480 metros (de norte a sul) e 20 pavilhões (que não podem ser fotografados por dentro).
Cada pavilhão tem um nome daqueles que só os asiáticos sabem dar, como Yongyoudian (Sala da Protecção sem Fim), Falundian (Sala da Roda da Lei), Wanfuge (Pavilhão das Dez Mil Felicidades), etc.

Mas além de algumas estátuas de tartarugas (símbolo da longevidade na China), encontrámos uma flor de lótus azul e fizemos uma paragem na ala esotérica (sala de estudo), para descansar do frio que nos congelava a alma.

Em cada construção vamos encontrando pavilhões que são um hino de cores, que salta logo à vista. Nas arcadas gravadas sobressai o encarnado, cor da alegria; junto aos telhados e nas esculturas de budas e demónios, destaca-se a força do amarelo, cor do poder e da cor imperial da dinastia Qing; nas pinturas do tecto nota-se o azul, associado à imortalidade...


Começamos por lhe ver as pernas douradas, para depois continuar a inclinar o pescoço e a deslizar os olhos até ao tecto. Tem 18 metros de altura e foi esculpido a partir de uma única peça de madeira de sândalo. À volta da cabeça do buda rodopiam pombas com pequenos apitos que emitem um zumbido harmonioso. A pose do gigante Buddha Maitreya (que significa futuro) é impressionante, mas o olhar que lança aos humanos é amigável e condiz com as duas mãos pesadas que parecem oferecer calma aos que lhe prestam homenagem e aos que ficam boquiabertos a admirá-lo.
Por todo o lado há pessoas a deixar incenso e ofertas (sobretudo fruta)junto aos deuses da sua devoção. Umas ficam em pé, com as palmas das mãos unidas a pedir bençãos ao Buda. Muitas ajoelham-se diante das imagens sagradas e lançam os braços à terra, em devoção. Outras caminham dentro dos templos, à volta das estátuas, como se estivessem em peregrinação concentrada.
Há quem o queime e depois o coloque a arder diante das estátuas, outros limitam-se a deixar a oferta de três (o número da perfeição) paus de incenso por queimar perto das imagens ou dos altares.

Mais à frente, ouve-se o eco grave do sino, pesado, cravejado de caracteres e carregado de “pedidos da sorte” à volta. Ou lançamos a moeda, a pedir a boa fortuna, ou pagamos em moedas, se queremos lançar-nos ao sino, para que Buda nos oiça logo ali.
O templo é belissimo, se vier até Pequim, não deixe de o visitar.
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