
A explosão do consumo no mundo actual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais porque a “cultura” de consumo soa muito alto. A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos. É quase invisível a violência do mercado: a produção em série, em escala gigantesca, impõe no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, para esquecer aquilo que não se conseguiu, ou seja, os objectivos de comprar, encherem-se, atulhando-se de coisas, ou sonhando fazê-lo, porque as coisas também podem ser símbolos de ascensão social...

A plastificação da comida à escala mundial, obra da McDonald's, Burger King e outras fábricas, viola com êxito o direito à autodeterminação da cozinha, cujo direito deveria ser sagrado, porque a alma tem uma das suas portas através da boca!
Tudo isto porque as massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a PUBLICIDADE!
Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite e graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai-se tornando tempo de consumo obrigatório.

A cultura do consumo, é a cultura do efémero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar.
O pior de tudo isto é que a publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz, até porque isso é o que menos importa. A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias, certo?
As pessoas buscam um tempo livre, mas que afinal se transforma em tempo prisioneiro, aproveitando o seu tempo para trabalhar mais, para poder comprar mais.


O mundo inteiro tende a converter-se num grande écran de televisão, onde as coisas, para a maioria das pessoas, se olham mas não se tocam.
2 comentários:
É por essa, e outras razões adjacentes, que os portugueses ainda não interiorizaram a situação real do país e de cada um, continuando a marcar férias no estrangeiro, não só pq é bom, mas pq é moda.
Oi Irene. Permita que me apresente. Vim linkando, linkando, encontrei seu blog, gostei do que li e estou seguindo.
Parabéns, você escreve muito bem!
:)
Estarei sempre por aqui!
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