quinta-feira, 25 de junho de 2009

Desilusão...


A escola onde eu estudava na minha infância, teria eu uns dez anos, costumava encerrar o ano lectivo com um espetáculo teatral com a participação de alguns alunos. Ainda hoje é assim!
Eu adorava aquilo, porém nunca me tinham convidado para participar, o que me trazia uma secreta mágoa e confidenciei isso mesmo a uma colega que, soube mais tarde, foi contar à professora.
Talvez por isso, no ano seguinte, quando fiz onze anos, avisaram-me que, finalmente iria ter um papel para representar. Fiquei felicíssima, mas esse estado de espírito durou pouco porque escolheram várias colegas minhas para os desempenhos mais relevantes e a mim, coube-me um pequeno e muito reduzido papel sem ponta de importância. Hoje, passados tantos anos, acho que foi mesmo para me contentar o desgosto. Naquela altura a minha decepção foi imensa. Cheguei a casa em prantos e a minha mãe quis saber o que se passava.
Ouviu com atenção toda a minha história, entre lágrimas e soluços.
Sem nada dizer, ela foi buscar o bonito relógio de bolso do meu pai e colocou-o nas minhas mãos, dizendo:
- “Muito bem, o que é isto que estás a ver?”
- “Um relógio de bolso com mostrador e ponteiros” - respondi meio distraída.
Em seguida, a minha mãe abriu a parte traseira do relógio e repetiu a pergunta: - “E agora, o que estás a ver?”
- “Oh mãe, aí dentro deve haver centenas de rodinhas e parafusos, porquê?”
Começava a ficar surpreendia, pois aquilo nada tinha a ver com o motivo do meu aborrecimento. Mas calmamente ela prosseguiu:
- “Este relógio tão necessário ao teu pai e tão bonito, seria absolutamente inútil se nele faltasse qualquer peça, mesmo a mais insignificante das rodinhas ou o menor dos parafusos...”
Enfrentei o seu olhar calmo e amoroso, e então compreendi o que ela queria dizer: apesar do meu insignificante papel na peça de teatro, eu era uma "peça" tão necessária como qualquer outra, para formar um todo.
Esta pequena lição tem-me ajudado muito a ser mais feliz na vida, aprendi que, tal como a máquina daquele relógio do meu pai, quão essenciais são mesmo os deveres mais ingratos e difíceis, que nos cabem a todos.
Não importa que sejamos o mais ínfimo parafuso ou a mais ignorada rodinha, desde que o trabalho, em conjunto, seja para o bem de todos. E percebi também que se o esforço tiver êxito o que menos importa são os aplausos exteriores. O que vale mesmo é a paz de espírito do dever cumprido.

5 comentários:

Anónimo disse...

Olá amiga
Então não tens mais receitas chinesas?
... arranja algumas que já tenhas experimentado.
Bjs e bom fim de semana
Ana Simões

Anónimo disse...

É assim que se apanham os traumas de infancia...

Anónimo disse...

Olha o Ze, que percebe destas coisas de informatica, diz que tens problemas com o teu blog porque ele tambem tentou escrever com o yahoo dele e não conseguiu e perdeu a conversa toda. Ficou aborrecido e ja nao escreveu mais nada, mas eu atraves do Anonimo vou conseguindo. Paciencia!
Bom fim de semana.
Tina

Irene Abreu disse...

Amigos/as
Agradeço todas as sujestões, só que não sei como resolver o problema, porque comigo passa-se o mesmo, muitas vezes quero dar a resposta aqui no blog e não consigo publicar o comentário. Tem dias que se recusa...
Beijinhos para vocês.

Anónimo disse...

É natural que as crianças se sintam frustradas, porque nessas idades os "desgostos" e "frustações"são diários o que por vezes não compreendo é porque alguns adultos, ainda, teimam em pensar que o mundo gira à sua volta. Paciência, melhores dias chegarão.
Bjs.