terça-feira, 3 de novembro de 2009

O velho galo...


Naquele dia o fazendeiro trouxe um belo e corpolento galo para trocar pelo outro velho galo, que desse conta das inúmeras galinhas.
Ao chegar o novo galo, o velho dono da capoeira, sabendo que este concorrente o iria tirar das suas funções, apressou-se a conversar com o seu substituto:
- Olá, muito bem vindo, preciso de facto de ajuda e gostaria de saber se poderia deixar-me pelo menos duas galinhas?
- Ora, o que é isso velhote? É claro que vou ficar com todas! – declarou o novo “senhor” do galinheiro, já com a crista toda arrogante.
- Mas… - insiste o velho galo de crista baixa – só duas apenas, entre tantas, que diferença faz?
- Não, já disse! Vou tomar conta de todas elas, já são minhas!
- Pronto, está bem, mas gostaria no entanto de lhe fazer uma proposta – diz brandamente o velho galo – apostamos uma corrida em volta do galinheiro. Se eu ganhar, fico pelo menos com duas galinhas. Mas se perder, são todas tuas e não falamos mais nisso.
O jovem galo, mediu o velho de cima a baixo e pensou de imediato que seria fácil vencê-lo e assim não teria de o ouvir mais a choramingar pelas galinhas.
- Tudo bem velhote, aceito!
- Muito obrigado jovem. Já que realmente as minhas chances não são muitas, peço apenas que me deixe ficar vinte passos mais à frente – pediu o galo velho com um ar infeliz.
O jovem olhou para ele. Viu-o tão indefeso e trémulo que nem pensou duas vezes, é claro que não iria fazer diferença, bem rápido o alcançaria e, sem hesitar, aceitou.
Iniciada a corrida sob o olhar espantado das galinhas, o jovem galo dispara desenfreado atrás do velho galo, que fazia um terrível esforço para se manter na dianteira, mas rapidamente vai perdendo terreno e, quando o mais novo está prestes a alcançá-lo, o fazendeiro, que observava a cena ao longe, pega na caçadeira e atira sem piedade no galo mais jovem, que cai imediatamente morto.
Guardando a arma, o fazendeiro muito aborrecido, comenta com a mulher, que vem a correr ao ouvir o tiro:
- Não percebo o que se passa com estes últimos galos novos. Já é o quinto galo gay que compramos esta semana!
Mais uma vez o filho da mãe não ligou às galinhas e estava a correr atrás do galo velho. Incrível né?
Moral da história:
Nada substitui a experiência! Em alguns casos, a antiguidade continua a ser um posto.

4 comentários:

MACAU BANGKOK O MAR DO POETA disse...

Estimada Amiga e Ilustre Romancista Irene,
Linda fábula, no nosso dia a dia se repete, já é um hábito erraizado nas gentes cá da terra e dos portugueses, aqueles que passaram anos trabalhando e aprendendo foram sempre desperezados, eram os galos novos que vinham tomar da capoeira, que é Macau, e dela tomavam conta a sua gosto e proveito, volvidos dois anos regressam para outras capoeiras e o resultado desses galos é que perderam a crista e agora andam na crista da vaga, mas da corrupção.
veremos se o velho fazendeiro não lhes dará o tiro de misericordia que estão precisando.
Deixem as galinhas por os ovos, já que não são de oiro, mas sim brancos ainda vão dando para alimentar as esperanças!...
Um abraço amigo

Sereia disse...

Boa tarde amiga!!!
Muito obrigado pela visita,amei(namoradeira,rsrsrs)
Seu texto foi incrível!!!
Nada substitui a experiência! Em alguns casos, a antiguidade continua a ser um posto.
Fechou com chave de ouro...
Parabéns pela escolha
Um beijo grande

Zé Carlos disse...

Olá menina de Macau... Esta fábula é super verdadeira: Nada substitui a experiência! Quer verdade maior, espero que vc esteja com um clima ameno pela terrinha pois aqui no Brasil está terrivelmente quente.
Bjs do teu amigo

Anónimo disse...

Olá amiga!
Adorei esta história. Podes crer que há por aí cada galinácio... pena não haver quem lhes dê um "tiro" na altura certa, eh, eh, eh
Beijinhos
Sissi